domingo, 8 de setembro de 2013

MINISTÉRIO PROFÉTICO DA PALAVRA DE DEUS(OS NOMES DE DEUS)

MINISTÉRIO PROFÉTICO DA PALAVRA DE DEUS. EV.ROBÉRIO OLIVEIRA --------------------------------------- Os nomes de Deus:--------------------------------------------------- O nome Jesus vem do hebraico (Yehoshua) - "Josué", que significa "Iavé é salvação". Josué era chamado de Oshea ben Num "Oséias, filho de Num" (Números.13:8). Moisés mudou seu nome para Yehoshua bem Num (Números. 13:16). A Septuaginta (tradução grega do VT) usou o nome Iesus para Yehoshua; Portanto Iesus é a forma grega do nome Yehoshua. Depois do cativeiro de Babilônia, o nome Yehoshua era conhecido por Yeshua. Em Neemias 8:17 Josué era chamado Yeshua ben Num. Yeshua é o nome hebraico para Jesus, até hoje em Israel. Isso pode ser comprovado em qualquer exemplar do Novo Testamento hebraico. É verdade que nome não se traduz, mas se translitera conforme a índole de cada língua. Os nomes Eva, David e outros levam a letra "v" em hebraico, aparecem como Eua, Dauid, nos textos gregos. No grego moderno a letra beta (b) na antiguidade, hoje é v. Hoje se escreve Dabid, para David, e Eba para Eva. Há nomes que permanecem inalteráveis em outras línguas, mas não são todos. O nome João, por exemplo, é Yohanan, em hebraico; Ioannes, em grego; John, em Inglês; Jean, em francês; Giovani, em italiano, Juan, em espanhol; johannes, em alemão. E assim por diante, isso ocorre em vários nomes. Há nome que mudam substancialmente de uma língua para outra. Eleazar, em hebraico, é Lázaro em grego. Elizabete é a forma hebraica do nome Isabel. O argumento, portanto, de que o nome deve ser preservado na forma original, em todas as línguas, é inconsistente, sem apoio bíblico. EL ÔLAM Deus Eterno ATTIQ YÔMIN Antigo de Dias EL ELHÔHÊ ISRAEL Deus de Israel EL ELAH Todo.Poderoso JEOVÁ JIRÉ O Senhor provê ELOHIM Criador JEOVÁ NISSI O Senhor é a minha bandeira ADONAI Senhor JEOVÁ SHALOM O Senhor é paz ELIOM Altíssimo JEOVÁ TSIDIKENU O Senhor é a nossa justiça KADOSH Santo JEOVÁ SHAMMAH O Senhor está presente GIBBOR Poderoso JEOVÁ SEBHÃÔH Senhor dos Exércitos MAOR Criador da Luz KADOSH ISRAEL Santo de Israel SHAPHATAR Juiz YOHANAN Yohanan ou Yehohanan (João) que se decompõe em Yeh, Yo, Yaho (abreviações de Yahweh, Javé, Deus) e hanan (compadecer-se), com o sentido de Deus teve misericórdia, se compadeceu ELOI Senhor de todas as coisas PALET Libertador MARGEN Protetor AARÁ Meu Pastor JEHOSHUA Javé é a Salvação EL ROI Deus que vê ADON HAKAVOD Rei da Glória EL SHADAI Deus Todo.Poderoso YAVEH TIÇAVAOT Senhor das Hostes Celestiais ROBECA Que te sara YAVEH EL ELION NORAH O Senhor Deus Altíssimo é Tremendo NIKADISKIM Que nos santifica YESHUA Jesus RAFÁ Que cura JEOVÁ JASER O Senhor é Reto SALVAON Senhor Todo Poderoso YHWH Nome impronunciável de Deus; sempre que aparece na Bíblia, é traduzido como Senhor JEOVÁ HOSSEU O Senhor que nos criou JEOVÁ ELOHEKA O Senhor teu Deus MALAH BRIT O Anjo da Aliança EL RAÍ O Deus que tudo vê EL CANÁ O Deus zeloso EL DEOT O Deus das Sabedorias Quais são os diferentes nomes e títulos de Jesus Cristo? ________________________________________ Pergunta: "Quais são os diferentes nomes e títulos de Jesus Cristo?" Resposta: Existem cerca de 200 nomes e títulos de Cristo encontrados na Bíblia. A lista a seguir inclui apenas alguns dos mais proeminentes, organizados em três seções de acordo com nomes que refletem a natureza de Cristo, a Sua posição na tri-unidade de Deus e a Sua obra na terra em nosso favor. A Natureza de Cristo Pedra Angular: (Efésios 2:20) - Jesus é a pedra angular do edifício da Sua Igreja. Ele cementa juntos os judeus e gentios, homens e mulheres – todos os santos de todas as épocas e lugares em uma estrutura construída sobre a fé nEle, a qual é compartilhada por todos. Primogênito de toda a criação: (Colossenses 1:15) - Não a primeira coisa que Deus criou, como alguns afirmam de forma incorreta, porque o versículo 16 diz que todas as coisas foram criadas por e para Cristo. Em vez disso, o significado é que Cristo ocupa o posto e preeminência do primogênito sobre todas as coisas, que Ele sustenta a posição mais exaltada no universo, que Ele é preeminente sobre todos os outros e é o cabeça de todas as coisas. Cabeça da Igreja: (Efésios 1:22, 4:15; 5:23) - Jesus Cristo, não um rei ou um papa, é o único governante supremo e soberano da Igreja, ou seja, daqueles por quem Ele morreu e que têm colocado sua fé nEle para obter a salvação. Santo: (Atos 3:14, Salmo 16:10) - Cristo é santo, tanto em sua natureza divina quanto humana, e a fonte de santidade ao Seu povo. Pela Sua morte, somos feitos santos e puros diante de Deus. Juiz: (Atos 10:42; 2 Timóteo 4:8) - O Senhor Jesus foi designado por Deus para julgar o mundo e dispensar as recompensas da eternidade. Rei dos reis e Senhor dos senhores: (1 Timóteo 6:15, Apocalipse 19:16) - Jesus tem domínio sobre todas as autoridades da terra, sobre todos os reis e governantes, e ninguém pode impedi-lo de realizar os seus propósitos. Ele os dirige como lhe agrada. Luz do Mundo: (João 8:12) - Jesus entrou em um mundo escurecido pelo pecado e derramou a luz da vida e a verdade por meio de Sua obra e Suas palavras. Jesus abre os olhos daqueles que confiam nEle e andam na luz. Príncipe da paz: (Isaías 9:6) - Jesus não veio trazer paz ao mundo como na ausência de guerra, mas a paz entre Deus e o homem que estavam separados pelo pecado. Ele morreu para reconciliar os pecadores a um Deus santo. Filho de Deus: (Lucas 1:35; João 1:49) - Jesus é o "unigênito do Pai" (João 1:14). Usado 42 vezes no Novo Testamento, o termo "Filho de Deus" afirma a divindade de Cristo. Filho do homem: (João 5:27) - Usado como um contraste com "Filho de Deus", esta frase afirma a humanidade de Cristo que existe ao lado de Sua divindade. Palavra: (João 1:1, 1 João 5:7-8) - A Palavra é a segunda pessoa da trindade, o que falou e assim foi feito, o que falou todas as coisas à existência do nada na primeira criação, o que estava no princípio com Deus Pai, e era Deus, e por quem todas as coisas foram criadas. Palavra de Deus: (Apocalipse 19:12-13) - Este é o nome dado ao Cristo que é desconhecido por todos, menos por Si mesmo. Esse termo denota o mistério da Sua pessoa divina. Palavra de Vida: (1 João 1:1) - Jesus não só falou palavras que conduzem à vida eterna, mas de acordo com este versículo, Ele é as próprias palavras de vida, referindo-se à vida eterna de alegria e satisfação que Ele proporciona. Sua posição na trindade Alfa e Ômega: (Apocalipse 1:8; 22:13) - Jesus declarou ser o início e o fim de todas as coisas, uma referência ao verdadeiro Deus e ninguém mais. Esta declaração de eternidade só pode ser aplicada a Deus. Emanuel: (Isaías 7:14, Mateus 1:23) - Literalmente "Deus conosco". Tanto Isaías quanto Mateus afirmam que o Cristo que nasceria em Belém seria o próprio Deus que veio à Terra na forma de um homem para viver entre o Seu povo. Eu Sou: (João 8:58, com Êxodo 3:14) - Quando Jesus atribuiu a Si mesmo este título, os judeus tentaram apedrejá-lo por blasfêmia. Eles compreenderam que Jesus estava declarando ser o Deus eterno,o imutável Jeová do Antigo Testamento. Senhor de todos: (Atos 10:36) - Jesus é o Senhor soberano sobre o mundo inteiro e todas as coisas nele contidas, de todas as nações do mundo, e particularmente do povo escolhido de Deus, tanto gentios quanto judeus. Verdadeiro Deus: (1 João 5:20) - Esta é uma afirmação direta de que Jesus, sendo o verdadeiro Deus, não é apenas divino, mas é o Divino. Já que a Bíblia ensina que há somente um Deus, isso só pode estar descrevendo a Sua natureza como parte do Deus triúno. Sua obra na Terra Autor e Consumador da nossa fé: (Hebreus 12:2) - A salvação é alcançada através da fé que é dom de Deus (Efésios 2:8-9) e Jesus é o fundador da nossa fé e o seu consumador também. Do primeiro ao último, Ele é a fonte e o sustentador da fé que nos salva. Pão da Vida: (João 6:35; 6:48) - Assim como o pão sustenta a vida no sentido físico, Jesus é o Pão que dá e sustenta a vida eterna. Deus providenciou o maná no deserto para alimentar o seu povo, e Ele providenciou Jesus para nos dar a vida eterna através do Seu corpo partido por nós. Noivo: (Mateus 9:15) – O retrato de Cristo como o Noivo e a Igreja como a Sua Noiva revela a relação especial que temos com Ele. Estamos ligados uns aos outros em uma aliança de graça que não pode ser quebrada. Redentor: (Romanos 11:26) - Assim como os israelitas precisavam que Deus os libertasse da escravidão do Egito, assim Cristo é o nosso Redentor da escravidão do pecado. Bom Pastor: (João 10:11,14) - Nos tempos bíblicos, um bom pastor estava disposto a arriscar a sua própria vida para proteger as suas ovelhas dos predadores. Jesus deu a Sua vida por Suas ovelhas e Ele cuida, nutre e nos alimenta. Sumo Sacerdote: (Hebreus 2:17) - O sumo sacerdote judeu entrava no templo uma vez por ano para fazer expiação pelos pecados do povo. O Senhor Jesus executou essa função por Seu povo de uma vez por todas na cruz. Cordeiro de Deus: (João 1:29) - A Lei de Deus exigia o sacrifício de um cordeiro perfeito e imaculado como expiação pelo pecado. Jesus se tornou o Cordeiro levado mansamente para o abate, mostrando a Sua paciência em Seus sofrimentos e a Sua prontidão para morrer pelos que lhe pertence. Mediador: (1 Timóteo 2:5) - Um mediador é um que fica entre duas partes para reconciliá-las. Cristo é o único Mediador que reconcilia os homens a Deus. Orar a Maria ou aos santos é idolatria porque ignora esse papel mais importante de Cristo (o de Mediador), atribuindo-lhe a outro. Rocha: (1 Coríntios 10:4) – Assim como a água que dá vida fluiu da rocha que Moisés bateu no deserto, Jesus é a Rocha da qual fluem as águas vivas da vida eterna. Ele é a Rocha sobre a qual construímos nossas casas espirituais, de modo que nenhuma tempestade possa sacudi-las. Ressurreição e a Vida: (João 11:25) - Em Jesus encontramos o meio para ressuscitar os pecadores à vida eterna, assim como Ele ressuscitou dentre os mortos. Nosso pecado é sepultado com Ele, e somos ressuscitados para andar em uma nova vida. Salvador: (Mateus 1:21, Lucas 2:11) - Ele salva o Seu povo ao morrer para redimi-los, ao dar-lhe o Espírito Santo para renová-los pelo Seu poder, ao capacitá-los a enfrentar os seus inimigos espirituais, ao sustentá-los durante as provações e morte e ao ressuscitá-los no último dia. Videira Verdadeira: (João 15:1) – A Videira Verdadeira fornece tudo de que os ramos (crentes) necessitam para produzirem o fruto do Espírito -- a água vida da salvação e o alimento da Palavra. Caminho, Verdade, Vida: (João 14:6) - Jesus é o único caminho para Deus, a única verdade em um mundo de mentiras e a única fonte verdadeira da vida eterna. Ele incorpora todos os três tanto em um sentido temporal quanto eterno. ________________________________________ Voltar à página principal em português Quais são os diferentes nomes e títulos de Jesus Cristo?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

EV.ROBÉRIO OLIVEIRAOS APOSTOLOS)

A Palavra Final de Deus (Um Estudo da História da Revelação Divina) Pastor Ron Crisp 2007 Capítulo II - Os Apóstolos de Cristo Jesus Cristo é a palavra final de Deus. Qual então foi o propósito dos apóstolos[1] no plano de revelação especial de Deus? Visto que a vinda de Cristo foi um evento histórico, não poderia ser dito que eles foram as testemunhas, os historiadores, os expositores, bem como os divulgadores daquele evento? Através deles, o registro da palavra final de Deus foi transmitido a nós: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida. (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.” I João 1:1-3 “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?” Hebreus 2:3-4 Note como Cristo, em sua oração sacerdotal, liga a fé de gerações vindouras à obra dos apóstolos: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra. Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti; Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste”. João 17.6-8 “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;” João 17:20 Podemos ainda enfatizar mais a natureza da obra apostólica mostrando que eles eram o elo entre o nosso Senhor Jesus: (o Verbo encarnado) e o Novo Testamento: a porção final da palavra de Deus escrita. Os 27 livros do Novo Testamento ou foram escritos pelos apóstolos ou por homens sob influência deles. O Novo Testamento é o relato escrito-inspirado da palavra final de Deus. Não é novidade então que as crenças dos Cristãos sejam descritas em Atos 2:42 como sendo a “doutrina dos apóstolos”. Todas as igrejas neotestamentárias são fundamentadas no ensino deles. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;” Efésios 2:20 A natureza alicerçadora do trabalho deles é enfatizada na visão que João teve da Nova Jerusalém. “E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” Apocalipse 21:14 Tendo essa posição importantíssima, aos apóstolos foram dadas qualificações especiais. Deus os equipou completamente para o seu trabalho. Em primeiro lugar, temos garantia de que eles foram testemunhas oculares de Cristo Jesus. “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” I João 1:1 “Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor?” I Coríntios 9:1 “E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio.” João 15:27 “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.” II Pedro 1:16 Pedro foi específico acerca dessa qualidade quando buscavam um substituto para Judas. “É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, Começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição.” Atos 1:21-22 Em segundo lugar, os apóstolos receberam sua mensagem diretamente de Cristo. Diferentemente dos pregadores nas gerações subsequentes, eles não dependiam do testemunho ou do ensino de outros. Paulo fez a defesa de seu apostolado quando atacado na Galácia. “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.” Gálatas 1:11-12 Em terceiro lugar, como instrumentos de revelação inspirados, eles foram credenciados por sua habilidade de realizar sinais. Isto pode ser chamado de “credenciais apostólicas”. “E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal.” Mateus 10:1 “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?” Hebreus 2:3-4 “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas.” II Coríntios 12:12 Em quarto lugar, como testemunhas e historiadores da maior revelação final da parte de Deus, foi prometida a eles a infalibilidade de memória. “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14:26 Podemos confiar na exatidão do registro do Novo Testamento. Em último lugar, como expositores e intérpretes da palavra final de Deus, foi a eles prometido entendimento pleno. “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade;” João 16:13 Durante a jornada terrena de Cristo Jesus, os apóstolos normalmente estavam limitados em sua compreensão de questões espirituais. Tudo isso mudou com a vinda do Espírito no dia de Pentecostes. Eles foram guiados em toda a verdade. Note que o Novo Testamento é o depósito inspirado dessa “verdade”. Sua existência é o cumprimento das promessas de Cristo feitas aos apóstolos. Neste ponto, vamos dar explicação maior de um assunto já levemente mencionado. Tudo aquilo que os apóstolos ensinaram e registraram no Novo Testamento teve suas raízes nas palavras e na obra de Cristo. Ele, e não os apóstolos, foi a palavra final de Deus. O Espírito não veio para revelar coisas novas às suas mentes, mas para lembrá-los do que Cristo havia ensinado e feito. Não foram coisas novas, mas aquelas coisas sobre as quais eles foram iluminados a entender. “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.” João 15:26 “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.” João 16:13-15 O leitor é encorajado a considerar quão fundamental são as palavras e a obra de Cristo na mensagem apostólica. Medite como as doutrinas do Novo Testamento têm suas origens nas palavras de Cristo. Para que isso seja enfatizado, repetiremos o que foi anteriormente dito: “O ensino de Cristo é a essência de toda a verdade do Novo Testamento; o botão a partir do qual a flor da exposição apostólica desabrochou”. Que Deus nos ajude a compreendermos a importância e a finalização dos trabalhos apostólicos. Negar a inspiração e a autoridade apostólicas é perder o relato de Cristo, nosso Senhor. Ir além dos apóstolos em nossa busca pela verdade é ir além de Cristo. A verdade sobre Jesus é a “doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42). Foi dito que a “fé” ou o “corpo da doutrina cristã” foi “uma vez dada”, porque foi transmitida pelos apóstolos em uma geração. “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” Judas 3 Sem os apóstolos, nós nunca teríamos ouvido a palavra final de Deus! -------------------------------------------------------------------------------- [1] Em nosso estudo, estaremos nos referindo exclusivamente aos Apóstolos de Cristo. A palavra grega traduzida “apóstolo” (‘apostolos’, #652, Strong’s) é também usada em um sentido mais geral no Novo Testamento. Em II Coríntios 8:23, a palavra é traduzida “embaixadores” e se refere a homens que eram enviados a representar igrejas individuais. As palavras gregas traduzidas por “presbítero” ou “diácono” são exemplos de outras palavras usadas tanto em sentido oficial como geral.

EV.ROBÉRIO OLIVEIRA(O ESPIRITO SANTO)

Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica O ESPÍRITO SANTO "Há muita confusão e erro correntes neste dia a respeito da personalidade, operações e manifestações do Espírito Santo. Eruditos conscientes mas extraviados têm sustentado idéias errôneas sobre esta doutrina. É vital a fé de todo cristão que o ensino escriturístico dela seja visto na sua verdadeira luz e sustentada nas suas corretas proporções" (Bancroft, Elemental Theology). I. A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO "Ao atribuir personalidade ao Espírito pensamos que Ele não é uma energia impessoal, uma abstração, uma influencia, ou emanação. Ele é uma inteligência auto-cônscia, autodeterminada, voluntária, sensiente. Pode-se dizer que a personalidade existe onde se encontrem unidas numa combinação singular inteligência, emoção a volição, ou senso comum e autodeterminação" (Bancroft, Elemental Theology). Que o Espírito é uma pessoa, está provado: 1. A MENÇÃO DELE JUNTAMENTE COM OUTROS MEMBROS DA TRINDADE. Mateus 28:19; 2 Coríntios 13:14 2. SUA ASSOCIAÇÃO COM OUTRAS PESSOAS EM PARENTESCO PESSOAL. Atos 15:28 3. A ATRIBUIÇÃO A ELE DE EMOÇÃO E VOLIÇÃO. 1 Coríntios 12:11; Efésios 4:30 4. ATRIBUIÇÃO A ELE DE ATOS PESSOAIS. (1) Ele sonda as coisas profundas de Deus. 1 Coríntios 2:10 (2) Ele fala. Mat 10:20; Atos 10:19,20; 13:2; Apocalipse 2:7. Vide também passagens sob a inspiração em que se diz que o Espírito falou pelos profetas e outros escritores da Escritura. (3) Ele ensina. Lucas 12:12; João 14:26; 1 Coríntios 2:13 (4) Ele conduz e guia. João 16:13; Romanos 8:14 (5) Ele intercede. Romanos 8:26 (6) Ele dispensa dons. 1 Coríntios 12:7-11 (7) Ele chama homens para o serviço. Atos 13:2; 20:28 5. A REPRESENTAÇÃO DELE COMO SENDO AFETADO COMO UMA PESSOA PELOS ATOS DE OUTREM. (1) Ele pode ser rebelado contra, incomodado e entristecido. Isaías 63:10; Efésios 4:30 (2) Ele pode ser blasfemado. Mateus 12:31 (3) Ele pode ser mentido (enganado). Atos 5:3 6. O USO DO PRONOME MASCULINO EM REFERENCIA A ELE. Em João 16:13, só o pronome masculino se aplica ao Espírito sete vezes. É isto muito significativo desde que a palavra grega correspondente a "espírito" (pneuma) é neutra. Vemos assim que a idéia da personalidade do Espírito é tão forte que na passagem supra ela tem precedência sobre a ordem gramatical. Em Romanos 8:16,26, numa construção mais próxima, prevalece a ordem gramatical, mas isto não anula a significação de na outra passagem arredar-se a ordem gramatical. 7. A APLICAÇÃO DO NOME MASCULINO "PARAKLETOS" AO ESPÍRITO. "O nome "parakletos"... não pode ... ser traduzido por "conforto", ou ser tomado como nome de qualquer influencia abstrata. O Confortador, Instrutor, Protetor, Guia, Advogado, que este termo traz perante nós, deve ser uma pessoa" (Strong, Systematic Theology). "Parakletos" é a palavra grega para "Consolador" em João 14:26; 15:26; 16:7. II. A RELAÇÃO DE PENTECOSTES COM O ESPÍRITO SANTO 1. ESPÍRITO SANTO JÁ EXISTIA ANTES DO PENTECOSTES. Gênesis 1:2; Neemias 9:20; Salmos 51:11; Isaías 63:10; 2 Pedro 1:21. Temos visto que o Espírito Santo, como um membro da Trindade, é co-eterno com o Pai. 2. ELE TEVE ACESSO À TERRA E OPEROU NO HOMEM ANTES DO PENTECOSTES. Vide todas as passagens imediatamente antes que seguem a primeira passagem. 3. ELE VEIO NO DIA DE PENTECOSTES NUMA CAPACIDADE ESPECIAL. Isto explica os significados da promessa de Cristo de mandar o Espírito. Esta capacidade especial foi: (1) Talvez como o antítipo da Shequína. Números 9:15-22; 2 Crônicas 7:1-3. A Shequína, no caso de tabernáculo, foi para liderança e, no caso do templo foi um símbolo de propriedade e possessão. A vinda do Espírito Santo no Pentecostes significou ambas as coisas à igreja. (2) Em cumprimento de profecia e promessa. Joel 2:28; Mateus 3:11. Não sustentamos, todavia, que o dia de Pentecostes marcou o cumprimento completo e ultimado da profecia de Joel. Este dia viu somente um cumprimento parcial e espiritual dessa profecia. Efetivamente, as palavras de Pedro precisam ser entendidas como significando não mais além que a coisa ora testemunhada nesse dia era a mesma em espécie como aquela da qual Joel predissera. O cumprimento literal, ultimado e completo de Joel 2:28-32 virá com a conversão da nação judaica na segunda vinda de Cristo. Vide Zacarias 12:9-11; 13:8,9; Romanos 11:26. (3) Autorizar a igreja. Atos 1:4,8 (4) Como o consolador residente e mestre dos crentes. João 14:16,17; 1 João 2:20,27. Antes do Pentecostes, como indicado supra, o Espírito Santo teve acesso à terra, mas Ele veio e foi; não morou nos crentes constantemente. Durante a dispensação do Velho Testamento o Espírito Santo veio até mesmo sobre ímpios, tais como Balaão e o rei Saul. E Ele inspirou os escritores da Escritura. Também regenerou homens; mas uma união inseparável entre a alma do crente e o Espírito Santo não se formou então como acontece agora sob a presente dispensação. É a esta união indissolúvel entre a alma do crente e o Espírito Santo que o escritor aos Hebreus se refere quando ele fala de escrever a Lei de Deus no coração do crente. Vide Hebreus 8:10. O fato de o Espírito Santo não morar constante e inseparavelmente nos crentes antes do Pentecostes explica porque Davi orou: "Não tires o Teu Espírito Santo de mim" (Salmos 51:11). O pecado podia então afugentá-lo do peito, porquanto o Seu presente era transiente. Mas, não assim agora, como mais tarde veremos mais claramente; e essa oração é totalmente inadequada ao crente nesta dispensação. (5) Para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. João 16:8-11. Sustentamos esta passagem como se referindo primariamente a uma obra indireta do Espírito, porque a diferença entre a obra direta e indireta do Espírito é para se ver mais tarde sob o exame do Seu trabalho nos perdidos. 4. SUA VINDA NO PENTECOSTES FOI DISPENSACIONAL E FINAL. Não há absolutamente nada que justifique a crença que o Pentecostes é para repetir-se na experiência de cada crente. Ele veio em cumprimento de profecia e promessa definitas e particulares, marcou o princípio de uma dispensação especial do Espírito. O pentecostalismo é disparate dos mais absurdos. Podia alguém com a mesma razão falar de uma repetição da ressurreição e ascensão de Cristo como de uma repetição do Pentecostes, que nunca se repetiu e nunca se repetirá. A ocorrência na casa de Cornélio foi meramente suplementada ao Pentecostes (Atos 10:44-47) e aconteceu para que Pedro pudesse saber que os crentes gentios foram recebidos por Deus no mesmo nível como os crentes judeus. 5. DESDE O PENTECOSTES O ESPÍRITO SANTO ENTRA EM TODO O CRENTE NA CONVERSÃO E JAMAIS PARTE. João 7:38,39; Atos 10:1; Romanos 8:9; Gálatas 3:2; 4:6; Efésios 1:13; 4:30; Judas 19. É loucura o crente orar pelo Espírito Santo, ainda que possa orar pelo Seu poder e plenitude. Tão pouco precisa o crente orar para que Deus não lhe tire o Espírito Santo; porque, ainda que o crente possa entristecer e apagar o Espírito (1 Tessalonicenses 5:19) - recusar Seus impulsos, o crente, não obstante, está permanentemente selado pela presença do Espírito (Efésios 1:13; 4:30). 6. O CRENTE, PORTANTO, NÃO DEVERÁ BUSCAR NEM A PRESENÇA NEM O BATISMO DO ESPÍRITO, MAS SUA PLENITUDE. Efésios 5:18. Mostramos que cada crente tem o Espírito. Agora só resta ser observado que não há na Escritura garantia para afirmar-se um batismo do Espírito hoje tanto na regeneração como depois dela. A Escritura está calada sobre a noção de um batismo do Espírito para este tempo. A passagem costumeiramente referida para substanciar um batismo do Espírito na regeneração refere-se ao batismo na água. Vide seu exame sob batismo na água. O crente tem tudo do Espírito Santo, mas o Espírito comumente não tem tudo do crente. Sua presença é expansiva: Ele enche tanto do crente do que estiver vazio de egoísmo e pecado. Assim, a exortação para encher-se do Espírito é uma exortação de completa rendição a Ele. Quanto mais Ele nos enche, maior será a manifestação do Seu poder em nossas vidas (Atos 6:3-5; 11:24). III. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO 1. SUA OBRA EM GERAL. (1) Ele foi o agente de Deus na criação. Gênesis 1:2 (2) Ele inspirou os escritores da Escritura. 2 Pedro 1:21. Vide outras passagens sob a discussão da inspiração verbal. (3) Ele é, em geral, o agente de Deus em todas as obras de Deus. Jó 33:4; Salmos 104:29,30; Isaías 40:7; Lucas 1:35; Atos 10:38. 2. SUA OBRA NOS PERDIDOS. (1) Sua obra indireta nos perdidos. Por obra indireta do Espírito nos perdidos queremos dizer tal obra como a que Ele executa mediatamente através da Palavra e não imediatamente por impacto pessoal sobre a alma. Qualquer obra produzida pela Palavra é uma obra do Espírito, porquanto Ele é o autor da Palavra. Está isto provado em Atos 7:51,52, onde resistência à palavra falada pelos profetas é dita como resistindo ao Espírito Santo. Na obra indireta do Espírito nos perdidos Ele: A. Luta com Eles. Gênesis 6:3. Esta luta se faz por meio de homens, tais como Enoque e Noé, na pregação da Palavra. B. Ele os convence do pecado, da justiça e do juízo. João 16:8-11. A presença e as operações do Espírito no mundo, como um que veio tomar o lugar e levar adiante a obra de um rejeitado e crucificado Cristo, constitue um convencimento potencial do pecado. Tivesse Cristo sido um impostor, Sua promessa do Espírito não se teria cumprido. É como se a alma (espírito) de um homem voltasse a rondar seus assassinos e prosseguir a obra que eles tão vãmente tentaram acabar. Tal tenderia a convencer os assassinos de sua culpa e testemunhar da justiça do homem que mataram. Assim é com o Espírito Santo: O Espírito de Cristo (Romanos 8:9; Gálatas 4:6). E assim é que o Espírito Santo dá prova da justiça de Cristo, por manifestar que Ele foi para o Pai e por manifestar que Ele assim se vê ter triunfado sobre Satanás, o qual buscou por todos os meios impedir o propósito de Deus por meio de Cristo. Por este meio Ele convence os homens do pecado de rejeitarem a Cristo e da certeza do juízo a todos que permanecem ligados ao Diabo, porque Satanás já está julgado (João 12:31). "Este juízo de Satanás foi alcançado na Cruz e Satanás foi feito potencialmente impotente" (Bancroft). Note-se que o Espírito Santo, na Sua obra de convencer ou convicção, "convicta, não primariamente do pecado de transgressão, mas do pecado de incredulidade, - do pecado, porque não crêem em mim?. Atos 2:36-37. Como todo pecado tem sua raiz na incredulidade, assim a forma mais agravada de incredulidade é a rejeição de Cristo. O Espírito, contudo, ao prender esta verdade sobre a consciência, não extingue, mas, pelo contrário, consuma e intensifica o senso de todos os demais pecados." (Bancroft, Elemental Theology). Chamamos especial atenção para esta última sentença acima. Muitos entenderiam que a incredulidade é o único pecado danoso. Muitos mesmo diriam que isto é tudo por que os homens sofrerão no inferno. Semelhante noção está abundantemente contraditada pela Bíblia. Vide Romanos 2:5,6; 7:7-11; Gálatas 3:10,24; 1 João 3:4; Apocalipse 20:12. O Espírito não convence meramente do pecado de incredulidade, mas do pecado por causa da incredulidade. Isto é, Ele mostra aos homens sua condição pecaminosa por fazê-los ver que estão rejeitando ao Cristo de Deus, mostrando assim rebelião contra Deus. A incredulidade é o principal sintoma da doença do pecado, cuja essência é a anarquia. A obra indireta do Espírito não só pode ser resistida, mas é resistida constantemente pelos pecadores. Os pecadores nada mais fazem que resistir ao Espírito até que o Espírito, por impacto direto e pessoal sobre a alma, vivifica o pecador cadáver á vista. Isto, como já indicado, explica Atos 7:51,52. (2). Sua obra direta nos perdidos. Referimo-nos aqui à regeneração. A regeneração é instantânea. Não pode ser doutra maneira, por não ser possível um homem estar em parte vivo e em parte morto sob um ponto de vista espiritual. É por essa razão que colocamos a convicção antes da regeneração. Os pecadores evidenciam vários graus de convicção através de períodos de extensão variável. É só no momento de regeneração, sem duvida, que a convicção alcança a intensidade mais elevada. A obra indireta do Espírito na convicção é trazida a cumprimento instantâneo no momento em que a alma cadáver é vivificada à vida. Mas a convicção existe antes da vivificação. Vide Paulo na sua experiência, Atos 26:14. Vide também e compare Atos 2:37. Notai que na parábola dos ossos secos no vale (Ezequiel 37:1-10) houve um efeito produzido pela pregação antes de Espírito (simbolizado pelo fôlego) vir sobre eles. Isto ilustra a obra indireta do Espírito na convicção antes da vivificação. A obra direta do Espírito na regeneração é irresistível. Não quer isto dizer que o Espírito viole a vontade: Ele simplesmente opera posto-vontade. A regeneração tem lugar na "região da alma sob senso comum" (Strong). É o meio pelo qual nossas vontades se conformam à de Deus rigorosamente segundo as leis da vontade e sua ação. Vide o capítulo sobre a livre agencia do homem. A regeneração é irresistível porque é uma obra de Deus e não depende da vontade de homens (João 1:12,13). É na regeneração que Deus habilita os homens a virem a Cristo (João 6:65). É assim que ele entrega os seus eleitos a Cristo (João 6:37). A regeneração é a atração a que se refere em João 6:44,45, na sua consumação. O homem nada pode fazer agradável a Deus enquanto estiver espiritualmente morto, estando na carne (Romanos 8:7,8). Mas, quando vivificado à vida, ele está certo de agir em harmonia geral com a vontade de Deus (1 João 5:4; 3:9). Assim a regeneração é necessariamente irresistível. 3. SUA OBRA NOS SALVOS. Já vimos que o Espírito habita em todo o crente. Esta moradia é para a realização de uma obra nos crentes. A obra consiste de: (1) Dar garantia de salvação. Romanos 8:16; 2 Coríntios 1:22; Efésios 1:14. O Espírito não só testemunha aos crentes da filiação atual, mas da garantia de salvação final. É neste ultimo sentido que a obra do Espírito é um "penhor", que quer dizer "hipoteca, uma parte do preço de compra adiantada como garantia de que a transação será completada". A presença do Espírito em nossos corações proporciona-nos uma prelibação do céu e é uma garantia de recebermos a herança "incorruptível e impoluta, que não fenece, reservada no céu" para nos "que somos guardados pelo poder de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no ultimo tempo" (1 Pedro 1:4,5). (2) Confortando, ensinando e iluminando. João 16:7; 1 Coríntios 2:9-12; Efésios 1:17; 1 João 2:20,27. (3) Liderando em obediência e serviço. Romanos 8:14; Gálatas 5:16; Atos 8:27,28. (4) Chamando para serviço especial. Atos 13:2,4. "O Espírito Santo não só dirige o teor geral da vida cristã, mas chama homens para trabalhos especiais, tais como missões, o ministério, ensino, etc." "Esta passagem não nos conta como o Espírito chama homens, presumivelmente porque Ele não chama sempre homens do mesmo modo. Cabe-nos a nós estarmos prontos a ser chamado, desejá-lo e então esperar que o Espírito Santo nos chame. Ele não chama a todos para o trabalho missionário estrangeiro, ainda que todo cristão devera estar pronto a responder a esse chamado. Ele chama, contudo, todo cristão para algum campo de serviço e o conduzirá, se ceder, a esse campo especifico" (Bancroft). (5) Distribuindo dons espirituais. 1 Coríntios 12:4-11. Notai que "a manifestação do Espírito é dada a todo o homem (Isto é, todo o homem salvo) para o que for útil" (1 Coríntios 12:7). Nenhum homem salvo pode dizer verdadeiramente, portanto, que está falto de habilidade espiritual no serviço do Senhor. (6) Fortificando no serviço. Atos 1:8; 1 Coríntios 2:4; 1 Tessalonicenses 1:5. (7) Fazendo frutífero. Gálatas 5:22-25. (8) Ditando oração e intercedendo. Romanos 8:26,27; Gálatas 4:6. (9) Movendo a adorar. Filipenses 3:3. Foi dito: "Em nossas orações somos tomados com as nossas necessidades, em nossas ações de graça somos tomados com as nossas bênçãos, mas em nossa adoração somos tomados com Deus mesmo". (10) Finalmente, vivificando o corpo do crente. Romanos 8:11-23.

EV.ROBÉRIO OLIVEIRA(A SEGUNDA VINDA DE CRISTO)

Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica A SEGUNDA VINDA DE CRISTO Havendo agora terminado nosso estudo do milênio, retrocederemos a considerar as coisas que o precederão imediatamente. A segunda vinda de Cristo tem sido a expectação coroante, a estrela dalva, do povo de Deus desde que a promessa de Sua vinda lhes foi comunicada. Ela os tem animado, fortalecido e encorajado nas horas mais escuras. Cristo e os apóstolos implantaram nos corações dos primeiros crentes o fato da vinda de Cristo e sua iminência como um motivo de vida piedosa e serviço fiel. Não permitiremos que nem as perversões de fanáticos, nem as negações de críticos, nem a controvérsia sobre minúcias da segunda vinda de Cristo nos afastem de um estudo cuidadoso da revelação de Deus a respeito dela, nem de uma adequada apreciação dela. I. O FATO DA VINDA DE CRISTO A segunda vinda de Cristo está: 1. PREDITA PELOS PROFETAS Isa. 11:1-11; Zac. 14:3-5; Judas 14. Muitas profecias do Velho Testamento, como a primeira aqui citada, referem-se tanto a primeira como à segunda vinda a terra. 2. ALUDIDA POR JOÃO BATISTA Lucas 3:3-6. A linguagem desta passagem não é inteiramente aplicável ao primeiro advento de Cristo. Como muita profecia, tem uma dupla aplicação. Vide Mal. 3:1 para uma profecia igual. 3. PROMETIDA POR CRISTO MESMO João 14:2,3. 4. DECLARADA PELOS ANJOS Atos 1:11. 5. ENSINADA PELOS APÓSTOLOS (1). Mateus 24:37, 42, 44. (2). Marcos 13:26. (3). Lucas 21:27. (4). João. I João 3:1-3. (5). Tiago 5:7. (6). Pedro. I Pedro 1:7, 13. (7). Paulo. 1 Tess. 4:15-17. (8). O Escritor aos Hebreus 9:28. (9). Judas 14. II. A NATUREZA DA VINDA DE CRISTO Havendo determinado o fato da vinda de Cristo, importante é conhecer sua natureza; porque, sem um conhecimento da natureza de Sua vinda, um conhecimento do fato é praticamente inútil. Necessário é, ao estudar da vinda de Cristo, considera-la primeiro negativo e então positivamente. 1. CONSIDERADA NEGATIVAMENTE A vinda de Cristo não é para ser: (1). Sucessiva, como na Morte. A idéia que a morte de alguém é para o tal a segunda vinda de Cristo, é a mais lavada necessidade à luz da Palavra de Deus. Não há aquela morte acompanhante que responde àquilo que a Bíblia revela como acompanhando a segunda vinda de Cristo. (2). Contínua, como na disseminação do cristianismo. O modernismo tê-la-ia que Cristo jamais voltará corporalmente a terra, mas, que Ele está "vindo tão depressa quanto Ele pode a este mundo" na disseminação do cristianismo. Os modernistas sustentam que Jesus pintou Sua volta em termos das concepções do povo, mas Ele não intencionou que Suas palavras fossem entendidas literalmente. Sem dúvida, uma semelhante noção esta pode ser sustentada somente por aqueles que negam a inspiração da Bíblia. Por essa razão, nós, que cremos na inspiração da Bíblia, não precisamos de notá-la seriamente. (3). Espiritual, como na: A. A vinda do Espírito Santo no Pentecostes. A vinda do Espírito Santo no Pentecostes não foi em sentido algum à vinda de Cristo. Cristo disse que Ele mandaria o Espírito. B. A destruição de Jerusalém. Na destruição de Jerusalém, A. D. 70, tivemos um cumprimento típico do que está dito na Bíblia sobre a segunda vinda de Cristo, mormente que Sua vinda acompanhar-se-á por um outro cerco de Jerusalém. Vide Apoc. 16:12-21; 19:17-21; Zac. 13:8 a 14:3. A destruição de Jerusalém foi um tipo deste último cerco. Então, na destruição de Jerusalém, tivemos um cumprimento espiritual da promessa da vinda de Cristo, em que esta destruição deferiu o golpe mortal no judaísmo e marcou a vinda do reino de Deus com poder. Até à destruição de Jerusalém o cristianismo pareceu a muitos como um mero adjunto do judaísmo. Com a destruição de Jerusalém o cristianismo veio ao que era seu. Cremos que à luz destes fatos é que devemos entender Jesus quando Ele disse: "Alguns há, dos que aqui estão, que não gostarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no Seu reino." (Mat. 16:28). Vide também Marcos 9:1 e Lucas 9:27. O mesmo é verdade, cremos das seguintes palavras também: "Não passará esta geração até que todas estas coisas sejam cumpridas." (Mat. 24:34). Vide também Marcos 13:30 e Lucas 21:32. Mas, na destruição de Jerusalém, não houve uma vinda atual de Cristo. E o fato que, após a destruição de Jerusalém, temos referências adicionais à Sua vinda como no futuro, faz isto indisputável. 2. CONSIDERADA POSITIVAMENTE. A vinda de Cristo é para ser: (1). Corporal Atos 1:11. Sua ascensão foi corporal e o anjo prometeu que Sua volta seria da mesma maneira. Passagens outras que mostram que a vinda de Cristo é para ser corporal: Zac. 14:4,5; Mat. 25:31; João 14:3; Fil. 3:20; 2 Tess. 1:7-10; 2 Tim. 4:1; Tito 2:13; Heb. 9:28; Apoc. 19:11-21. (2). Visível Mat. 24:27. Todas as passagens supra implicam a visibilidade de Sua vinda; mas a passagem inda agora dada sob esta última epígrafe mostra que Sua vinda (em uma de suas fases) será incisivamente visível ao mundo inteiro. (3). Como um ladrão 1 Tess. 5:1-4. Esta passagem descreve Sua vinda como ela será para os ímpios, porém especifica que não é para ser assim aos justos. (4). Em glória e esplendor indescritíveis Mat. 16:27; 24:29,30; Mar. 8:38; Tito 2:13; Apoc. 19:11-16. (5). Duplicada A vinda de Cristo consistirá de duas fases. Notemo-las: A. A primeira fase. Esta fase será: (a). No ar. 1 Tes. 4:15-17. Não há sinal aqui de que Ele venha sobre a terra nesse tempo. (b). Para Seu povo. João 14:3. (c). Como um noivo. Mat. 25:1-10. O casamento e ceia dele (Apoc. 19:9) são típicos das bênçãos consumadas da salvação. Gente salva constitui a noiva (Apoc. 21:2-27). B. A segunda fase. Esta fase será: (a). A terra. Zac. 14:4; Mat. 25:31. (b). Com Seu povo. Zac. 14:5; Judas 14; Apoc. 19:14. (c). Como um destruidor. 2 Tess. 1:7-9; 2:8. (d). Como um juiz. Mat. 21:31-46. (e). Como um rei para conquistar e reinar. Zac. 14:9; Apoc. 19:11-16; 20:1-5. III. O TEMPO DA VINDA DE CRISTO Não nos referimos aqui à data de Sua vinda. O negócio de datar é a obra de charlatões religiosos. Temos referência somente à relação de Sua vinda com o tempo. O tempo da vinda de Cristo está representada na Escritura como: 1. DESCONHECIDO DE TODOS, EXCETO O PAI Mar. 13:32; Mat. 25:13. Agora o Filho, igual uma vez mais com o Pai, pode saber a hora; mas, na Sua carne, quando Ele considerou a igualdade com Deus, absoluta, não como coisa a ser usurpada (Fil. 2:6 ? V. R.), Ele não soube. Condição (João 14:28) não é natureza (João 10:30). 2. INCERTO AOS HOMENS Mat. 25:31. Sinais alguns foram dados bastante explícitos para que qualquer homem se assegure de que Jesus virá em qualquer tempo particular. 3. IMINENTE Ser iminente a vinda de Cristo queremos dizer que ela está "ameaçando de ocorrer a qualquer momento". O povo salvo deve sempre estar em vigilância e procurando-a. (Mat. 25:13; Tito 2:13). Ela está representada na Escritura como sendo o próximo evento dispensacional. Discutiremos isto mais depois. 4. QUANDO NÃO ESPERADO. Mat. 25:44,50; Luc. 12:40,46. 5. UM TEMPO DE FRIEZA ESPIRITUAL, SENSUALIDADE E IMPIEDADE. Luc. 18:8; 17:26-30; Mat. 24:12; 2 Tim. 3:1-5. Quando Cristo vier, Ele não achará um mundo convertido onde a justiça governa. IV. O PROPÓSITO DA VINDA DE CRISTO O propósito da vinda de Cristo será duplo porque terá que fazer com duas classes. Notemos este propósito como ele afeta: 1. OS JUSTOS Como a vinda de Cristo afeta os justos, é para o propósito de: (1). Levantar os mortos 1 Tess. 4:16. Não há indício que seja esta ressurreição não incluirá todos os mortos em Cristo. Não temos paciência com a noção que somente os mais fiéis aquinhoar-se-ão nesta ressurreição. Toda passagem que fala dela implica uma ressurreição total dos justos falecidos. Vide 1 Cor. 15:23; Apoc. 20:5,6. As palavras de Paulo em Fil. 3:11 são iguais a outros enunciados seus, e expressam sua preocupação em provar que ele estava verdadeiramente em Cristo. Vide 2 Ped. 1:10. (2). A transladação dos vivos 1 Cor. 15:51,52; 1 Tess. 4:17. Cremos também que isto incluirá todos os crentes na terra ao aparecimento de Cristo no ar. Não temos paciência com a teoria do "rapto parcial". Os que crêem em tal são aptos a responder que quem não crê num rapto parcial e ressurreição parcial dos salvos destroem o fundamento da responsabilidade cristã. Não destruímos o fundamento escriturístico disto; porém, seja como for estaremos mais preocupados em saber o que Deus revelou do que estamos em fazer nossas próprias teorias e explorá-las. E os que ensinam um rapto parcial e uma ressurreição parcial de crentes rebaixam o padrão da vida cristã muito além do nível escriturístico. A Palavra de Deus ensina que todo povo regenerado vence (1 João 4:5) e as bênçãos mais gradas se prometem a todos os vencedores. Cremos que os corpos glorificados dos santos serão como o corpo assunto de nosso Senhor (Fil. 3:21; 1 João 3:2). Evidentemente Jesus ascendeu num corpo visível e os anjos disseram que Ele voltará assim como Ele foi. E, quando Ele voltar, nós vamos ser como Ele é. O corpo glorificado, então, será um corpo visível aos olhos físicos, tanto como Cristo foi visível após Sua ressurreição. Mas esse corpo será sem pecado e corrupção. (3). O arrebatamento de todos os crentes 1 Tess. 4:17. Os vivos transladados e os mortos ressuscitados serão todos arrebatados a encontrarem o Senhor no ar. (4). O julgamento das obras dos crentes 1 Cor. 3:12-15; 2 Cor. 5:10; 2 Tim. 4:8. Os pecados dos crentes já foram julgados em Cristo. João 5:24; Rom. 8:1,33; 1 Cor. 11:32. Logo, nenhuma menção dos seus pecados deverá ser feita no julgamento. Não são mais imputados a ele (Rom. 4:8) e não são mais lembrados (Heb. 8:12). A idéia de alguns que os crentes serão argüidos no julgamento, a contar porque fizeram ou não fizeram isto e aquilo, desonra a morte de Cristo e nega a Palavra de Deus. Daremos conta a Deus, mas isto será feito em nossos próprios corações, sem uma acusação ou palavra de censura da parte de Cristo. Não há nada de penal sobre o julgamento para o cristão. 2 Cor. 5:10 não significa mais do que recebemos recompensa pela nossa fidelidade e sofrer detrimento pela nossa deslealdade. Graça e penalidade são mutuamente exclusivas. (5). O casamento de Cristo com a Igreja Mat. 25:1-10; Apoc. 19:7-9. No presente a igreja está somente esposada com Cristo como uma virgem casta (2 Cor. 11:2). O esponsal não terá lugar senão quando Cristo voltar. 2. OS ÍMPIOS Como a vinda de Cristo afeta os ímpios é para o propósito de: (1). Matar os vivos e lançá-los no inferno. Apoc. 19:19-21; Zac. 14:3-12; Jer. 25:15-33; Isa. 24:17-21; 26:20,21; 34:1,2. (2). Julgando-os por causa da maneira porque trataram Israel Mat. 25:41-46; Joel 3:2. Sua atitude para com Israel manifestará sua atitude para com Cristo por meio da incredulidade. A salvação daqueles vivos na terra à revelação de Cristo para reinar sobre a terra (o segundo período de Sua vinda) terá sido manifestada pelo seu tratamento dos arautos judaicos da cruz durante o período da grande tribulação. Destas coisas veremos mais agora. Estes não serão salvos por tratarem bondosamente a estes irmãos de Cristo, mas prognosticará assim sua atitude para com Cristo e daí sua salvação. (3). Levantando, finalmente, os mortos e lançando-os no lago de fogo Apoc. 20:12-15. Isto é para ter logar, não imediatamente depois da vinda de Cristo, mas no fim da pequena sasão durante a qual Satanás será solto depois do milênio. Os ímpios terão um corpo de ressurreição (Mat. 10:28), mas de sua natureza temos pouco sobre que basear nossa opinião. Será capaz de sofrer, mas será indestrutível e não será justo como será o corpo dos salvos.

EV.ROBÉRIO OLIVEIRA(A VONTADE DEUS)

Cap 3 - Vontade de Deus Por favor abre as suas Bíblias no livro de Romanos, capitulo doze. Começando em versículo um, diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresentais os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.1-2). Por meio de introdução, deixa-me dizer que é o meu desejo desenvolver hoje à noite o que a Bíblia diz sobre a vontade de Deus porque a vontade de Deus é um conceito extremamente mal-entendido. E deixa-me explicar isso. É mal-entendido porque é quase sempre usada de uma forma misteriosa. Entenda-me que não é usado de uma maneira errada – longe disso. É usada de uma forma que cria perguntas nas cabeças de pessoas sinceras. Por exemplo: Nós aconselhamos pessoas à “aguardar a vontade de Deus” mas como sabemos quando a vontade de Deus chegou ou não? Quando alguém está em duvidas nós falamos “Busca a vontade de Deus” mas buscar aonde? Você entende o que eu quero dizer com “conceito mal-entendido”? Então gostaria esclarecer um pouco o assunto da Vontade de Deus. Gostaria fazer isso expondo três coisas. Aqui no inicio é a minha intenção ressaltar algumas coisas que já sabemos sobre a vontade de Deus. Depois pretendo definir a maneira que Deus guia-nos na Sua vontade. E por ultimo, quero mostrar como esse assunto pode ser aplicada a minha vida e a sua vida também. Então vamos começar com a pergunta: O que é a vontade de Deus? Uma vontade é um desejo, como uma criança tem vontade de tomar sorvete. Vontade é uma determinação, como uma criança sem vergonha determina que vai chorar até que alguém compra sorvete. Uma vontade é apenas o que uma pessoa deseja ou determina vai ser feito. Os animais não têm vontade. Nunca se ouviu falar de leão que decidiu comer uma zebra e depois deitar na sombra. Ele age por impulso, não por vontade. Mas nós, humanos, temos uma vontade. Esse fato é obvio. Mas surge a pergunta: Deus tem vontade? Obviamente nós temos vontades, mas Deus tem? Sim, Deus tem. Olha o que está escrito no nosso texto (Romanos 12. 2) – “para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Essa vontade pertence a quem? A Deus, conforme está escrito. Isso quer dizer que Deus deseja ou determina algo que vai ser feito. Mas o versículo não só afirma que Deus tem uma vontade, ele vai além e descreve essa vontade – esse desejo ou determinação que vai ser feito – como sendo boa, agradável e perfeita. Entende que essas três características reunidas em um só lugar são coisas notáveis. Em nenhum outro lugar essas palavras são usadas em conjunta para descrever uma só coisa. Por exemplo, em Romanos diz que “Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus...” (Romanos 8.28), mas não diz que todas as coisas contribuem juntamente para o agrado ou a perfeição daqueles que amam a Deus. Outro exemplo se encontra em I Timóteo 2.1-3. Quando Paulo escrevia para o jovem pastor Timóteo, ele manda Timóteo orar por aqueles em autoridade – os reis, governantes – porque essa ação é “bom e agradável diante de Deus nosso Salvador” (I Timóteo 2.1-3). Mas Paulo não chega a afirmar que tal ação é perfeita diante de Deus. Então entende que essas três características reunidas em um só lugar são coisas notáveis. As pessoas que entendem isso, verdadeiramente entendem isso, eles perdem o medo de seguir a vontade de Deus – porque a vontade de Deus vai ser melhor, mais agradável, e mais perfeito do que a sua própria vontade. Mas se você não concordar com Deus aqui, você está no erro. Se você discordar com Deus e acredita que a Vontade dEle é ruim, desagradável, e imperfeita, você está errado. Se você, com a boca concordar com o que a Bíblia diz, mas na pratica nega esse preceito você está errado. Por exemplo, se a vontade de Deus é que Cristo seja o único Salvador, e você discorda e acrescenta as suas obras, ou as obras de Maria, ou as obras do Espírito Santo para a sua salvação, você é – e eu não falo isso com maldade sequer: Você está errado. Vamos andar adiante mais um pouco no nosso texto. Depois que diz que a vontade de Deus é perfeita, você vê que a vontade de Deus é única – veja como o termo “Vontade de Deus” é no singular. Cada vez que encontrar o termo “Vontade de Deus” na Bíblia, e ocorre 23 vezes, vai sempre ser no singular. Isso é por necessidade. Como Deus pode ter duas vontades perfeitas? Se um acrescenta ou retrai do outro, ambos são imperfeitos porque houve a necessidade de uma melhorada em uma coisa que já era para ser perfeito. Se olhar do outro lado, e afirmar que ambos são perfeitos em todo aspecto, você vai ter duas vontades idênticas e porque precisa de duas vontades falando a mesma coisa? Uma vontade perfeita exclui qualquer outra. Vamos seguir o raciocínio adiante mais um pouco. Se existe uma coisa perfeita, uma coisa que é tão perfeita que é solitário na sua perfeição, quando vai mudar para ser mais perfeito ou menos perfeito? Nunca. Por isso dizemos que a vontade de Deus nunca muda. Isso é muito simples. Aplica o conceito da imutabilidade para a definição da vontade de Deus. O que Deus desejou que acontecesse no passado é o mesmo que Deus deseja que acontecesse hoje e vai ser o mesmo que Deus deseja que aconteça no futuro. O que Deus determinou que acontecesse no passado é o mesmo que Deus determinou que vai acontecer hoje e vai ser o mesmo que Deus determina que aconteça no futuro. Queremos ver isso na Bíblia, então, por favor, desloca-se para Êxodo 20.3. Isso é a vontade expressa de Deus. Depois você pode ver esse preceito de um único Deus novamente em Mateus 6.24. Mais uma vez Deus avisa sobre a ignorância de desobedecer a vontade que já é boa, agradável, e perfeita. Quem tenta servir outros deuses está fazendo o que não é bom, nem agradável, nem perfeito. E por final, pode ser observada em Apocalipse 21.8 – os Idolatras não entrarão no céu. Idolatria é apresentar o seu corpo, a sua mente, os seus sentimentos para servir outros mestres alem de Deus. E como alguém apresenta “o seu corpo, ou a sua mente, ou o coração parar servir outros mestres”? Se você não ama a Deus de todo o seu coração, de toda a tua força, de todo teu entendimento, de toda sua mente, você está servindo algo além de Deus. Você está sendo idolatra mesmo não tendo ídolos em casa. Ainda hoje Deus manda você não ter outros deuses como Ele mandou os Israelitas em Êxodo 20. Essa vontade de Deus nunca tem mudado até hoje: É eterna e nunca muda. À vontade de Deus é também sempre eficaz – isto é: Sempre cumpre o que desejou ou determinou cumprir. Não existe um “talvez” ou um “mas” ou um “gostaria” com Deus. Em Isaías diz “Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem o invalidará?” (Isaías 14.27). Falamos de homens que faltam força de vontade e com esse queremos dizer que eles faltam à força de vontade para querer o que deveriam querer. Mas nunca é assim com Deus. “Tudo o que o Senhor quis, fez.” Essas são coisas que sabemos acerca da vontade de Deus. Você vê que a vontade de Deus não é misterioso nem encoberto. Na verdade é tudo muito simples. Mas tem outras coisas que queremos saber. Como Deus nos guia na Sua vontade? Salmos 48 diz que Deus “será nosso guia até à morte”. A pergunta é como Deus nos guia na sua vontade? O mundo responde com muitas opções para conhecer a vontade de Deus. Deixe-me mostrar algumas maneiras que alguns tem buscado a vontade de Deus. Rei Saul buscou uma bruxa para saber a vontade de Deus. Em I Samuel 28.5-7 vemos que Saul, com medo dos inimigos buscou o auxilio de uma bruxa. Ela fez subir o espírito de Samuel que simplesmente repetiu o que o Senhor tinha falado anteriormente (I Samuel 28.16-17). Alguns apostam em sonhos e visões para saber a vontade de Deus. Todos conhecem o monte Sinai – o lugar aonde Moisés subia para falar com Deus. Hoje nos mapas, na península Sinai, perto de Egito, tem lá o “Monte Sinai”. Quem foi que colocou afirmou que isso era o Monte Sinai da Bíblia? O imperador Romano Constantino tinha uma visão que aquele lugar era Monte Sinai. Mais tarde ele teve outra visão mandando ele matar a esposa e o filho. E ele fez. Pergunto: Deus estava revelando a Sua vontade para esse imperador? Os apóstolos lançaram sortes para saber a vontade de Deus. Isso se confirma em Atos 1.24-26. Ninguém sabe com certeza como eles “lançaram sortes”. Simplesmente não sabemos. E Deus nunca nos manda lançar sortes, então descartamos esse método. Outros abrem a Bíblia aleatoriamente e apontam o dedo em um versículo para saber a vontade de Deus. Suponha que eu quero fazer algo errado, imagina que eu quero matar meu irmão Daniel e busco a vontade de Deus desta maneira. E por acaso eu abro a Bíblia e encontro I Samuel 14.7 que diz “Faze tudo o que tens no coração” ou II Samuel 7.3 que diz “Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo”. Vocês estão me seguindo aqui? Obviamente esse método não serve. Outros dizem que sentem contentes ou alegres quando estão no centro da vontade de Deus. Mas não esqueça que há caminhos que parecem certas, que nos fazem sentir alegres e contentes, mas não são da vontade de Deus. Veja isso em Provérbios 14.12. Satanás pode fazer homens e mulheres sentirem alegres, satisfeitos, e tudo mais. Ele pode até se transformar em anjo de luz e relatar uma mensagem “divina”. Mas isso não garante que estão no centro da vontade de Deus. Outros dizem que eles têm um interesse reavivado em coisas espiritual quando encontram a vontade de Deus. Mas com tempo e maturidade, a experiência nos ensina que confiar em sentimentos ou interesses não é seguro porque o homem muda continuamente. É a realidade. Reconhecemos isso. Então a nossa pergunta permanece: Como Deus nos guia na Sua vontade? Exercita os seus dedos, por favor, e abre em Salmos 119.105 – “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”. A analogia, ou figura, aqui é de um homem no escuro, perdido, não sabendo como proceder. É a figura de um homem que não sabe qual é à vontade do Senhor. E diz, a Palavra de Deus é lâmpada para os pés e luz para o caminho. Deus nos deu a Bíblia, a Palavra de Deus, para nos guiar. Isso é o propósito da Bíblia – mostrar o caminho que devemos andar. A Bíblia não foi feita para ser admirada pela sua simetria ou pela sua profundidade de pensamento. A Bíblia não existe para que nós podemos estocar os nossos mentes com datas e fatos antigos. Isso seria admirar o formato da lâmpada ou maravilhar-nos da força da luz que a lâmpada emite sem usar ela para achar o nosso caminho no escuro. A Bíblia, como diz Salmos 119.105, é para ser lâmpada para os nossos pés e luz para nosso caminho – é para ter um uso pratico. Eu gostaria fechar essa pregação estabelecendo algumas verdades fundamentais concernentes a esta verdade: A Bíblia é a nossa luz. Em primeiro lugar entende que precisamos ser iluminados para ver a luz da Bíblia (Salmos 36.9). Por si só, o homem não pode ver a luz das Escrituras porque está cego. Veja esse principio em Apocalipse 3.17-18. O homem é chamado de cego porque ele não pode ver as coisas mais obvias. Ele se imaginava de uma forma, mas o Justo Juiz viu a cegueira real desses homens. Em Provérbios 30.1-5 explica sobre a condição miserável do homem. Temos aqui um homem desconhecido, que confessa que ele é mais bruto e selvagem dos homens e confessa que nem tem o conhecimento dos homens, ou o conhecimento dos religiosos, nem o conhecimento dos santos. Mas mesmo assim, em toda essa ignorância e desperdício de intelecto, ele vê uma coisa: “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele”. Se este homem mais ignorante do que caipira consegue ver e entender que a Bíblia é pura, o que você chama o homem que nem reconhece isso? Por isso a Bíblia chama os homens de cegos – eles não conseguem ver as coisas mais obvias. Em segundo lugar a iluminação que precisamos é achado em Cristo. Cristo é Aquele Luz. Leia sobre isso em Mateus 4.12-17. Cristo diz de Si mesmo “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (João 9.5). Em João 8.12-29 fala do mesmo assunto. Se você não conhece Cristo, como vai conhecer as Escrituras que testificam dEle? Se você não conhece a Luz de Cristo, como vai conhecer a Luz das Escrituras? Lembra o que diz em Salmos 36.9, “Na tua luz veremos a luz”. Você conhece Jesus Cristo a Luz? Em terceiro lugar a luz da Bíblia ilumina apenas um caminho – o caminho que deve ser tomado. Marcos 10.17-22. Esse jovem rico tinha seguido os preceitos da Bíblia a risco. Mas a caminho iluminada pelas Escrituras ele não queria seguir. Cristo, a Palavra de Deus em carne disse: “Toma a cruz, e segue-me”. Jesus Cristo é a Palavra de Deus final (Hebreus 1.1). Ele é a única fonte de Luz. A Bíblia ilumina o caminho que devemos seguir para entrar em Cristo e isso é pelo arrependimento dos nossos pecados e pela fé em Cristo Jesus. A Bíblia também ilumina o caminho que devemos seguir para ser como Cristo e isso é por santificarmos pela Palavra de Deus e mortificar os nossos pecados. Em conclusão deixa-me reunir e apresentar os pedaços que sobraram. Não confunde esses dois caminhos. Precisa estar confiando em Cristo antes que pode seguir Ele. Não dá ênfase demais para seguir a Cristo. Não aceita pessoas que mandam você seguir regras para ser como Cristo se você ainda não está em Cristo. A coisa importante é estar em Cristo. Você está em Cristo? Se não, o que impede que você esteja em Cristo? Talvez você diz: “Eu vou me chegar a Cristo quando sei que sou eleito”. Isso é esperar em Deus e não em Cristo. Você precisa ir a Cristo primeiro, e assim em Cristo você pode ver o pai. Talvez você diz: “Eu vou ir até Cristo quando sinto alegria em servir-O”. Isso é esperar no Espírito Santo e não em Cristo. Você precisa ir a Cristo primeiro e depois terá o Espírito Santo. Talvez você diz: “Eu iria a Cristo, mas temo o que os homens diriam sobre mim”. Isso é esperar nos homens em não em Cristo. Quando está em Cristo, Deus vai cuidar dos homens (Provérbios 16.7). Talvez você diz: “Eu iria a Cristo, mas eu não estou chorando pelos meus pecados”. Vai até Cristo e você vai ver como os seus pecados tornam pesados, e em Cristo achará descanso. Se você está crendo em Cristo e mortificando os seus próprios desejos para obedecer a Deus como Cristo obedeceu, você está no centro da Vontade de Deus.

EV.ROBÉRIO OLIVEIRA(A SOBERANIA DE CRISTO)

A Soberania de Deus João 19.28-37 INTRODUÇÃO Cada evangelho enfatiza uma qualidade de Cristo. Mateus demonstra Jesus Cristo como Rei. Marcos descreve Jesus Cristo como Servo. Lucas denota Jesus Cristo como Homem e João mostra Jesus Cristo como Deus. Sendo que o Evangelho de João destaca a divindade de Cristo, segue que a morte de Cristo é narrada com ênfase na natureza divina de Cristo. Temos então nesta passagem: João 19.28-30 – A Soberania de Cristo na Morte João 19.34 – A Redenção de Cristo na Morte João 19.35-37 – As Testemunhas de Cristo na Morte 1. A SOBERANIA DE CRISTO NA MORTE A. O ENTENDIMENTO SOBERANO DE CRISTO “Sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas” – João 19.28 Cristo foi um homem de conhecimento. Na sua nascença o Seu nome foi Conselheiro. Um conselheiro deve saber muitas coisas pois um conselheiro deve dar bons conselhos – conselhos que são provados. Cristo foi um homem de maior conhecimento que Salomão. Contemplando as ações dos homens, Salomão entendeu muitas verdades (Eclesiastes 2.3) mas Cristo contemplou o coração do homem e poderia perceber os motivos independentemente das suas ações (Lucas 5.22). Cristo tinha um conhecimento exaustivo das Escrituras. Jesus Cristo é as Escrituras (João 1.1) e as Escrituras testificam dEle (João 5.39). Cristo sabia o rumo que a Sua vida levará desde o começo. Ele sabia todas as passagens obscuras da Palavra de Deus e Ele entendeu-as. Ele sabia todos os mandamentos que precisava cumprir, e cumpriu-as. Cristo tinha um conhecimento infalível do tempo de Deus. Eclesiastes 8.5 diz: O coração do sábio discernirá o tempo e o juízo. Mesmo que um homem sábio conhece o tempo de Deus, nem sempre pode cumprir o tempo, e portanto vive em tristeza constante. Cristo discerniu o tempo de Deus. Cristo não discerniu o tempo de Deus independentemente de Deus. O Espírito Santo de Deus comungava com Cristo da mesma forma que o Espírito Santo tem revelado algumas coisas aos homens (Simeão, o Sacerdote – Lucas 2.26). Cristo estava contente com o tempo de Deus. Porque Cristo viveu inteiramente para a gloria de Deus, Ele estava contente com o tempo de Deus, porque Ele sabia que o tempo de Deus glorifica a Deus (João 17.1). O entendimento soberano de Cristo na morte aponta para um Salvador obediente. Cristo fielmente pregou a Palavra de Deus mesmo sabendo que levaria a Sua morte. Ele pregou nas Sinagogas e no Templo sabendo que os Judeus iriam crucificar Ele por isso um dia. O entendimento soberano de Cristo na morte permitiu obediência completa. Ele cumpriu a Palavra de Deus no tempo de Deus. Nós falhamos nesse ponto frequentemente, obedecemos mas não quando devemos. Continuamos quando deveríamos parar. Paulo lamenta: Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. (Romanos 7.19). Mas Cristo tinha obediência completa. B. A SOBERANIA DE CRISTO SOBRE A SUA HUMANIDADE “... Para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.” – João 19.28 A soberania de Cristo sobre a Sua humanidade. Cristo tomou a forma de servo, e fez-Se semelhante aos homens (Filipenses 2.7). Ele não foi forçado por qualquer pessoa nem por qualquer dos Seus atributos, mas fez de boa vontade (Filipenses 2.8). A soberania sobre a Sua humanidade permitiu que Ele servisse a Deus na Tentação. Ele estava de jejum por 40 dias e 40 noites e depois Satanás em pessoa vem tentar Ele. Quando nós somos tão facilmente derrotados pela tentação, maravilhamos da vitória de Cristo sobre a tentação. Cristo venceu a tentação e o Diabo (Mateus 4.10). A soberania sobre a Sua humanidade permitiu que Ele servisse a Deus sobre a cruz. Na cruz foi mais importante cumprir as Escrituras do que procurar uma saída do desconforto físico. Enquanto estava na cruz, estava vendo os mandamentos que precisava cumprir. É obvio que Cristo verdadeiramente considerou fazer a vontade de Deus a Sua “comida” (João 4.34). C. A SOBERANIA DE CRISTO SOBRE A MORTE “E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.” – João 19.30 A soberania de Cristo no entregar do espírito. A palavra grega traduzida “entregou” é “paradidomi” e significa “entregar nas mãos de um para usar ou guardar.” Pergunta: Para quem Cristo entregou o Espírito? Resposta: Cristo entregou o Seu espírito a Deus. Cristo pagou o preço do pecado pois a morte é o salário do pecado. Ele não precisava sofrer a punição do pecado. Todos pagam o preço do pecado no sentido que todos morrem. Mas somente aqueles fora de Cristo sofrem a punição do pecado, ou a condenação do pecado. Cristo estava completamente ciente de entregar o espírito. O versículo diz que Ele “inclinou a cabeça” ou seja, por seis horas ele mantive a sua cabeça erguida. E a Sua cabeça ainda estaria erguida hoje, se Ele não tivesse inclinado-a e entregado o espírito. 2. A REDENÇÃO DE CRISTO NA MORTE “Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” – João 19.34 O sangue de Cristo saiu, primeiro. Nas Escrituras, o sangue de Cristo representa a redenção (Efésios 2.13). Pergunta: O que é a doutrina da redenção? Resposta: A doutrina da redenção é a maneira que Cristo pagou nossos pecados. Ele cancelou a divida? Não, senão a justiça de Deus seria insatisfeita. Cristo pagou a nossa divida em cheio. A água de Cristo saiu, segundo. Nas Escrituras, a água representa a santificação de Cristo através do Espírito Santo. Redenção sempre precede santificação, logicamente. Cristo precisa pagar pelo os nossos pecados e plantar em nós um coração novo. Santificação é o entregar da nossa carne para seguir a nova natureza dentro do nosso coração. A redenção de Cristo nos liberta da condenação dos nossos pecados passados. Com Paulo dizemos: Agora nenhuma condenação há (Romanos 8.1). A redenção de Cristo não é fraco para que necessitamos de boas obras para cuidar dos pecados passados. A Sua redenção pelos nossos pecados passados é suficiente, completo, e final. A redenção de Cristo nos liberta do poder dos pecados presentes. Este é a redenção progressiva. A redenção de Cristo estenda sobre todo pecado que cometemos – tanto os pecados conscientes como os pecados não conscientes. É a redenção que nos dá a vitória sobre pecado e o Diabo. A redenção de Cristo nos libertará da presença dos nossos pecados. Um dia, no céu, estaremos livres da presença do pecado. Mas até aquele dia, o sangue e água de Cristo, a Sua redenção e santificação, estão correndo do Seu lado. 3. AS TESTEMUNHAS DE CRISTO NA MORTE “E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais.” – João 19.35 As obras de Deus estão sempre tão evidentes que deixam um registro testemunhado. Até os céus testemunham da gloria de Deus (Salmos 19.1). Sempre terá uma testemunha das grandiosas obras de Deus. A morte de Cristo foi testemunhada por duas pessoas: A. POR JOÃO O testemunho de João foi de vista. Ele viu Cristo morrer, e pedi que todo crente confie nas suas palavras. Oh se tivemos a honestidade dentro de nós que, quando nós falássemos, outros poderiam receber as nossas palavras como verdadeiros! B. POR DEUS O testemunho de Deus foi de cuidado. Deus cuidou do Seu Filho na Cruz. Deus cuida dos Seus filhos mesmo quando esses se acham pagando o preço do pecado. A profecia é evidencia que Deus testemunhou a morte de Cristo (João 19.36). Recebendo mandamento de Pilato, os Romanos saíram para quebrar as pernas dos homens na cruz. Mas Deus tinha profetizado que nenhum osso seria quebrado. Normalmente demora três dias para um homem morrer na cruz, e o costume de quebrar as pernas foi para acelerar a morte. Mas Cristo tinha entregado o espírito depois de seis horas. Somente assim os Romanos poderiam desobedecer às ordens sem pagar com as próprias vidas. Deus mantém a Sua Palavra infalível.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ev.Robério Oliveira(Os Evangelhos)

1-INSTITUTO TEOLÓGICO GAMALIEL Matéria: OS EVANGELHOS Evangélista Robério oliveira-( Pregador Conferêncista)Tel.075-99536335.-071-87981356 Apresentação Prefácio Declaração de fé Introdução A Bíblia num Relance O que é o Evangelho Evangelhos e Evangelistas Os Evangelhos Sinóticos Por que quatro Evangelhos? Capítulo 1 Evangelho de Mateus 1.1. Autoria 1.2. Data 1.3. Cristo Revelado 1.4. O Espírito Santo em ação 1.5. Conteúdo 1.6. O tema Central 1.7. Estilo e material literário 1.8. Abordagem Peculiar 1.9. Pontos salientes em Mateus 1.10. O grande discurso sobre o fim. Capítulos (24 e 25) 1.11. Estudando as parábolas de Mateus 1.12. Contexto histórico do ministério público de Jesus até Mateus 13 1.13. Parábolas Capítulo 2 Evangelho de Marcos 2.1. Importância do Evangelho 2.2. Autoria 2.3. Data 2.4. Considerações 2.5. Características teológicas e literárias 2.6. Cristo Revelado 2.7. O Espírito Santo em Ação 2.8. Conteúdo 2.9. Contexto Histórico Capítulo 3 Evangelho de Lucas 3.1. Autor 3.2. Autor e objetivo do Evangelho 3.3. Data 3.4. Características teológicas e literárias 3.5. Cristo Revelado 3.6. O Espírito Santo em Ação 3.7. Pontos salientes em Lucas 3.8. Esboço da história da Crucificação Capítulo 4 Evangelho de João 4.1. Introdutório 4.2. Autoria 4.3. O prólogo 4.4. Propósito 4.5. Perfil teológico do autor 4.6. Particularidades do Evangelho 4.7. Cristo Revelado 4.8. O Espírito Santo em ação 4.9. Conteúdo 4.10. Abordagem Peculiar 4.11. Destaques no Evangelho 4.12. Pontos salientes em João Conclusão Introdução Os quatro Evangelhos compreendem cerca de 46 por cento no Novo Testamento. A igreja primitiva colocou os Evangelhos no início do Cânon do Novo Testamento, não por serem eles os primeiros livros escritos, mas por serem o fundamento sobre o qual Atos e as Epístolas são edificados. Os Evangelhos ao mesmo tempo se originam do Antigo Testamento e o cumprem, bem como fornecem um cenário histórico e teológico para o restante do Novo Testamento. A palavra grega euaggelion se refere às “boas novas” ou “alegres novas” acerca de Jesus Cristo, que foi oralmente proclamado. Mais tarde veio a ser também sido escrito depois, a igreja primitiva considerou somente os quatro Evangelhos, da forma que os conhecemos, como dotados de autoridade e divinamente inspirados. Foram distinguidos uns dos outros pela preposição grega kata (segundo), acompanhada pelo nome do escritor. A presente ordem dos quatro Evangelhos remonta pelo menos ao final do segundo século, e criase ser esta a ordem em que eles foram escritos. Embora haja quem teorize que os Evangelhos foram originalmente escritos em Aramaico, não há evidência real para tal posição. Os habitantes da Palestina eram primariamente bilíngües (aramaico e grego), e muitos eram trilíngües (hebraico ou latim). O grego, porém, era o idioma comum de todo o império, e por isso o mais adequado veículo para as narrativas evangélicas. A forma literária dos Evangelhos não tinha correlativo na literatura helênica. Embora eles estejam saturados de material biográfico, na realidade são perfis temáticos que omitem quase inteiramente os trinta anos preparatórios para o ministério público relativamente breve de Cristo. Mesmo esta porção de sua vida se apresenta numa forma altamente assimétrica, com ênfase em sua última semana. Enfim, apenas cerca de cinqüenta dias do ministério de Jesus são focalizados nos Evangelhos combinados. Os quatro relatos complementares fornecem um retrato composto da pessoa do Salvador, operando juntos para fornecer profundidade clareza à nossa compreensão da mais singular figura da história humana. Neles Jesus é visto como divino e humano, o Servo soberano, O Deus-homem. Cada Evangelho tem uma dimensão distintiva a acrescentar, de sorte que o total é maior que a soma das partes. A Bíblia num relance O Dr. William H. Griffith Thomas sugere quatro palavras, a fim de ajudar-nos a ligar toda a revelação de Deus: PREPARAÇÃO...No Antigo Testamento Deus prepara o mundo para a vinda do Messias. MANIFESTAÇÃO...Nos 4 Evangelhos, Cristo entra no mundo, morre pelo mundo e funda a sua Igreja. APROPRIAÇÃO... Em Atos e nas Epístolas, são apresentadas maneiras pelas quais o Senhor Jesus foi recebido, apropriado e aplicado à vida das pessoas. CONSUMAÇÃO... No Apocalipse revela-se o resultado do plano perfeito de Deus. O que é o Evangelho Às boas-novas a respeito de Jesus Cristo, o Filho de Deus são-nos apresentadas por quatro autores: Mateus, Marcos, Lucas e João, embora exista só um Evangelho, a bela história da salvação por Jesus Cristo, nosso Senhor. A palavra “Evangelho” nunca é usada no Novo Testamento para referir-se a um livro. Significa sempre “boas-novas”. Quando falamos do Evangelho de Lucas, devemos compreender que se trata das boas-novas de Jesus Cristo conforme foram registradas por Lucas. Entretanto, desde os tempos antigos o termo, “evangelho,” tem sido usado com referência a cada uma das quatro narrativas da vida de Cristo. Originalmente essas boas-novas eram transmitidas pela palavra falada. Os homens iam de lugar em lugar, contando a velha história. Depois de algum tempo fez-se necessário um registro escrito. Mais de uma pessoa tentou fazêlo, mais sem êxito. Veja o que Lucas diz: “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o principio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de a curada investigação de tudo desde a sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas perfeita certeza das verdades em que foste instruído” (Lc 1.1-4). “Evangelho” é uma palavra de origem grega que significa “boa notícia”. Do ponto de vista da fé cristã, só há um evangelho: o de Jesus Cristo. Porque ele mesmo, o Filho de Deus encarnado na natureza humana (Jo 1.14) e autor da vida e da salvação (At 3.15; Hb 2.10; 12.2), é a boa notícia que constitui o coração do Novo Testamento o fundamenta a pregação da Igreja desde os tempos apostólicos até os nossos dias. No entanto, visto que toda notícia supõe a comunicação de uma mensagem, chamamos também de “evangelho” o conjunto dos livros do Novo Testamento, que, sob a inspiração do Espírito Santo, foram escritos para comunicar a boa notícia da vinda de Cristo e, com ele, a do Reino eterno de Deus (Mt 3.2; 4.17; Mc 1.1,14-15; Lc 2.10; Rm 1.1-6,16-17). Nesse mesmo sentido, o apóstolo Paulo gosta de falar do “meu evangelho”, fazendo assim referência ao anúncio da graça divina que ele proclamava (Rm 1.1,9,16; 16.25; 1Co 15.1; Gl 2.7; 2Tm 2.8): uma mensagem que já antes fora escutada em Israel (Is 35; 40.9-11; 52.7; 61.1-2a), mas que agora se estende ao mundo inteiro, a quantos, por meio da fé, aceitam Cristo como Senhor e Salvador (cf., entre outros, Rm 1.5; 5.1; 6.14,22-23). Num terceiro sentido, o uso tem generalizado a aplicação do termo “evangelho” a cada um dos livros do Novo Testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João) que nos têm transmitido praticamente a totalidade do que sabemos acerca de Jesus: da sua vida e atividade, da sua paixão e morte, da sua ressurreição e glorificação. Da perspectiva da fé cristã, a palavra “evangelho” contém, pois, uma tríplice referência: em primeiro lugar, a Jesus Cristo, cuja vinda é o acontecimento definitivo da revelação de Deus ao ser humano; em segundo lugar, à pregação oral e à comunicação escrita da boa notícia da salvação pela fé; e, por último, aos quatro livros do Novo Testamento que desde o séc. II se conhecem pela designação genérica de “os Evangelhos”. Evangelhos e Evangelistas Tradicionalmente, os autores dos quatro primeiros livros do Novo Testamento recebem o nome de “evangelistas”, título que na Igreja primitiva correspondia às pessoas a quem, de modo específico, se confiava a função de anunciar a boa nova de Jesus Cristo (At 21.8; Ef 4.11; 2Tm 4.5. cf. At 8.12,40). Durante os anos que se seguiram à ascensão do Senhor, a pregação apostólica foi, sobretudo, verbal como vemos na leitura de Atos. Mais tarde, quando começaram a desaparecer aqueles que haviam conhecido Jesus em pessoa, a Igreja sentiu a necessidade de fixar por escrito a memória das palavras que haviam ouvido dele e dos seus atos que haviam presenciado. Durante certo tempo, circularam entre as comunidades cristãs de então numerosos textos referentes a Jesus, que, na maioria dos casos, eram simples apontamentos dispersos e sem conexão. Apesar do seu caráter fragmentário, porém, aqueles breves relatos representaram a passagem da tradição oral à escrita, passagem que presidiu o nascimento dos nossos quatro Evangelhos. O propósito principal dos evangelistas não foi oferecer uma história detalhada das circunstâncias que rodearam a vida do nosso Senhor e dos eventos que a marcaram; tampouco se propuseram a reproduzir ao pé da letra os seus discursos e ensinamentos, nem as suas discussões com as autoridades religiosas dos judeus. Há, conseqüentemente, muitos dados relativos ao homem Jesus de Nazaré que nunca nos serão conhecidos, embora, por outro lado, não reste dúvida de que Deus já revelou por meio dos evangelistas (cf. Jo 20.30; 21.25) tudo o que não devemos ignorar. Na realidade, eles não escreveram para nos transmitir uma completa informação de gênero biográfico, mas, como disse João, “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20.31). Os Evangelhos contêm, pois, um conjunto de narrações centradas na pessoa de Jesus de Nazaré e escritas com um propósito testemunhal, para a edificação da Igreja e para a comunicação da fé. Mas isso não significa que os evangelistas manejaram sem cuidado os dados, as palavras e os fatos que recompilaram e que foram os seus elementos de informação. Pois, se bem que é certo que eles não trataram de escrever nenhuma biografia (ao menos n o sentido específico que hoje damos ao termo), igualmente é que os seus escritos respondem com fidelidade ao discurso histórico tal e como era elaborado então, seja por haverem conhecido pessoalmente a Jesus, ou seja, por terem sido companheiros dos apóstolos que viveram junto dele. A obra dos evangelistas nutriu-se especialmente das memórias que, em relação ao Senhor, eram guardadas no seio da Igreja como um depósito precioso. Essas memórias transmitiram-se no culto, no ensinamento e na atividade missionária, isto é, na pregação oral, que, durante longos anos e com perspectiva escatológica, foi o meio idôneo para reviver, desde a fé e em benefício da fé, o acontecimento fundamental do Cristo ressuscitado. Os Evangelhos Sinóticos A simples leitura dos Evangelhos conduz logo a uma primeira classificação, que é resultante da constatação, de um lado, de que existe uma ampla coincidência da parte de Mateus, Marcos e Lucas quanto aos temas de que tratam e quanto à disposição dos elementos narrativos que introduzem; e por outro, o Evangelho de João, cuja aparição foi posterior à dos outros três, parece ter sido escrito com o propósito de suplementar os relatos anteriores com uma nova e distinta visão da vida de Jesus. Porque, de fato, com exceção dos acontecimentos que formavam a história da paixão de Jesus, apenas três dos fatos referidos por João (1.19-28; 6.1-13 e 6.16-21) encontram-se também consignados nos outros Evangelhos. Daí se conclui que, assim como o Evangelho Segundo João requer uma consideração à parte, os de Mateus, Marcos e Lucas estão estreitamente relacionados. Seguindo vias paralelas, oferecem nas suas respectivas narrações três enfoques diferentes da vida do Senhor. Por causa desse paralelismo, pelas muitas analogias que aproximam esses Evangelhos tanto na matéria exposta como na forma de dispô-la, vêm sendo designados desde o séc. XVIII como “os sinóticos”, palavra tomada do grego e equivalente a “visão simultânea” de alguma coisa. Os sinóticos começaram a aparecer provavelmente em torno do ano 70. Depois da publicação do Evangelho segundo Marcos, escreveu-se primeiro o de Mateus e depois o de Lucas. Ambos serviram-se, em maior ou menor medida, da quase totalidade dos materiais incorporados em Marcos, relembrando-os e ampliando-os com outros. Por essa razão, Marcos está quase integralmente representado nas páginas de Mateus e de Lucas. Quanto aos novos materiais mencionados, isto é, os que não se encontram em Marcos, uma parte foi aproveitada simultaneamente por Mateus e Lucas, e a outra foi usada por cada um deles de maneira exclusiva. Apesar de que os autores sinóticos tenham redigido textos paralelos, fizeramno de pontos de vista diferentes e contribuindo cada qual com a sua própria personalidade, cultura e estilo literário. Por isso, a obra dos evangelistas não surge como o produto de uma elaboração conjunta, mas como um feito singular desde seus delineamentos iniciais até a sua realização definitiva. Quanto aos objetivos, também são diferentes em cada caso: enquanto Mateus contempla a Jesus de Nazaré como o Messias anunciado profeticamente, Marcos o vê como a manifestação do poder de Deus, e Lucas, como o Salvador de um mundo perdido por causa do pecado. Por quê quatro Evangelhos? A pergunta que naturalmente surge é a seguinte: Por que quatro? Não teria bastado uma só narrativa direta e contínua? Não teria sido mais simples e claro? Isso não nos teria poupado algumas das dificuldades surgidas em torno do que alguns têm chamado de narrativas divergentes? A resposta é simples: Uma ou duas pessoas não nos teriam dado um retrato completo da vida de Cristo. O Dr. Van Dyke disse: “Suponhamos que quatro testemunhas comparecessem perante um juiz para depor sobre certo acontecimento e cada uma delas usasse as mesmas palavras. O juiz provavelmente, concluiria, não que o testemunho delas era de valor excepcional, mas que a única coisa certa, sem sombra de dúvida, é que haviam concordado em contar a mesma história. Todavia, se cada uma tivesse contado o que tinha visto e como o tinha visto, aí então a prova seria digna de crédito. E quando temos os quatro Evangelhos, não é exatamente isso que acontece? Os quatro evangelistas contaram a mesma história, cada qual a seu modo. Há quatro ofícios distintos de Cristo apresentados nos Evangelhos. Ele é apresentado como: Rei em Mateus, Servo em Marcos, Filho do homem em Lucas e Filho de Deus em João. É verdade que os quatro Evangelhos têm muita coisa em comum. Todos eles tratam do ministério terreno de Jesus, sua morte e ressurreição, seus ensinos e milagres, porém cada Evangelho tem suas diferenças. É fácil ver que cada um dos autores procura apresentar um quadro diferente de nosso único Salvador. Mateus, de propósito, acrescenta à sua narrativa o que Marcos omite. Nenhum dos Evangelhos contém a narração completa da vida de Cristo. João diz em 21.25: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos”. Existem vazios propositados que nenhum dos evangelistas pretendeu preencher. Por exemplo: todos omitem um registro de dezoito anos da vida de Cristo, entre os doze e os trinta anos. Embora sejam completos em si mesmo, cada um registrou aquilo que era relevante ao seu tema. Na Galeria Nacional de Londres há uma tela com três representações de Carlos I. Numa, ele tem a cabeça voltada para à direita, noutra para a esquerda, e na do centro, ele está olhando para a frente. Van Dick pintou-as para o escultor romano Benini, a fim de que ele pudesse modelar um busto do rei. Combinando as impressões dos três quadros, Benini pôde criar uma imagem real. Cada um deles apresenta um aspecto diferente da vida terrena de nosso Senhor. Juntos dão-nos um retrato completo. Ele era Rei, mas era também o Servo Perfeito. Há quatro Evangelhos, mas um Cristo, quatro narrativas com um propósito e quatro esboços de uma mesma Pessoa. Evangelho de Mateus Capítulo 1 Os profetas do Antigo Testamento predisseram e ansiaram pela vinda do Ungido que entraria na história para trazer redenção e livramento. O primeiro versículo de Mateus anuncia aquele evento há muito esperado: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão”. Mateus fornece a ponte essencial entre o Antigo e o Novo Testamento. Através de uma série cuidadosamente selecionada de citações do Antigo Testamento, Mateus documenta a reivindicação de Jesus Cristo de ser o Messias, Jesus possui as credenciais do Messias, ministra no modelo predito do Messias, prega mensagens que somente o Messias poderia pregar, e finalmente morre a morte que somente o Messias poderia morrer. 1.1. Autoria A tradição da Igreja tem atribuído desde o séc. II a composição deste Evangelho a Mateus, o publicano (9.9; 10.3), chamado também de Levi, filho de Alfeu (Mc 2.14; Lc 5.27), o coletor de impostos a quem Jesus chamou e uniu ao grupo dos seus discípulos (10.1-4; Mc 3.13-1 9; Lc 6.13-16). Mateus foi um dos que foram batizados com o Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 1.13). Tem-se afirmado que Mateus (Mt) é por excelência o Evangelho da Igreja. Escrito para instruir acerca de Jesus Cristo o novo povo de Deus, apresentase diante do leitor como um texto de estrutura basicamente didática. 1.1.1. Controvérsia sobre o autor O problema que se coloca acerca deste Evangelho é a sua autenticidade. Discute-se a autoria deste evangelho por parte de Mateus. Contudo, o fato é que nenhum dos evangelistas colocou o seu nome no escrito. Este primeiro evangelho foi atribuído a Mateus por causa de uma notícia veiculada por Eusébio, citando Papias, de que “Levi (Mateus) escreveu as palavras do Senhor na língua dos judeus”, e desde então interpretou-se que este escrito cujo autor não fora identificado poderia ser de sua autoria. Esta tradição foi abandonada posteriormente depois de se descobrir que o original deste evangelho foi escrito em grego e não aramaico. 1.1.2. Perfil do autor Embora haja controvérsia sobre o autor, verifica-se que este evangelho foi escrito por um cristão vindo do judaísmo, conhecedor da Escritura, fiel à tradição. Sabe-se da sua origem judaica porque este evangelho fala em 'reino dos céus' e não 'reino de Deus', porque os judeus não pronunciavam o nome de Deus. Além disso, dispensa a explicação dos costumes dos judeus, porque era fato corriqueiro para o seu autor, no entanto Marcos explica estes costumes, que para ele eram novidades. Por exemplo, em 24, 20 tem a seguinte passagem: “pedi para que a vossa fuga não seja no inverno nem no sábado. A mesma passagem há em Marcos 13.18, porém sem a parte final ('nem no sábado'), que é um acréscimo de Mateus, por causa do costume judeu. 1.2. Data O tempo em que foi escrito este evangelho varia entre 80 e 100 d.C. Seguramente foi depois de 70, pois pressupõe que já houve a destruição de Jerusalém, e também é posterior ao evangelho de Marcos, pois demonstra grande evolução teológica em relação a este. Foi escrito na Palestina em grego, em bom estilo literário, para leitores de língua grega. 1.3. Cristo Revelado Este Evangelho apresenta Jesus como o cumprimento de todas as expectativas e esperanças messiânicas. Mateus estrutura cuidadosamente suas narrativas para revelar Jesus como cumpridor de profecias específicas. Portanto, ele impregna seu Evangelho tanto com citações quanto com alusões ao AT, introduzindo muitas delas com a fórmula “para que se cumprisse”. No Evangelho, Jesus normalmente faz alusão a si mesmo como o Filho do Homem, uma referência velada ao seu caráter messiânico (Dn 7.13,14). O termo não somente permitiu a Jesus evitar mal-entendidos comuns originados de títulos messiânicos populares, como possibilitou-lhe interpretar tanto sua missão de redenção (como em 17.12,22; 20.28; 26.24) quanto seu retorno na glória (como em 13.41; 16.27; 19.28; 24.30,44; 26.64). O uso do título “Filho de Deus” por Mateus sublinha claramente a divindade de Jesus (1.23; 2.15; 3.17; 16.16). Como o Filho, Jesus tem um relacionamento direto e sem mediação com o Pai (11.27). Mateus apresenta Jesus como o Senhor e Mestre da igreja, a nova comunidade, que é chamada a viver nova ética do Reino dos céus. Jesus declara: “a igreja” como seu instrumento selecionado para cumprir os objetivos de Deus na Terra (16.18; 18.15-20). O Evangelho de Mateus pode ter servido como manual de ensino para a igreja antiga, incluindo a surpreendente Grande Comissão (28.12-20), que é a garantia da presença viva de Jesus. 1.4. O Espírito Santo em ação A atividade do ES é evidente em cada fase e ministério de Jesus. Foi por meio do poder do Espírito que Jesus foi concebido no ventre de Maria (1.1820). Antes de Jesus começar seu ministério público, ele foi tomado pelo Espírito de Deus (3.16) e foi conduzido ao deserto para ser tentado pelo diabo como preparação adicional a seu papel messiânico (4.1). O poder do Espírito habilitou Jesus a curar (12.15-21 e a expulsar demônios (12.28). Da mesma forma que João imergia seus seguidores na água, Jesus imergirá seus seguidores no ES (3.11). Em 7.21-23, encontramos uma advertência dirigida contra os falsos carismáticos, aqueles que na igreja, profetizam, expulsam demônios e fazem milagres, mas não fazem a vontade do Pai. Presumivelmente, o mesmo ES que inspira atividades carismáticas também deve permitir que as pessoas da igreja façam a vontade de Deus (7.21) Jesus declarou que suas obras eram feitas sob o poder do ES, evidenciando que o Reino de Deus havia chegado e que o poder de satanás estava sendo derrotado. Portanto, atribuir o Espírito Santo ao diabo era cometer um pecado imperdoável (12.28-32). Em 12.28, o ES está ligado ao exorcismo de Jesus e à presente realidade do Reino de Deus, não apenas pelo fato do exorcismo em si, pois os filhos dos fariseus (discípulos) também praticavam exorcismo (12.27). Mas precisamente, o ES está executando um novo acontecimento com o Messias -“é chegado a vós o Reino de Deus” (v.28). Finalmente, o ES é encontrado na Grande Comissão (28.16-20). Os discípulos são ordenados a ir e a fazer discípulos de todas as nações, “batizando-os em nome do Pai, do Filho e do ES” (v.19). Isto é, eles deveriam batizá-los “no/com referência ao” nome -ou autoridade -do Deus Triúno. Em sua obediência a esta missão, os discípulos de Jesus têm garantida sua constante presença com eles. 1.5. Conteúdo O objetivo de Mateus é evidente na estrutura deste livro, que agrupa os ensinamentos e atos de Jesus em cinco partes. Este tipo de estrutura, comum ao judaísmo, pode revelar o objetivo de Mateus em mostrar Jesus como o cumprimento da lei. Cada divisão termina com uma fórmula como: “Concluindo Jesus estes discursos...” (7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1). No prólogo (1.1-2.23), Mateus mostra que Jesus é o Messias ao relacioná-lo às promessas feitas a Abraão e Davi. O nascimento de Jesus salienta o tema do cumprimento, retrata a realeza de Jesus e sublinha a importância dele para os gentios. A primeira parte (caps. 3-7) contém o Sermão da Montanha, no qual Jesus descreve como as pessoas devem viver no Reino de Deus. A Segunda parte (8.1-11.1) reproduz as instruções de Jesus a seus discípulos quando ele os enviou para a viagem missionária. A Terceira parte (11.2-13.52) registra várias controvérsias nas quais Jesus estava envolvido e sete parábolas descrevendo algum aspecto do Reino dos céus, em conexão com a resposta humana necessária. A Quarta parte (13.53-18.35) o principal discurso aborda a conduta dos crentes dentro da sociedade cristã (cap 18). A quinta Parte (19.1-25.46) narra a viagem final de Jesus a Jerusalém e revela seu conflito climático com o judaísmo. Os caps. 24-25 contêm os ensinamentos de Jesus relacionados à últimas coisas. O restante do Livro (26.1-28.20) detalha acontecimentos e ensinamentos relacionados à crucificação, à ressurreição e à comissão do Senhor à Igreja. A não ser no início e no final do Evangelho, a disposição de Mateus não é cronológica e não estritamente biográfica, mas foi planejada para mostrar que o Judaísmo encontra o cumprimento de suas esperanças em Jesus. Um traço característico deste primeiro Evangelho é a sua contínua referência ao Antigo Testamento, com o objetivo de demonstrar que as Escrituras têm o seu pleno cumprimento em Jesus (1.22-23; 2.15,17-18,23; 4.14-16; 8.17; 12.17-21; 13.35; 21.4-5; 27.9-10). Mateus, mais do que Marcos e Lucas fazem citações abundantes da lei e dos Profetas (5.17-18; 7.12; 11.13; 22.40) e, com freqüência, da fé em tradições e práticas religiosas dos judeus vigentes na época (cf., entre outras, 15.2; 23.5,16-23). Mateus também nos apresenta Jesus como o intérprete infalível das Escrituras. Ele é o Mestre sem igual, que a partir da verdade e da autenticidade descobre a falsidade de certas atitudes humanas aparentemente piedosas, mas, na realidade, cheias de avidez para receber o aplauso público (6.1). Recordemos a crítica de Jesus quanto a dar esmolas a toque de trombeta (6.2-4), a respeito da vaidosa ostentação das orações feitas nos cantos das praças (6.5-8; 23.14) e a hipocrisia dos jejuns praticados com o propósito primordial de impressionar o povo (6.16-18). Especialmente interessante é o tratamento que Mateus dá ao aspecto pedagógico da atividade de Jesus. Enquanto Marcos e Lucas associam as palavras do Senhor à ocasião em que foram pronunciadas, Mateus as dispõe de modo ordenado. Freqüentemente as reúne em amplas unidades discursivas, compostas com o objetivo de ajudar os crentes a aprendê-las de memória. Cinco delas, muito conhecidas, destacam-se pela sua extensão: a) O sermão do monte (5.3-7.27); b) O apostolado cristão (10.5-42); c) O reino dos céus (13.3-52); d) A vida da comunidade cristã (18.3-35); e) O final dos tempos (24.4-25.46). Estes sermões ou discursos aparecem no Evangelho precedidos e seguidos por determinadas fórmulas literárias que servem de marco dramático a cada composição (5.1-2 e 7.28-29; 10.5 e 11.1; 13.3 e 13.53; 18.1 e 19.1; 24.3 e 26.1). Por outro lado, não são estes os únicos discursos. Mateus contém muitos outros ensinamentos e exortações de Jesus aos seus discípulos (p. ex., 8.20-22; 11.7-19,27-30; 12.48-50; 16.24-28; 22.37-40), assim como admoestações dirigidas a escribas e fariseus (22.18-21; 23.1-36) ou, inclusive, a Jerusalém (23.37-38) e a algumas cidades da Galiléia (11.20-24). 1.6. O tema central O tema predominante na pregação do Senhor é o Reino de Deus (9.35), geralmente designado neste Evangelho como “reino dos céus” e focalizado na sua dupla realidade presente (4.17; 12.28) e futura (16.28). A proclamação da proximidade do Reino é também o anúncio de que Jesus encarrega aos seus discípulos (10.7), aos quais, depois de ressuscitado, prometeu a sua permanência duradoura no meio deles: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (28.20). 1.7. Estilo e material literário Mateus escreve a sua obra seguindo, em linhas gerais, o esquema de Marcos, mesmo quando a cada passo põe o seu selo pessoal nos textos que redige. Quanto aos materiais narrativos utilizados, se bem que muitos sejam comuns a Marcos e Lucas, há cerca de um quarto que Mateus emprega de maneira exclusiva. Os relatos de Mateus, mais concisos que os de Marcos, apresentam um rigoroso e belo estilo. 1.8. Abordagem peculiar 1.8.1. Não é um evangelho cronológico, mas sistemático e topical Existe uma ordem na disposição das matérias de modo que o resultado definido pode ser produzido. O material é tratado em grupos, como as parábolas do capítulo 13. 1.8.2. É um evangelho de ensino sistemático O livro é marcado pelos vários discursos de considerável extensão, como o sermão da montanha, caps. 5,7; a denúncia contra os fariseus; a profecia da destruição de Jerusalém e o final do mundo, caps. 24 e 25. 1.8.3. É um evangelho de melancolia e tristeza Não há cânticos de alegria como os de Zacarias, Isabel, Maria, Simeão, Ana e os Anjos, registrados em Lucas. Em vez disso, vemos a sua mãe quase repudiada e deixada em desgraça pelo seu marido, José, e livrada somente pela intervenção divina. Crianças mortas, mães que choram, esta é a visão transmitida por Mateus. A cruz é desolação sem um ladrão arrependido (apenas mais tarde foi que um deles mudou de idéia, Lc 23.39-43). 1.8.4. É um evangelho de caráter real A Genealogia mostra a descendência real (Mt 1.1). Os Magos O buscavam porque era nascido o rei dos judeus (Mt 2.2). João Batista prega o reino dos céus (3.2,11). Em Lucas um certo homem deu um grande banquete, mas em Mateus foi um certo Rei (Mt 22.2-9; Lc 14.16,23). 1.8.5. Mateus é o evangelho da igreja Evangelho de Mateus é o único que ocorre a palavra “igreja” (16.18; 18.17). Nestes dois lugares são palavras de Cristo, mostrando que Ele tinha uma idéia definida da igreja como instituição futura. Os propósitos que têm estas duas expressões do Senhor podem indicar que este Evangelho foi escrito para uma igreja nova e em luta, com necessidade de estímulo e disciplina. 1.8.5.1. Personagens Mateus salienta menos as figuras individuais da sua narrativa do que os outros sinotistas, nem apresenta muitas pessoas cujos nomes não aparecessem nos outros lugares. A José (1.8-25), a Herodes o grande (2.116), à mãe de Tiago e João (20.20,21), concede-lhes mais espaço do que Marcos e Lucas; mas tanto Marcos como Lucas usaram mais o desenho de caracteres do que Mateus. 1.8.5.2. Objetivos Mateus escreveu a história da vida terrena de Jesus especialmente para os judeus. O judeu da época recebia treinamento pessoal, estava familiarizado com as Escrituras do Antigo Testamento. Só um judeu seria capaz de despertar o interesse de outro judeu. Seu mestre deveria ser alguém versado no Antigo Testamento e nos costumes judaicos. Eles precisavam saber que esse Jesus viera cumprir as profecias do Antigo Testamento. Repetidamente lemos em Mateus: “para que se cumprisse...”, “...Como falou Jeremias, o profeta...”. Temos hoje em dia o mesmo tipo de pessoa, que se deleita em profecias cumpridas e por se cumprirem. Procuram saber o que os profetas disseram e como se poderá cumprir. Mateus prova, pela genealogia, que Jesus é o Messias (Mt 1.1-17). Talvez tenha sido escrito em língua aramaica sendo o único livro do Novo Testamento que não foi redigido em grego. 1.8.5.3. O livro se divide em três partes 1) vida e o ministério do Messias; 2) Reivindicações do Messias; 3) Sacrifício e triunfo do Messias. 1.9. Pontos salientes em Mateus 1.9.1. O Nascimento de Jesus (1.18-25) Somente Mateus e Lucas contam o nascimento e a infância de Jesus, cada qual narrando incidentes diferentes. Maria passou com Isabel os três primeiros meses seguintes à visita que lhe fez o mensageiro celeste. Quando voltou a Nazaré e José soube do seu estado, este deve tê-lo levado a uma “perplexidade estranha, agônica”. Era, porém, um homem bom e dispôs-se a resguardar a reputação de Maria do que ele supunha ser uma desmoralização pública ou coisa pior. Foi quando o anjo apareceu-lhe e explicou tudo. Teve ainda de guardar o segredo de família, para evitar escândalo, porque ninguém acreditaria na história de Maria. Mais tarde, quando a natureza divina de Jesus foi comprovada por Seus milagres e Sua ressurreição dentre os mortos, Maria podia falar livremente do seu segredo celestial e da concepção sobrenatural de seu filho. 1.9.2. José, pai adotivo de Jesus Muito pouco se diz de José. Foi com Maria a Belém e estava com ela quando Jesus nasceu, (Lc 2.4,16). Com ela estava quando Jesus foi apresentado no Templo, (Lc 2.33). Guiou-os na fuga para o Egito e na volta para Nazaré, (Mt 2.13,19-23). Levou Jesus a Jerusalém quando Este tinha 12 anos, (Lc 2.43,51). Depois disso o que mais se sabe dele é que era carpinteiro e chefe de família de pelo menos sete filhos, (Mt 13.55,56). Com certeza devia ser um homem exemplarmente bom, para que Deus assim o acolhesse a fim de servir de pai adotivo do Seu Filho. Comumente se pensa que ele faleceu antes de Jesus entrar em seu ministério público, embora a linguagem de Mateus 13.55 e João 6.42 possa implicar que ainda vivia por essa época. Seja como for, já devia ter morrido antes que Jesus fosse crucificado, de outro modo não haveria razão para Jesus entregar sua mãe aos cuidados de João (Jo 19. 26-27). 1.9.3. Maria, a mãe de Jesus Depois da história do Nascimento de Jesus e de Sua visita a Jerusalém aos 12 anos, muito pouco se diz de Maria. De acordo com a interpretação corrente de Mt 13.55-56, ela foi mãe de pelo menos seis filhos, além de Jesus. Por sugestão sua, Jesus converteu água em vinho, em Caná, Seu primeiro milagre, Jo 2.1-11. Depois menciona-se que ela procurou entrar em contacto com Ele, no meio de uma multidão, Mt 12.46; Mc 3.31; Lc 8.19; quando Jesus indicou claramente que as relações de família entre Ele e Sua mãe não ofereciam a esta nenhuma vantagem espiritual particular. Ela esteve presente à crucifixão e foi entregue por Jesus aos cuidados de João, Jo 19.25-27. Não há notícia de Jesus haver aparecido a ela após a ressurreição, embora aparecesse a Maria Madalena. A última menção que dela se faz é em At 1.14, quando esteve com os discípulos a orar. Eis tudo quanto a Escritura diz de Maria: Maria foi uma mulher calma, meditativa, devotada, prudente, a mais honrada das mulheres, rainha das mães, que partilhou dos cuidados próprios da maternidade. Admiramo-la, honramo-la e amamo-la porque foi a mãe do nosso Salvador. Quem foram os “irmãos” e “irmãs” de Jesus, mencionados em Mt 13.55-56 e Mc 6.3? Filhos da própria Maria?; Ou filhos de José, de um matrimônio anterior? Ou primos? O sentido claro, simples e natural destas passagens é que foram mesmo filhos de Maria. É esta a opinião comum dos comentadores protestantes. E é apoiada pela declaração de Lc 2.7, de que ela “deu à luz seu filho PRIMOGÊNITO”. Por que “primogênito”, se não houve outros filhos? 1.9.4. Os magos, os ilustres visitantes (2.1-12) Deve ter ocorrido quando Jesus tinha entre 40 dias e 2 anos de idade (Mt 2.16; Lc 2.22,39). Os “2 anos” parecem denotar o tempo quando a estrela primeiro apareceu, (v.7), época em que os magos empreenderam a viagem, que durou muitos meses; não assinalam necessariamente o tempo exato do nascimento do menino. Herodes, porém, como medida de precaução, aceitou o limite extremo. Pelo menos o menino não estava mais na manjedoura, como tantas vezes se vê em gravuras, mas na “casa” (v.11). Estes magos vieram da Babilônia, ou de país mais além, região onde a raça humana teve sua origem, terra de Abraão e do cativeiro judaico, onde muitos judeus ainda viviam. Pertenciam à classe de pessoas ilustradas, eram conselheiros de reis. Talvez estivessem familiarizados com as Escrituras judaicas e sabiam da expectação existente pelo rei Messias. Era a terra de Daniel e, sem dúvida, conheciam a profecia das 70 Semanas, e também a de Balaão acerca da “Estrela a proceder de Jacó”, (Nm 24.17). Eram homens de elevada posição social, tanto que tiveram acesso à presença de Herodes. Comumente são mencionados como “Três Magos”, mas as Escrituras não dizem quantos foram. Provavelmente foram mais de três, ou pelo menos vieram com uma comitiva de dezenas ou centenas de pessoas, como medida de segurança, visto que não seria seguro um pequeno grupo viajar milhares de quilômetros, através de desertos infestados de bandidos. A chegada deles a Jerusalém foi bastante espetacular, para alvoroçar a cidade inteira. 1.9.5. A Estrela vista pelos magos Calcula-se que houve uma conjunção de Júpiter e Saturno, 6 a.C. Mas isto não explica o fato de “a estrela ir adiante deles até que se deteve sobre o lugar onde o menino estava.” Pensam uns que, possivelmente, foi uma ''nova”, isto é, estrela que explode e por um tempo se queima fulgurantemente. Dizem os astrônomos que na Via Láctea umas 30 estrelas explodem cada ano assim de súbito, e se tornam mais de 10.000 vezes mais brilhantes, voltando depois à luminosidade ordinária. Mas como pode esse fato ajustar-se ao caso? A estrela, vista pelos magos, foi, sem dúvida, um fenômeno distinto, uma luz sobrenatural que, pela direta revelação de Deus, foi adiante deles e indicoulhes o lugar exato; anúncio sobrenatural de um nascimento sobrenatural. 1.9.6. A tentação dos quarenta dias Também se narra em Lc 4.1-13, e, muito abreviadamente, em Mc 1.12-13. O Espírito Santo, Satanás e Anjos tiveram sua parte na tentação de Jesus. O Espírito Santo impeliu-O, anjos ajudaram-no, enquanto Satanás procurou várias vezes desviá-Lo de Sua missão de Redentor do gênero humano. O universo inteiro estava interessado. O destino da criação estava em jogo. Não sabemos por que a tentação de Jesus seguiu-se logo ao Seu batismo. A descida do Espírito Santo sobre Ele nessa ocasião envolvia possivelmente duas coisas novas na Sua experiência humana: uma, o poder ilimitado de operar milagres; a outra, plena restauração de Seu conhecimento de antes da encarnação. Antes, na eternidade, Jesus sabia que viria ao mundo sofrer como o Cordeiro de Deus pelo pecado humano. Veio, porém, pelo caminho do berço. Devemos supor que Jesus, criancinha, conhecia tudo quanto sabia antes de assumir as limitações da carne humana? Não é mais natural pensar que o conhecimento que tinha antes de encarnar-Se veio-Lhe gradativamente à proporção que crescia, em paralelo com a Sua educação humana? Naturalmente Sua mãe contou-Lhe as circunstâncias do Seu nascimento. Ele sabia que era o Filho de Deus e o Messias. Sem dúvida, Ele e Sua mãe conversaram muitas vezes sobre planos e métodos de realizar Sua obra como Messias no mundo. Quando, porém, o Espírito Santo desceu sobre Ele no batismo, “sem medida”, então Lhe veio plena e claramente, pela primeira vez como homem, a ciência de algumas coisas que Ele conhecera antes de humanizar-Se: entre elas, a CRUZ como o meio pelo qual cumpriria Sua missão. Isto O aturdiu; fê-Lo perder o apetite; afastou-O do convívio dos homens, e por 40 dias Ele não pensou noutra coisa. Qual foi a natureza de Sua tentação? Esta pode ter incluído as tentações ordinárias dos homens na luta pelo pão e no desejo de fama e poder. Foi, porém, mais. Jesus era muito grande para pensarmos que tais motivos pesassem muito no Seu espírito. A julgar pelos Seus antecedentes e Sua formação, devemos crer que Ele já alimentava uma paixão absorvente de salvar o mundo. Sabia ser esta a Sua missão. A pergunta era, Como realizála? Usando os poderes miraculosos que Lhe acabavam de ser concedidos poderes que nenhum mortal conhecera antes -para fornecer pão aos homens, sem que estes precisassem trabalhar, e para vencer as forças ordinárias da natureza, Ele podia ter-Se imposto ao domínio do mundo e pela força levar os homens a fazer Sua vontade. Foi essa a sugestão de Satanás. Mas a missão de Jesus foi não compelir os homens à obediência, mas transformar seus corações. A essência da tentação de Jesus foi fazê-Lo procurar alcançar Seus fins por meios mundanos, antes que pelo sofrimento. Produzir resultados espirituais por métodos mundanos. O que Jesus recusou fazer, a igreja, através dos séculos, tem feito e, em escala, ainda hoje faz, permitindo-se a cobiça do poder do mundo. O diabo esteve realmente presente? Ou foi só uma luta íntima? Não se diz sob que forma o diabo apareceu a Jesus. Mas evidentemente Jesus reconheceu que as sugestões partiam de Satanás, que ali estava resolvido, seriamente, a frustrar-Lhe a missão. Pensa-se que o local da tentação de Jesus foram as alturas desoladas e estéreis da região montanhosa que dominava Jericó, acima do ribeiro de 27 Querite, onde os corvos alimentaram Elias, e de onde possivelmente se divisava ao longe o Gólgota, local da última batalha de Cristo. Jesus jejuou 40 dias. Moisés jejuara 40 dias no Monte Sinai quando os Dez Mandamentos foram dados, (Êx 34.28). Elias jejuara 40 dias, a caminho para o mesmo monte, (1Rs 19.8). Moisés representava a Lei. Elias, os profetas. Jesus era o Messias, para quem a Lei e os profetas apontavam. Os três grandes representantes da revelação divina ao homem. Do alto do monte onde Jesus jejuava, olhando a Leste para o outro lado do Jordão, podia divisar a Cordilheira do Nebo, onde Moisés e Elias, séculos antes, subiram para Deus. Uns três anos depois, estes três homens tiveram um encontro, em meio às glórias celestes da transfiguração, no Monte Hermom, 160 km ao Norte, cujo pico nevado via-se distintamente do Monte da Tentação: companheiros no sofrimento e agora companheiros na glória. 1.10. O grande discurso sobre o fim. Capítulos (24 e 25) 1.10.1. A queda de Jerusalém, a vinda de Cristo e o fim do mundo Este discurso foi proferido após Jesus ter deixado o Templo pela última vez. Versou sobre a destruição de Jerusalém, Sua vinda e o fim do mundo. Algumas de Suas palavras se referem a um fato, outras aludem a outro. Algumas estão de tal forma intricadas que é difícil saber a qual dos eventos se referem. Talvez esse estilo pouco claro fosse intencional. Parece claro que Ele tinha em mente dois eventos distintos, separados por um intervalo, indicados por “esta geração” em 24.34, e por “aquele dia” em 24.36. Alguns entendem, por “esta geração” (24.34), “esta nação”, isto é, a raça judaica que não passaria sem que o SENHOR voltasse. A opinião mais comum é que Jesus quis significar o seguinte: Jerusalém seria destruída ainda naquela geração que então vivia. Quem olha para dois cumes de montanhas distantes, estando um atrás do outro, parece vê-los juntos, embora estejam muito afastados um do outro. Assim, na perspectiva de Jesus, esses dois eventos, estavam muito aproximados entre si, apesar de longo intervalo entre os dois. O que disse numa sentença pode referir-se a uma era inteira. O que aconteceu num caso pode ser o “princípio de cumprimento” do que acontecerá no outro. Suas palavras a respeito de Jerusalém cumpriram-se literalmente dentro de 40 anos. Os edifícios magníficos de mármore e ouro foram tão completamente arrasados pelo exército romano, 70 d.C. que, segundo Josefo, o local parecia que nunca fora antes ocupado. 1.10.2. A Segunda Vinda de Jesus Grande parte deste grande discurso dedica-se à segunda vinda de Jesus. Vendo que Sua morte ocorreria dentro de três dias e sabendo que os discípulos ficariam assombrados quase a ponto de perder a fé nele e no Seu reino, empreende a difícil tarefa de explicar que eles ainda verão realizadas suas esperanças de um modo muito mais grandioso do que jamais sonharam. Os pensamentos de Jesus detêm-se largamente em Seu segundo advento: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com Ele”, (Mt 25.31). “O Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos e então retribuirá a cada um conforme as suas obras”, (Mt 16.27). “Assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.27). “Assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem” (Mt 24.37). “O mesmo aconteceu nos dias de Ló... assim será no dia em que o Filho do homem se manifestar” (Lc 17.28-30). “Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória” (Lc 21.27). “Qualquer que (...) se envergonhar de mim também o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” (Mc 8.38). “Vou preparar-vos lugar voltarei e vos levarei para mim mesmo” (Jo 14.2-3). Sua vinda será anunciada “com grande clamor de trombeta” (Mt 24.31), como outrora se fez para reunir o povo (Êx 19.13,16,19). O fato de Paulo haver repetido esta expressão “a trombeta soará”, em conexão com a ressurreição, (1Co 15.52), e em (1Ts 4.16) onde diz, “O Senhor mesmo (...) ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus”, indica que pode ser mais do que mera figura de linguagem. Um grandioso acontecimento histórico, real e repentino, quando Ele agregará os Seus a Si, dentre os vivos e os mortos, numa escala vasta e maciça. Nem Sua vinda a Jerusalém no juízo de 70 d.C., nem a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes; nem Sua vinda ao Seu povo em novas experiências sempre repetidas; nem nossa ida para Ele na morte; nenhum destes casos pode esgotar o sentido das palavras de Jesus quanto a vir outra Vez. É melhor que não sejamos por demais dogmáticos a respeito de certos eventos concomitantes, relacionados com a Sua vinda. Mas, se a linguagem é de qualquer modo um veículo de idéias, decerto seria preciso muita explanação e interpretação para se compreender as palavras de Jesus de outro modo, e não perceber que Ele considerava a Sua segunda vinda um evento histórico definido, quando pessoal e literalmente aparecerá a fim de reunir a Si e para a glória eterna aqueles que foram redimidos pelo Seu sangue. E é melhor não obscurecer a esperança de Sua vinda com uma teoria muito circunstanciada sobre o que irá acontecer quando Ele vier. Muita gente, supomos, vai ficar tremendamente desapontada, se Jesus não proceder de acordo com o programa que ela já traçou para Ele. Conta-se que a rainha Vitória, profundamente emocionada com um sermão de F. W. Farrar, sobre a segunda vinda do SENHOR, disse-lhe: “Cônego Farrar, gostaria de estar viva quando Jesus viesse, para depositar aos Seus pés a coroa da Inglaterra”. 1.11. Estudando as parábolas de Mateus O estudo das parábolas de Mateus 13 tem como propósito a análise da mensagem central contida neste capítulo do evangelho de Mateus, tendo em vista também o estudo de qual foi o contexto natural da época do ministério público de Jesus que O levou a anunciar estas chamadas Parábolas do Reino. Visto que também seria muito relevante a pesquisa a respeito da perspectiva judaica a respeito do Reino Messiânico e como foi que Cristo quebrou alguns destes paradigmas estabelecidos pelos judeus na espera do seu Rei. Há uma grande necessidade em se estudar esta passagem e seu contexto histórico de acordo com o ministério de Jesus aqui na terra, a fim de que não sejamos ignorantes a respeito do que se sucedeu, está acontecendo e irá acontecer futuramente com respeito ao estabelecimento definitivo do Reino Messiânico em nosso meio. A necessidade pessoal do estudo deste assunto vai além das exigências para o cumprimento dos requisitos parciais desta matéria, pois tenho a intenção de estar criando em mim o hábito de estar analisando e interpretando os textos aos quais me proponho a estudar, sendo esta uma oportunidade grandiosa e também muito valiosa. Procurarei abranger ao máximo possível a análise deste assunto em questão utilizando-me de diversos livros como comentários bíblicos, apostilas e outras referências bibliográficas concernentes ao tema a ser pesquisado, como dicionários teológicos e até materiais não-publicados oficialmente, expressando estes conceitos de forma clara e sucinta, atingindo assim o propósito deste estudo e pesquisa. 1.12. Contexto histórico do ministério público de Jesus até Mateus 13 Até o contexto em que Jesus anunciou as parábolas contidas em Mateus 13 ocorreram grandes fatos relevantes em Seu ministério público, que de uma maneira ou de outra contribuíram definitivamente para a predição destas parábolas. 1.12.1. Seu preparo Antes do início de Seu ministério público, Jesus passou por algumas experiências que lhe foram necessárias passar antes de que Ele iniciasse assim o Seu ministério. O Seu batismo feito por João Batista (Mt 3.13-17) tinha como objetivo seguir a ordem de Deus e também a tradição de que, “quando um sacerdote começava 1 a oficiar nessa capacidade, com a idade de trinta anos, lavava-se com água” (Ex 29.1-4; Lv 8.1-6). E então Jesus através do Seu batismo reivindicou sobre Si o conceito assim de Sacerdote. Foi também uma maneira de se apresentar ao povo (não sendo claro o ato do batismo em si mas o momento experimentado por Ele). Estava também cumprindo com o conceito da Kenosis onde Ele se auto-esvaziou a fim de se fazer igual ao povo. Em suma através do Seu batismo Jesus estava se consagrando ao ministério que Deus lhe confiara (Lc 3.21,22). Através da tentação de Jesus, Deus tinha como propósito demonstrar que o Seu Filho possuía as credenciais de impecabilidade e também comunhão direta com o Pai, a fim de demonstrar que os Seus (de Jesus) feitos e também a Sua morte na cruz eram dignas de ser realizadas apenas por 1 RYLE, J.C. Meditações no Evangelho de Mateus. Editora Fiel: São José dos Campos, 1991. p. 18 aquele que foi “tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15b -VRA). A tentação também foi prova de que de fato Jesus se expôs à todas as características espirituais, físicas, emocionais, etc. que os seres humanos possuem, fazendo-se assim homem. 1.12.2. Seu ministério em Jerusalém (Judéia) Após o Seu preparo, Jesus vai para Jerusalém e permanece cerca de 8 meses nesta cidade desenvolvendo o Seu ministério. Durante este primeiro ministério na Judéia Jesus estava atravessando um período obscuro da Sua popularidade como Rei-Messias, pois pouquíssimas pessoas conheciam o Seu nome, as Suas obras e feitos e também o conteúdo da Sua pregação. “Mas, por causa deste ministério na Judéia ... o Seu ministério começou a ficar [e de fato ficou] relevante” . 1.12.3. Seu ministério na Galiléia Após os oito meses de ministério que Jesus teve na Judéia e também na Samaria, Ele decidi ir para a Galiléia onde mais especialmente em Cafarnaum Jesus estabeleceria esta cidade como sendo o Seu “quartel general” . Os motivos que levaram Jesus a ter a cidade de Cafarnaum como o Seu ponto de estadia principal foi de que esta cidade ocupava uma região privilegiada às margens do Mar da Galiléia, o que a tornava quase que a principal via de acesso para Decápolis . A cidade de Cafarnaum foi cenário de uma ocupação militar por parte das tropas romanas, é possível se dizer isso pois em Cafarnaum havia um centurião (Mt 8.5) que era “um oficial do exército romano que comandava 100 homens” , o que para aquela época era um número expressivo. Todo este peso militar na cidade de Cafarnaum conferiu a ela o status de cidade tranqüila com ar de liberdade. Era lá que moravam os discípulos Pedro e André (Mc 1.29), e o fato de Jesus ter feito desta cidade o Seu quartel general e também local de Sua morada (Mt 4.13) levou o evangelista Mateus a fazer menção em Mateus 9.1 de que Cafarnaum era a cidade de Jesus; sendo que foi usada por Jesus como a cidade inicial e também como ponto terminal de todas as Suas viagens por toda a Galiléia. Nessa nova fase do ministério público de Jesus na Galiléia é que Ele começa a se tornar popular, pois os galileus estavam informados de que este tal Jesus operava sinais, milagres e maravilhas na Judéia. E então os moradores da Galiléia O recebem de braços abertos quando Ele pisa pela primeira vez no solo galileu (Jo 4.45). O ministério de Jesus na Galiléia durou aproximadamente 1 ano e 8 meses e é num período de mais ou menos 10 meses que Jesus “reina” praticamente soberano sobre toda a Galiléia, pois a geografia da Galiléia “tinha no máximo 100 Km de comprimento por 50 Km de largura” , o que favorecia grandemente para que Jesus percorresse toda esta região pregando Sua mensagem, e operando Seus milagres, além de estar conquistando Seus adeptos. Ainda que a motivação dos galileus não fossem a mais correta possível, pois eles estavam mais interessados nos feitos e realizações de Jesus do que propriamente com Suas palavras, Jesus foi atingindo gradativamente a Sua popularidade ministerial como pessoa e também como um “milagreiro” da época. A estratégia que Jesus utilizou para atingir tal posição foi mediante os Seus feitos: milagres, curas, sinais, prodígios e também o simples fato d'Ele andar no meio do povo. Após o término da segunda viagem que Jesus fez pela Galiléia, Ele então volta para Sua casa em Cafarnaum (Mt 13.1), como era de costume pois sempre após uma viagem pela Galiléia, Ele logo voltava para Cafarnaum, e entrando num barco que estava às margens do Mar da Galiléia, Ele então pronuncia as parábolas do Reino (Mt 13.1-52) à uma multidão que estava em pé na praia ouvindo Seus ensinamentos. O propósito e motivo destas parábolas serão tratados num próximo capítulo. 1.12.4. Expectativa judaica pelo reino messiânico Desde Gênesis 3.15 Deus revelou ao povo hebreu através dos vários escritores vétero-testamentários de que Ele enviaria Aquele que haveria de instituir um reino eterno e sem igual, vindo da parte Deus e que reinaria sobre toda a nação de Israel. A vinda do Messias seria o cumprimento da atividade redentora de Deus ao ser humano. A instituição do Reino de Deus seria a “manifestação perfeita de Deus a Seu povo, e Sua permanência eterna entre os homens.” Textos como 2Sm 7.12-16; Sl 132.11; Is 9.1,2,6,7; 16.5; 43.1-3; 53.4; Jr 23.5; Dn 2.44; 7.14,27; Mq 4.7; 5.2, sugeriram bases concretas para que este povo hebreu, em toda a sua história, ficassem ansiosos com a vinda deste Messias e Rei e cressem de que Ele seria o libertador eterno da nação de Israel. A cada novo rei ou profeta que Deus suscitava em Israel no Velho Testamento o povo logo tinha a expectativa de que este seria o tão prometido Rei de Israel. Assim aconteceu com Moisés, Davi, Elias. E através deste présuposto os judeus criaram um absoluto em sua crença divina de que o verdadeiro Rei de Israel seria uma junção (em caráter, poder, espiritualidade, etc.) destes grandes líderes políticos e religiosos que Israel já teve, ou a encarnação plena de um deles. Existia a esperança de um Rei vindo da própria nação israelita que derrotaria eternamente os romanos, livrando-os assim do domínio imperial, sendo que este Rei teria o mesmo sucesso monárquico que o grande rei histórico Davi teve, onde a capital deste grande reino seria a cidade de Jerusalém. Os judeus tinham o pensamento de que este Rei-Messias “reuniria ... os remanescentes dispersos de Israel, e ocasionaria uma vida infindável de alegria” aos israelitas. Uma outra idéia que predominava na mente dos judeus é de que o Rei-Messias seria alguém sobrenatural, manifestando esta faceta do seu caráter através da ressurreição dos mortos de todas as épocas, julgando e transformando o mundo e seus habitantes. Em suma, a perspectiva judaica a respeito do Rei-Messias e Seu Reino é de que este teria a sua consumação plena e perfeita aqui na terra, tornando assim o Reino Messiânico algo unicamente físico e de instauração imediata no momento em que o seu Rei viesse. Para Israel este reino significaria bênçãos sem fim manifesta numa vida de paz, alegria, prosperidade e liberdade, instituído tão só pelas mãos do seu Rei esperado. Porém o que nenhum judeu com certeza esperava é de que o prometido Rei- Messias de Israel teria como paradeiro a cruz, o lugar maldito predito para os reconhecidos malfeitores do povo. Com Sua vinda Jesus começa então a quebrar alguns paradigmas que os judeus haviam tornado-os em absolutos a respeito do Rei e do Seu Reino. Jesus através das Suas pregações demonstra para o povo de que o Rei que eles estavam esperando já estava ali com eles, porém não para realizar e cumprir com todos os requisitos, exigências e qualificações que eles haviam alistado como uma ordem de serviço a ser apenas executada ou satisfeita pelo Messias. Uma das maneiras que Jesus Se utilizou para anunciar de que o Reino ainda não estava totalmente instaurado foi através do Sermão do Monte (Mt 5-7), pois este apresenta “os requisitos de Cristo para os que vivem na expectativa da plena manifestação do reino” . O outro discurso que Jesus fala a respeito do Reino Messiânico são as parábolas em Mateus 13, onde Ele diz que o Reino seria algo a se concretizar plenamente no futuro. 1.13. Parábolas Antes de propriamente entrarmos na questão das parábolas do reino descritas em Mateus 13, há a grande necessidade de traçarmos uma linha de raciocínio lógica, teológica e também histórica no que diz respeito às parábolas como um todo. 1.13.1. Definição Parábola segundo a concepção neo-testamentária, portanto também de Jesus, eram histórias e/ou estórias simples, tiradas das experiências e práticas cotidianas daqueles a quem eram proferidas estas parábolas. Embora fossem simples, elas cumpriam cabalmente com o intuito a que eram proferidas, ilustrar “uma verdade ética ou religiosa” tendo como paralelo exatamente as experiências cotidianas. Definindo parábola unicamente de acordo com o contexto histórico e o conteúdo de Mateus 13 seria ela uma linguagem de alto nível teológico, expressa de maneira profunda e substancial tendo como objetivo forçar uma reação, positiva ou negativa, de crença ou incredulidade, de aceitação ou total reprovação por parte daqueles que a ouviam. Estas parábolas “revelam a natureza do reino de Deus e/ou indicam como um filho do reino deve agir” . 1.13.2. Contexto histórico da utilização de parábolas A utilização de parábolas como uma linguagem alternativa na comunicação de verdades (de acordo com o padrão daqueles que as pronunciam) étnicas e/ou religiosas vão muito além das utilizações que Jesus fez das mesmas e que são descritas pelos autores dos evangelhos. Já no Antigo Testamento alguns escritores já se utilizavam de parábolas a fim de comunicarem verdades vindas do Senhor (2Sm 12.1-6; Is 5.1-7; Jr 18.1-4). Era também costume de muitos rabinos antes e pós-Jesus fazerem a utilização de uma parábola nos momentos de controvérsias com outras seitas judaicas ou com a simples plebe. Eles tinham o intuito de estar camuflando (omitindo) do público suas respostas ríspidas proferidas contra aqueles a quem discutiam. Porém eles explicavam mais tarde o significado e aplicação das suas parábolas apenas para os seus seguidores. Além de utilizar as parábolas como uma forma de comunicação verbal eles também se utilizavam delas na maneira escrita. As parábolas eram também muito utilizadas no Oriente “porque em todo o Oriente, a idéia de sabedoria era unida a esta forma de ensino” , ou seja, ao método de discurso figurativo tendo portando a sabedoria e filosofia como seus maiores conteúdos. A utilização do vocábulo (........) na LXX é uma tradução do mashal no hebraico que pode indicar a grande variedade de estilos de comunicação como: “o provérbio, a metáfora, a alegoria, a história ilustrativa, a fábula, o enigma, o símile e as parábolas propriamente dita.” Jesus na verdade se utilizou das parábolas como já sendo um tipo de comunicação verbal existente na época, portanto, não foi o seu inventor mas sim o seu maior utilizador. 1.13.3. Propósito de Jesus em falar através de parábolas Até o contexto de Mateus 13 Jesus falava por meio de parábolas apenas com o objetivo de que esta servisse de ilustração aos Seus ensinamentos em questão, onde, se fosse necessário saber sua interpretação o contexto em que foi proclamada cuidaria muito bem de fazê-lo. Ao anunciar as parábolas de Mateus 13 Jesus começa a falar às multidões apenas por parábolas (Mt 13.34), onde na sua maioria o conteúdo teológico destas parábolas preocupava-se mais em anunciar alguma verdade a respeito de Jesus e Seu reino aos seus discípulos, do que propriamente proclamar uma verdade ou exemplo a ser seguidos pelas multidões a quem Ele estava ensinando. Estas parábolas de Jesus tinham como público alvo os Seus próprios discípulos, pois até então o povo judeu tinha se mostrado surdo aos apelos de arrependimento e conversão propostas a eles por Jesus (Mt 11.12), dando crédito apenas aos milagres, curas, sinais e prodígios que Jesus fazia. O povo estava interessado tão só e unicamente no lado bom do ministério de Jesus, os poucos que estavam a fim de seguí-Lo recebiam a sua interpretação. De agora em diante então quando Jesus vai ensinar, proclamar verdades às multidões incrédulas com seus corações endurecidos Ele a faz apenas por meio de parábolas (Mt 13.34). Jesus decidiu ocultar deste povo incrédulo os mistérios do tão sonhado e esperado Reino Messiânico (Mt 13.10-15), sendo que na verdade tudo isso era o cumprimento duma profecia predita pelo profeta Isaías (6.9,10) a respeito da pregação de Jesus nos Seus tempos. 1.13.4. Conceitos escatológicos de Jesus contidos em Mateus 13 Através da parábola do semeador (13.3-8,18-23) Jesus está se referindo às diversas maneiras que os homens poderiam receber a Sua mensagem a respeito do reino. Jesus estava lidando com a tensão da rejeição por parte de alguns grupos judaicos porém ao mesmo tempo com Sua total aceitação por parte da grande maioria dos galileus. E então Cristo transporta este quadro de aceitação e rejeição para ao longo da história humana, onde estes 2 pólos com certeza haveriam de continuar existindo. Já nas parábolas do joio e trigo (13.24-30,36-43) e também da rede (13.4750) Jesus dá um panorama rápido de que a existência conjunta entre o bem e o mal teria uma “separação escatológica definitiva” predita para a consumação do século. Outro conceito escatológico que Jesus possuía e estava passando para Seus discípulos através da parábola do grão de mostarda (13.31,32) é que as influências da mensagem do reino englobaria todo tipo de gente, quer judeu quer gentio, sendo que esta mensagem do reino terá um crescimento rápido e repentino. Ainda que o crescimento da mensagem de Cristo referente ao reino cresça, infelizmente Jesus apresenta que os elementos malignos também crescerão até o final da presente dispensação (13.33). Possivelmente Jesus estava também fazendo uma alusão daquilo que seria a Sua aceitação para com o povo, pois a perversidade destes O colocaram pregado no madeiro. As parábolas do tesouro escondido (13.44) e da pérola de grande valor (13.45,46) serviram para Jesus mostrar qual deveria ser a atitude daqueles que um dia foram ou ainda seriam impactados pela mensagem do reino, uma alegre abnegação total. Foi exatamente isso que aconteceu com os 12 discípulos escolhidos por Jesus, confiaram na mensagem de Cristo. De fato Cristo tinha um propósito muito claro ao anunciar as parábolas de Mateus 13 que era de tornar Seus discípulos conhecedores dos mistérios do reino dos céus (13.11). 1.13.5. Reino Messiânico Com certeza os judeus nunca imaginaram que se sentiriam tão frustrados com o seu tão prometido Rei-Messias de Israel. Porém foi exatamente isso que aconteceu, pois Jesus não tipificava o manequim de Rei que os judeus estavam a tanto tempo esperando. Jesus contestou a Sua tão alta posição de Rei instaurando o Seu majestoso Reino no momento da Sua vinda através das parábolas do reino em Mateus 13. Jesus nada mais fez do que explicar aos judeus de que aquele reino que eles tanto esperavam ainda não seria totalmente estabelecido, devido à incredulidade e dureza de seus corações em receberem a mensagem de arrependimento e conversão que Jesus até então pronunciava. Literalmente os judeus estavam para colocar o pirulito na boca porém, se esqueceram de que este vinha embrulhado em um papel, e por não gostarem do sabor deste pirulito encapado acabaram jogando fora o tão sonhado reino. Mas Deus em Sua soberania pré-determinou de que o total estabelecimento deste Reino Messiânico se daria num futuro escatológico. Na verdade este é o ensinamento central das parábolas em Mateus 13. “Quem tem ouvidos para ouvir ouça” (Mt 13.9) . Evangelho de Marcos Capítulo 2 Marcos, o mais breve e mais simples dos quatro Evangelhos, apresenta um relato conciso e de cenas rápidas da vida de Cristo. Com pequenos comentários, Marcos deixa a narrativa falar por si só, quando conta a história do servo que está constantemente em movimento, ao pregar, curar, ensinar e, por fim, morrer pelos pecadores. Seu ministério começa com as massas, logo restringindo-se aos doze discípulos, e por fim culmina na cruz. Ali o Servo que “não veio para ser servido, mas para servir” faz o supremo sacrifício de serviçal, dando “sua vida em resgate de muitos” (10.45). E esse padrão de serviço altruísta se torna o modelo para aqueles que seguem os passos do Servo. 2.1. Importância do Evangelho Este Evangelho, o segundo dos livros do Novo Testamento, contém pouco material que não apareça igualmente em Mateus e Lucas. Apenas cinco passagens de Marcos (3.7-12; 4.26-29; 7.32-37; 8.22-26; 14.51-52) e alguns versículos isolados não foram registrados nos outros dois Evangelhos. Por essa razão, durante muito tempo, não se deu a Marcos a importância teológica e literária que realmente tem. No entanto, desde o séc. XIX começou a firmarse a idéia de que o “segundo Evangelho” foi básico na preparação de Mateus e Lucas. E, ao considerar-se assim que Marcos é o documento mais antigo que possuímos sobre a vida e a obra de Jesus, foi despertado um grande interesse por estudá-lo. 2.2. Autoria Mesmo que o Evangelho de Marcos seja anônimo, a antiga tradição é unânime em dizer que o autor foi João Marcos, seguidor próximo de Pedro (1Pe 5.13) e companheiro de Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária. O mais antigo testemunho da autoria de Marcos tem origem em Papias, bispo da Igreja em Hierápolis (cerca de 135-140 d.C.), testemunho que é preservado na História Eclesiástica de Eusébio. Papias descreve Marcos como “interprete de Pedro”. Embora a igreja antiga tenha tomado cuidado em manter a autoria apostólica direta dos Evangelhos, os pais da igreja atribuíram coerentemente este Evangelho a Marcos, que não era um apóstolo. João Marcos era filho de certa Maria, cuja casa em Jerusalém era lugar de reunião dos discípulos, (At 12.12). Sendo parente de Barnabé, (Cl 4.10). Conjectura-se que foi ele o moço que “fugiu desnudo”, na noite em que Jesus foi preso, (Mc 14.51,52), quando começou a interessar-se por Jesus. A linguagem de (1Pe 5.13) pode querer dizer ter sido ele um convertido desse apóstolo. Provavelmente, a mãe de Marcos tinha posição de considerável influência na Igreja em Jerusalém. Foi a casa dela que Pedro procurou logo ao ser libertado da prisão pelo anjo, (At 12.12); 14 anos mais tarde, cerca de 45 d.C., seguiu com Paulo e Barnabé a Antioquia, At 12.25; e esteve com eles no princípio de sua primeira viagem missionária, não prosseguindo. Depois, lá por 50 d.C., quis fazer com Paulo a segunda viagem, porém este recusouse a levá-lo. Deu isso ocasião a que Paulo e Barnabé se separassem, (At 13.5,13; 15.37-39). Marcos, então, partiu com Barnabé para Chipre. Uns 12 anos depois, cerca de 62 d.C., acha-se em Roma com Paulo, (Cl 4.10; Fm 24). Quatro ou 5 anos mais adiante, este apóstolo, logo antes do martírio, pede que Marcos vá ter com ele, (2Tm 4.11). Parece, assim que Marcos, nos seus últimos anos, tornou-se um dos auxiliares íntimos e queridos do Apóstolo Paulo. Esteve com Pedro em Babilônia (Roma?), quando este apóstolo escreveu sua primeira epístola, (1Pe 5.13). Antiga tradição cristã reza que ele, pela maior parte do tempo, foi companheiro de Pedro e escreveu a história de Jesus como a ouviu desse Apóstolo em suas pregações. Julga-se que este Evangelho foi escrito o divulgado em Roma, entre 60 e 70 d.C. 2.3. Data Os fundadores da Igreja declaram que o Evangelho de Mc foi escrito depois da morte de Pedro, que aconteceu durante as perseguições do Imperador Nero por volta de 67 d.C. O Evangelho em si, especialmente o cap. 13, indica ter sido escrito antes da destruição do Templo em 70 d.C. A maior parte das evidências sustenta uma data entre 65 e 70 d.C. 2.4. Considerações Marcos não é um historiador no sentido que hoje damos ao termo. Antes, é um narrador que conta o que chegou ao seu conhecimento. Escreve em grego, com a rusticidade característica de quem está usando um idioma que não lhe é próprio e, contudo, sabe desenvolver um estilo vivo e vigoroso. Recorre, provavelmente, à memória de coisas ouvidas, mas é capaz de criar no leitor a impressão de encontrar-se ante uma testemunha ocular dos fatos relatados. 2.5. Características teológicas e literárias Este Evangelho proclama em cada uma das suas páginas que Jesus é a revelação definitiva de Deus, o qual, em seu Filho eterno, se integra na história da humanidade: Jesus, o singelo mestre chegado da Galiléia (1.9), é o Cristo, o Messias a quem desde séculos antigos esperava o povo de Israel (8.29; 9.41; 14.61-62). O evangelista anuncia a presença de Jesus no mundo como o sinal imediato da vinda do reino de Deus (1.14-15; 4.1-34). A personalidade de Jesus, entretanto, não satisfaz às expectativas judaicas, pois longe de apresentar-se como messias político e militar, o faz como um homem humilde cuja atividade e ensinamentos não correspondiam à imagem triunfante de um libertador nacional. Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, é também o Filho do Homem. Participa dos sentimentos humanos e é sujeito ao sofrimento e à morte (8.31). Com consciência da sua natureza humana, exige freqüentemente que a sua função messiânica se mantenha em segredo (1.43-44; 5.43; 8.29-30; 9.9,3031), até que chegue o momento de ser acreditada pelos padecimentos morais e físicos que ele deverá enfrentar (14.35-36; 15.39). Uma característica típica de Marcos é que dedica mais espaço aos atos que aos discursos de Jesus. Na realidade, só dois desses últimos podem ser considerados como tais: a série de parábolas de 4.1-34 e o sermão escatológico de 13.3-37. Tudo mais são breves intervenções de ensinamento, exortação ou controvérsia. Por outro lado, o evangelista concede à descrição dos atos um espaço mais amplo, inclusive, às vezes, superior ao que Mateus e Lucas dedicam a narrativas paralelas (cf. 5.21-43 com Mt 9.18-26 e Lc 8.40-56; 6.14-29 com Mt 14.1-12; 6.30 com Mt 14.13-21 e Lc 9.10-17). À medida que progride, o desenvolvimento dramático do segundo Evangelho cresce em intensidade, até alcançar o seu ponto culminante no relato da paixão, crucificação e ressurreição de Jesus. O Senhor anuncia três vezes esses acontecimentos aos seus discípulos: “O Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas... e o entregarão aos gentios; hão de... matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará” (10.33-34; ver 8.31 e 9.31. Cf. Mt 16.21; 17.22-23; 20.18-19 e Lc 9.22; 9.44; 18.32-33). Os discípulos não compreenderam até o último momento que o sacrifício de Jesus Cristo fazia parte do plano de salvação de que Deus o havia incumbido (8.32-38; 16.19-20). 2.6. Cristo revelado Esse livro não é uma biografia, mas uma história concisa da redenção obtida mediante o trabalho expiatório de Cristo. Marcos demonstra as reivindicações messiânicas de Jesus enfatizando sua autoridade com o Mestre (1.22) e sua autoridade sobre satanás e os espírito malignos (1.27; 3.20-30), o pecado (2.1- 12), o sábado (2.27-28; 3.1-6), a natureza (4.35-41; 6.45-52), a doença (5.21- 34), a morte (5.35-43), as tradições legalistas (7.1-13,14-20), e o templo (11.15- 18). Título de abertura do trabalho de Marcos, “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (1.1), fornece sua tese central em relação a identidade de Jesus como o filho de Deus. Tanto o batismo quanto a transfiguração testemunham sua qualidade de filho (1.11; 9.7). Em duas ocasiões, os espíritos imundos o reconhecem como Filho de Deus (3.11; 5.7). A parábola dos lavradores malvados (12.6) faz alusão à qualidade de filho divino de Jesus (12.6). Por fim, a narrativa da crucificação termina com a confissão do centurião: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.” (15.39) O título que Jesus usava com mais freqüência para si próprio, num total de catorze vezes em Marcos, é “Filho do Homem”. Como designação para o Messias, este termo (ver Dn 7.13) não era tão popular entre os Judeus como o título “Filho do Homem” para revelar e para esconder seu messianismo e relacionar-se tanto com Deus quanto com o homem. Marcos, atentando para o discipulado, sugere que os discípulos de Jesus deveriam ter um discernimento amplo ao mistério de sua identidade. Mesmo apesar de muitas pessoas interpretarem mal sua pessoa e missão, enquanto os demônios confessam sua qualidade de filho de Deus, os discípulos de Jesus precisam ver além de sua missão, aceitar sua cruz e segui-lo. A segunda vinda do Filho do Homem revelará totalmente seu poder e glória. 2.7. O Espírito Santo em ação Junto com os outros escritores do Evangelho, Marcos recorda a profecia de João Batista de que Jesus “vos batizará com o ES” (1.8), Os crentes seriam totalmente imersos no Espírito, como os seguidores de João o eram nas águas. O Espírito Santo desceu sobre Jesus em seu batismo (1.10), habilitando-o para seu trabalho messiânico de cumprimento da profecia de Isaías (Is 42.1; 48.16; 61.1-2). A narrativa do ministério subseqüente de Cristo testemunha o fato de que seus milagres e ensinamentos resultaram da unção do Espírito Santo. Marcos declara graficamente que “o Espírito o impeliu para o deserto” (1.12) para que fosse tentado, sugerindo a urgência por encontrar e vencer as tentações de Satanás, que queria corrompê-lo antes que ele embarcasse em uma missão de destruir o poder do inimigo nos outros. O pecado contra o Espírito Santo é colocado em contraste com “todos os pecados” (3.28), pois esses pecados e blasfêmias podem ser perdoados. O contexto define o significado dessa verdade assustadora. Os escribas blasfemaram contra o Espírito Santo ao atribuírem a satanás a expulsão dos demônios. Que Jesus realizava pela ação do Espírito Santo (3.22). Sua visão prejudicada tornou-os incapazes do verdadeiro discernimento. A explicação de Marcos confirma o motivo de Jesus ter feito essa grave declaração (3.30). Jesus também refere à inspiração do AT pelo ES (12.36). Um grande estímulo aos cristãos que enfrentam a hostilidade de autoridades injustas é a garantia do Senhor de que o ES falará através deles quando testemunharem de Cristo (13.11). Além das referências explícitas ao Espírito Santo, Marcos emprega palavras associadas com o dom do Espírito, como poder, autoridade, profeta, cura, imposição de mãos, Messias e Reino. 2.8. Conteúdo Marcos fundamenta seu Evangelho em torno de vários movimentos geográficos de Jesus, que chega ao clímax com sua morte e ressurreição subseqüente. Após a introdução (1.1-13), Marcos narra o ministério público de Jesus na Galiléia (1.14-9.50) e Judéia (caps 10-13), culminando na paixão e ressurreição (caps 14-16). O Evangelho pode ser visto como duas metades unidas pela confissão de Pedro de que Jesus era o Messias (8.27-30) e pelo primeiro anúncio de Jesus e sua crucificação (8.31). Marcos é o menor dos Evangelhos, e não contém nenhuma genealogia e explicação do nascimento e antigo ministério de Jesus na Judéia. É o evangelho da ação, movendo-se rapidamente de uma cena para outra. O Evangelho de João é um retrato estudado do Senhor, Mateus e Lucas apresentam o que poderia ser descrito como uma série de imagens coloridas, enquanto que Marcos é como um filme da vida de Jesus. Ele destaca as atividades dos registros mediante o uso da palavra grega “euteos” que costuma ser traduzida por “imediatamente”. A palavra ocorre quarenta e duas vezes, mais do que em todo o resto do NT. O uso freqüente do imperfeito por Marcos denotando ação contínua, também torna a narrativa rápida. Marcos também é o Evangelho da vivacidade. Frases gráficas e surpreendentes ocorrem com freqüência para permitir que o leitor reproduza mentalmente a cena descrita. Os olhares e gestos de Jesus recebem atenção fora do comum. Existem muitos latinismos no Evangelho (4.21; 12.14; 6.27; 15.39). Marcos enfatiza pouco a lei e os costumes judaicos, e sempre os interpreta para o leitor quando os menciona. Essa característica tende a apoiar a tradição de que Marcos escreveu para uma audiência romana e gentílica. De muitas formas, ele enfatiza a Paixão de Jesus de modo que se torna a escala pela qual todo o ministério pode ser medido: “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”(10.45). Todo o ministério de Jesus (milagres, comunhão com os pecadores, escolha de discípulos, ensinamentos sobre o reino de Deus, etc.) está inserido no contexto do amor oferecido pelo Filho de Deus, que tem seu clímax na cruz e ressurreição. Os fundadores da Igreja declaram que o Evangelho de Marcos foi escrito depois da morte de Pedro, que aconteceu durante as perseguições do Imperador Nero por volta de 67 d.C. O Evangelho em si, especialmente o cap. 13, indica ter sido escrito antes da destruição do Templo em 70 d.C. A maior parte das evidências sustenta uma data entre 65 e 70 d.C. Com respeito à composição de Marcos, é provável que teve lugar em Roma ou, talvez, na Antioquia da Síria, antes do ano 70, data em que Jerusalém foi destruída. Não há base cronológica que permita datá-la com exatidão, de forma que alguns historiadores a situam entre 65 e 70, isto é, nos anos que seguiram à perseguição de 64, decretada por Nero; outros situam a data em torno do ano 63; e ainda outros a fazem retroceder até a década de 50. A antiga tradição eclesiástica viu neste Evangelho a influência dos ensinamentos de Pedro, de quem Marcos teria sido discípulo. Em princípio, foi escrito para leitores de origem gentílica, residentes fora da Palestina. Assim o sugere, entre outras peculiaridades, o fato de que o autor acrescenta à tradução grega expressões cujo original aramaico incorpora ao texto com a maior fidelidade (cf. 5.41, 7.11,34; 14.36; 15.22,34). 2.9. Contexto Histórico Em 64 d.C., Nero acusou a comunidade cristã de colocar fogo na cidade de Roma, e por esse motivo instigou uma temerosa perseguição na qual Paulo e Pedro morreram. Em meio a uma igreja perseguida, vivendo constantemente sob ameaça de morte, o evangelista Marcos escreveu suas “boas novas”. Está claro que ele quer que seus leitores tomem a vida e exemplo de Jesus como modelo de coragem e força. O que era verdade para Jesus deveria ser para os apóstolos e discípulos de todas as idades. No centro do Evangelho há pronunciamentos explícito de “que importava que o Filho do Homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos, e pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, que fosse morto, mas que, depois de três dias, ressuscitaria” (8.31) Esse pronunciamento de sofrimento e morte é repetido (9.31; 10.32-34), mas torna-se uma norma para o comprometimento do discipulado: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz e siga-me” (8.34). Marcos guia seus leitores à cruz de Jesus, onde eles podem descobrir o significado e esperança em seu sofrimento. 2.9.1. Estrutura do Evangelho A estrutura formal de Marcos tem dado lugar a diversas análises e a diferentes possibilidades de dividir o texto. A que mais adiante se oferece toma como base a revelação progressiva que Jesus faz de si mesmo: por um lado, a sua personalidade (cf. 1.7-8, 10-11; 4.41; 8.27-29; 9.7), o seu poder frente à natureza, à dor e à morte (cf. 1.30-31,40-42; 2.3-12; 4.37-39; 5.22-42; 6.45-51) e a sua luta contra as forças do mal (cf. 1.24-27; 3.11; 9.25-27); por outro lado, a índole da sua missão, primeiro como mestre e profeta (cf. 1.3739; 2.18-28; 3.13-19,23-29; 4.1-34; 9.2-10.45; 13.3-37; 14.61-62) e definitivamente como Senhor e Salvador (16.15-18). 2.9.2. Objetivos O romano era o povo dominador do mundo daquele tempo. Marcos escreveu especialmente para ele. O romano não sabia nada do Antigo Testamento. O cumprimento de profecias não lhe interessava. Mas estava profundamente interessado em um líder notável que surgira na Palestina. A esse líder se atribuía autoridade fora do comum e possuía poderes extraordinários. Eles queriam ouvir mais a respeito de Jesus -que tipo de pessoa ele realmente era, o que tinha dito e o que tinha feito. Os romanos gostavam da mensagem direta de alguém como Marcos. Mil e tantas vezes Marcos usa a conjunção “e”. É o Evangelho do ministério de Jesus. O romano dos dias de Jesus era um tipo semelhante ao homem de negócios de hoje. Ele não está interessado na genealogia de um rei, mas num Deus capaz de suprir as necessidades diárias do indivíduo. Marcos é o Evangelho do homem de negócios. Nas décadas de 60-70 d.C., os crentes de Roma eram tratados cruelmente pelo povo e muitos foram torturados e mortos pelo Imperador Romano, Nero. Segundo a tradição, entre os mártires cristãos de Roma, nessa década, estão os apóstolos Pedro e Paulo. Como um dos líderes eclesiásticos em Roma, João Marcos foi inspirado pelo Espírito Santo a escrever este Evangelho, como uma antevisão profética desse período da perseguição, ou como uma resposta pastoral à perseguição. Sua intenção era fortalecer os alicerces da fé dos crentes romanos e, se necessário fosse, inspirá-los a sofrer fielmente em prol do evangelho, oferecendo-lhe como modelo a vida, o sofrimento, a morte e a ressurreição de Jesus, seu Senhor. Podemos dividi-lo em três partes: a) Súditos para o Seu reino (Mc 1-5); b) Conquistando o reino pelo Seu poder (Mc 6-10); c) Reivindicando o Seu direito (Mc 11-16). d) Pontos salientes em Marcos e) A Trama para matar a Jesus (Mc 14.1-2). Foi na tarde da terça-feira. Cerca de um mês antes disto, depois que Jesus ressuscitou a Lázaro, o sinédrio decidira definitivamente matá-Lo, (Jo 11.53). Mas a popularidade dEle tornou-o difícil, (Lc 22.2). Até em Jerusalém as multidões não O deixavam, (Mc 12.37; Lc 19.48). A oportunidade chegou, na segunda noite depois desta, com a traição de Judas que, num movimento de surpresa, entregou-O a eles de noite, enquanto a cidade dormia. Apressaramse em fazer que fosse condenado antes que clareasse o dia e, de manhã, antes que as multidões na cidade despertassem, já O tinham pregado na cruz. 2.9.3. A traição (Mc 14.10-11) Cabia-lhe entregar Jesus a eles, na ausência das multidões. Não ousavam prendê-lo abertamente, para não serem apedrejados pelo povo. Judas levouos a Jesus em um dos Seus lugares secretos de retiro, depois que a cidade se recolheu. Jesus “sabia desde o princípio” que Judas o trairia. Por que foi escolhido, é um dos mistérios de Deus. Trinta moedas de prata eram equivalentes ao preço de um escravo, (Êx 21.32). Judas pode ter pensado que Jesus usaria Seu poder miraculoso para livrar-Se, ou pode ser que ele procurasse forçar Jesus a revelar-Se. Todavia, aos olhos de Deus foi um ato de perfídia, porque Jesus disse que fora melhor para Judas não ter nascido, (Mt 26.24). Tudo isso foi admiravelmente predito, (Zc 11.12-13). “Jeremias”, (Mt 27.9-10) ou entrou aí por engano do copista, ou porque o grupo inteiro de livros proféticos era algumas vezes chamado pelo nome de Jeremias. 2.9.4. O Julgamento de Jesus (14.53-15.20) Houve dois julgamentos: diante do sinédrio e diante de Pilatos, o governador romano. A Judéia estava sujeita a Roma. O sinédrio não podia executar sentença de morte sem o consentimento do governador romano. Houve três etapas em cada julgamento, seis ao todo. 1) Diante de Anás, (Jo 18.12-24). Cerca de meia-noite. Caifás era o sumo sacerdote. Mas seu sogro, Anás, que fora deposto em 16 d.C., ainda retinha, mediante os filhos, a influência e a autoridade do ofício. A família enriquecera imensamente às custas das barracas de negócio no Templo. Sobre o sumo sacerdote da nação judaica recai a primeira responsabilidade da morte de Jesus. 2) Diante do sinédrio, na casa de Caifás, (Mt 26.57; Mc 14.53; Lc 22.54; Jo 18.24). Deu-se entre a meia-noite e o clarear do dia. Foi este o principal julgamento da parte dos judeus. Incapazes de apresentar alguma acusação baseada em testemunho, condenaram-no sob a acusação de blasfêmia, por Se haver Ele declarado Filho de Deus, (Mc 14.61-62). Depois, enquanto esperavam que o dia clareasse, escarneceram dEle. Foi quando Pedro O negou. Esta sessão deles, processada à noite, era ilegal por força da própria lei que os regia. 3) O dia já claro, o sinédrio ratifica oficialmente sua decisão de meianoite, (Mt 27.1; Mc 15.1; Lc 22.66-71), para lhe dar aparência de legalidade. A acusação era de “blasfêmia”. Mas diante de Pilatos isso não valeria muito. De modo que, para ele, excogitaram a acusação de sedição contra o governo romano. A verdadeira razão era a inveja que tinham da popularidade de Jesus, (Mt 27.18). 4) Diante de Pilatos, (Mt 27.2, 11.14; Mc 15.1-5; Lc 23.1-5; Jo 18.28-38), pouco depois de o dia clarear. Jesus não replicou às acusações deles. Pilatos admirou-se. Depois fê-Lo entrar no palácio para uma entrevista particular, que mais o convenceu da inocência de Jesus. Vindo a saber ser Ele da Galiléia, mandou-O a Herodes, que tinha jurisdição sobre aquela parte do país. 5) Diante de Herodes, (Lc 23.6-12). Foi este o Herodes que matara João Batista, e cujo pai assassinara os meninos de Belém. Jesus não fez absolutamente caso dele, recusando-se firmemente a responder suas perguntas. Herodes escarneceu dele, vestiu-O de uma roupa aparatosa, e mandou-O de volta a Pilatos. 6) Diante de Pilatos outra vez, (Mt 27.15-26; Mc 15.6-15; Lc 23.13-25; Jo 18.39-19.16). Pilatos tenta desviar-se das autoridades e dirigir-se ao povo diretamente. Mas o povo no tribunal, em peso, escolhe Barrabás. Depois Pilatos ordena o açoite de Jesus (Mt 27:26), na esperança de que isto satisfaria à turba. Ouve dizer que Jesus Se afirmara Filho de Deus, e fica com mais medo. Outra entrevista particular e nova tentativa de soltá- Lo. Sua esposa manda contar o sonho que tivera. Pilatos pasma diante da calma majestosa de Jesus com Sua coroa de espinhos. Surge, porém, o início de um motim, e o ardil da ameaça de denunciá-lo a César. Lavra a sentença, às 6 horas, (Jo 19.14). Evangelho de Lucas Capítulo 3 Lucas, um médico gentio, elabora sua narrativa evangélica em torno de uma apresentação histórica e cronológica da vida de Jesus. Lucas é o mais extenso e abrangente dos quatro Evangelhos, apresentando Jesus Cristo como o Homem Perfeito que veio buscar e salvar os pecadores. Fé crescente e oposição crescente se desenvolvem lado a lado. Os que crêem em suas reivindicações são desafiados a assumir o preço do discipulado; os que se opõem a ele não ficarão satisfeitos até que o Filho do Homem penda sem vida numa cruz. A Ressurreição, porém, assegura que seu ministério de buscar e salvar os perdidos continue na pessoa de seus discípulos, uma vez que estejam equipados com seu poder. 3.1. Autor Esse Evangelho foi escrito por Lucas, um médico grego para os seus patrícios que amavam a beleza, a poesia e a cultura. Viviam num mundo de grandes conceitos. Era difícil agradá-los. O Evangelho de Lucas fala do nascimento e da infância de Jesus, dos cânticos inspirados relacionados com a vida de Cristo. Nele encontramos a saudação de Isabel ao receber a visita de Maria (Lc 1.42-45). Também o cântico de Maria (Lc 1.46-55). O próprio Zacarias rompe em louvor ao recuperar o uso da palavra (Lc 1.6879). Ao nascer o Salvador, ressoam as vozes de um coro de anjos (Lc 2.13,14), ouvindo-se, a seguir, o cântico de louvor entoado pelos pastores (Lc 2.20). O grego é o tipo do estudante idealista de hoje em busca da verdade, por crer que ela traz a felicidade. Lucas no seu evangelho deixa claro que ele escreveu aos gentios. Por exemplo, ele apresenta a genealogia humana de Jesus, recuando-a até Adão (Lc 3.23-28) e não até Abraão, conforme fez Mateus (Mt 1.1-17). Em Lucas, Jesus é visto claramente como o Salvador divino–humano, que veio como a provisão divina da salvação para todos os descendentes de Adão. 3.2. Autor e objetivo do Evangelho Entre os quatro evangelistas, é Lucas quem mais se aproxima do conceito atual de historiador. Cuidadoso no seu trabalho, é provável que ao começar a prepará-lo já teve a previsão da publicação de uma obra em dois volumes. O primeiro é o Evangelho que leva o seu nome; o segundo, Atos dos Apóstolos. Com a publicação desses livros, o autor quis transmitir uma mensagem de valor universal: que Jesus, o “Filho do Altíssimo” (1.32), representa o último capítulo do desenvolvimento da humanidade; e que a sua existência terrena, manifesta sob a denominação de “Filho do Homem” (6.22), significa que Deus veio estabelecer o seu Reino entre nós e que nos convida a participar dessa realidade nova e definitiva (17.20-21). Desde o prólogo do Evangelho (1.1-4), Lucas revela uma grande preocupação de referir em detalhes “uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram” (1.1). E mesmo que ele não tinha vivido pessoalmente o acontecimento de Cristo, trata de proclamá-lo “conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram delas testemunhas oculares” (1.2). Com esse objetivo se havia entregue de antemão a uma “acurada investigação de tudo desde sua origem” (1.3). Igualmente, como faria mais tarde ao compor o livro dos Atos dos Apóstolos, também agora dedica Lucas o seu “primeiro livro” (At 1.1) a um personagem de destaque chamado Teófilo, acerca de quem não nos chegou maior informação. Apenas o conhecemos por essas dedicatórias, que na moldura dos seus respectivos prólogos (Lc 1.1-4; At 1.1-5), correspondem às formas literárias usuais entre os escritores gregos de então. Lucas, certamente, preocupou-se em narrar de maneira inteligente e ordenada tudo quanto sabia acerca da pessoa e do ministério de Jesus. Entretanto, não é menos certo que, em sentido estrito, nunca pretendeu escrever uma biografia, senão um Evangelho. A sua intenção não esteve simplesmente orientada para dar a conhecer a vida, as características pessoais e a atividade de Jesus em meio à multiplicidade de situações religiosas, políticas e sociais em que se desenvolve o drama humano. Lucas, o evangelista, escreve desde a fé e para a fé, oferecendo com isso um testemunho pessoal de que Jesus é o Messias que veio a dar cumprimento perfeito ao plano salvador preparado por Deus antes de todos os tempos. 3.3. Data Eruditos que admitem que Lucas usou o Evangelho de Marcos como fonte para escrever seu próprio relato datam Lucas por volta do ano 70 d.C. Outros, entretanto, salientam que Lucas o escreveu antes de Atos, que ele escreveu durante o primeiro encarceramento de Paulo pelos romanos, cerca de 63 d.C. Como Lucas estava em Cesaréia de Filipe durante os dois anos em que Paulo ficou preso lá (At 27.1), ele teria uma grande oportunidade durante aquele tempo para conduzir investigações que ele menciona em 1.1 4. Se for este o caso, então o Evangelho de Lucas pode ser datado por volta de 59-60 d.C., mas no máximo até 75 d.C. 3.4. Características teológicas e literárias O Evangelho Segundo Lucas (= Lc) ajusta-se, em termos gerais, aos esquemas de Mateus e de Marcos. Sendo assim, é preciso acrescentar que Lucas trabalhou e poliu o seu texto com especial esmero. Do ponto de vista literário, grande parte dos materiais redacionais comuns aos três Evangelhos sinóticos encontra-se mais depurada no terceiro Evangelho do que nos dois primeiros. Isso é possível graças ao domínio que Lucas possui do idioma e a riqueza do vocabulário que maneja. A amplitude dos seus recursos estilísticos manifesta-se, inclusive, quando, a fim de reproduzir com fidelidade determinadas formas da fala popular aramaica (sobretudo em discursos de Jesus), introduz conscientemente semitismos ou palavras gregas que se distanciam do habitual nível culto dele. A partir do prólogo, o texto de Lucas pode-se distribuir em cinco seções: A primeira seção (1.5-2.52), sem paralelo em Mateus e Marcos, contém os relatos entrelaçados do nascimento de João Batista e de Jesus. Ocorrem aqui algumas circunstâncias que os tornam semelhantes: a apresentação de dados históricos (1.5 e 2.1-5); a aparição do anjo Gabriel a Zacarias e Maria (1.19 e 1.26); as respectivas mensagens de que o anjo é portador (1.11-20 e 1.26-38); os cânticos de Maria e Zacarias em louvor ao Senhor (1.46-55 e 1.67- 79); o nascimento de João e o de Jesus e a circuncisão de ambos em cumprimento do que foi estabelecido pela Lei Mosaica (1.57-59 e 2.21-24). Começa a segunda seção (3.1-4) situando historicamente (3.1-2) um conjunto de fatos: a pregação e o encarceramento de João Batista (3.1-20), o batismo de Jesus (3.21-22) e a tentação no deserto (4.1-13). Lucas, tal qual Mateus (Mt 1.1-17), insere uma genealogia; mas, em lugar de limitá-la à ascendência hebraica de Jesus, a faz remontar até Adão (3.23-38), para dar ênfase ao caráter universal da obra do Senhor. A terceira seção do Evangelho (4.14-9.50), compreende o ministério público de Jesus na Galiléia, onde ensinou, pregou, reuniu os seus discípulos, curou a enfermos e possessos, fez milagres e anunciou que haveria de sofrer, morrer e ressuscitar. Há aqui textos muito importantes: a parábola do semeador (8.4- 15), a ressurreição da filha de Jairo (8.40-56), a confissão de Pedro (9.18-20) e a transfiguração do Senhor (9.28-36). Também temos aqui relatos que Mateus e Marcos não incluem, como a ressurreição do filho da viúva de Naim (7.11-17) e a visita do Senhor à casa de Simão, o fariseu (7.36- 50). Na quarta seção (9.51-19.27) agrupam-se numerosas passagens exclusivas deste terceiro Evangelho. Entre outras, uma série de parábolas muito conhecidas: o bom samaritano (10.25-37), a figueira estéril (13.6-9), a grande ceia (14.15-24), o filho pródigo (15.11-32), o rico e Lázaro (16.19-31), a viúva e o juiz iníquo (18.1-8), o fariseu e o publicano (18.9-14) e as dez minas (19.11- 27). A quinta seção (19.28-24.53) narra os acontecimentos finais da vida terrena de Jesus. São os seus últimos dias, que têm Jerusalém por cenário único. Todos os fatos ocorrem nessa cidade, desde o dia em que o povo recebe em triunfo o Senhor (19.28-38) até que é preso, processado, crucificado, morto e sepultado. Os sofrimentos, a morte e a ressurreição do Senhor (22.47-24.49) constituem o ponto culminante do relato dos quatro Evangelhos, cada um dos quais traz alguma informação exclusiva que não se encontra nos demais. 3.5. Cristo Revelado Além de apresentar Jesus como o Salvador do mundo, Lucas dá os seguintes testemunhos sobre ele: Jesus é o profeta cujo papel equipara-se ao Servo e Messias (4.24; 7.16,39; 9.19; 24.19) Jesus é o homem ideal, o perfeito salvador da humanidade. O título “Filho do Homem” é encontrado 26 vezes no evangelho. Jesus é o Messias. Lucas não apenas afirma sua identidade messiânica, mas também tem o cuidado de definir a natureza de seu messianismo. Jesus é, por excelência, o Servo que se dispõe firmemente a ir a Jerusalém cumprir seu papel (9.31,51). Jesus é o filho de Davi (20.41-44), o Filho do Homem (5.24) e o Servo Sofredor (4.17-19, que foi contado com os transgressores (22.37). Jesus é o Senhor exaltado. Lucas refere-se a Jesus como “Senhor” dezoito vezes em seu evangelho. Jesus é o amigo dos proscritos humildes. Ele é constantemente bondoso para com os rejeitados. 3.6. O Espírito Santo em ação Há dezesseis referências explicitas ao Espírito Santo, ressaltando sua obra tanto na vida de Jesus quanto no ministério continuo da igreja. Em primeiro lugar: a ação do Espírito Santo é vista na vida de várias pessoas fiéis, relacionadas ao nascimento de João Batista e Jesus (1.35,41,67; 2.25-27), bem como no fato de João ter cumprido seu ministério sob a unção do Espírito Santo (1.15). O mesmo Espírito capacitou Jesus para cumprir seu ministério. Em segundo lugar: O Espírito Santo capacita Jesus para cumprir seu ministério -o Messias ungido pelo Espírito Santo. Nos caps 3 e 4, há cinco referencias ao Espírito, usadas com força progressiva. 1) O Espírito desce sobre Jesus em forma corpórea, como uma pomba (3.22); 2) Ele leva Jesus ao deserto para ser tentado (4.1); 3) Após sua vitória sobre a tentação, Jesus volta para a Galiléia no poder do mesmo (4.14); 4) Na sinagoga de Nazaré, Jesus lê a passagem messiânica: “O Espírito do Senhor está sobre mim...”(4.18; Is 61.1-2), reivindicando o cumprimento nele (4.21). Então; 5) Evidência seu ministério carismático está repleta (4.31-44) e continua em todo seu ministério de poder e compaixão. Em terceiro lugar: O Espírito Santo, através de oração de petição leva a cabo o ministério messiânico. Em momentos críticos daquele ministério, Jesus ora antes, durante ou depois do acontecimento crucial (3.21; 6.12; 9.18,28; 10.21). O mesmo Espírito Santo que foi eficaz através de orações de Jesus dará poder as orações dos discípulos (18.1-8) e ligará o ministério messiânico de Jesus ao ministério poderoso deles através da igreja (24.48.49). Em quarto lugar: O Espírito Santo espalha alegria tanto a Jesus como à nova comunidade. Cinco palavras gregas denotando alegria ou exultação são usadas duas vezes com mais freqüência tanto Lucas como Mateus ou Marcos. Quando os discípulos voltam com alegria de sua missão (10.17), “Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo e disse...” (10.21). Enquanto os discípulos estão esperando pelo Espírito prometido (24.49), “adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a DEUS” (24.52-53). 3.7. Pontos salientes em Lucas 3.7.1. João Batista (3.1-20) A pregação de João é contada nos quatro Evangelhos, (Mt 3.1-12; Mc 1.1-8; Jo 1.6-8,19-28). Lucas é o mais circunstanciado de todos. A história da infância e mocidade de João é resumida numa única frase: “evitava morar em sociedade e vivia na solidão da região selvagem e descampada ao Oeste do Mar Morto”. Sabia desde menino que o Evento dos séculos estava próximo, e que nascera para anunciar sua chegada. Nasceu na cidade de Abraão, fundador da nação cuja finalidade era trazer à luz o Messias; cresceu vendo todos os dias o Monte Nebo, de cujas alturas Moisés divisara, com olhos saudosos, a Terra Prometida, e falara do Messias também prometido; este monte dominava o Jordão, no ponto atravessado por Josué e Jericó, cujos muros ruíram ao buzinar do mesmo; vivia na mesma região onde Amós apascentara seus rebanhos e sonhara com o Rei davídico vindouro que governaria as nações; visitava amiúde o ribeiro de Querite, onde Elias fora alimentado pelos corvos, meditava profundamente na História que estava se encaminhando para o seu clímax, e aguardava a chamada de Deus. Sabendo que seria o Elias profetizado, (1.17; Mt 11.14; 17.10-13; Ml 4.5 (não Elias em pessoa, Jo 1.21), de propósito, talvez, copiou os hábitos e a maneira de trajar daquele profeta. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre, (Mt 3.4). Aqueles, desde os primitivos tempos que se usam como alimento. Assam-se, ou secam-se ao sol, e se comem com grãos tostados. Dizem que têm o sabor de camarão. Quando João tinha 30 anos foi chamado. A nação, gemendo sob as crueldades da servidão romana, ficou eletrizada com a voz estentórea desse eremita esquisito, rude e corajoso, a bradar das ribanceiras do Jordão que o Libertador, de há muito vaticinado, estava às portas. O local de suas pregações era o baixo Jordão, defronte de Jericó, numa das principais encruzilhadas da região e uma das principais vias de acesso a Jerusalém. A ênfase de seus brados era “arrependei-vos”. Suas pregações obtiveram imenso êxito popular. O país inteiro foi sacudido nos seus alicerces. Grandes multidões vinham ao seu batismo, (Mt 3.5). Até Herodes ouviu-o com alegria, (Mc 6.20). Diz Josefo que João “tinha grande influência sobre o povo, que parecia pronto a fazer o que ele aconselhasse.” Aos que se confessavam arrependidos, pedia que se submetessem ao batismo, que foi uma introdução à bela cerimônia do batismo cristão. No auge de sua popularidade, batizou Jesus e proclamou-o Messias. Depois, cumprida a sua missão, com presteza se retirou da cena. Despertara a nação de sua letargia e apresentara-lhe o Filho de Deus. Estava feita a sua obra. No entanto, continuou pregando e batizando por poucos meses, quando se mudou para Enom, na direção do Norte, (Jo 3.23; Mt 3.13-17). Cerca de um ano depois que batizou Jesus, Herodes prendeu a João, para satisfazer ao capricho de uma mulher perversa, (Mt 14.1-5). Foi isto ao encerrar-se o primeiro ministério de Jesus na Judéia, dezembro, (Mt 4.12; Jo 3.22; 4.35). Não se menciona o lugar em que ficou detido, mas supõe-se que foi ou Maquero, a Leste do Mar Morto, ou Tiberias, na praia ocidental do Mar da Galiléia; em ambos os lugares Herodes tinha residência. Foi decapitado mais ou menos pela segunda Páscoa que se seguiu, (Mt 14.12-13; Jo 6.4). Não atinamos com a razão da dúvida de João, (Mt 11.3). Dera um testemunho positivo e de muita fé acerca de ser Jesus o Cordeiro de Deus e o Filho de Deus, (Jo 1.29-34). Mas agora, posto a cismar atrás das paredes do cárcere, estava confuso. Jesus não estava fazendo o que ele julgava que o Messias fizesse. Evidentemente, comungava a idéia popular de um reino Messiânico de caráter político. Deus não lhe revelara tudo com relação à natureza do reino. Mesmo os doze demoraram a aprender isso, e não o compreenderam senão depois da ressurreição. Admitindo que João começou Seu ministério pouco antes de batizar Jesus, provavelmente no verão de 29 d.C., o mesmo durou cerca de um ano e meio, ou menos 30 anos de isolamento. Ano e meio, ou menos, de pregação pública. Um ano e 4 meses na prisão. Depois cerrou-se a cortina. Temos aí breve sumário da vida do homem que introduziu em cena o Salvador do mundo, e de quem Jesus disse ter sido maior que qualquer outro, (Mt 11.11). João não operou milagres, (Jo 10.41). 3.7.2. A mulher pecadora , 7.36-50 Não há a menor base para se identificar esta mulher com Maria Madalena, ou com Maria de Betânia. Esta unção NÃO foi a mesma que houve em Betânia (Jo 12.1-8). Esta mulher, muito conhecida na cidade por sua má reputação, (v.37), era provavelmente uma das meretrizes que se converteram fosse por João Batista, fosse por Jesus, (Mt 21.31-32), e agora, profundamente envergonhada, arrependida e humilhada, vinha protestar francamente sua gratidão a Jesus. Foi na casa de um fariseu. Um banquete no Oriente era mais ou menos aberto ao público. Jesus, meio reclinado num divã, Seu rosto voltado para a mesa, Seus joelhos dobrados, foi acessível à mulher aproximar-se. Chorando, beijando-lhe os pés, banhando-os com o rico perfume e enxugando com os seus cabelos as lágrimas que caíam -a nós, os respeitáveis que somos, ela faz que nos envergonhemos, assim inclinada, em inteira humildade e adoração reconhecida aos pés do seu Senhor. Jesus tinha maneiras muito delicadas com mulheres que haviam errado (Jo 4.18; 8.11). Todavia, ninguém nunca Lhe atribuiu motivos duvidosos, (Jo 4.27). 3.7.3. Outras mulheres, 8.1-3 Nomeiam-se três, além de “muitas outras”. Nada mais se sabe de Susana. Joana era a mulher do procurador de Herodes, oficial do palácio real. Ela pertencia ao grupo dos amigos mais íntimos de Jesus. Estava entre aquelas que foram ao túmulo, (Lc 24.10). 3.7.4. Maria Madalena Maria Madalena era a mais proeminente daquelas mulheres, líder notável entre elas. É mencionada mais do que outra qualquer, e comumente em primeiro lugar: (Mt 27.56,61; 28.1; Mc 15.40,47; 16.1,9; Lc 8.2; 24.10; Jo 19.25; 20.1,18). Foi a que primeiro Jesus apareceu depois de ressurgir. O fato de ser nomeada entre as que “prestavam assistência com os seus bens”, v.3, sugere que era mulher de algumas posses. O ter sido curada de “sete demônios”, v.2, não quer dizer que fosse depravada. Os demônios causavam doenças e mazelas de várias espécies (Mc 5.1-20), mas em parte alguma isso se relaciona com a imoralidade humana. Inquestionavelmente, era uma mulher de caráter inatacável. Ela NÃO foi a pecadora do capítulo precedente. Pode ser recomendável que nós, humanos, façamos entre nós mesmos distinção entre pecados respeitáveis e pecados grosseiros, e estigmatizemos aquelas pessoas culpadas de certas modalidades de pecados vulgares. Assim procedendo, podemos ajudar a salvar nossa sociedade humana da completa ruína. Mas, para Deus, todo pecado é pecado. E, sem dúvida, a Deus tanto custa “perdoar nossos pecados decentes” como aqueles que atraem sobre o pecado r a maldição da sociedade. Uma prostituta ter seus pecados perdoados, e ser aceita na companhia dos salvos é uma coisa, mas seria outra bem diferente colocar logo tal pessoa à frente de uma obra religiosa. 3.7.5. A pena de crucifixão Era com a crucifixão que Roma punia escravos, estrangeiros e os mais vis criminosos, que não fossem cidadãos seus. Era a morte mais agoniada e ignominiosa que uma época de crueldade podia inventar. Batiam-se pregos nas mãos e pés e deixava-se a vítima ali suspensa a agonizar, submetida à fome, à sede intolerável e a convulsões de dores cruciantes. Comumente a morte sobrevinha depois de quatro a seis dias. No caso de Jesus veio depois de seis horas. 3.8. Esboço da história da crucificação 3.8.1. Coordenada à vista das quatro narrativas Às 9 da manhã chegam ao Gólgota. Quando se preparam para cravar as mãos e os pés de Jesus, oferecem-Lhe vinho misturado com fel, como entorpecente, para Lhe diminuir as dores. Ele, porém, recusa beber. O Mestre bendito suportou as dores todas, por nós; amamo-Lo por isso. “Pai, perdoa-lhes: porque não sabem o que fazem”, diz quando O pregam à cruz. É difícil para nós conter a indignação, apenas com a leitura do fato. Quanto mais para Ele. Mas Jesus não tem absolutamente qualquer ressentimento. Admirável domínio próprio! Suas vestes dividem-nas os soldados entre si. Colocam a inscrição “Rei dos Judeus” sobre a Sua cabeça, redigida em três línguas -hebraico, latim e grego - de modo que todos leiam e entendam qual é o crime de que O acusam. É escarnecido, ouve chacotas, é injuriado, vilipendiado pelos principais sacerdotes, anciãos, escribas e soldados. Que multidão de coração duro, desumana, brutal e vil! “Hoje estarás comigo no Paraíso”, diz ao ladrão arrependido, possivelmente depois de uma ou duas horas. “Mulher, eis aí teu filho.” A João, “eis aí tua mãe.” Provavelmente, quando estava perto do meio-dia, após afastar-se a turba dos escarnecedores. Que morte gloriosa! Orou pelos Seus algozes; prometeu o Paraíso ao ladrão; e providenciou um lar para Sua mãe -Seu último ato neste mundo. Trevas, desde o meio-dia às 3 da tarde. Suas primeiras três horas na cruz foram assinaladas por palavras de misericórdia e ternura. Agora, entra na última fase da expiação pelo pecado humano. Talvez as trevas simbolizem o afastamento de Deus, de modo a ser um ato de completa expiação. O que Jesus sofreu naquelas horrendas três horas jamais saberemos neste mundo. Suas quatro últimas frases proferiu-as já expirando. “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Sozinho, sofrendo as dores do inferno, para que não fôssemos parar ali. “Tenho sede.” Febre ardente e sede excruciante acompanhavam a crucifixão. Pode ter significado mais, ver Lc 16.24. Oferecem-Lhe vinagre, que Ele toma, já passadas as dores. “Está consumado.” Exclamação de alívio e gozo triunfais. Está por terra o longo reinado do pecado humano e da morte. “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.” Foi para o Paraíso. Treme a terra, rasga-se o véu, os túmulos se abrem. É a salva de Deus. O centurião crê. As multidões ficam compungidas. “Sangue e água” do lado de Jesus. José e Nicodemos pedem o corpo, para sepultá-lo. Cai a noite sobre o mais negro e mais revoltante crime da História. Evangelho de João 4.1. Introdutório Capítulo 4 O Evangelho de João é singular. Mateus, Marcos e Lucas são chamados Evangelhos Sinóticos porque, a despeito de suas ênfases individuais, descrevem muitos dos mesmos eventos da vida de Jesus de Nazaré. João se volta principalmente para eventos e discursos não comuns aos outros evangelhos, com intuito de provar a seus leitores que Jesus é Deus na carne, a eterna Palavra vinda à terra, que nasceu para morrer como sacrifício oferecido a Deus para tirar o pecado humano. Sete sinais miraculosos provam que “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20.31). Jamais se escreveu um tratado evangélico mais excelente que a narrativa inspirada que João elaborou sobre a vida, morte e ressurreição de Cristo. 4.2. Autoria A tradição que atribui o Evangelho ao filho de Zebedeu (Mc 3.17), remonta ao séc. II. Detalhes indicados no livro o caracterizam como um autêntico judeu palestínico, profundamente religioso e bom conhecedor das tradições e das expectativas do seu povo, um judeu que encontrou em Jesus de Nazaré o Messias esperado, o Salvador e Senhor, “de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas” (1.45; 12.34,38-40; 15.25). No entanto, não contamos com muito mais informação acerca da pessoa deste evangelista. Dirse- ia, melhor, que o mesmo deseja ocultar a sua identidade por trás de um anonimato apenas rompido quando se refere àquele discípulo “a quem ele amava” (13.23; 19.26; 20.2; 21.20), de quem em 21.24 se diz que “dá testemunho a respeito destas coisas e que as escreveu”. João, o apóstolo, era filho de Zebedeu e Salomé e, irmão mais novo de Tiago: Era galileu e aparentemente vinha de uma família abastada (Mc 15.4041). Era uma pessoa de firme caráter a ponto de ser chamado “filho do t rovão” (Mc 3.17). Teve papel importante na igreja primitiva em Jerusalém (At 3.1; 8.14; Gl 2.9). Mais tarde esteve em Éfeso e, por razões desconhecidas, foi exilado na ilha de Patmos (Ap 1.9). 4.3. O prólogo Em João tudo também se conforma a um padrão e propósitos especiais. Não encontramos no prólogo de João genealogia humana, mas em alguns golpes profundo da pena ele nos leva a píncaros mais elevados e sublimes do que qualquer dos outros Evangelhos. Qual a importância da simples antigüidade humana na terra? Para começar, com este Cristo magnífico você deve projetar-se para além da primeira alvorada no tempo, para a eternidade? Antes do mundo ter começado, o Verbo já existia. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens.” Ele não é apenas o “filho de Davi”, ou o “filho de Abraão”, ou o “filho de Adão” - Ele é o Filho de Deus. Ele é o Verbo, e portanto co-eterno com a Mente eterna. Mas para que não seja de modo algum considerado como impessoal, Ele é também o Filho, e portanto co-pessoal com o Pai, Ele não é pessoalmente idêntico ao Pai: absolutamente, como Verbo estava “com Deus”, e como Filho está “no seio do Pai”. Isto também não é tudo: pois, a fim de que não seja julgado essencialmente subordinado ao Pai -como uma palavra do pensamento, ou um filho ao pai -Ele é também a Vida e a Luz. Ele não transmite, simplesmente a Vida, e reflete a Luz -mas “é” a Vida, e “é” a Luz. A Vida está “nEle”. Neste curto preâmbulo, João O descreveu como Verbo, a Luz, a Vida e o Filho. Não é então preciso dizer que é este o aspecto de Cristo que nitidamente se repete através de todo o quarto Evangelho. Tudo é adaptado de modo a salientar a revelação da luz, vida e amor divinos através dEle, que, desde o início, é chamado de Verbo. Como “Luz” Ele revela. Como “Filho” redime. Como “Vida” renova. A humanidade não é obscurecida, mas a ênfase está na Divindade. 4.4. Propósito João deixa claro o propósito do seu Evangelho, em 20.31, a saber: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”. Alguns manuscritos gregos deste Evangelho apresentam, nesta passagem, formas verbais distintas para “crer”. Uns contêm o aoristo subjuntivo (“para que comecem a crer”); outros contêm o presente do subjuntivo (“para que continuem crendo”), No primeiro caso, João teria escrito para convencer os incrédulos a crer em Jesus Cristo e serem salvos. No segundo caso, João teria escrito para consolidar os fundamentos da fé de modo que os crentes continuassem firmes, apesar dos falsos ensinos de então, e assim terem plena comunhão com o Pai e o Filho (cf. 17.3). Estes dois propósitos são vistos no Evangelho segundo João. O autor do quarto Evangelho, como que dialogando figuradamente com os seus futuros leitores, explica-lhes que os sinais milagrosos feitos por Jesus e recolhidos neste livro... foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus... (20.30-31). Esta é a intenção que guia o evangelista a coligir também o conjunto de ensinamentos e discursos reveladores da natureza e razão de ser da atividade desenvolvida por Jesus, o Messias, o Filho unigênito (1.14), enviado pelo Pai para tirar “o pecado do mundo” (1.29) o para dar vida eterna a “todo o que nele crê” (3.13-17). 4.5. Perfil teológico do autor O autor do Evangelho de João (= Jo) apresenta-se, tal qual João Batista, como uma testemunha viva da revelação de Deus. Ninguém jamais viu a Deus (1.18), mas agora deu-se a conhecer por intermédio do seu Filho (19.35; 21.24). Encarnado na realidade humana, o Cristo preexistente e eterno veio conferir à nossa história um novo sentido, uma categoria que excede a toda a nossa capacidade de compreensão e raciocínio. Disso, João Batista prestou um testemunho precursor no começo do ministério público de Jesus. Agora, o faz João, o evangelista, a partir da perspectiva do Cristo que vive apesar da morte, do Senhor que, com a sua morte, venceu o mundo (16.33) e que é vida para todo aquele que o aceita pela fé (11.25-26). A lembrança do Ressuscitado está sempre presente no coração do autor deste Evangelho, como, sem dúvida, ela esteve em cada um dos discípulos que acompanharam o Senhor durante os dias da sua existência terrena (cf. 2.17,22; 12.16; 14.26; 15.20; 16.4). E o acontecimento da ressurreição é como uma linha luminosa que percorre o livro de João desde o princípio até o fim e permite contemplar a figura única e irrepetível do Messias Salvador. Mais que oferecer uma biografia de Jesus no sentido estrito que hoje damos à palavra, João pretende introduzir o leitor numa profunda reflexão acerca da pessoa do Filho de Deus e do mistério da redenção que nele nos tem sido revelado. Em Cristo manifestou-se o amor de Deus, e, por meio dele, o crente tem acesso às moradas eternas (14.2,23), isto é, a uma vida de comunhão com o Pai. 4.6. Particularidades do Evangelho O ponto de partida do quarto evangelista para as suas considerações sobre o Messias não é o mesmo que o de Mateus, Marcos e Lucas. João busca outros enfoques, de maneira que, freqüentemente, se refere a situações e eventos ou inclui palavras, ensinamentos e discursos de Jesus, não testificados pelos sinóticos. Isso permite supor que, provavelmente, João, contando com alguma fonte de informação própria, tenha podido ampliar determinados dados conhecidos e transmitidos por aqueles, admitindo-se sobretudo, que, de acordo com o critério mais amplamente aceito, a redação do quarto Evangelho teve lugar depois da aparição dos outros três, em datas próximas ao final do séc. I. Um aspecto singular deste Evangelho é o persistente interesse em fixar os lugares dos acontecimentos. E curiosamente, enquanto Mateus, Marcos e Lucas dão maior atenção às atividades de Jesus na Galiléia, João fixa-se de modo especial nos fatos que têm lugar em Jerusalém (cf. Jo 2.12; 4.43-54; 6.1; 7.9). Ao mesmo tempo enfatiza que determinadas festas do calendário judaico parecem marcar os momentos escolhidos pelo Senhor para entrar na cidade: a Páscoa (2.23; 11.55), a Festa dos Tabernáculos (7.2), a Festa da Dedicação do Templo (10.22) e, inclusive, uma festa não referida com precisão (5.1). Essa relação simultânea de Jesus com Jerusalém e com as festividades judaicas é um dos elementos de composição que contribuem a dar ao texto deste Evangelho o seu colorido peculiar. Mas não é o único, pois existem outros traços igualmente característicos que é necessário ter presentes. Destacamos entre eles: A linguagem simbólica (p. ex.: o Verbo Jo 1.1; a água: 7.37; o pão: 6.35; a luz: 8.12). As imagens tiradas do Antigo Testamento (p. ex.: o pastor e as ovelhas: 10.1-1 8; cf. Sl 23; a videira e os ramos: 15.1-6; cf. Is 5.1-7). As referências culturais ou à natureza humana; (p. ex.: as bodas em Caná, a personalidade de Nicodemos, a mulher samaritana, o cego de nascimento). 4.7. Cristo revelado O livro apresenta Jesus como ó único Filho gerado por Deus que se tornou carne. Para João, a humanidade de Jesus significava essencialmente uma missão dupla: 1) como o”Cordeiro de Deus (1.29), ele procurou a redenção da humanidade; 2) Através de sua vida e ministério, ele revelou o Pai. Cristo colocou-se coerentemente além de si mesmo perante o Pai que o havia enviado e a quem ele buscava glorificar. Na verdade, os próprios milagres que Jesus realizou como “sinais”, testemunham a missão divina do Filho de Deus. 4.8. O Espírito Santo em ação A designação do Espírito Santo como “Confortador” ou “Consolador” (14.16) é exclusiva de João e significa literalmente “alguém chamado ao lado”. Ele é “outro consolador”, isto é, alguém como Jesus, o que estendeu o ministério de Jesus até o final desta era. Seria um grave erro, entretanto, compreender o objetivo do Espírito apenas em termos daqueles em situações difíceis. Ao contrário,João demonstra que o papel do Espírito abrange cada faceta da vida. Em relação ao mundo exterior de Cristo, ele trabalha como o agente que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (16.8-11). A experiência de ser “nascido no Espírito” descreve o Novo Nascimento (3.6). Como, em essência, Deus é o Espírito, aqueles que o adoram devem fazê-lo espiritualmente, isto é, conforme comandado e motivado pelo ES (4.24). Além disso, em antecipação do Pentecostes, o Espírito torna-se o capacitador divino para o ministério autorizado (20.21-23). João revela a função do ES em continuar a obra de Jesus, guiando os crentes e a um entendimento dos significados, implicações e imperativos do evangelho e capacitando-os a realizar “obras maiores” do que aquelas realizadas por Jesus (14.12). Aqueles que crêem em Cristo hoje podem, assim, enxergá-lo como um contemporâneo, não apenas como uma figura do passado distante. 4.9. Conteúdo No decorrer dos anos têm sido feitos diversos esforços para estabelecer de algum modo a cronologia dos acontecimentos referidos no quarto Evangelho ou para agrupar logicamente os seus elementos literários. Como é evidente que o propósito de João não foi redigir uma crônica, mas criar uma atmosfera de reflexão que conduza o leitor à fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, a composição do livro também deve ser considerada desse ponto de vista. Por outro lado, aquilo que se torna claro num primeiro contato com o texto é a sua divisão em duas grandes seções. Delas, uma chega até o final do cap. 12 e está centrada no ministério público de Jesus; a outra, que compreende os caps. 13-21, narra o acontecido em Jerusalém durante a última semana da vida terrena de Jesus, incluindo a sua paixão e morte e a sua ressurreição. O conjunto de caps. que forma a primeira seção do livro abre-se com um Prólogo (1.1-18) que, com ressonâncias de Gn 1.1, exalta a encarnação da Palavra de Deus, eterna e criadora, na pessoa de Jesus, o Cristo. Junto a outros assuntos, o Evangelho se refere aqui a um total de sete milagres ou sinais realizados pelo Senhor para manifestar a sua glória e para que os seus discípulos cressem nele (2.11; 4.48; 5.18; 6.14,16; 9.35-38; 11.15,40). São os seguintes: 1) A conversão da água em vinho (2.1-11); 2) A cura do filho de um oficial do rei (4.46-54); 3) A cura de um paralítico (5.1-18); 4) A alimentação de uma multidão (6.1-14); 5) Jesus caminha sobre as águas (6.16); 6) A cura de um cego de nascença (9.35-38); 7) A ressurreição de Lázaro (11.1-44). Com respeito a esses atos milagrosos é importante sublinhar o que também se percebe em primeiro lugar na intenção do evangelista, isto é, o seu propósito em destacar o sentido profundo desses milagres como manifestações da atividade messiânica de Jesus. Para dar realce a esse enfoque contribuem os diálogos e discursos que em diversas ocasiões acompanham o relato dos sinais (assim em 5.17-47; 6.25-70; 9.35-10.42; 11.7-16,21-27). A segunda parte do livro mostra Jesus no seu confronto com os poderes públicos, representados particularmente pelas autoridades religiosas dos judeus. Encabeça a seção o lavamento dos pés dos discípulos e a predição da traição de Judas (13.1-30); logo depois há um longo discurso dirigido aos discípulos (14.1-16.33), concluído com uma oração conhecida como “sacerdotal” (17.1-26). Os caps. 18 e 19 contêm o relato da prisão, julgamento, morte e sepultamento de Jesus; e os caps. 20 e 21 são o testemunho que João presta da ressurreição de Jesus e das diversas aparições do Ressuscitado. 4.10. Abordagem peculiar Este é o mais teológico dos quatro Evangelhos. Trata da natureza e da pessoa de Cristo, e do significado da fé nEle. A apresentação que João faz de Cristo como o divino Filho de Deus se vê nos títulos que Jesus recebe no livro: “o Verbo era Deus” (1.1), “o Cordeiro de Deus” (1.29), “o Messias” (1.41), “o Filho de Deus” e “o Rei de Israel” (1.49), “o Salvador do mundo” (4.42), “Senhor”...e Deus” (20.28). Sua divindade também é afirmada na série de pronunciamentos “Eu Sou...” (6.35; 8.12; 10.7,9,11,14; 11.25; 14.6; 15.1,5). Em outros pronunciamentos “Eu Sou”, Cristo deixou implícito e explícita Sua reivindicação de ser o EU SOU -Javé do Antigo Testamento (4.24,26; 8.24,28,58; 13.19). Estas eram as mais fortes reivindicações de divindade que Jesus poderia ter feito. A estrutura e o estilo deste Evangelho são diferentes daqueles dos outros três (os sinópticos). Menciona apenas sete milagres (cinco dos quais não registrados em nenhum dos sinópticos) e registra várias entrevistas pessoais. O autor enfatiza a realidade física da fome, sede, cansaço, dor e morte de Cristo como uma defesa contra a alegação gnóstica de que Jesus não possuíra verdadeira natureza humana. 4.11. Destaques no Evangelho a) Jesus como “o Filho de Deus”. Do prólogo do Evangelho, com sua sublime declaração: “vimos a sua glória” (1.14), até a sua conclusão na confissão de Tomé: “Senhor meu, e Deus meu!” (20.28), Jesus é Deus, o Filho encarnado; b) A palavra “crer” ocorre 98 vezes, equivalente a receber Cristo (1.12). Ao mesmo tempo, esse “crer” requer do crente uma total dedicação a Ele, e não apenas uma atitude mental; c) “Vida Eterna” em João é um conceito-chave, referindo-se não tanto a uma existência sem fim, mas à nova qualidade de vida que provém da nossa união com Cristo, a qual resulta tanto da libertação da escravidão do pecado e dos demônios, como o nosso crescimento contínuo no conhecimento de Deus e na comunhão com Ele; d) Encontro de pessoas com Jesus. Temos neste Evangelho 27 desses encontros individuais assinalados; e) O ministério do Espírito Santo, pelo qual Ele capacita o crente, comunicando-lhe continuamente a vida e o poder de Jesus após sua morte e ressurreição; f) A “verdade”. Jesus é a verdade; o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e a Palavra de Deus é a verdade. A verdade liberta (8.32); purifica (15.3). Ela é a antítese da natureza e atividade de Satanás (8.44-47,51); g) A importância do número sete neste Evangelho: sete sinais, sete sermões e sete declarações “Eu Sou” dão testemunho de quem Jesus é (cf. a proeminência do número “sete” no livro do Apocalipse, do mesmo autor); h) O emprego doutras palavras de destaque como “luz”, “palavra”, “carne”, “amor”, “testemunho”, “conhecer”, “trevas” e “mundo”. 4.12. Pontos salientes em João 4.12.1. O sepultamento José e Nicodemos, membros do Sinédrio, discípulos ocultos – ocultos na hora da popularidade de Jesus, -agora, na hora da Sua humilhação, apareceram ousadamente para partilhar com Ele a vergonha da cruz. Salve, José! Salve, Nicodemos! 4.12.2. A Mortalha sagrada O “Scientific American”, de março 1937, publicou o artigo de um cientista francês a respeito de um lençol de linho que hoje se encontra numa igreja católica de Turim, Itália, que ele acreditava fosse o verdadeiro lençol que envolveu o corpo de Jesus. Deu-o como medindo 4,60 m de comprimento, por 1 m e pouco de largura, contendo imagens negativas da frente e costas do corpo de um homem, indicando que esse homem foi posto numa metade do lençol e que a outra metade foi enrolada no corpo, no sentido do comprimento. As figuras, afirmou ele, não foram pintadas, mas são imagens produzidas por vapores amoniacais resultantes da fermentação da uréia, que se desprende em grande quantidade do suor produzido por sofrimento atroz. Há resíduos de aloés e de partículas de sangue, no lenço. As marcas dos açoites, as feridas das mãos, da cabeça e do lado são perfeitamente visíveis, com evidência de que soro e sangue saíram da lançada. É iniludivelmente a imagem de um homem crucificado, todas as minúcias combinando com o registro bíblico e apresentando o semblante de um homem de nobre aparência. Apareceu primeiro na França, em 1355 d.C., com a notícia de que fora visto em Constantinopla em 1204. Não sabemos com certeza se é uma impostura ou a verdadeira mortalha de Jesus. 4.12.3. O túmulo de Jesus, (19.41-42) “No lugar onde Jesus fora crucificado, havia um jardim, e neste um sepulcro novo, no qual ninguém tinha sido, ainda, posto” Significa que o sepulcro em que Jesus foi sepultado ficava bem perto do lugar onde foi crucificado. O General Christian Gordon, 1881, encontrou, no pé ocidental do “Monte da Caveira um jardim”. Pôs uma turma a cavar e, debaixo de 1,60 m de entulho, achou um túmulo do tempo dos romanos, cavado numa parede de rocha sólida, com um sulco na frente, por onde a pedra rolava para a porta. O túmulo é uma sala de 4,60 m de largura, 3,30 m de fundo, 2,50 m de altura. Ao entrar, vêem-se, à direita, duas sepulturas, uma junto à parede da frente, e outra na do fundo. Ficam um pouco abaixo do nível do piso da sala, separadas por uma parede baixa. A sepultura da frente parece que nunca foi concluída. Tudo indica que só a sepultura do fundo foi alguma vez ocupada, e ainda assim sem indícios de restos mortais. O túmulo é suficientemente grande para acomodar um grupo de mulheres e dois anjos, com espaço à cabeça e aos pés onde um anjo podia sentar-se, (Mc 16.5; Jo 20.12). À direita da porta, vê-se uma janela por onde, ao romper do dia, a luz solar teria penetrado na sepultura ocupada. Cada pormenor destes combina com a narrativa bíblica. Demais disto, segundo Eusébio, o imperador romano Adriano, na perseguição que moveu aos cristãos em 135 d.C., construiu um templo de Vênus sobre o túmulo onde Jesus fora sepultado. Constantino, primeiro imperador cristão d.C., destruiu esse templo. O General Gordon, no entulho que removeu do túmulo, achou uma pedra sagrada da Vênus. Descobriu vestígios de um edifício que fora levantado sobre o dito túmulo. Acima da entrada deste, duas reentrâncias, características dos templos de Vênus. Numa cripta funerária, junto ao túmulo, foi achada uma pedra tumular, inscrita: “Enterrado perto do seu Senhor.” No acúmulo da evidência, parece haver base para a opinião que este túmulo no jardim é o verdadeiro lugar onde Jesus foi sepultado e donde surgiu vivo. Para os cristãos, é o lugar sagrado donde surgiu a garantia da vida eterna. 4.12.4. A ressurreição 4.12.4.1. Jesus aparece a Maria Madalena, (20.11-18) Foi Sua primeira aparição, (Mc 16.9-11). As outras mulheres tinham ido embora. Pedro e João, também. Maria Madalena lá estava só, chorando como se fosse lhe arrebentar o coração. Nada de pensar que Jesus ressuscitara. Ela não ouvira o anjo anunciar que Jesus estava vivo. O próprio Jesus dissera repetidamente que ressuscitaria ao terceiro dia. Fosse como fosse, ela não O compreendera. Mas, oh! quanto O amava! E agora, eis que estava morto. Até o Seu corpo desaparecera. Nesse momento de aflição, Jesus postou-Se ao lado, e chamou-a pelo nome. Ela reconheceu Sua voz e deu um brado em transportes de alegria. Jesus não estava morto, mas vivo! a) Um pouco depois apareceu às outras mulheres, (Mt 28.9-10); b) Naquela tarde apareceu aos dois, (Lc 24.13-32); c) E a Pedro (Lc 24.33-35); d) Jesus Aparece aos Dez, (20.19-25). À tardinha daquele dia, em Jerusalém, Tomé ausente, (v.24). Essa aparição vem registrada três vezes: aqui e em (Mc 16.14 e Lc 24.33-43). Jesus estava no mesmo corpo, ostentando as marcas em suas mãos, pés e lado: e comeu na presença deles. Contudo, podia passar através de paredes, a parecer e desaparecer à vontade. 4.12.4.2. Aparece aos onze, (20.26-29) Uma semana depois, em Jerusalém, Tomé presente. Nenhum crítico moderno poderia ser mais “científico” do que Tomé. 4.12.4.3. A morosidade em crer que Jesus ressuscitara Eles não esperavam isso, apesar de Jesus lhes ter dito repetida e claramente que ressuscitaria ao terceiro dia, (Mt 16.21; 17.9,23; 20.19; 26.2; 27.63; Mc 8.31; 9.31; Lc 18.33; 24.7). Devem ter tomado Suas palavras como parábola de algum sentido misterioso. Quando as mulheres foram ao túmulo, não foi para ver se Ele ressuscitara, mas para Lhe prepararem o corpo, com vistas ao sepultamento definitivo. De todos os discípulos, somente João creu à vista do sepulcro vazio (Jo 20.8). Maria Madalena só pensava numa coisa: que alguém tinha tirado o corpo (Jo 20.8). A notícia das mulheres, de haver Jesus ressuscitado, pareceu aos discípulos como “delírio” (Lc 24.11). Quando os dois, voltando de Emaús, disseram aos onze que Jesus lhes aparecera, “não lhes deram crédito” (Mc 16.13). Pedro relatou que Jesus lhe aparecera (Lc 24.34). Mas ainda não acreditaram (Mc 16.14). Assim, Jesus o predissera reiteradamente. Os anjos o anunciaram. O túmulo estava vazio. O corpo saíra. Maria Madalena viu-0. As outras mulheres viram- No. Cleópas e seu companheiro viram-No. Pedro viu-O. E ainda o grupo, de um modo geral, não acreditava. Parecia-lhe uma coisa incrível. Então, ao aparecer Jesus aos dez naquela noite, lançou-lhes em rosto sua indisposição e dureza de coração para crer naqueles que O haviam visto, Mc 16.14. Ainda pensavam que era apenas um espírito, pelo que os convidou para olhar de perto Suas mãos, lado e pés, e apalpá-Lo. Em seguida, pediu o que comer, e “comeu diante deles”, (Lc 24.28-43; Jo 20.20). Depois de tudo isso, Tomé, taciturno, de cabeça dura, duvidador, estava certo de que havia por aí um engano qualquer, e não creu senão quando pessoalmente viu a Jesus uma semana depois, (Jo 20.24-29). De modo que os que primeiro proclamaram a história da ressurreição de Jesus estavam de todo desprevenidos para crer, determinados a não crer, e chegaram a crer a despeito de si mesmos. Isto torna insustentável qualquer possibilidade de haver essa história surgido de uma imaginação excitada e em expectativa. Não há meio concebível de explicar a origem dessa história, senão que foi um FATO REAL. Também nós um dia, pela graça de Cristo, ressurgiremos. 4.12.4.4. Jesus aparece aos sete Os discípulos estavam agora, de volta, na Galiléia, segundo Jesus lhes ordenara, (Mt 28.7,10; Mc 16.7), a fim de aguardarem novas instruções. Indicara-lhes um certo monte, (Mt 28.16), e, provavelmente, marcara o tempo. Enquanto esperam, voltam à antiga ocupação. Pode ter sido perto, ou no mesmo local onde dois ou três anos antes Jesus pela primeira vez os chamara para serem pescadores de homens, (Lc 5.1-11). Agora, como antes, dá-lhes uma redada miraculosa de peixes. Pode ter tido a intenção de, com isso, darlhes uma idéia simbólica do grande êxito do movimento redentor entre os homens, que em breve iniciariam. “A terceira vez” (v.14), isto é, aos discípulos reunidos, sendo mencionadas as outras em 20.19,26. Contando os indivíduos a quem já aparecera, Maria Madalena, as outras mulheres, os dois, Pedro, era esta a sétima aparição. “Mais do que estes” (v.15). Estes objetos? Ou, estes homens? As formas masculina e neutra do pronome “estes”, no grego, são idênticas. Não há meio de saber-se em que sentido é aí usado. “Amas-me mais do que estes outros discípulos?” Ou, “amas-me mais do que a este negócio de pesca?” Estaria Jesus increpando a Pedro sua tríplice negação? Ou estaria censurando-o, delicadamente, por ter voltado ao negócio da pescaria? Inclinamo-nos a admitir esta segunda hipótese. “Amas-me?” (vv.15,16,17). Jesus emprega o verbo “agapao”. Pedro usa “phileo”. Dois verbos gregos que significam “amar”. “Agapao” exprime um tipo mais elevado de devotamente. Pedro recusa empregá-lo. Na terceira vez Jesus toma a palavra usada pelo apóstolo. “Pastoreia as minhas ovelhas” (vv.15,16,17), três vezes variando na forma. A idéia pode ser mais ou menos esta: “Pedro, amas-ME mais do que a esta pescaria? Então, melhor para ti será dedicares o teu tempo ao cuidado de meu rebanho; à minha empresa, Pedro, antes que à tua”. 4.12.4.5. O ministério do Senhor Pelo fato da população da Palestina nos dias de Cristo ter sido em grande parte Bilingue, segue-se quase necessariamente que o Senhor falava em ambas as línguas. Vemos que ele falava algumas vezes em aramaico pelas suas palavras nessa língua não terem sido retiradas em alguns pontos: “Talita cumi” (Mc 5.41): “Eli, Eli, lemá sabactâni” (Mt 27.46). Na capital, especialmente, ao dirigir-se aos chefes judeus, o Senhor Jesus usaria mais o grego. Que Ele falava é indicado na pergunta que os judeus fizeram entre si depois de Jesus dizer que eles haveriam de procurá-lo, mas não o encontrariam: “Disserem, pois, os judeus uns aos outros: Para onde irá este que não o possamos achar? irá, porventura, para a Dispersão (Judeus) entre os gregos com o fim de os (gregos) ensinar?” (Jo 7.35). Se não estivessem acostumados a ouvir Jesus falar em grego, tal pergunta não seria feita. 4.12.4.6. Finais característicos É interessante notar também a maneira característica em que cada um dos quatro registros termina, e o progresso do pensamento que eles apresentam quando tomamos em conjunto. Mateus finaliza com a ressurreição do Senhor. Marcos avança e termina com sua ascensão. Lucas se adianta mais e encerra com a promessa do Espírito. João completa os quatro, terminando com a promessa do segundo advento. Quão apropriado é que Mateus, o Evangelho do poderoso Messias-Rei, termine com o ato esplêndido de sua ressurreição, a prova culminante de seu caráter messiânico e poder divino! Quão perfeitamente adequado é que Marcos, o Evangelho do servo humilde, se encerre com o Servo exaltado ao lugar de honra! Como soa belo e harmonioso o final de Lucas, o Evangelho do homem ideal, de coração compassivo, ao lermos sobre a promessa do poder que viria do alto! Que conclusão apropriada vemos no fato de João, o Evangelho do Filho Divino, escrito especialmente para a igreja, terminar com a promessa acerca da sua volta, feita pelo Senhor Ressurreto. Propósito conjunto evidenciado pelos quatro Evangelhos faz deles uma obra prima de variedade na unidade. Conclusão Alguns comentários usa muito, por exemplo, o argumento da “redação tardia” dos Evangelhos como uma prova da pouca confiabilidade histórica dos dados neles contidos. Essa é, porém, uma visão muito pobre e incompleta. Para começar, há diversas descobertas recentes que indicam serem os Evangelhos mais antigos do que até há pouco se pensava, já havendo alguns registros escritos desde os primeiros anos após a morte e ressurreição de Jesus. Além disso, é importante lembrar que os textos bíblicos não surgiram do nada, não são textos “originais” do autor, mas são sempre fruto e registro de uma tradição oral já de há muito estabelecida, tendo mesmo sido redigidos com a provável ajuda de escritos avulsos pré-existentes. Portanto, a data de redação de um texto bíblico não significa, em absoluto, que antes daquela data não se falava no assunto. Os relatos evangélicos não devem ser olhados como se fossem uma notícia de jornal ou uma crônica dos acontecimentos nos moldes de hoje. Eles não foram redigidos com pretensões de exatidão matemática, mas isso não significa que os acontecimentos neles narrados não sejam históricos. Significa, sim, que na Bíblia a história é um instrumento, é um meio e não um fim. O mais importante não é a precisão dos dados ou a sua ordem cronológica, e sim a leitura que se deve fazer dos acontecimentos, o significado teológico e catequético neles contido. Portanto, os fatos existem. Deus se revela concretamente na história, na vida das pessoas. A Bíblia não é ficção, e os Evangelhos, em especial, falam de fatos muito concretos, ocorridos num determinado momento da história, e registrados para a posteridade. Só que esses fatos ultrapassam a história, ultrapassam o tempo. Eles revelam uma realidade muito maior do que o conjunto de circunstâncias concretas em que se deram. O evangelista sabe disso, por isso organiza sua narrativa de modo a deixar claro, para o leitor, o papel que aqueles acontecimentos desempenham na vida de todos os homens em todos os tempos. Os evangelhos não foram escritos com a intenção de apresentar uma biografia de Jesus no sentido moderno, mas sim para dar a conhecer a pessoa de Jesus e sua missão, o lugar essencial e preciso que o Filho de Deus ocupa na história de nossa salvação. Para Mateus, que se dirigia especialmente a judeus convertidos ao cristianismo, era importante mostrar a ligação entre a Nova Aliança e a Antiga, mostrar que em Jesus se cumpriam, de fato, as profecias messiânicas do Antigo Testamento, que ele era a continuidade lógica da história de salvação iniciada com Abraão. Era preciso que seus leitores pudessem enxergar que todos os acontecimentos da antiguidade tinham sido uma preparação para o advento de Jesus, que inaugurava um novo tempo e uma nova lei, em substituição à antiga. Em toda a Bíblia está presente essa intenção primordial de ensinar a ouvir a voz de Deus nos acontecimentos e discernir seu significado religioso, mais do que simplesmente relatar fatos. Por isso, os hebreus desenvolveram um gênero literário especialmente propício a isso, chamado midraxe. O midraxe é um relato de fundo histórico, mas que pode ser “enriquecido” com traços fictícios, comentários interpretativos e associações com outros fatos bíblicos, a fim de tornar mais clara a mensagem que o autor deseja apresentar. É uma espécie de comentário teológico sobre os fatos, a fim de se tornem um instrumento catequético. Dentro da maneira de pensar dos judeus antigos, tal recurso literário era lícito e válido, não era visto como “enganação” ou falsificação, como alguns tendem a concluir ao avaliar, anacronicamente, a cultura antiga pelos padrões de hoje. Se os teólogos vêem com clareza essa questão, demonstram às vezes certa falta de cuidado na hora de explicá-la aos fiéis. O Evangelho de Mateus procura apresentar Jesus como o novo Moisés, o novo libertador e legislador que leva à plenitude a antiga Lei, e forma o novo povo de Deus, que é a Igreja. Para enfatizar esse paralelo com Moisés, Mateus interpreta os fatos da infância de Jesus de forma a evidenciar sua relação com as tradições antigas. Assim, Jesus vai ao Egito e de lá regressa, uma vez afastados os seus perseguidores, num paralelo entre Mt 2, 19-21 e Ex 4,19s. Há escritos judaicos antigos (não bíblicos) que dizem terem sido os astrólogos que revelaram ao Faraó o futuro nascimento do libertador de Israel, motivo pelo qual o Faraó mandou matar os bebês hebreus do sexo masculino (Ex 1,16). Há aqui um paralelo com Mt 2,16, onde Herodes manda matar os meninos na esperança de, entre eles, matar também Jesus, cujo nascimento lhe fora igualmente anunciado por astrólogos ou magos (Mt 2.12). Essa semelhança e outras ainda -como a relação entre a estrela vista pelos magos e a profecia de Balaão em Nm 24.17 -mostram a intenção de Mateus de apresentar Jesus como novo Moisés. Isso é o que os teólogos geralmente dizem -e não estão errados. Mas eles deveriam enfatizar mais que tal circunstância não significa, absolutamente, uma falsificação da história. Vários testemunhos de autores pagãos atestam que a expectativa judaica de um Messias encontrava eco também entre povos distantes, tendo sido, sem dúvida, introduzida no Oriente pelos judeus por ocasião do exílio (séc. VI a.C.), e também depois. Por exemplo, o historiador romano Tácito (+120 d.C) escreveu: “Os homens estavam geralmente persuadidos, à luz da fé de antigas profecias, de que o Oriente ia tomar a vanguarda, e, dentro em breve, se veria sair da Judéia aqueles que governariam o universo” (Hist.V.23). Também Zaratustra (séc. VI/VII a.C.), na Pérsia, falava de uma tradição segundo a qual o Bem triunfaria sobre o Mal graças à “verdade encarnada” que devia nascer de uma “virgem que nenhum homem tivesse tocado”. Isso mostra que havia, sim, no Oriente, sábios pagãos capacitados para discernir um sinal enviado por Deus sobre o nascimento do Messias judeu. A estrela, além de ser o símbolo da nação judaica, era imagem comum entre os judeus para designar o aparecimento de um grande homem, podendo representar também um anjo, ou qualquer sinal de que se sirva a Providência para guiar os homens. Sabe-se também que havia, entre os medos e persas, uma casta sacerdotal muito bem conceituada, designada pelo nome de “magos” (o que, em sua língua, significava “sacerdote”), e que se ocupava da adivinhação, astrologia e medicina. Sabe-se, igualmente, que era comum a presença de reis e outras personalidades pagãs em Jerusalém, atraídos -entre outros motivos também pela religião aí praticada. Portanto, a história contada por Mateus não é nenhum absurdo, mas perfeitamente possível, ainda que Mateus possa ter dado forma personalizada a um fato genérico. Não se pode provar que aqueles determinados magos existiram, mas também não se pode provar que não existiram. Na verdade, não há como detectar o limite exato entre os fatos reais e os pormenores que a tradição lhes acrescentou com finalidade catequética, mas é certo que o núcleo essencial é histórico. Agora, quanto à afirmação de que “não eram três e não eram reis”: de fato, o Evangelho não diz que eles eram reis, nem diz quantos eram; só fala em “magos do Oriente”. Nem por isso se pode afirmar com certeza que não eram três ou não eram reis, pois é perfeitamente possível que o fossem. A abordagem mais razoável seria dizer, simplesmente, que não é possível saber se essa tradição retrata a verdade, e que o Evangelho não traz essa informação (nem a desmente). A idéia de que eram três surgiu a partir do número de presentes oferecidos: ouro, incenso e mirra (Mt 2.11). Quanto ao status de reis, deriva provavelmente de diversas profecias messiânicas que dizem que “todos os reis da terra se prostrarão diante dele e lhe pagarão tributo”. A Igreja aplicou, aqui, o mesmo processo catequético usado pelos judeus, permitindo que se formassem e se cultivassem tradições que, sem apresentar pretensões de verdade histórica, ajudam os fiéis a compreender e a celebrar o mistério da Salvação. Isso deve ser entendido e reconhecido como um recurso pedagógico legítimo e saudável, não condenado como sinal de atraso e ignorância. Prova No final do curso, após o estudo das apostilas, você fará uma prova única de conhecimentos gerais.