segunda-feira, 28 de outubro de 2013
O SILENCIO DE DEUS
Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio -Lamentações 3.26a
Quando alguém se silência é porque alguma coisa aconteceu , será que Deus pode ficar em silênco será que o silêncio de Deus não quer dizer algo para nós ?
1. Quando você tem orado muito - e não tem uma resposta isso é silêncio de Deus ( Note bem o silêncio não é sintoma de que Ele não está vendo II Cr 16.9 , Pv 15.3 , Hb 4.13 )
As vezes derramamos nossa vida em pranto e Ele se cala ( faz silêncio ) A resposta não chega .
2. Quando voce é provado - na moinha é duro de entender o silenciar de Deus , sofrimento , desespero , lutas que parece não ter fim e Deus em silêncio , você pergunta Ele não responde faz SILÊNCIO
Seu Silêncio doí
Seu silêncio Moe
Seu Silêncio prova
Seu Silêncio machuca
Seu Silêncio traz angustia
Seu Silêncio fere
Mas então o que fazer ?
1. Entender que até no silêncio Ele está trabalhando ( Is 64.4 )
2. Ter confiança e fé que Ele está em silêncio mas está do teu lado ( Mt 28.20 ) e jamais vai deixar voce perecer
3. Descançar no silêncio - I Pe 5.7
Para tudo tem um fim
Para tudo tem um novo começo
Para tudo há solução
Para tudo tem um tempo
Entenda uma coisa as vezes é no silêncio que se chegamos mais a Deus .
É hora de ver ele daqui a pouquinho se pronunciar na tua vida , e Se dizer algo fique tranquilo vai acontecer, mas não para derrota , mas para vitória .
Conclusão : Deixa Deus agir no teu silêncio com o silêncio dele e verás que o fracasso vira vitória , o perdido é achado o derrotado vira vencedor e você se tornará um grande campeão ( Fp 4.13 )
O VALE DE OSSOS SECOS.
O Vale de Ossos Secos
"... O Senhor me levou em espírito e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos... eram numerosos e estavam sequíssimos... Então me disse: Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor... Então profetizei... e eis que se fez um reboliço, e os ossos se juntaram, cada osso ao seu osso... E profetizei como ele me deu ordem: então o espírito entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo." (Transcrição parcial do texto de Ezequiel 37.1-14)
Uma das mensagens desse texto é a esperança baseada no poder de Deus. Se Deus enviasse o profeta ao meio de pessoas doentes, Ezequiel talvez pudesse sugerir tratamentos para elas. Porém, Deus o coloca diante de mortos, e não apenas isso, mortos há muito tempo, com seus ossos sequíssimos. É um quadro que mostra o fim dos recursos naturais e humanos. Aparentemente, é o fim de tudo. Mas os recursos divinos ainda não se esgotaram. Aleluia!
Quando tudo parece perdido, Deus ainda tem solução. Veja o caso de Lázaro (João 11). Jesus chegou quatro dias depois do seu sepultamento. Parecia tarde demais, mas para Deus não era, e ele foi ressuscitado.
Aquele vale cheio de ossos desarticulados e misturados mostra a desorganização de uma vida sem Deus. Vida? É mais apropriado dizer uma morte em vida. Desorganização nos sentimentos, nos negócios, nos objetivos, na família, etc. Muitas pessoas hoje são verdadeiros mortos-vivos. Já sepultaram seus sonhos e seus ideais. Deus disse ao profeta : "Filho do homem, profetiza aos ossos: ossos secos ouvi a palavra do Senhor..." A Palavra de Deus é o remédio para o problema do homem. É através da palavra de Deus, a Bíblia, pregada e ensinada, que os mortos espirituais viverão. A Palavra de Deus é viva (Hb.4.12) e comunica vida. Aqueles que receberem de bom grado essa Palavra, serão por ela transformados, vivificados.
Cada osso vai encontrando seu lugar no corpo. Isso pode ser usado de forma aplicada para dizer que cada pessoa vai encontrando sua posição no corpo de Cristo, que é a igreja. Vai encontrando sua razão de viver, sua missão, seu objetivo de vida, sua função.
O texto destaca ainda a importância da ação do Espírito de Deus sobre nós. De nada adianta tudo estar no seu lugar, se não houver a ação do Espírito Santo, se não houver unção, se não houver poder. Seria como um motor de um carro que estivesse bem montado, mas sem o lubrificante e o combustível necessários ao seu perfeito funcionamento. Assim, nossas igrejas não devem ser apenas organizações bem estruturadas. Isso é bom, mas não é suficiente. Não podemos funcionar sem o poder do Espírito Santo, sem a unção dos céus.
Uma vez que estamos vivificados pela Palavra, e ungidos pelo Espírito, tornamo-nos um exército. Deus não ressuscitou aqueles mortos para que cada um fosse cuidar de seus próprios interesses. Deus os ressuscitou para que se tornassem um exército para lutar na causa do Senhor. Aqueles que são vivificados, salvos pelo Senhor, serão usados para alcançar outros. Isso não quer dizer que deixaremos de cumprir com os nossos deveres. Vamos trabalhar, estudar, divertir, etc. Mas nada disso ocupará o lugar de Deus em nossas vidas. Nada disso poderá impedir que façamos nosso trabalho na obra de Deus. Ele nos ressuscitou (Ef.2.1-2). Logo, nossa vida pertence a ele e vamos viver para a sua glória.
A PROMESSAS DO SENHOR NO KAYRÓS(tempo de Deus)
Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra - Hebreus 11.13.
Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões... - Hebreus 11.33.
I. TODAS AS PROMESSAS TÊM NELE "O SIM"
"Pois todas quantas forem as promessas de Deus, nele está o sim; portanto é por ele o amém..." - 2 Coríntios 1.20.
1. As promessas de Deus estão fundamentadas no caráter do próprio Deus;
2. Ele jurou por si mesmo que cumpriria todas as suas promessas - Hb 6.16,16;
3. Deixar de cumprir uma promessa, para Deus, seria como se Ele pudesse negar a Si mesmo, o que Ele jamais o fará.
II. TODAS AS PROMESSAS DE DEUS SERÃO CUMPRIDAS NO KAYRÓS
Kairos (καιρός) é uma antiga palavra grega que significa "o momento certo" ou "oportuno". Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Enquanto o primeiro refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, esse último é um momento indeterminado no tempo em que algo especial acontece. É usada também emteologia para descrever a forma qualitativa do tempo, o "tempo de Deus", enquanto chronos é de natureza quantitativa, o "tempo dos homens".
1. No Versículo 13 e no 33 de Hebreus 11, citados no início deste sermão, diz que:
a) Não alcançaram, mas viram de longe
b) Creram, abraçaram e confessaram...
2. A verdadeira fé não se baseia no que está ao alcance dos olhos
a) Exemplos: Moisés e Davi
3. Quem confia no Senhor sabe que mesmo que venha a morrer, Deus cumprirá suas promessas, no tempo dEle -
"Ainda que ele me mate, nele esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dele" - Jó 13.15
III. AS PROMESSAS DE DEUS SE TORNAM UMA HERANÇA PARA A FAMÍLIA
"Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas". - Hebreus 6.12
1. A promessa feita para um pai alcança, por herança aos seus filhos - Hb 11.9;
2.Quem se enquadra no perfil, ou quem faz jus, quem permanece, se torna herdeiro - 2 Co 7.1
3. Somos uma geração que desfruta das promessas de Deus feitas aos pais da igreja no início do século passado.
sábado, 26 de outubro de 2013
SETE GRANDES HOMENS DA BIBLIA
Lição 1 - José
7 Grandes Jovens da Bíblia
Lição 1 - José
Lição 2 - Samuel
Lição 3 - Davi
Lição 4 - Ester
Lição 5 - Daniel
Lição 6 - João
Lição 7- Timoteo
Apresentação
Apresentamos-lhe este manual de estudos bíblicos esboçados, para a juventude. Os problemas e as circunstâncias que os jovens enfrentam hoje em dia são, em muitos aspectos, sem paralelo em toda a história humana. Contudo, não precisamos pensar que esta geração é peculiar nos problemas e dificuldades que enfrenta para viver de maneira pura e interrupta para Deus. Na verdade, jovens de todas as gerações têm enfrentado os mesmos problemas básicos que enfrentamos hoje, para viver para Deus.
A ciência criou grandes modificações em nossa forma e padrão de vida, com suas muitas invenções, mas os problemas básicos que a mocidade enfrenta são freqüentemente os mesmos hoje como em séculos atrás, nos dias bíblicos.
Estudos simples, do caráter de sete jovens da Bíblia, servirão para ilustrar como aqueles moços e moças enfrentaram e resolveram os mesmos problemas que nossa mocidade enfrenta hoje. Estes estudos mostrarão também como eles enfrentaram aqueles problemas com a fé em Deus e coragem para viver por aquela fé. Se estas lições puderem desafiar os jovens de hoje a resolverem os seus problemas, com a mesma fé e coragem que estes grandes jovens da Bíblia usaram para resolver os seus, este manual cumpriu o seu objetivo.
Estas Lições devem ser usadas em reuniões da Rede de Jovens. Os estudos de personalidade não são exaustivo, completos, e muitas vezes tratam só da juventude destes vultos bíblicos, tocando apenas brevemente em seus anos de maturidade. A razão é óbvia: este manual é um estudo dos seus problemas e lutas nos verdes anos da sua mocidade.
Passo a sugerir duas maneiras básicas de estudar este primeiro manual. Primeiro, cada lição pode ser estudada por todos os jovens durante a semana, que preceder a reunião ou a aula, e então um líder pode dirigir os jovens na discussão, para que cada um possa contribuir com as verdades que mais os inspiraram na lição. São incluídos em cada lição tópicos para a discussão e perguntas.
A Segunda maneira de estudar uma lição é encorajar todos os jovens a estudar a lição na semana precedente, e então escalar um ou dois jovens para proferirem “sermonetes” que tenham desenvolvido de alguma verdade aprendida na lição. Se o tempo permitir, ambas as maneiras podem ser usadas; primeiro os “sermonetes”, e depois os tópicos para discussão e as perguntas.
As lições são curtas; os sumários e as perguntas têm o objetivo de promover o estudo individual e a participação de todos os jovens do grupo. De fato, o padrão neotestamentário para as reuniões dos crentes está subentendido nestas lições. Elas foram preparadas para encorajar a participação ungida de todos. No Corpo de Cristo, cada membro deve ser um participante, e não espectador passivo.
Se os líderes dos grupos que forem usar este manual recapitularem cuidadosamente os pensamentos apresentados neste prefácio, antes de procurar usar as lições em reuniões especiais, as aulas serão mais eficientes nas vidas dos seus jovens.
Lição 1 - J O S É
Quem era José? O livro de Gênesis devota quase trinta por cento dos seus capítulos à vida de José, filho de Jacó. A sua vida foi incomum, pois ele foi vendido para a escravidão no Egito quando tinha dezessete anos, e naquele país ele passou os treze anos seguintes como escravo e na prisão. Tinha apenas trinta anos de idade quando tornou-se governador da maior civilização daquela época. Ali, em terra estranha, casou-se com mulher estrangeira, e viveu e reinou no Egito durante oitenta anos.
José era o filho favorito de Raquel, esposa favorita de Jacó. Este lhe deu uma capa de muitas cores, que indicava para os outros irmãos que Jacó pretendia dar-lhe a primogenitura. Hoje em dia diríamos: “Ele nasceu com uma colher de ouro na boca”.
Teria riquezas que haveria de herdar, posição e benção; contudo, não foi este o plano de Deus para a sua vida. Leia como Deus permitiu que todas estas cousas ruíssem por terra, e grande humilhação se abatesse sobre ele durante trinta anos, enquanto preparava-o para cousas maiores.
Como era a vida na época de José? Jacó e seus filhos eram pastores ou vaqueiros. Cuidavam de seus rebanhos, criavam suas famílias, e geralmente procuravam servir a Deus. Com a idade de dezessete anos, José foi introduzido ao Egito, que era culturalmente muito mais desenvolvido que Canaã. Sabe-se que toda a arte e ciência da Grécia foram copiadas do Egito. Todavia, a liberdade e os direitos humanos estavam no mais baixo nível. A vida humana tinha pouco valor. A escravidão florescia com todo o vigor.
Que problemas semelhantes aos nossos José enfrentou? José não foi compreendido pela sua família, era invejado e odiado por seus irmãos. A sua juventude não podia ser suave, em tais circunstâncias. Não lhe foi fácil ser repentinamente degradado da posição de filho mimado de Jacó, para ser escravo na casa de Potifar, no Egito. Ele foi colocado em posição dificílima. Foi sujeito à tentação da esposa do seu senhor.
Hoje em dia, parece que essa tentação é muito pouco diferente. Quando ele foi elevado repentinamente da prisão para o trono, enfrentou a tentação do orgulho e da arrogância, que uma prosperidade assim, súbita, propicia. Mais tarde, ele teve todas as oportunidades de vingar-se dos seus irmãos por causa da traição que eles lhe haviam feito, quando menino. Todas estas tentações e problemas têm derrotado muitos homens, e ainda estão fazendo com que muitos não cumpram a vontade de Deus para as suas vidas, hoje em dia.
Como foi que José resolveu os seus problemas? José tinha fé e dependência básica de Deus (Gênesis 39:4-8; 50:19, 20), que o mantiveram fiel em meio a todas estas circunstâncias e problemas. Quando você lê acerca do perdão que ele concedeu aos seus irmãos, da sua fidelidade em face à adversidade, lembre-se de que foi a sua fé robusta em Deus que fez dele um homem fiel.
A vida e as oportunidades de José foram maiores ou menores do que as nossas? A vida era mais simples naquela época do que agora, mas era mais primitiva e incerta em outros sentidos. São as épocas e circunstâncias que colocam diante de nós grandes oportunidades, pois é Deus que nos dá a oportunidade de realizar grandes feitos em nossas vidas? No caso de José, Deus o ajudou e lhe deu o lugar. Para nós também, Deus é o único que exalta o humilde coração que confia, e abate o orgulhoso e ímpio. Hoje em dia, temos uma oportunidade ainda maior que José, para andar com Deus, pois Ele está derramando do Seu Espírito mais amplamente, nestes dias.
Leitura designada: Gênesis, capítulos 37 a 50.
Esboço da Vida de José
1. Seus pais - Gênesis29:31; 30:1, 22-24.
2. Suas primeiras relações familiares, suas revelações e sonhos – Gênesis37:1- 22.
3. Vendido como escravo – Gênesis37:23-36.
4. Escravatura e prisão – Gênesis39 e 40.
5. Libertado e exaltado – Gênesis41.
6. Perdão semelhante ao de Cristo - Gênesis42 a 50.
7. Os seus ossos levados para Canaã quatrocentos anos mais tarde – Gênesis50:24-26; Êxodo 13:19.
Perguntas para Estudo e Discussão
1. Em Gênesis capítulo 37, note os problemas que a parcialidade paterna suscita em uma família. Se um pai (ou mãe) é parcial em benefício de um dos filhos, que problemas isto suscita?
2. Descreva como José tornou o mal com o bem.
3. A família de José o compreendia quando ele era menino e recebia sonhos de Deus? Como podemos entender melhor os membros de nossa família?
4. Que fez José quando tentado a pecar, pela esposa de seu senhor? Há ocasiões em que fugir é melhor do que lutar?
5. Você acha que Deus preparou tempos difíceis na mocidade de José, afim de prepará-lo para as grandes bênçãos do futuro?
6. Se José não tivesse sido vendido para o Egito, mas se lhe fosse permitido continuar como filho mimado e favorito de Jacó, é possível que a predileção de Jacó tivesse destruído o seu caráter de maneira mais eficiente do que as adversidades que ele enfrentou?
Grandes Temas da Vida de José
Pagar o mal com o bem.
Como enfrentar da Tentação.
O valor das Dificuldades.
Versículos para decorar: Gênesis 39:4,5,7,8,; 50: 19-20; 50: 24-26, Êxodo 13:19.-
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Lição 02 - S A M U E L
Quem era Samuel? Mais de mil anos antes do nascimento de Cristo, um jovem cresceu como auxiliar de idoso sacerdote, no Tabernáculo de Israel. Embora a vida no Tabernáculo fosse tão corrupta quanto em todo o resto da nação, aquele jovem, Samuel, aprendeu a conhecer a voz de Deus na sua mocidade, e andou irrepreensivelmente em toda a sua vida, a ponto de chegar a ser um pioneiro espiritual. Ele fundou a linhagem de profetas que iriam tornar-se a única voz verdadeira de Deus para a nação, na perspectiva dos séculos futuros. A corrupção moral que ele testemunhou até na casa de Deus, jamais maculou a sua vida. A maior parte da vida ele serviu tanto como sacerdote quanto juiz. Foi o último dos grandes juizes.
Chamavam-no juiz itinerante, pois ele fazia um circuito em Betel, Gilgal, Mizpá e Ramá, administrando justiça. Ele preencheu um cargo político na maior parte da vida, sem uma única mancha em sua carreira. Sob sua direção como vidente, ou profeta, formou-se a monarquia, e ele ungiu os primeiros dois reis de Israel, Saul e Davi.
Como era a vida na época de Samuel? As escrituras registraram que na época dos Juízes “cada um fazia o que achava mais reto”. Ocasionalmente, subvertida a opressão causada por uma nação vizinha, e levava o povo de volta à adoração do Senhor. Geralmente, durante esses períodos, prevaleciam anarquia, iniqüidade e imoralidade de toda espécie. Eram períodos violentos de transição em toda a nação.
Condições que produziam facilmente os homens mais malignos. Porém, dessa era confusa e degenerada, emergiu Samuel, homem íntegro, que andou diante do Senhor como Seu profeta, durante toda a sua vida.
Que problemas semelhantes aos nossos Samuel enfrentou? Os tempos eram perigosos por causa de freqüentes guerras. Naquela época, como hoje, a ameaça de guerra era como nuvem negra que estava sempre suspensa sobre a nação civilização, como nos tempos de Samuel. A tendência de se conformar com o curso dos eventos afetou até os sacerdotes. Naquela época, como agora, era difícil recusar-se a se conformar e “seguir a multidão em fazer o mal.”
Como foi que Samuel resolveu os seus problemas? Samuel significa “Pedido a Deus”, pois a sua mãe Ana era estéril quando pedira um filho a Deus. Com uma mãe que orava, Samuel parecia destinado a ser um homem de oração durante toda a sua vida. Quando os filhos de Eli eram imorais e cobiçosos no Tabernáculo, Samuel estava aprendendo a voz de Deus, e continuou a ser um homem poderoso em oração durante todos os seus anos. Veja I Samuel capítulos 7, 8 e 12:14-23. Embora ele tivesse nascido para o sacerdócio e fosse de família levítica (I Crônicas 6:33-38). É conhecido melhor como o “profeta de oração”. Todos os problemas, então como agora, têm solução diante do trono de Deus.
A vida e as oportunidades de Samuel foram maiores ou menores do que as nossas? O que é que você acha? É difícil responder com segurança. Samuel viveu como jovem em tempos quando a palavra do Senhor era rara (I Samuel 3:1). A vida naquela época não corria no ritmo de hoje em dia, pois Canaã ainda era uma nação agrícola e pastoril. Se as suas oportunidades de cultura eram menores do que as nossas, ele deve ser recomendado por tê-las aproveitado para aprender dos rolos antigos, e ter-se tornado um juiz tão fiel. As comunicações e os transportes daquela época e de hoje, são dois mundos diferentes, mas lembre-se de que as cidades da época de Samuel (Silo, Betel, Ramá, Jerusalém, Gibea), estavam a uma distância média de apenas oito a dez quilômetros uma da outra. O seu mundo era menor.
Leitura designada: Samuel 1 a 16; 19:18-24: 25:1; 28.
Esboço da Vida de Samuel
1. Ele nasceu em resposta à oração – I Samuel 1.
2. Ele cresceu no Tabernáculo, e foi chamado por Deus ainda menino – I Samuel 2
e 3.
3. Através de suas orações, os filisteus foram derrotados – I Samuel cap. 4 a 7.
4. Ele ungiu o primeiro rei – Saul – I Samuel 8 a 10.
5. Ele pronunciou julgamento sobre Saul. I Samuel cap. l1 a 15.
6. Ele ungiu a Davi como o segundo rei de Israel – I Samuel 16.
7. A poderosa escola de profetas de Samuel – I Samuel 19:18-24.
8. A morte de Samuel – I Samuel 25:1.
Perguntas para Estudo e Discussão
1. Quanto você acha que Samuel devia à sua mãe, Ana?
2. A influência e a experiência do menino Samuel no Tabernáculo foi sempre elevado e boa?
3. Apresente tantos incidentes de oração na vida de Samuel, quanto puder. Discuta- os.
4. O que é um “vidente”?
5. Os profetas são mencionados muitas vezes na Bíblia, antes de Samuel?
Grandes Temas da Vida de Samuel
O perigo de Indulgência Paterna - I Samuel 2; 8:1-105.
Obediência Completa - I Samuel capítulo 15.
Oração na Vida de Samuel – I Samuel 7:5-8; 8:6; 12:17 e 15:1; Salmo 99:6; Jeremias 15:1; Hebreus 11:32-40
Samuel – Fiel a Deus em Tempos Maus.
Versículos para Decorar: I Samuel 1:27-28, 2:35; 12:23-24; 15: 22 e 16:7.
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Lição 3 - D A V I
Quem era Davi? Aproximadamente três mil anos atrás, um moço tornou-se rei de seu povo, com a idade de trinta e três anos. Ele já havia enfrentado grandes perigos e adversidades, tendo lutado com leões e ursos quando era pastor de ovelhas, e tendo derrotado um gigante filisteu que tinha 2,70 metros de altura, depois do que vivera vários anos como fugitivo e marginal por causa da inveja do seu rei. Esse moço, Davi, ainda bem jovem já era compositor, músico, guerreiro e estrategista militar. Mais tarde, ele iria governar as doze tribos de Israel durante quarenta anos, e expandir o seu reino do Rio Eufrates até às fronteiras do Egito. Reconhecido como o maior rei da história de Israel, ele também é chamado “o doce cantor de Israel”, e nas Escrituras, é chamado profeta de Deus. Acima de todas estas cousas, ele era um homem profundamente espiritual, chamado por Deus, e homem segundo o Seu coração. Ele era intensamente humano, e exibia a ampla gama de expressões morais de que o coração humano é capaz. Ele alcançou as alturas e chegou às profundidades. Davi significa “amado”; era homem belo, embora de pequena estatura; forte, corajoso e prudente no falar.
Como era a vida na época de Davi? Tanto nacional como religiosamente, os tempos eram caóticos. Davi teve pleno contato com a época violenta em que vivia. Lutou com animais selvagens no deserto, enquanto, na qualidade de rapazote, cuidava das ovelhas; lutou nos exércitos de Israel como jovem, e esquivou-se da perseguição do rei invejoso, que deseja matá-lo. Como fugitivo nas montanhas, ele aprendeu a manejar os homens, e tornou-se um líder. A vida era cheia de perigos, e os homens expressavam as suas emoções de maneira primitiva e às vezes violenta. Não obstante, houve maravilhosa revelação e comunhão com Deus na vida de Davi e de Samuel, seu contemporâneo.
Que problemas semelhantes aos nossos Davi enfrentou? Davi foi ungido para ser o Rei de Israel, quando não passava de um garoto, mas muitos anos se passaram antes que ele se tornasse rei. É difícil os jovens enfrentarem adiamentos e revezes. Porém, muitas vezes, decepções e lutas também são o nosso quinhão. Davi enfrentou estas cousas, e nós também as enfrentamos. Ele constantemente enfrentou um inimigo que era maior que o Golias, que matou quando moço. Esse inimigo era a sua própria natureza carnal. Muitas vezes é difícil fugir “das paixões da mocidade”.
Como foi que Davi resolveu os seus problemas? Muitas vezes Davi buscava o Senhor em oração e louvor, quer estivesse enfrentando inimigos, concupiscência ou culpa, quer tivesse problemas para os quais não podia encontrar solução. Em momentos de desânimo, está escrito que “Davi fortaleceu-se no Senhor”. Quando lemos os Salmos, muitos dos quais foram escritos por Davi, estamos lendo as orações e louvores de homens que não eram capazes de encontrar escape, nem solução, nem forças, exceto no Senhor.
A vida e as oportunidades de Davi foram maiores ou menores do que as nossas? Quando uma nação está erguendo-se, ou caindo, apresentam-se as grandes oportunidades de fama, riqueza e grandeza. É a hora de crise quem exige um Tiradentes, ou D. Pedro I. Tempos de crise, que tais testemunharam o aparecimento dos profetas do Antigo Testamento. Em uma hora de necessidade assim, surgiu Davi. Não é verdade que hoje nós também estamos vivendo em uma época de crise e de transformação para toda a civilização? Quem pode dizer que esta época não é ainda mais desafiadora do que o tempo em que Davi viveu?
Leitura designada: I Samuel, capítulo 16 até o fim do livro. II Samuel, todo o livro. I Reis 1:1; 2:12. Note que I Crônicas capítulos 10 a 22, e 28 e 29 também tratam da vida de Davi, com algumas poucas variações.
Esboço da Vida de Davi
1. O jovem Davi foi ungido Rei – I Samuel, capítulo 16.
2. O jovem Davi matou Golias – I Samuel, capítulo 17.
3. A inveja de Saul e o amor de Jônatas – I Samuel, capítulos 18 a 20.
4. Davi foi fugitivo até a morte de Saul – I Samuel 21-31.
5. Davi foi feito Rei – II Samuel, capítulos 1 a 7.
6. Davi edificou e expandiu o reino – II Samuel 8-10.
7. Davi e Bate–Seba – II Samuel, capítulos 11 e 12.
8. Os problemas de Davi – II Samuel, capítulos 13 a 21.
9. Os últimos cânticos de Davi – II Samuel, capítulos 22 e 23.
10. Instruções finais e morte de Davi – I Reis 1:1; 2:10-12.
Perguntas para Estudo e Discussão
1. O que mais o impressionou na vida de Davi?
2. Que lições lhe pareceram mais importantes?
3. Discuta a versatilidade dos talentos e das façanhas de Davi.
4. Para você, qual é a fase mais importante da vida dele: Davi como guerreiro, músico, rei ou profeta?
5. Você pode indicar como Davi colheu, em seus próprios filhos, o pecado cometido com Bate-Seba?
6. Como você resume o aspecto espiritual de Davi?
7. Por que lhe foi negado o grande desejo de edificar um templo para Deus?
Grandes Temas da Vida de Davi
Inveja – do exemplo da inveja que Saul tinha de Davi.
Seja um Amigo Verdadeiro – Davi e Jônatas – I Samuel, capítulo 14; 18:1-5; 19:1-7; capítulo 20; 31:2; II Samuel 1:17-27.
Perdão – Mefibosete – II Samuel, capítulo 9.
Você não pode esconder o Pecado – II Samuel, capítulos 11 e 12.
O último Salmo de Agradecimento de Davi, suas Últimas Instruções e Última Oração – II Samuel, capítulos 22 e 23; I Crônicas 29:10-19.
Versículos pra Decorar: I Samuel 16:7; 17:45; 22:2-4, 17-20 e 26-27.
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Lição 4 - E S T E R
Quem era Ester? Ester era uma bela órfã judia, que viveu na Pérsia durante a época histórica em que o seu povo estava emigrando em ondas sucessivas, de volta a Canaã, saindo do exílio babilônico. Ela, como José no Egito, e como Daniel na Babilônia, foi usada por Deus para livrar o seu povo da aniquilação. Ela preparou o terreno para Esdras voltar a Jerusalém cerca de dezesseis anos depois, e para Neemias reconstruir os muros de Jerusalém, cerca de trinta anos depois. Aquela moça foi usada para mudar a maré da história. A sua beleza, o seu espírito de sacrifício e o seu tato tornaram-na uma arma eficiente na mão de Deus, para evitar o desastre da sua raça.
A oportunidade de Ester surgiu quando ela ganhou um concurso de beleza realizado com representantes de cento e vinte e sete países e províncias do Império Persa, para eleger uma rainha. Ela casou-se com Assuero (mais conhecido como Xerxes), e viveu com ele até a sua morte, treze anos depois. Ela estava casada com o rei havia cinco anos, quando Hamã conspirou o massacre dos judeus. Depois da libertação deles, Assuero, o poderoso monarca do Império Persa, teve um conselheiro judeu (Mordecai), bem como uma esposa judia.
Como era a vida na época de Ester? Ester e o seu povo eram uma raça minoritária em uma terra estranha. Era um povo desapossado, com limitada liberdade pessoal. O soberano oriental era cruel e opressor. A existência era uma luta diária.
Que problemas semelhantes aos nossos Ester enfrentou? Ester enfrentou e participou da perseguição do seu povo. Sem dúvida ela foi tentada a ficar em silêncio e escapar à vergonha ou ao prejuízo pessoal. Hoje em dia, os jovens cristãos não gostam de ser escarnecidos ou encarados como “diferentes”. Todos nós enfrentamos uma crise, mais cedo ou mais tarde. Ester era uma jovem que surgiu em uma emergência.
Como foi que Ester resolveu os seus problemas? Ela estava disposta a abandonar a sua posição – e até a sua vida – a fim de salvar o seu povo (Ester 4:13; 5:1-8) e teve a coragem de falar quando chegou a hora, mas com tato e sabedoria.
As oportunidades de Ester foram maiores ou menores do que as nossas? Como sempre, as “chances” vêm para aqueles que estão dispostos a tirar o melhor partido delas. Hoje, a história de Ester poderia ser re-escrita, mas com graça cristã em vez do desejo de vingança que vemos nos últimos capítulos. Em Cristo, podemos nos elevar a um amor que perdoa os nossos inimigos.
Leitura designada: O livro de Ester (10 capítulos).
Esboço da Vida de Ester
1. Ester tornou-se Rainha da Pérsia – Ester – cap. 1 e 2.
2. A conspiração da Hamá, e sua queda através da estratégia de Ester – Ester
capítulos 3 a 7.
3. Os judeus foram libertados através da intercessão de Ester – Ester 8:1 a 9:16.
4. A Festa de Purim foi instituída mediante decretos de Ester – Ester 9:17 até o fim
do livro.
Perguntas para Estudo e Discussão.
1. O nome de Deus é mencionado no livro de Ester? A oração é mencionada?
Adoração religiosa é mencionada?
2. Você acha que a deposta rainha Vastí tinha razão de recusar-se a obedecer às ordens do seu esposo?
3. Qual era o nome hebraico de Ester? O rei sabia que ela era judia?
4. Quem eram os pais de Ester?
5. Ester é uma excelente história. Indique outra história assim curta, no Antigo Testamento.
6. O que você acha do sentimento de vingança dos judeus?
Grandes Temas da Vida de Ester.
Grandes crises propiciam a manifestação de Grandeza no Povo de Deus.
Para uma ocasião como esta - Ester 4:16
Colhendo o que Semeou – Hamã.
Três grandes Festas: A Festa de Assuero, a Festa de Ester e a Festa de Purim.
Versículo para decorar: Ester 4:16.
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Lição 5 - D A N I E L
Quem era Daniel? Daniel foi um dos moços de sangue nobre ou real, que foram levados à Babilônia por ocasião do primeiro cativeiro, durante o reinado de Joaquim (Daniel 1:2). Ele tinha, naquela época, cerca de dezoito anos. Nada se sabe de sua família, mas aquele jovem andou com Deus e tornou-se um dos maiores profetas de todos os tempos. Tornou-se um grande estadista, ocupando essa posição durante mais de setenta anos. Tinha mais de noventa anos de idade quando foi colocado na cova dos leões, por Dario. Quando já estava na Babilônia, havia cerca de quinze anos, embora muito jovem, ele adquiriu tal fama por sua fé e intercessão como profeta de Deus, que Ezequiel o compara, na Palavra de Deus, com Noé e Jó, apresentando os três, como os maiores intercessores de todos os tempos. Leia cuidadosamente Ezequiel 14:13-20. Embora ele tenha enfrentado dificuldades como cativo de guerra, logo na mocidade, ele foi um dos maiores e mais puros caracteres da historia. Como estadista, influenciou as grandes civilizações que começaram uma nova ordem de cousas na história do mundo.
Como era a vida na época de Daniel? A vida de Daniel diferiu da maioria dos seus contemporâneos, pois ele viveu no palácio e foi uma figura pública durante um período de setenta anos ou mais. As tentações, conflitos e pressões se fazem sentir sobre os jovens que servem a Deus em qualquer geração. As invenções modernas e o progresso tem tornado as nossas vidas luxuosas, em comparação com o melhor que os reis antigos possuíam. Pelos menos, Daniel gozou do que havia de melhor em seus dias.
Que problemas semelhantes aos nossos Daniel enfrentou? A tentação de contemporizar com a ordem mundana é sempre a mesma, bem como a luta íntima entre o espírito e a carne. Nessas batalhas, Daniel foi mais do que vencedor. Em todos os sentidos ele foi um não-conformista, e um homem íntegro.
A vida e as oportunidades de Daniel foram maiores ou menores do que as nossas? Em muitos sentidos, Daniel parece que enfrentou, por ser cativo de guerra, maiores desvantagens do que nós. Contudo, devemos lembrar que Daniel viveu e participou dos grandes impérios (Babilônico e Persa), que estabeleceram o curso da civilização mundial. Nenhum homem no mundo de hoje poderia ter a influência no futuro da civilização como a que Daniel teve. Nos primórdios da civilização o poder e a influência foram concentrados em uma região, e nas mãos de uns poucos. Isto não pode acontecer hoje.
Leitura designada: Daniel, capítulos 1 a 6. Os Capítulos 7 a 12 registram as suas visões e profecias.
Esboço da Vida de Daniel
1. Daniel recusou-se a se contaminar ou contemporizar – Daniel capítulo 1.
2. Daniel interpretou o sonho esquecido do Rei Nabucodonozor - Daniel capítulo 2
(como jovem, estando na Babilônia havia apenas três anos).
3. Os amigos de Daniel passam pela fornalha quentíssima - Daniel capítulo 3 (Daniel
estava na Babilônia há 20 anos).
4. Daniel predisse a insanidade e recuperação de Nabucodonozor – Daniel capítulo 4.
5. Daniel predisse, na festa de Belshazar, a sua derrota pelos medos e persas –
Daniel capítulo 5.
6. Daniel foi posto na cova dos leões por Dario, Rei da Pérsia – Daniel capítulo 6
(Daniel tinha, então, mais de noventa anos). Não há registro de sua morte. O
resto do Livro de Daniel registra as suas visões e profecias.
Perguntas para Estudo e Discussão
1. Você é capaz de identificar os quatro grandes reinos mundiais descritos no sonho de Nabucodonozor, em Daniel capítulo 2?
2. Quantos acontecimentos miraculosos você poder encontrar no livro de Daniel?
3. Descreva os vários aspectos da personalidade de Daniel: “o profeta místico”, “o estadista e conselheiro de reis”, etc.
4. O que é que os jovens podem aprender do caráter de Daniel, que os inspire a andar com Deus?
5. Pessoas ocupadas podem, não obstante, ser espirituais?
Grandes Temas da Vida de Daniel
Firmeza de coração – Daniel 1:8.
Soberania de Deus sobre as nossas vidas – Daniel 2:47; 4:37; 6:26.
Milagres na Vida de Daniel.
Daniel – Homem de oração.
Liberação Divina dos Fiéis de Deus.
A Presença de Deus na Tribulação – Daniel capítulo 3.
Humildade – Daniel 2:49.
Louvor e Adoração – Daniel 2:20-23.
Versículos para Decorar: Daniel 1:8; 2:44-45: 12:3.
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Lição 06 - JOÃO MARCOS
Quem era João Marcos? João Marcos foi um jovem do Novo Testamento que fracassou miseravelmente na sua primeira oportunidade de servir a Cristo, porém, mais tarde, recuperou-se tornando-se um maravilhoso ministro da igreja primitiva, e autor de um dos Evangelhos. João Marcos era um cristão da segunda geração. A sua mãe era devota. Muitas vezes, contudo, as crianças podem ser criadas em um lar cristão e freqüentar a igreja, mas não ter, pessoalmente, uma experiência real. O primo de João Marcos, Barnabé, era um apóstolo; todavia, João Marcos desertou a companhia apostólica de Paula e Barnabé, quando as circunstâncias eram adversas. Mais tarde, João Marcos tornou-se o ministro do qual Paulo escreveu: ”me é útil para o ministério”. Sem dúvida, nenhuma derrota precisa ser final ou irrevogável.
Como era a vida na época de João Marcos? Ao lermos os Evangelhos e o livro de Atos, temos um quadro da vida no Império Romano durante o primeiro século da Igreja.
Que problemas semelhantes aos nossos João Marcos enfrentou? João Marcos enfrentou o que todos enfrentamos: a dificuldade interior de resolver os nossos próprios problemas, e não fugir deles. A juventude precisa enfrentar as responsabilidades da vida, bem como inúmeras cousas desagradáveis e difíceis.
Como foi que João Marcos resolveu os seus problemas? Da mesma forma como devemos resolver os nossos. Se fugirmos deles, precisaremos voltar e enfrentá-los. Algumas vezes é mais difícil enfrentá-los da segunda vez do que da primeira. Se buscarmos em oração a ajuda do Senhor, e se tivermos um amigo fiel como Barnabé ao nosso lado, conseguiremos resolvê-los.
A vida e as oportunidades de João Marcos foram maiores ou menores do que as nossas? João Marcos tinha uma vantagem sobre a maioria de nós outros. Ele pôde ouvir, de primeira mão, os apóstolos e profetas da época neotestamentária. Pôde conversas com os que haviam conhecido pessoalmente ao Senhor Jesus, e ouvido as Suas Palavras, ou haviam sido curados por Ele. Como resultado, João Marcos foi capaz de escrever a maravilhosa história de Cristo, no seu Evangelho.
Leitura Designada e Esboço da Vida de João Marcos
1. Sua família – Atos 12:12 – filho de Maria, cuja casa era ponto de reunião dos primeiros discípulos. Leia como foi a grande reunião de oração ali realizada em favor de Pedro (Atos 12:1-17). O Apóstolo Barnabé era seu primo (Colossenses 4:10).
2. Talvez ele fosse convertido com a pregação de Pedro – I Pedro 5:13. Este versículo mostra que ele era cooperador de Pedro.
3. Na primeira viagem missionária com Paula e Barnabé, João Marcos desertou e voltou para casa – Atos 13:1-3.
4. Paulo e Barnabé separaram-se na discussão a respeito do fracasso de João Marcos, na primeira viagem, e Barnabé tomou a João Marcos consigo, para ministrar em Chipre – Atos 15:36-51.
5. João Marcos saiu-se bem, e doze anos mais tarde estava cooperando com Paulo em Roma, sendo muito bem recomendado por este – Colossenses 4:10.
6. Mais cinco anos se passaram, e Paulo, esperando o martírio, pedia que João Marcos voltasse para Roma, a fim de ajudá-lo a ministrar; “pois me é útil para o ministério” – II Timóteo 4:11.
7. A tradição diz que João Marcos cooperou com Pedro como seu intérprete em grande parte do seu ministério – I Pe 5:13. Mais tarde, João Marcos escreveu o Evangelho de Marcos. Papias, “pai” (teólogo) da Igreja Primitiva, escreveu: “Marcos tendo-se tornado intérprete de Pedro, anotou cuidadosamente tudo o que lembrou, porém, não em ordem – das palavras e atos de Cristo. Pois ele nem ouviu pessoalmente o Senhor, nem fora Seu seguidor, contudo mais tarde uniu-se a Pedro, que adotava as suas instruções à necessidade na ocasião, mas não ensinava como se estivesse compondo uma narrativa ordenada dos oráculos, dessa forma, algumas cousas, como ele as recordava. Sim, pois tinha um objetivo em mente: nada omitir do que ouvira, e não fazer declarações falsas”.
Perguntas para Estudo e Discussão.
1. Você acha que Paulo estava certo ou Barnabé estava certo, na discussão a respeito de João Marcos?
2. Por que você acha que João Marcos desertou na primeira viagem missionária?
3. Você acha que os mais velhos muitas vezes esperam demasiado dos jovens, e tornam-se críticos quando estes não conseguem chegar ao nível da sua consagração e de seus ideais?
4. Você acha que os crentes mais velhos deviam esperar mais dos jovens?
5. Você preferiria viver nos tempos de João Marcos, ou hoje? Por quê?
Grandes Temas da Vida de João Marcos
Fracasso, e Segunda Oportunidade.
Vou ficar caído aqui e perder sangue mais um pouco, e depois levantar-me e lutar um pouco mais.
Nenhuma derrota precisa ser final; e nenhuma vitória nunca é a derradeira.
Versículos para Decorar: Marcos 16:15-20; II Timóteo 4: 11.
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Lição 7 - T I M Ó T E O
Quem era Timóteo? As últimas palavras registradas do Apóstolo Paulo antes do seu martírio, foram escritas para um jovem chamado Timóteo, a quem ele chamava “meu amado filho”. O pai de Timóteo era grego, e a sua mãe, Eunice, judia (Atos 16:1; II Timóteo 1:5). Ele foi convertido a Cristo ainda moço, pelo ministério de Paulo. Na primeira viagem missionária, o Apóstolo Paulo foi apedrejado em Listra, cidade natal de Timóteo (Atos 14:19-20). Talvez Timóteo tivesse sido testemunha daquele fato. Na viagem seguinte, Paulo visitou Listra outra vez, e levou Timóteo consigo. Desta forma, começou o ministério de um jovem destinado a tornar-se um dos maiores ministérios apostólicos do primeiro século. Foi esse jovem que Paulo ansiou por ver em suas últimas horas. Ele mandou avisar para que ele viesse de Éfeso a Roma para estar com ele naquela hora final de martírio (II Timóteo 4:9). Não sabemos se Timóteo o fez em tempo de estar ao lado do seu pai espiritual, e encorajá-lo na hora da sua gloriosa partida. Nessa ocasião, Paulo disse: “Estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado... somente Lucas está comigo”. Espero que Timóteo tenha chegado em tempo para confortar e encorajar a Paulo, não é?
Como era a vida na época de Timóteo? A Igreja Cristã estava sofrendo perseguições, porém ministérios como Timóteo estavam enfrentando amargos sofrimentos para espalhar o Evangelho por todo o mundo, de maneira maravilhosa.
Timóteo suportou muita doença física e fraqueza, trabalhando como supervisor (bispo) dos pastores que eram, muitas vezes, homens sem cultura. Não havia templos durante os três primeiros séculos da História da Igreja. A pobreza e o sofrimento dos cristãos primitivos envergonharia a igreja moderna, pois esta se recusa a sacrificar-se por Cristo.
Que problemas semelhantes aos nossos Timóteo enfrentou? Timóteo não apenas sofreu como cristão, mas devemos lembrar-nos de que seu pai era grego e sua mãe judia. Bem cedo em sua vida ele conheceu a aspereza do preconceito. Fazer a vontade de Deus e andar corretamente em um ministério não é fácil em qualquer geração. Os problemas mudam de forma através dos séculos, mas o conflito é o mesmo.
Como Timóteo enfrentou os seus problemas? A grande fé de Timóteo na Palavra de Deus, e a sua intimidade com os grandes ministérios apostólicos, foram provavelmente a influência estabilizadoras em sua vida. Nós também devemos apegar-nos e crer nas Suas promessas. Nós também devemos apegar-nos aos ministérios fortes que Deus levanta para nos fortalecer.
A vida e as oportunidades de Timóteo foram maiores ou menores do que as nossas? Em certo sentido, as oportunidades hoje são semelhantes às daquela época. Timóteo fez parte do primeiro estabelecimento da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Nós estamos na época da restauração da Igreja. Os problemas de ordem eclesiástica são quase os mesmos. A influência de profecia e o ministério através dos dons do Espírito são, hoje, em uma igreja neotestamentário, quase iguais aos daquela época.
Leitura designada: I e II Timóteo; Atos, capítulos 16 e 20.
Esboço da Vida de Timóteo
1. Seu Pai era grego e incrédulo, mas sua mãe Eunice e avó Lóide, eram crentes – Atos 16:1; II Timóteo 1:5, e elas instalaram em Timóteo um maravilhoso conhecimento e fé nas Escrituras - II Timóteo 1:5; 3:14-16.
2. Ele foi convertido a Cristo através do ministério do Apóstolo Paulo - Timóteo 1:2, e recebeu um grande dom espiritual através da imposição das mãos de Paulo sobre ele - II Timóteo 1:6. Recebeu também um dom de Deus quando os presbíteros profetizaram e impuseram as mãos sobre ele – I Timóteo 4:14.
3. Talvez tenham sido exatamente essas profecias – I Timóteo 1:18 – que consagraram Timóteo para acompanhar Paulo na Segunda Viagem Missionária – Atos 16:1-3 – no ano 51 d.C.. Timóteo foi a Troas, Filipos, Tessalônica e Beréia. Demorou-se com Silas em Beréia (talvez porque o povo ali amava tanto a Palavra), até que Paulo mandou que eles fossem logo para Atenas – Atos 17:14-15. Paulo mandou-o de volta para ministrar em Tessalônica – I Tessalonicense 3:6.
4. Timóteo ajudou Paulo a escrever I e II Tessalonicenses (I Tessalonicenses 1:1 e II Tessalonicenses 1:1) e, mais tarde, ajudou-o a escrever II Coríntios (II Coríntios 1:1, 19).
5. Ele foi dirigido e enviado a tarefas ministeriais específicas, por Paulo. Foi a Corinto – I Coríntios 4:17; 16:10. Paulo fala da sua intenção de mais tarde mandar Timóteo outra vez para Filipos – Filipenses 2:19-24.
6. Ele viajou com Paulo para Jerusalém – Atos 20:4 – e ficou ali com ele – Filipenses 1:1; 2:19-22; Colossenses 1:1; Filemon1- estava com ele durante o seu julgamento.
7. Ele possivelmente foi preso com Paulo. Hebreus 13:23 menciona que Timóteo fora solto.
8. Timóteo voltou a Éfeso, para onde Paulo lhe escreveu as duas cartas, recomendando-lhe que voltasse a Roma para estar com ele – II Timóteo 4:9. Será que ele as recebeu em tempo de estar com Paulo na hora de seu martírio?
9. Depois da morte de Paulo, a igreja efésia ficou sob a supervisão de Timóteo, até que ele também seguiu a Paulo no martírio, no reinado de Nerva ou Domício.
Perguntas para Estudo e Discussão
1. O que mais o impressionou na vida de Timóteo?
2. Discuta os problemas e dificuldades que Timóteo enfrentou.
3. Qual era o maior segredo da fé do jovem Timóteo em Deus?
4. O que é que os jovens mais precisam: companheiros espirituais, ou pais espirituais?
Grandes Temas da Vida de Timóteo
Seja Um Bom Soldado – II Timóteo 2:1-4.
Profecia Pessoal e Imposição de Mãos – na vida de Timóteo.
Pais Espirituais e Filhos Espirituais.
O Valor do Treinamento nas Escrituras, Desde os Mais Tenros Anos.
Versículos para Decorar: I Timóteo 1:18, 19; 4:14-15; II Timóteo 1:6-7; 1:12; 2:3-4; 2:15; 2:19-22;3:12-17; 4:1-4,7-8
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
APOCALIPSE
O Apocalipse desperta interesse em quase todas as pessoas, principalmente nos últimos anos, por ocasião da mudança de milênio. Cristãos ou não, religiosos ou não, muitos são os que têm grande curiosidade em relação ao livro. Entretanto, o medo e a falta de compreensão acabam por afastar o interessado. O que resta, normalmente, são informações obscuras e bastante distorcidas. Apocalipse, Armagedom, Anticristo, Juízo Final e fim do mundo são temas reincidentes nos filmes de Hollywood, que vão dando sentido lendário e fantasioso aos assuntos extraídos das Escrituras.
Neste estudo, temos o objetivo de conhecer o livro sem a pretensão de desvendá-lo completamente. Trata-se de uma introdução ao estudo do Apocalipse. Apresentaremos, porém, algumas hipóteses de interpretação em linhas gerais. Quando mencionarmos teorias a respeito de determinado ponto, não significa que adotamos esta ou aquela posição, exceto quando declararmos nossa postura.
O Apocalipse contém, logo no início, uma mensagem de bênção para os seus leitores. "Bem-aventurado aquele que lê, e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas, porque o tempo está próximo." (Ap.1.3). O texto nada diz sobre a compreensão, mas sobre o conhecimento. É desejável que entendamos o Apocalipse. Se, porém, não entendermos, este não deve ser o motivo para que o abandonemos. Precisamos ler, ouvir, estudar, guardar o seu conteúdo. Pode ser que muitas de suas profecias não possam ser compreendidas antes de se cumprirem. Contudo, se as conhecemos, poderemos reconhecê-las quando se cumprirem e, reconhecendo, poderemos tomar as atitudes certas no momento certo. Jesus disse: "... quando virdes... a abominação da desolação... então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes." (Mt.24.15). Portanto, quando certos fatos ocorrerem, nós poderemos identificá-los, caso estejamos munidos do conhecimento profético.
O GÊNERO APOCALÍPTICO
Esse foi um estilo literário que se destacou principalmente entre os anos 210 a.C. e 200 d.C. Seu ambiente de origem era uma época de tribulação para povo de Deus. Diante de circunstâncias que incluíam opressão, perseguição, exílio ou domínio estrangeiro, os escritos apocalípticos traziam uma mensagem de esperança através de uma linguagem enigmática. Seu objetivo era reanimar judeus ou cristãos, trazendo-lhes profecias a respeito da futura intervenção divina para libertar o seu povo, restituindo-lhe a glória usurpada.
Muitos "apocalipses" surgiram, tendo como principal modelo o livro de Daniel. Este foi escrito durante o exílio Babilônico e trazia uma mensagem sobre o Reino de Deus que viria destruindo todos os reinos opressores. Daí em diante, muitos livros apocalípticos foram produzidos. Um dos momentos de opressão vividos por Israel foi o domínio romano, produzindo assim mais uma ocasião propícia a esse tipo de literatura, que muitas vezes incluía profecias messiânicas. Diversos escritos desse tipo não foram reconhecidos como canônicos. Como exemplos podemos citar o Apocalipse de Baruque, Apocalipse de Pedro, O Pastor de Hermas, A Assunção de Moisés, A Ascensão de Isaías, O livro de Jubileus, Os Salmos de Salomão, Os Testamentos dos Doze Patriarcas, I Livro de Enoque, II Livro de Enoque, II Esdras e IV Esdras.
O Apocalipse de João se encaixa perfeitamente nessa corrente literária. Contudo, seu messianismo não se encontra vago como em outros escritos. Nele, o Messias é claramente identificado como sendo o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Este é o único livro desse gênero no Novo Testamento. Contudo, existem blocos apocalípticos em outras partes da bíblia. Por exemplo: Daniel 7 a 12, Isaías 13,14, 24, 25, Ezequiel 1, 28 a 39, Zacarias 9 a 14, Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21, I Tessalonicenses 5 e II Tessalonicenses 2. .
CARACTERÍSTICAS, CONTEÚDO E
AUTORIA DOS LIVROS APOCALÍPTICOS
Características e conteúdo: Mensagem de esperança, escatologia, intervenção divina, visões, símbolos, criaturas estranhas, mensagem oculta, uso de pseudônimos, profecias e apelo à imaginação.
O Apocalipse de João só não se encaixa no quesito pseudônimo. Os escritores apocalípticos normalmente não assinavam suas obras. Muitos colocavam algum outro nome famoso e reconhecido, como Enoque, Salomão, etc., para darem mais credibilidade ao livro. João, porém, colocou seu próprio nome, conforme vemos no livro (Ap.1.1,4,9-11). Tal autoria é reconhecida pela maior parte dos críticos e comentaristas. Há quem diga que alguém usou o nome de João, mas essa hipótese não tem muitos adeptos.
Alguns detalhes do livro reforçam a crença na autoria joanina. Jesus é apresentado como o Verbo de Deus e o Cordeiro (Ap.19.7,13), exatamente como acontece no evangelho de João (1.1,29). A palavra "testemunho" se destaca assim como acontece no evangelho e na primeira e terceira epístolas. Notamos assim "a mão" de João no Apocalipse.
O QUE É APOCALIPSE?
Esta palavra, de origem grega, significa "revelação". Revelar é mostrar, tirar o véu, desvendar. Falamos do Apocalipse como algo oculto. Porém, trata-se de uma revelação. O livro revela que Deus tem um plano, cujo desfecho é a vitória de Cristo. Podemos não saber o que é a besta, mas sabemos que ela será vencida pelo poder de Deus. Esta revelação está clara e evidente no Apocalipse.
DADOS GERAIS
Autor - O apóstolo João - 1.1,4,9-11;
Destinatários - As 7 igrejas da Ásia (em geral, fundadas por Paulo).
Data - 95 ou 96 d.C.
Local - Patmos - ilha vulcânica, rochosa e estéril, localizada a 56 km da costa da Ásia Menor (Turquia). Para lá eram enviados os prisioneiros na época do imperador romano Domiciano (81 a 96). Outra hipótese defendida por alguns é a de que João tenha estado lá em algum momento do governo de Nero (54-68).
Idioma - Grego (Ap.1.8; 21.6; 22.13).
Tema - Conflito entre o bem e o mal. A vitória de Cristo e a implantação do seu Reino.
Versículo-chave - Apc.1.7.
Versículo-esboço - Apc.1.19.
Características particulares - Único livro bíblico com bênção e maldição relacionadas ao seu uso (1.3 e 22.18-19).
Classificação - livro profético. (único do NT embora haja blocos proféticos em outros livros como em Mt.24, Mc.13, Lc.21, etc.).
Personagem central - O Cordeiro.
Destaques - Verbo vencer (Apc. 2 e 3; 12.11; 15.2; 17.4; 21.7); Testemunho (Apc.1.2,9; 6.9; 12.11,17; 19.10; 20.4; 22.18,20). Verbo vir (referente à vinda de Cristo) (Apc. 1.4,7,8; 2.5,16; 3.3,11; 4.8; 22.20).
GÊNESIS X APOCALIPSE
Existe um paralelo evidente entre Gênesis e Apocalipse, conforme se observa pelos itens a seguir:
GÊNESIS
APOCALIPSE
Início
Fim
Criação da terra
Nova terra
Criação do céu
Novo céu
Criação do sol
A Nova Jerusalém não precisa do sol
Vitória de Satanás
Derrota de Satanás
Adão
Cristo
Eva
Igreja (noiva)
Entrada do pecado
Fim do pecado
Maldição
Fim da maldição
Bloqueado caminho à árvore da vida.
Acesso à árvore da vida.
CIRCUNSTÂNCIAS E OBJETIVO
Na época em que o Apocalipse foi escrito, a igreja estava sofrendo muito por causa da perseguição do Império Romano. João estava preso em Patmos e todos os outros apóstolos do primeiro grupo haviam morrido. Seria natural que muitos começassem a questionar se aquele não seria o fim do cristianismo. Será que a igreja resistiria àquela fúria das forças do mal?
O livro de João vem mostrar o futuro: o castigo dos ímpios, a volta de Cristo, seu triunfo juntamente com a igreja e o estabelecimento do Reino de Deus. O Império Romano não prevaleceria contra os desígnios divinos.
A LINGUAGEM SIMBÓLICA
A linguagem direta tem suas limitações. A transmissão de uma mensagem complexa pode exigir uma infinidade de palavras e ainda assim ficar obscura. Alguns fenômenos, experiências e elementos naturais não podem sequer ser explicados de modo compreensível. Como podemos explicar a um cego de nascença o que seja cor? Qualquer explicação, por mais correta e científica que seja, não lhe dará nenhuma idéia a respeito do assunto.
Como explicar um sabor, um cheiro ou um som? Nenhuma informação substituirá a experiência. As palavras serão inúteis. Nesses momentos de dificuldade, sempre procuramos um elemento de comparação. Buscamos algo que já seja do conhecimento do ouvinte e usamos para dar uma idéia a respeito do que queremos dizer sem ter encontrado palavras adequadas.
Se temos esse problema em relação a elementos naturais, o que dizer dos espirituais, cuja essência nem sabemos definir? O espírito é uma realidade bíblica. Contudo, sua definição ou identificação de "substância" é algo fora do nosso alcance. O que dizer então de Deus, da trindade, do céu e das realidades celestiais? Por isso, a bíblia usa tanto a linguagem simbólica. Por outro lado, como se diz, "uma imagem vale mais que mil palavras". Então, até mesmo lições relativamente simples são transmitidas através de figuras, propiciando assim um recurso poderoso que leva a mensagem de forma concentrada, fixando-a na mente do receptor.
Por exemplo, quando Jesus disse que era o "pão da vida" (Jo.6.35), ele buscou um elemento do cotidiano dos seus ouvintes para mostrar que ele vinha suprir a necessidade espiritual do homem. Quando a bíblia fala em "reino de Deus", está buscando na monarquia, sistema de governo comum naquela época, uma série de princípios existentes na relação rei-súdito que deveriam existir na nossa relação com Deus. A linguagem simbólica traz muito conteúdo em poucas palavras. Assim, se usamos o leão como símbolo, logo nos vem a mente sua ferocidade, sua coragem, sua força, sua fome, sua beleza, sua "majestade", etc. Se falamos em cordeiro, estamos destacando sua cor e sua índole como símbolos de pureza, inocência, docilidade, submissão, etc.
Todos nós estamos bastante acostumados à linguagem simbólica. Utilizamos diariamente tais recursos para enriquecer nossa fala. Estamos sempre fazendo comparações implícitas ou explícitas de modo automático.
Os escritos apocalípticos têm ainda um motivo a mais para usar a linguagem simbólica: era a necessidade de criptografar a mensagem, de modo que os inimigos nada compreendessem a respeito da mesma. Só os destinatários poderiam decifrá-la.
QUESTÕES DE INTERPRETAÇÃO
TEXTO SIMBÓLICO OU LITERAL?
Este é um dos maiores dilemas que envolvem o estudo bíblico. O que é literal e o que é simbólico? Encontramos ambos os casos dentro das Escrituras. Então o problema se torna maior: como discernir o literal do simbólico? Tal tarefa nem sempre é fácil. Muitas vezes é difícil e, em algumas situações, parece impossível, a não ser que tenhamos uma iluminação divina.
A história de Adão e Eva é literal ou simbólica? Tais personagens são reais ou fictícios? O profeta Jonas foi mesmo engolido por um peixe ou trata-se de uma parábola? Entendemos como literais ambos os casos, uma vez que o próprio Jesus citou a história de Jonas como fato e Paulo citou Adão e Eva da mesma forma. Contudo, isso não convence àqueles que vêem toda a bíblia como algo figurativo. Se todo o conteúdo bíblico for simbólico, então anula-se o seu aspecto concreto. A bíblia seria então comparável a qualquer obra de ficção e o cristianismo seria lendário. Por outro lado, se todo o seu conteúdo for considerado literal, então muitas passagens se tornarão inexplicáveis ou absurdas. Por exemplo: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna." (João 6.54). Logicamente, Jesus estava utilizando linguagem simbólica. Muitos dos seus ouvintes o interpretaram literalmente e o resultado foi o escândalo (João 6.52). Da mesma forma, quando Jesus disse que Nicodemos precisava nascer de novo, aquele doutor da lei tomou suas palavras de modo literal. O mesmo entendimento foi aplicado sobre "derrubar o templo e reconstrui-lo em três dias". Precisamos de discernimento para não cairmos no mesmo erro.
Muitas vezes, é a falta de fé que faz com que algumas pessoas considerem como simbólico um texto literal. Por exemplo, a ressurreição de Cristo pode ser tão inacreditável para alguns, que podem acabar considerando-a um símbolo.
Encontramos na bíblia diversas situações que envolvem o literalismo e o simbolismo:
Texto literal
É aquele que se refere a fatos. São histórias ou profecias. Se desconsiderarmos seu caráter literal, estaremos anulando as palavras de Deus. Por exemplo, a crucificação de Jesus está relatada em um texto literal (Mt.27).
Texto simbólico
É aquele que utiliza linguagem figurada. Por exemplo, a parábola do filho pródigo (Lc.15).
Termo literal e simbólico alternadamente
Uma palavra pode ser usada literalmente em uma passagem bíblica e como símbolo em outra. Por exemplo, as estrelas no Salmo 8.3 são literais. Em Apocalipse 1.20, as estrelas são simbólicas, representam anjos. Em Apocalipse 9.1, a estrela é simbólica e parece representar uma pessoa ou um anjo. Em Apocalipse 8.10-12, a estrela pode ser simbólica ou literal. Nesse caso, não podemos afirmar com certeza. Vemos, portanto, que uma palavra pode ser usada de várias formas na bíblia. Isso mostra que não podemos fazer uma regra e achar que toda estrela na bíblia seja um símbolo.
Texto literal e simbólico simultaneamente
A história de Abraão é literal. O povo de Israel está aí para comprovar isso. Aquele episódio de Abraão levando Isaque para ser sacrificado é literal. Foi um fato histórico. Mas, ao mesmo tempo, usando de alegoria, Abraão pode representar Deus, Isaque pode ser visto como um símbolo de Jesus e o sacrifício pode representar a crucificação. Assim, um texto literal pode ter um aplicação simbólica. Desse modo podemos ver inúmeros fatos no Velho Testamento. É possível, numa visão simbólica, extrair-lhes as lições sem negar-lhes o aspecto literal.
O batismo e a ceia mencionados na bíblia são literais e ao mesmo tempo simbólicos. São fatos ocorridos mas sempre representando uma realidade espiritual. O mesmo acontece com a ceia do Senhor.
Símbolo com mais de um sentido alternadamente
Alguns termos, quando usados como símbolos, podem ter um sentido em um texto e sentido diferente ou até contrário em outra passagem. Por exemplo, o leão representa Cristo em um texto (Ap.5.5) e Satanás em outro (I Pd.5.8). A "estrela da manhã" representa Cristo em um texto (Apc.22.16) e o Diabo em outro (Is.14.12). Não temos nisso nenhuma confusão. Um símbolo é usado na bíblia como um recurso didático e não de forma mística, como se aquele animal estivesse "consagrado" para representar sempre determinada pessoa. Não podemos, portanto, fazer uma regra. Cada texto pode apresentar uma situação diferente. Existem porém, elementos na literatura ou na tradição judaica que nos permitem enxergar alguns padrões de simbologia, conforme veremos na seqüência.
O SIMBOLISMO NO APOCALIPSE
João viu realidades espirituais indescritíveis. Notamos seu esforço para explicar o que estava vendo, ouvindo e sentindo. Ele faz diversas comparações na tentativa de transmitir aos leitores suas impressões. Assim, os termos "como", "semelhante" e o verbo "parecer" são utilizados para dar uma idéia das extraordinárias visões do autor. Em outros momentos ele não faz comparações explícitas mas usa as figuras de forma direta, fazendo comparações implícitas.
Algumas ocorrências de "como" - 1.10,14,15; 2.18,27; 4.1,6,7; 6.1,6,12,13.
Algumas ocorrências de "semelhante" - 1.13; 2.18; 4.3,6,7.
Verbo "parecer" - 9.19.
Os símbolos usados pelo autor eram bem familiares para os seus destinatários. Livros selados, trombetas, carros puxados por cavalos, letras gregas, tudo isso era do conhecimento das pessoas que receberiam o Apocalipse. Ao lermos, precisamos saber o que cada coisa significa e qual era o seu sentido naquela época. Talvez não consigamos isso para todos os itens envolvidos, mas este é o caminho a ser trilhado pelo intérprete.
Quando pensamos em livros, logo imaginamos blocos de páginas de papel envolvidas por capas protetoras. Os livros mencionados em Apocalipse, porém, eram rolos de pergaminho, peles de animais. Eram livros selados. Quando pensamos em selo, logo imaginamos pequenos adesivos utilizados pelos correios. Porém, os selos do apocalipse são lacres, a exemplo daqueles que os reis usavam para fechar suas correspondências, de modo que as mesmas não pudessem ser violadas no meio do caminho. O selo tinha a marca do anel do rei. Portanto, se alguém o quebrasse, não poderia fazer outro igual para substituí-lo.
Estes são apenas alguns exemplos para mostrar que a interpretação do Apocalipse, como também de outras passagens bíblicas, depende muito do conhecimento sobre a antigüidade, principalmente do que se refere ao povo judeu, sua história, seus costumes e tradições. Sem esse conhecimento, sempre correremos o risco das interpretações anacrônicas. Não podemos interpretar o texto bíblico apenas com o sentido atual das palavras ou com base no gosto ou na opinião pessoal. A hermenêutica agradece.
O simbolismo do Apocalipse utiliza como figuras: fenômenos naturais, cores, minerais (pedras preciosas), animais, relações humanas e até nomes significativos da história judaica como Jezabel e Balaão.
Fenômenos ou elementos naturais e seus significados
ELEMENTO
SIGNIFICADO
OBSERVAÇÃO
Ar
Vida
É nossa necessidade mais urgente
Tempestade (raios, trovões, relâmpagos, saraiva)
Perturbações na vida
Fogo
Purificação ou destruição
Pedras preciosas
Algumas vezes representa pessoas.
Mar
Insegurança, perigo, algo sinistro.
oposto da terra firme.
Cores e seus significados
COR
SIGNIFICADO
OBSERVAÇÃO
Preto
Luto, sofrimento
Vermelho (sangue)
Morte ou redenção
relacionado a Cristo às vezes
Vermelho (púrpura)
Realeza
roupa dos reis
Amarelo pálido
Fome
Amarelo ouro
Santidade de Deus
Obs. elementos do tabernáculo
Verde
Esperança
Branco
Pureza, justiça
Trono, vestes, cabelos, etc.
NUMEROLOGIA
A numerologia tem sido bastante valorizada atualmente devido à onda crescente de misticismo que envolve nossa sociedade. Os números têm sido considerados elementos de sorte e azar, e, por meio deles, muitos adivinhadores tentam prever o futuro das pessoas. Alguns povos utilizaram as próprias letras do alfabeto como algarismos, atribuindo-lhes valor numérico. Assim, um nome pode ser transformado em números e ter seu valor totalizado. Isso ocorreu, por exemplo, com algumas letras do alfabeto romano e também com o hebraico. O fato de se obter um valor para um nome não nos diz nada, a não ser que os números representem algum valor moral ou espiritual, uma bênção ou uma maldição.
A tradição judaica relaciona alguns números a determinados conceitos religiosos ou cósmicos:
NÚMERO
SIGNIFICADO
SENTIDO REFORÇADO
1
Unidade
2
Fortaleza, confirmação
3
Divindade
4
Mundo físico
5
Perfeição humana
6
Homem, falha humana
666
7
Perfeição, plenitude
40
Provação
70
Sagrado
12
Religião organizada.
24, 144 mil
1000
Grande quantidade
A bíblia utiliza muito o simbolismo numérico. O livro de Apocalipse usa tal recurso de forma intensa, principalmente o número 7. Temos 7 igrejas, 7 candeeiros, 7 selos, 7 anjos, 7 trombetas, 7 taças, 7 espíritos, 7 estrelas, etc.
ALGUNS PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO
Para entender um livro, precisamos lê-lo por completo. Assim, teremos uma visão geral do mesmo. Perceberemos a intenção do autor e a sua mensagem geral. Caso contrário, se lermos um verso aqui e outro lá de modo desordenado, terminaremos com uma coleção de retalhos desconexos. Lendo todo o livro, vamos descobrir que ele é auto-explicativo em alguns pontos, como se vê em Apocalipse 1.20.
Podemos ler o capítulo 12, verso 5, onde o autor menciona o "filho varão", aquele que "regerá as nações com vara de ferro". A comparação com 19.13 a 16 nos fará compreender que aquele que "regerá as nações com vara de ferro" chama-se "Verbo de Deus", "Rei dos reis" e "Senhor dos Senhores". Logo, o próprio texto já nos mostrou quem é o "filho varão": o próprio Senhor Jesus. Tal conclusão também se utiliza do conhecimento geral que temos da bíblia. O Salmo 2 chama de "Filho" aquele que "regerá as nações com vara de ferro". O livro de Hebreus, no capítulo 1, nos informa que esse "Filho" é o Senhor Jesus. Além disso, o evangelho de João (1) nos diz que Cristo é o Verbo que se fez carne.
Fizemos então um rastreamento de várias expressões que nos possibilitam uma interpretação inequívoca sobre o "filho varão" de Apocalipse 12.
Outro exemplo: que dragão será aquele mencionado em Apocalipse 12.3? Se lermos até o versículo 9, teremos a resposta. No capítulo 20, verso 2, a explicação é repetida. O próprio texto diz que o dragão é o Diabo, também conhecido como "antiga serpente". Que serpente é essa? Aquela de Gênesis 3. Observa-se então que existe uma "linguagem bíblica" que muitas vezes permite que o texto de um livro possa ser interpretado por outro livro bíblico.
Quem é o Cordeiro de Apocalipse 5? Não existe nenhum mistério sobre tal figura, uma vez que João Batista apresentou Jesus como "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (João 1.29), sendo ele o definitivo sacrifício tantas vezes representado pelos cordeiros mortos durante as páscoas realizadas desde a saída de Israel do Egito (Êx.12).
O mesmo Jesus é chamado "Leão da Tribo de Judá" (Ap.5.5). A origem de tal expressão encontra-se em Gênesis 49, quando Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos seus filhos. Ao falar de Judá, Jacó profetizou sobre a vinda do Messias (Gn.49.8-12).
É conclusivo também que, se alguém não conhece a bíblia de modo geral, não deve se arriscar no terreno das interpretações apocalípticas. Precisa começar por Gênesis.
Outros exemplos:
A ceifa - Compare Ap.14.16-20 e Mt.13.39-43.
Muitas águas - Ap.17.1 e 17.15
Noiva - Ap.19.7; 21.9-10; 22.17 e Ef.5.25-27.
O fundamento da Nova Jerusalém - igreja - Ap.21.14 e Ef.2.20-21.
PRINCIPAIS CORRENTES DE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE
1 - Pretérita.
Afirma que todo o apocalipse já se cumpriu. Seus defensores vêem o Império Romano como a representação dos inimigos descritos no livro. A queda do Império teria sido então o ápice do juízo divino profetizado por João. A destruição de Jerusalém, no ano 70, também é vinculada ao Apocalipse por aqueles que localizam sua escrita durante o período de Nero (54-68).
2 - Futurista.
Os futuristas projetam todo o cumprimento do Apocalipse para os últimos dos últimos dias, às vésperas da consumação dos séculos. Afirmam que nada se cumpriu nem está se cumprindo, mas tudo se cumprirá repentinamente no futuro e em um curto espaço de tempo. Esta é a mais escatológica das interpretações, no sentido mais extremo da palavra.
3 - Histórica.
Essa corrente defende a tese de que o Apocalipse vem se cumprindo desde os dias de João até o fim dos séculos. São muitos os que concordam com essa posição. Entretanto, surgem muitas dificuldades e divergências quando se tenta uma identificação entre os fatos ou personagens históricos e os relatos apocalípticos.
4 - Simbólica, ou espiritual.
Os adeptos dessa visão se abstêm de fazer ligações entre as profecias e os fatos. Procuram apenas extrair do Apocalipse as lições e os princípios morais ou espirituais ali contidos.
Não devemos tomar uma postura extremista nessa questão, mas buscar uma visão equilibrada, que pode levar em conta todas as quatro correntes de interpretação. Cremos em um cumprimento histórico que, automaticamente, engloba a visão pretérita e a futurista. Por exemplo, as cartas às 7 igrejas se referiam a problemas existentes nos dias de João. Está cumprido. Entretanto, os princípios espirituais ali presentes são perfeitamente aplicáveis aos nossos dias. Pela sua infinita sabedoria, Deus nos deixou uma Palavra que não perde sua validade.
Devemos nos lembrar que um relato sobre fatos ocorridos nos dias de João pode também ser uma profecia para outra época. Por exemplo, quando escreveu o Salmo 22, o autor estava falando de suas próprias experiências e, ao mesmo tempo, estava profetizando sobre os sofrimentos de Cristo. Vistas sob este ângulo, várias profecias apocalípticas podem ter se cumprido na queda do Império Romano e terem ainda outro cumprimento mais amplo nos últimos dias. A profecia de Jesus em Mateus 24 parece estar ligada à destruição de Jerusalém e também aos últimos dias. "Os que estiverem na Judéia fujam para os montes... Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam." (Mt.24,16,34).
ESBOÇO DO APOCALIPSE
Introdução e saudações - 1.1-8
Visão de Jesus glorificado - 1.9-20
Cartas às 7 igrejas - 2.1 a 3.22
Cartas às 7 igrejas da Ásia
Carta à Igreja de Éfeso
Carta à Igreja de Esmirna
Carta à Igreja de Pergamo
Carta à Igreja de Tiatira
Carta à Igreja de Sardes
Carta à Igreja de Filadélfia
Carta à Igreja de Laodicéia
Visão do trono no céu - 4.1-11
O livro selado e o cordeiro - 5.1-14.
Abertura dos 6 primeiros selos - 6.1-17.
Os 144 mil selados - 7.1-8.
Visão dos santos na glória - 7.9-17
Abertura do sétimo selo. As quatro primeiras trombetas - 8.1-13.
A quinta e a sexta trombetas - 9.1-21.
O anjo e o livrinho - 10.1-11.
As duas testemunhas - 11.1-14.
A sétima trombeta - 11.15-19.
A mulher e o dragão - 12.1-18.
A besta que subiu do mar - 13.1-10.
A besta que subiu da terra - 13.11-18.
O cordeiro e os remidos no monte Sião - 14.1-5.
Os 3 anjos e suas mensagens - 14.6-13.
A ceifa sobre a terra - 14.14-20.
As 7 taças - 15.1 a 16.21.
A grande Babilônia - 17.1-18
A queda da Babilônia - 18.1-24.
As bodas do Cordeiro - 19.1-10.
O cavaleiro do cavalo branco - 19.11-21.
O milênio - 20.1-6.
A derrota de Satanás - 20.7-10.
Juízo Final - 20.11-15.
Novo céu e nova terra - 21.1-8.
A Nova Jerusalém - 21.9 a 22.5.
Encerramento e saudação final - 22.6-21.
COMENTÁRIO GERAL
APRESENTAÇÃO DE JESUS NO APOCALIPSE
1.5 - Fiel testemunha, primogênito dentre os mortos, soberano dos reis da terra.
1.13 - Semelhante a filho de homem.
2.18 - Filho de Deus.
3.14 - Amém, testemunha fiel e verdadeira, princípio da criação de Deus.
5.5 - Leão da Tribo de Judá, Raiz de Davi.
5.6 - Cordeiro
6.1 - Cordeiro (e em muitos outros versos).
12.5 - Filho varão
17.14 - Cordeiro, Senhor dos senhores, Rei dos reis.
19.11 - Fiel e verdadeiro.
19.13 - Verbo de Deus.
19.16 - Rei dos Reis, Senhor dos senhores.
22.16 - Raiz, geração de Davi, brilhante estrela da manhã.
CARTAS ÀS 7 IGREJAS
Esta é a parte mais simples e, consequentemente, a mais citada do Apocalipse. O livro foi enviado às 7 igrejas da Ásia e para cada uma delas havia uma mensagem específica. As cartas seguem quase sempre este esboço:
Destinatário: o anjo da igreja (seu líder).
Autor: o Senhor Jesus.
Conhecimento do Senhor sobre a igreja.
Elogio em relação às qualidades da igreja..
Repreensão contra os erros da igreja.
Aviso sobre a vinda do Senhor e o juízo divino.
Conselho para solução dos problemas mencionados.
Promessa aos vencedores.
A igreja de Filadélfia não foi repreendida. A de Laodicéia não recebeu nenhum elogio. Curiosamente, um sínodo realizado em Laodicéia no século IV negou reconhecimento ao Apocalipse como livro canônico [Champlin].
Em algumas das cartas, percebemos uma relação direta entre a apresentação que o Senhor faz de si mesmo e o conteúdo da mensagem.
Éfeso
Candeeiro em 2.1 e 2.5
Esmirna
Morte e vida em 2.8 e 2.10-11
Pérgamo
Espada em 2.12 e 2.16
Filadélfia
Porta aberta ou fechada em 3.7 e 3.8.
Nas outras cartas, essa relação não está tão clara. Talvez, tenhamos perdido um pouco das características originais quando o texto foi traduzido.
Entre as teorias existentes sobre as 7 igrejas destacam-se as seguintes:
Teoria 1 - As 7 igrejas representam a história judaica. Observe a citação de Balaão, Jezabel, sinagoga, etc. Não nos parece razoável essa suposição.
Teoria 2 - As 7 igrejas representam a história eclesiástica. Cada igreja representaria um período da história da igreja desde o seu nascimento até a vinda de Cristo. Alguns defensores dessa idéia chegam a dividir a história entre as igrejas. Uma das divisões sugeridas é a seguinte: Éfeso (até o ano 100 d.C.); Esmirna (100-316); Pérgamo (316-500); Tiatira (500-1500); Sardes (1500-1700); Filadélfia (1700-1900); Laodicéia (1900 - fim). Tal possibilidade é bastante interessante, mas não encontramos fundamentos suficientes para comprová-la. Por outro lado, a colocação de datas é bastante temerária. Por mais razoável que possa ser tal interpretação, não podemos perder de vista o fato de que a mensagem de Deus é para nós hoje.
Teoria 3 - As 7 igrejas são apenas aquelas da Ásia, às quais o Apocalipse foi endereçado. Essa posição é literal e perfeita em sua afirmação. Contudo, se a aplicabilidade das cartas fosse restrita àquelas igrejas, então não haveria motivo para que tais mensagens chegassem às nossas mãos. Enfim, todo o livro de Apocalipse nos seria estranho e inútil, pois foi originalmente destinado às 7 igrejas da Ásia. O entendimento literário está exato, mas não podemos desconsiderar o peso simbólico do texto. O próprio número 7, significando perfeição, totalidade ou plenitude, faz com que as 7 igrejas representem a totalidade da igreja de Cristo em todos os tempos e em todos os lugares.
A ADORAÇÃO NO APOCALIPSE
A adoração é elemento de grande destaque no Apocalipse. O tema central é o combate entre o bem e o mal. Os seres humanos ou celestiais demonstram seu posicionamento nesse conflito através da adoração que prestam. Um dos grandes desejos de Satanás é conseguir para si a adoração que é devida a Deus (Mt.4.9).
TEXTO
ADORAÇÃO A
Apc.4.10
Deus
Apc.5.12-14
Deus e o Cordeiro
Apc.9.20
Demônios e ídolos
Apc.11.1,16
Deus
Apc.13.4
O dragão e a besta.
Apc.13.12
A besta
Apc.13.15
A imagem da besta
Apc.14.2
Deus
Apc.14.9,11
A besta e sua imagem.
Apc.16.2
A imagem da besta
Apc.19.4
Deus
Apc.19.10
Um anjo (recusada) e Deus
Apc.19.20
A imagem da besta
Apc.20.4
A besta e sua imagem
Apc.22.8-9
Um anjo (recusada) e Deus
Em Apocalipse 8.1 verificamos que houve silêncio no céu durante meia hora. Isso nos faz deduzir que existe um som de louvor e adoração constante no céu. João viu os 24 anciãos e os seres viventes que adoravam a Deus e ao Cordeiro. As impressionantes profecias do livro estão intercaladas com manifestações de adoração e cânticos. Em sua visão do céu, João viu um santuário e peças que nos lembram o tabernáculo e o templo do Velho Testamento. Existe no céu um lugar de culto utilizado pelas hostes celestiais. Ali também adoraremos a Deus e ao Cordeiro pelos séculos dos séculos.
AMOR E JUÍZO
João, o discípulo amado, fez do amor um de seus principais temas, seja no seu evangelho ou em suas epístolas. Em Apocalipse, porém, o amor de Jesus e da igreja é mencionado apenas até o capítulo 3. Ao falar à igreja de Filadélfia, Jesus declara: "Eu te amo." (Apc.3.9). Filadélfia significa "amor fraternal".
A partir do capítulo 4, o tom da mensagem muda completamente. Não mais se menciona o amor de Deus mas apenas sua justiça. A santidade divina foi afrontada pelo pecado. Sua ira manifesta sua justiça através de guerras, pestes e catástrofes naturais.
Sabemos, porém, que o amor de Deus é eterno e sua manifestação ocorre através das bodas do Cordeiro e da recepção dos salvos na glória.
VISÃO GERAL - uma hipótese de interpretação
A experiência pessoal de João pode representar a experiência da igreja. No início do livro ele se encontra vivendo sua própria tribulação, preso e exilado. Então o Senhor Jesus vem até ele. No capítulo 4, João é arrebatado ao céu e passa a ver o derramamento da ira divina sobre a terra. Assim, a vinda de Cristo proveria socorro à igreja atribulada, levando-a consigo no arrebatamento. Em seguida, a terra ficaria submersa na Grande Tribulação. Tal interpretação é frágil em sua consistência pois o texto bíblico não diz que João possa estar representando a igreja. Os que defendem o paralelo na questão do arrebatamento de João, chamam a atenção para o fato de que a partir do capítulo 4 a igreja não é mais mencionada com este nome dentro do ciclo de visões do Apocalipse. Supostamente, teria sido encerrado seu período histórico terreno representado pelas 7 cartas. Os fatos apresentados em relação à igreja são bíblicos. A dificuldade está em localizá-los em determinados símbolos e estabelecer-lhes a ordem de ocorrência.
De acordo com esta hipótese, que é muito aceita e essencialmente futurista, a abertura do primeiro selo seria o início da Grande Tribulação (Ap.7.14), que incluiria os selos, as trombetas, as taças e todos os flagelos destinados aos ímpios e às forças do mal. No meio da cena encontram-se o dragão e as duas bestas tentando usurpar a glória que é devida ao Cordeiro. O dragão é Satanás. As duas bestas são o Anticristo e o Falso Profeta.
Durante a Grande Tribulação muitos seriam salvos e morreriam por sua fé. Enquanto isso, estaria acontecendo no céu as bodas do Cordeiro. Ao fim desse período, Cristo desceria do céu para aniquilar a besta e o falso profeta. O dragão seria preso por mil anos e nesse período Cristo reinaria com todos os santos sobre a terra. Estaria encerrada a Grande Tribulação e inaugurado o milênio, ao fim do qual, Satanás seria solto e tentaria novamente uma reação contra Cristo. Entretanto, seus agentes seriam consumidos antes de iniciarem a batalha.
Na seqüência ocorre o juízo final, que será o julgamento de todos os homens. Aqueles cujos nomes não se encontram no livro da vida serão lançados no lago de fogo, onde serão atormentados eternamente. Em seguida, João vê a Nova Jerusalém. Essa passagem é vista como uma descrição do estado eterno dos salvos. A cidade seria o lugar onde viveremos para sempre com Cristo.
QUESTIONAMENTOS E OBSERVAÇÕES
Algumas dessas afirmações são amplamente aceitas. Tal arranjo escatológico pode parecer bastante apegado ao texto. Contudo, observamos que essa interpretação contém alguns pontos questionáveis e incertos. Outros parecem perfeitos.
A primeira dificuldade é entender o arrebatamento de João como arrebatamento da igreja, conforme já mencionamos. O arrebatamento de João se deu antes de se tocarem as 7 trombetas. Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, disse que o arrebatamento da igreja aconteceria quando a última trombeta fosse tocada. Disse também que a ressurreição dos santos acontecerá antes do arrebatamento. Encaixando isso no quadro apocalíptico, teríamos o arrebatamento da igreja junto com a ressurreição no capítulo 20. Sendo assim, a igreja teria participado ou, pelo menos, presenciado a Grande Tribulação. Em Mateus 24, Jesus menciona a Grande Tribulação (v.21) antes do fato que parece ser o arrebatamento (v.31). No meio da tribulação estarão os escolhidos (v.22). Estes podem indicar toda a igreja, mas alguns comentaristas dizem que são apenas os que forem salvos durante o período.
Outro problema ocorre em relação à Nova Jerusalém do capítulo 21. Considerando a hipótese de que o livro apresenta os fatos em ordem cronológica, então, ao chegarmos ao capítulo 21, já passamos pelo milênio e pelo juízo final. A Nova Jerusalém descreve então o estado eterno dos salvos. Contudo, o texto cita ainda nações que vivem fora da cidade santa, às quais se destinam as folhas da árvore da vida, afim de que sejam curadas. Esses detalhes parecem ameaçar o quadro escatológico descrito. Se os ímpios já estão no lago de fogo e os salvos estão na Nova Jerusalém, que nações são essas que o autor cita? Uma solução proposta é que o relato sobre a Nova Jerusalém se refira ao milênio e não ao estado eterno. Sendo assim, o texto não se encontraria em ordem cronológica.
Observamos que o Apocalipse não contém as expressões: "juízo final", "Anticristo", "milênio" ou "arrebatamento". Então, de onde tiramos tal vocabulário? Das interpretações correntes, que, de tanto serem faladas, já se confundem com o próprio texto bíblico. Sabemos que a idéia de "milênio" e "juízo final" encontra-se em outras palavras no capítulo 20. O verbo "arrebatar" é encontrado em Ap.1.10; 4.2; 12.5,15, podendo ser substituído dependendo da versão utilizada. Trata-se dos arrebatamentos de João, do Filho Varão, e uma tentativa de Satanás no sentido de arrebatar a mulher. Outra situação semelhante, mas com verbo diferente, trata da subida das duas testemunhas ao céu. Não obstante, cremos no arrebatamento da igreja, o qual ser encontra de forma mais clara em I Tessalonicenses 4.17. Sobre o Anticristo falaremos de modo mais específico.
Todo esse questionamento, feito por comentaristas e teólogos, cria uma série de correntes de interpretação designadas como: milenistas, pré-milenistas, amilenistas, pré-tribulacionistas, pós-tribulacionistas, etc.
O ANTICRISTO E O FALSO PROFETA
O único autor bíblico que usa a palavra "anticristo" é João, mas não no Apocalipse. A citação é nas epístolas. Tal personagem escatológico é normalmente entendido como sendo o "iníquo" ou "homem do pecado" ou "filho da perdição" mencionado por Paulo (II Tss.2.3,8). Da mesma forma, a besta que sobe do mar, em Apc.13, é identificada pelos intérpretes como o Anticristo. Embora o texto não diga isso, o modo de agir da besta parece dize-lo. Sua ação é sobretudo anti-cristã. A besta quer para si a adoração que é devida ao Cordeiro. Então, encaixa-se no perfil traçado por Paulo.
Quem é o Anticristo? Alguns dizem que é um sistema político, mas a maioria dos estudiosos o vêem com sendo um homem. Isto é bastante coerente com as citadas palavras de Paulo. O texto de II Tessalonicenses não é essencialmente simbólico. Então, quando o apóstolo diz que é um homem, devemos entender literalmente. Afinal, aquela igreja já estava com muitos problemas de entendimento escatológico e Paulo precisava ser o mais claro possível.
Se o Anticristo é um homem, quem é ele? Não nos arriscaremos a responder tal pergunta, mas muitos já se arriscaram no decorrer da história. Sempre há quem queira "eleger" um Anticristo. Quando João escreveu, ele poderia estar se referindo a Nero ou a Domiciano, sem prejuízo do sentido escatológico da profecia. O culto ao imperador era uma prática oficial no Império Romano. Domiciano, aquele que provavelmente mandou João para Patmos, considerando-se um deus, mandou que imagens suas fossem espalhadas pelo Império. Os que se recusavam a adorá-las eram condenados à morte. Portanto, aquele imperador se encaixou no perfil do Anticristo.
O próprio João disse que muitos "anticristos" tinham se levantado (I João 2.18,22; 4.3; II João 7). Contudo, é bastante aceita a crença numa personificação do mal através de um Anticristo escatológico, aquele que estará no mundo no dia da segunda vinda de Cristo (II Tss.2.8). Hitler, alguns líderes religiosos e outros malfeitores da história foram apontados como sendo o Anticristo. Porém, Jesus não voltou em suas épocas e o "cargo" ficou para outra pessoa.
Conquanto não possamos identificar o Anticristo, sabemos contudo as linhas gerais do seu caráter e atuação. Através das interpretações mais aceitas, compreende-se que ele poderá ser um líder político de projeção mundial. O atual fenômeno da globalização seria ideal como preparação para um governo mundial. Os conflitos internacionais e a fome seriam solucionados por algum tempo mediante um plano econômico extraordinário. A besta que sobe do mar (Ap.13.2) receberá o poder do dragão (Satanás) e em seu nome dominará sobre toda tribo, povo, língua e nação (13.7). A interpretação desse texto é feita normalmente em relação com a profecia das setenta semanas de Daniel (9).
Em todas as épocas da história, o poder político teve alguma ligação com o poder religioso. Os déspotas eram avalizados pelo clero. Assim, o povo reconhecia o origem divina da autoridade absoluta e permanecia submisso. Da mesma forma, o Anticristo precisará do Falso profeta, que é a besta que sobe da terra. O Falso Profeta parece representar o poder religioso que fará parceria com o Anticristo, talvez numa manifestação ecumênica.
BABILÔNIA X NOVA JERUSALÉM
A Babilônia do Apocalipse parece ser a "sede de governo do Anticristo". Nos dias de João, era uma referência a Roma (Ap.17.9,18), capital do Império, lugar onde se encontrava Domiciano, que se fazia passar por deus.
A Babilônia representa a independência humana em relação a Deus, e isso significa rebeldia. A origem de Babilônia foi Babel, lugar onde Ninrode, descendente de Cão, construiu sua cidade, tornou-se célebre, e projetou uma torre para alcançar o céu por suas próprias forças. Babilônia tem sua própria organização. Sua política (Ap.17.12) e seu comércio funcionam muito bem.
O comércio, prática tão comum na vida humana, toma aspectos malignos quando se comercializa o que não deveria ser vendido. Por exemplo, podemos mencionar o episódio quando Esaú vendeu seu direito de primogenitura. Assim, o comércio da grande Babilônia inclui uma abominável troca de valores. O ápice de tal negociação é expresso através do comércio de almas humanas (Apc.18.13). A mais clara forma de comércio de almas é através de uma falsa religião que se pratica apenas por motivos financeiros.
O que será a Grande Babilônia? Uma hipótese é que a cidade com esse nome, às margens do Rio Eufrates, hoje reduzida a ruínas, venha a ser reconstruída e volte a ter projeção mundial. Outra teoria associa a cidade a uma religião de alcance mundial.
Como religião mundial, alternativa plausível, a Grande Babilônia poderia ser vista como uma falsa igreja, em contraposição à Nova Jerusalém, que desce do céu. João viu as duas cidades e seus destinos. A Nova Jerusalém é a noiva. Babilônia é meretriz. A Grande Babilônia será destruída pelos juízos divinos, enquanto que a cidade santa será a morada de Deus e do Cordeiro.
A Nova Jerusalém muitas vezes é tomada de forma literal. É vista como uma cidade onde os salvos vão morar. Contudo, o texto é carregado de símbolos, levando a crer que própria cidade é apenas um símbolo da igreja triunfante. Veja o paralelo.
NOVA JERUSALÉM
IGREJA
Chamada noiva e esposa do Cordeiro (Ap.19.7; 21.2,9; 22.17)
Chamada noiva de Cristo (Ef.5.25-26).
Possui 12 fundamentos (Ap.21.14)
Fundada sobre os 12 apóstolos (Ef.2.19-21)
OS PARÊNTESES DO APOCALIPSE
O relato de João parece apresentar uma série de fatos que vão ocorrendo de modo consecutivo, embora exista uma hipótese de que as várias visões apocalípticas se refiram aos mesmos fatos históricos. Assim, as 7 trombetas, as 7 taças e os 7 selos seriam diferentes versões dos mesmos juízos. Uma base para esse tipo de visão está em Gênesis 41, onde "vacas" e "espigas" eram dois símbolos para um só fato.
De qualquer forma, o texto apresenta uma seqüência e esta parece interrompida em alguns pontos. João interrompe a narrativa sobre as catástrofes mundiais para falar sobre o anjo e o livrinho no capítulo 10, as duas testemunhas no capítulo 11, e a mulher e o dragão no capítulo 12.
- Comer o livrinho significa tomar conhecimento das profecias acerca dos últimos dias. O livro é doce na boca mas amargo no ventre. A mensagem apocalíptica fala de esperança e glória, mas também de grande tribulação.
- As duas testemunhas são objeto de muita polêmica. Eis algumas interpretações sugeridas: "Moisés e Elias", "Enoque e Elias ". Os fatos mencionados no capítulo 11 nos fazem lembrar as experiências de Moisés e Elias narradas no Velho Testamento. Contudo, tais testemunhas serão mortas. Os melhores candidatos então seriam pessoas que nunca experimentaram a morte. Logo, são mencionados Enoque e Elias.
Alguns eruditos se recusam a ver as duas testemunhas como dois homens. Daí surgem outras hipóteses. Seriam elas o Velho e o Novo Testamento? Tal sugestão não parece razoável. Há quem entenda que as testemunhas sejam apenas um símbolo da igreja em seu papel de evangelização.
- O dragão do capítulo 12 é Satanás. A mulher representa a nação de Israel. O Filho Varão é Cristo. O resto da semente parece representar a igreja.
As menções a Israel no Apocalipse constituem pontos de dúvida. Elas podem se referir à nação de Israel ou simplesmente à igreja, o "novo Israel". Assim acontece com os 144 mil eleitos de Deus (Apc.7.4). São 12 mil de cada uma das tribos. Como sabemos, tais números têm valor simbólico. Portanto, não faz sentido pensarmos que 144 mil seja o número final dos salvos. Na seqüência do mesmo capítulo, João vê os remidos de toda tribo, língua, povo e nação, cujo número era incontável (Apc.7.9).
CONCLUSÃO
O Apocalipse trata dos últimos lances da guerra histórica entre o bem e o mal. Satanás usa suas últimas armas durante o tempo que lhe resta. Contudo, a vitória divina é inevitável. Em meio a todo esse combate estão os homens, servindo a um dos lados.
A mensagem apocalíptica é um aviso divino para a humanidade. Não existe esperança para as forças demoníacas, mas para os homens sim. Ignorar o Apocalipse seria como rasgar uma notificação judicial sem tê-la lido. O prazo está se esgotando. Ainda que o mundo dure mais 1000 anos, é o nosso tempo de vida que determina nossa chance de deixar o mal e escolher o bem.
O arrependimento é também um tema em destaque no Apocalipse (2.5,16,21,22; 3.3,19; 9.20,21; 16.9,11). Deus poderia extinguir a raça humana em um instante. Porém, ele manda seus castigos aos poucos, esperando que os homens sintam a culpa pelo pecado e se arrependam. Devemos ouvir a sua voz enquanto temos tempo. Antes que o juízo venha, existe uma porta aberta para o Reino de Deus através do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
"O Espírito e a noiva dizem: Vem. Quem ouve diga: Vem. Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida." (Ap.22.17).
Em caso de utilização impressa do presente material, favor mencionar o nome do autor:
Anísio Renato de Andrade - Bacharel em Teologia.
JUDAS
Autor: Judas, irmão de Jesus.
Data: entre 64 e 70 d.C.
Tema: Defesa da fé cristã.
Palavra-chave: guardar.
Texto chave - 3,4.
ESBOÇO
1 - Saudações - 1-2.
2 - Defesa da fé cristã - 3-4.
3 - Os deturpadores do evangelho - 5-16.
4 - Instruções práticas - 17-23.
4 - Doxologia - 24-25.
GUARDADOS EM CRISTO JESUS (v.1).
Estar em Cristo, expressão importante na teologia de Paulo, é uma realidade espiritual que expressa nosso vínculo com Jesus e nossa posição espiritual. Trata-se de uma união mística. Estamos ligados a ele como os membros se ligam ao corpo e este à cabeça ou como os ramos se ligam à videira. Judas diz que estamos guardados em Cristo. Ele é o nosso refúgio, nossa fortaleza.
Lendo apenas o versículo 1 e o 24, poderíamos pensar que a nossa situação e futuro dependem unicamente de Deus. Se assim fosse, não precisaríamos de tantas palavras de advertência como temos na bíblia. Contudo, o verso 20 muda a conjugação verbal e nos exorta dizendo: "Guardai-vos no amor de Deus" (ou conservai-vos). O autor nos repassa uma grande responsabilidade no sentido de nos mantermos na posição que obtivemos em Cristo mediante a salvação. Nosso estar em Cristo pode ser comparado à condição da família de Noé dentro da arca, a qual representou a salvação daquelas pessoas.
O problema central apresentado pela epístola de Judas é o caso daqueles que não guardaram suas posições e se perderam, tornando-se exemplos do juízo divino (v.6). O autor cita como exemplos: o povo de Israel no deserto, os anjos, Sodoma, Gomorra, Caim, Balaão e Coré. Ele fala de experiências coletivas e individuais. Menciona desde pessoas que conheciam bem pouco sobre Deus, passando por aquelas que conheciam muito e chegando a mencionar os anjos, que viam a Deus face a face. O que todos tiveram em comum foi a corrupção e a conseqüente destruição. É impressionante observarmos que o povo de Israel, por sua rebelião e incredulidade, entra para uma lista de exemplos ao lado de Sodoma e Gomorra. Da mesma forma, um profeta ganancioso, Balaão, é listado juntamente com Caim, o irmão homicida. Isso mostra que, seja qual for a nossa posição, devemos ser cuidadosos para não entrarmos nas listas daqueles que não guardaram sua condição original e se corromperam. "Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa" (Apc.3.11).
HERESIA - CAMINHO DA PERDIÇÃO
Por quê alguém deixaria sua posição de obediência a Deus para se tornar um infiel? Tal pergunta fica muito difícil de ser respondida se indagarmos a respeito da queda de Satanás. Daí em diante, um dos meios mais utilizados foi a persuasão. Assim, os anjos foram levados, e também Adão e Eva. O infiel vai propagando a infidelidade. Judas estava preocupado com essa prática, pois os hereges se manifestavam dentro da igreja e ameaçavam a firmeza dos irmãos através de doutrinas erradas.
A epístola diz que eles "convertem em dissolução a graça de Deus" (v.4). Aqueles falsos mestres transformavam a graça de Deus em libertinagem, como se a misericórdia de Deus representasse conivência em relação ao pecado. O fato de Deus não punir imediatamente o pecador significa que este tem oportunidade para se arrepender. Contudo, isso não significa que o juízo foi esquecido. Caso não haja arrependimento, haverá o castigo.
OS MENSAGEIROS DO MAL
Tais elementos são muito perigosos porque entram nas igrejas (v.12) e conseguem posições de liderança e ensino (v.8,12). A sua aparência não é ameaçadora. Pode até ser agradável. Contudo, seu procedimento denuncia seu caráter. O autor utiliza muitas figuras de linguagem para mostrar tal realidade.
APARÊNCIA
CARÁTER
Nuvens
sem água
Árvores
sem fruto, sem vida, sem raiz firme
Ondas
bravias
Estrelas
errantes
Rochas
submersas
Pastores
que apascentam a si mesmos
A aparência pode ser muito boa, mas o conteúdo deixa a desejar. Apresentam um potencial muito grande, mas não utilizado como deveria. Por exemplo, a rocha, que poderia servir como base em uma construção, encontra-se submersa, representando um perigo oculto e fatal.
As figuras de linguagem utilizadas nos falam de elementos que não se encontram fixos, não têm firmeza, encontram-se em movimento constante: nuvens levadas pelo vento, árvores que não estão presas por suas raízes, ondas do mar, estrelas cadentes. Os falsos mestres não conseguem se firmar dentro da verdadeira igreja do Senhor. Por isso é que acontecem os escândalos e eles se vão. Vemos no texto também a questão da inutilidade de tais pessoas. Uma estrela cadente não serve como ponto de referência. Ondas bravias só causam destruição. Nuvem sem água não produz chuva. Além disso, é levada pelo vento e nem sombra produz. O mesmo acontece com a árvore que, além de não ter frutos, foi arrancada. Nesse caso, o que não é útil pode se tornar uma ameaça. Então, nada lhe resta senão o fogo, que representa o juízo divino.
Assim, Judas apresenta o caráter dos falsos mestres, o perigo de sua mensagem e o destino que lhes cabe, a exemplo do que aconteceu com os rebeldes israelitas do deserto, e Sodoma, Gomorra, etc.
Não devemos olhar para os fracos na fé e vê-los como falsos na fé. Por isso, Judas adverte que devemos ter compaixão daqueles que estão em dúvida (v.22). Devemos salvá-los (v.23), tomando cuidado para não sermos contaminados com seus erros práticos ou doutrinários.
Judas adverte a respeito dos falsos, mas tem uma expetativa positiva em relação aos verdadeiros irmãos. "Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; " (v.17). "Mas vós, amados, edificando-vos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna". (v.20-21). A conjunção "mas" introduz um texto com teor contrário ao anterior. Depois de falar sobre a mensagem, a vida e o destino dos falsos mestres, o autor exorta que os destinatários se firmassem na palavra ensinada pelos apóstolos de Cristo. Desse modo, teriam uma vida livre da corrupção e, consequentemente, seriam apresentados imaculados diante de Deus para a vida eterna. Por essa razão, Judas encerra sua epístola de modo tão exultante, com uma expressão de louvor a Deus.
PARALELO ENTRE JUDAS E II PEDRO
II PEDRO
ASSUNTO
JUDAS
2:1
Falsos mestres
1:4
2:4
Anjos que pecaram
1:6
2:6
Sodoma e Gomorra
1:7
2:10
Contaminados e atrevidos
1:8
2:11
Contenda de anjos
1:9
2:15
Animais irracionais
1:10
2:17
Caminho de Balaão
1:11
2:18
Nuvens levadas pelo vento
1:12,13
3:2-5
Falando coisas arrogantes
1:16
3:2
Lembrai-vos das palavras
1:17
3:3
Escarnecedores dos últimos tempos
1:18
Em caso de utilização impressa do presente material, favor mencionar o nome do autor:
Anísio Renato de Andrade - Bacharel em Teologia.
3-JOÃO
Autor: Apóstolo João
Data: entre 90 e 95 d.C.
Tema: Caráter cristão.
Palavra-chave: verdade.
ESBOÇO
1 - Saudações - 1-4.
2 - O bom exemplo de Gaio - 5-8.
3 - Diótrefes - o ambicioso - 9 - 11.
4 - Demétrio - o cristão fiel - 12.
4 - Considerações finais e saudações - 13-15.
A epístola em estudo é de autoria do apóstolo João. Para confirmação compare os versículos:
III João 1
II João 1
III João 13-14
II João 12
III João 11
II João 9
A terceira epístola de João é uma correspondência particular dirigida a um irmão chamado Gaio. Este nome era bastante comum naquela época. Temos sua ocorrência em At.19.29, At.20.4, Rm.16.23, I Cor.1.14, além de III João. Contudo, tais passagens não se referem sempre à mesma pessoa.
Não temos muitas informações sobre Gaio, a quem João escreve. Entendemos que ele não era o líder de sua igreja local. O versículo 9 indica que o líder é outro.
A QUESTÃO DA PROSPERIDADE
O verso 2 diz: "Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai à tua alma." Este talvez seja o versículo mais conhecido dessa pequena carta, o qual é muitas vezes utilizado como apoio para a doutrina da prosperidade. Devemos observar que a única certeza do texto está relacionada à alma do destinatário, ou seja, seu bom estado interior. No mais, o verso expressa apenas o desejo de João no sentido de que Gaio tivesse boa saúde e fosse próspero em todas as coisas. Não temos ali uma promessa nem uma doutrina sobre prosperidade material. Tal êxito depende do propósito de Deus para cada pessoa.
Gostaríamos de ser bem sucedidos em tudo e em todo o tempo. Porém, essa trajetória certamente será muitas vezes interrompida por tribulações, as quais fazem parte da nossa experiência cristã.
ANDAR NA VERDADE (vs.3-4).
Tal expressão, tão importante para João, significa praticar, viver de acordo com a verdade. O verbo andar foi também muito utilizado pelo apóstolo Paulo em seus ensinamentos sobre a vida cristã (Gál. 5.16,25; Ef.4.1; 5.15; etc.). Trata-se do "procedimento" mencionado no verso 5.
PROCEDIMENTO, TESTEMUNHO E EXEMPLO (vs.3,4,6,10,12)
A palavra testemunho tem destaque em todos os escritos de João, desde o evangelho até o Apocalipse. Como cristãos, damos testemunho a respeito do Senhor Jesus, e isso vai gerar um outro testemunho que será dado a nosso próprio respeito. O procedimento será observado e produzirá um testemunho positivo ou negativo.
João se alegrou pelo testemunho dado pelos irmãos a respeito de Gaio. Contudo, os estranhos também dão testemunho. Nesse contexto, os "estranhos" são irmãos vindos de outros lugares. No verso 12, todos dão testemunho, inclusive o próprio apóstolo e a própria verdade. Parece que a verdade, nesse contexto, está relacionada à doutrina, a qual serviria como parâmetro para confirmar determinado testemunho.
Vemos portanto, que as nossas obras geram testemunhos a nosso respeito e essas mensagens circulam rapidamente e estruturam ou derrubam nossa reputação.
A epístola destaca o procedimento de Gaio, Diótrefes e Demétrio. Daí surgiram testemunhos positivos e negativos, fazendo com que essas pessoas se tornassem bons ou maus exemplos, a serem imitados ou evitados.
Gaio e Demétrio são apresentados como cristãos fiéis (vs.3-6,12). Diótrefes é visto como ambicioso. Estava na liderança, mas João não o reconhece como tal. O apóstolo diz que Diótrefes "gosta de ter entre eles a primazia." (v.10). Ele gostava de ser líder, contudo não era vocacionado para aquele trabalho. Seu caráter se manifesta por suas palavras e ações:
- Profere palavras maliciosas.
- Não recebe o apóstolo João na igreja. É rebelde contra as autoridades espirituais.
- Proíbe que os irmãos o recebam.
- Exclui da igreja quem o faz. (v.10).
Gaio, que já andava na verdade, deveria se inspirar nos bons exemplos (v.11).
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