segunda-feira, 21 de outubro de 2013
NUMEROS
O livro de Números é o relato das escrituras da história dos
israelitas enquanto viajavam no deserto que fica entre o monte
Sinai e a borda oriental de sua terra prometida. Ele cobre mais
de trinta e oito de seus quarenta anos no deserto e explica por
que o Senhor os deixou no deserto por tanto tempo. Nele
aprendemos como o Senhor age em relação a Seus filhos e
como podemos receber as bênçãos que Ele nos prometeu.
O livro chama-se “Números” porque contém relatos de duas
ocasiões em que Moisés “numerou”, ou contou, o povo de
Israel. (Ver Guia para Estudo das Escrituras, “Números”, p. 154.)
Os dois recenseamentos contaram os homens capazes
preparados para a batalha. Israel receberia a terra prometida,
mas precisava reivindicá-la pelo derramamento de sangue. Os
contados no primeiro recenseamento (ver Números 1–4)
fracassaram tragicamente em seu dever, devido à
desobediência. Foi somente na época do segundo
recenseamento (ver Números 26) que Israel estava
suficientemente fiel para ter êxito.
O livro de Números pode ser dividido em três seções:
1. Os capítulos 1–10 contêm instruções e preparativos para a
marcha saindo do Sinai.
2. Os capítulos 11–21 contêm a história da jornada de Israel
pelo deserto.
3. Os capítulos 22–36 contêm um relato do que aconteceu na
margem oriental do rio Jordão.
Números 1–10
Introdução
Além de “numerar”, ou seja, realizar o recenseamento dos
filhos de Israel, Números 1–10 contém instruções adicionais
que se tornariam parte da lei de Moisés e a ordem em que os
israelitas deveriam acampar e marchar. Esses capítulos
também contam como a tribo de Levi foi escolhida para servir
no tabernáculo e como o acampamento de Israel começou sua
marcha do Sinai em direção à terra prometida.
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• O Senhor, Sua obra e Seu reino devem ser o centro de nossa
vida. (Ver Números 2.)
• Só aqueles que foram chamados e ordenados por Deus por
meio de Seus representantes podem realizar ordenanças
aceitáveis. (Ver Números 3:5–13.)
• O verdadeiro arrependimento exige confissão, restituição e
abandono do pecado. (Ver Números 5:5–7; ver também
D&C 58:43.)
• Podemos consagrar-nos ao Senhor por meio de convênios.
(Ver Números 6.)
• O Senhor guia e abençoa Seus filhos obedientes. (Ver
Números 9:15–23.)
Sugestões Didáticas
Números 1–4. A organização do acampamento de Israel
lembrava-lhes de que o Senhor, Sua obra e Seu reino
deveriam estar no centro de sua vida. (30–40 minutos)
Arrume sua sala de aula como o seguinte desenho
“Organização do Acampamento”, referente ao acampamento
de Israel. Coloque um cobertor no meio da sala para
representar o tabernáculo ou desenhe no quadro-negro. Nas
classes com menos de doze alunos cada aluno pode
representar mais de uma tribo. Coloque sinais nas devidas
paredes, indicando o norte, sul, leste e oeste.
Quando os alunos entrarem na sala de aula, dê-lhes boasvindas
ao “acampamento de Israel” entregue um cartão para
cada um com o nome de uma das tribos de Israel. Instrua-os a
sentarem-se com os outros alunos designados à mesma tribo e
a lerem Números 2 juntos. Peça-lhes que descubram onde
ficava a sua tribo no acampamento e que se sentem no lugar
correspondente na sala de aula. Quando todos os alunos
estiverem em seus lugares, explique-lhes que os Israelitas
viajavam pelo deserto do Sinai. Peça-lhes que leiam Números
1 e descubram quantas pessoas estavam na tribo que eles
representam e pergunte a vários alunos:
• Como vocês teriam se sentido se fossem responsáveis pelo
bem-estar de tantas pessoas no meio do deserto?
• Como essa responsabilidade mudaria seu modo de orar e
de buscar a ajuda do Senhor?
Faça as seguintes perguntas ao discutir a organização do
acampamento:
• Qual era o centro do acampamento? (Ver Números 2:2.)
A Organização do Acampamento
Norte
Acampamento de Dã: 157.600
Naftáli Dã Aser
Oeste
Acampamento
de Efraim:
108.100
Manassés
Efraim
Benjamim
Sul
Acampamento de Rúben: 151.450
Simeão Rúben Gade
Leste
Acampamento
de Judá:
166.400
Zebulom
Judá
Issacar
Levi: Filhos de
Merari
Levi:
Filhos
de
Gérson
Levi: Filhos
de Coate
Levi:
Moisés,
Aarão e
Filhos de
Aarão
O Tabernáculo
e a Tenda da
Congregação
O LIVRO DE NÚMEROS
94
LEVITICOS
Como os filhos de Israel não estavam espiritualmente
preparados para receber o Sacerdócio de Melquisedeque e
suas ordenanças, o Senhor os organizou sob o Sacerdócio
Aarônico ou levítico e deu-lhes a lei de Moisés. (Ver Êxodo
32:19; TJS, Êxodo 34:1.) O livro de Levítico, que significa,
“referente aos levitas”, era semelhante a um manual sobre a
maneira de exercer o Sacerdócio Levítico e ministrar as
ordenanças de sacrifícios da lei de Moisés. Ele inclui detalhes
sobre como realizar as ordenanças associadas ao tabernáculo,
que foi erguido e dedicado enquanto Israel vagava errante
pelo deserto. O livro de Levítico também contém algumas
instruções especiais que se aplicam a todas as pessoas.
O processo de santificação é um tema importante no livro de
Levítico. É interessante notar que a palavra santo, ou uma
palavra semelhante como santificar, aparece mais de 150 vezes
em Levítico. Para tornar-nos santos, precisamos primeiro
tornar-nos limpos: livres dos efeitos do pecado e justificados
perante Deus. Mas a santidade é mais do que estar limpo. Ela
inclui o processo de santificação, ou seja, o desenvolvimento
de um caráter divino. A organização geral do livro de Levítico
apresenta um padrão semelhante ao desenvolvimento
espiritual.
• Levítico 1–16 ensina a respeito de tornar-nos limpos e justos
perante Deus por meio da realização de sacrifícios
adequados e pela manifestação de obediência em “ritos e
ordenanças” diários. (Ver Mosias 13:29–30.)
• Levítico 17–27 ensina a respeito dos padrões mosaicos de
santidade que separavam Israel de todos os outros povos.
(Ver Êxodo 19:5–6.) Para mais informações e uma explicação
mais detalhada de Levítico, consulte o Guia para Estudo das
Escrituras, “Levítico”, p. 128.
Levítico 1–16
Introdução
A lei de Moisés foi um “aio, para (…) conduzir [os filhos de
Israel] a Cristo”. (Gálatas 3:24; ver 2 Néfi 25:24.) Levítico 1–16
contém instruções a respeito de alguns dos ritos e ordenanças
da lei que ensinavam princípios do evangelho.
• Os capítulos 1–7 descrevem diversos tipos de sacrifícios que
as pessoas deviam fazer. Esses sacrifícios representavam o
Salvador e Seu sacrifício expiatório.
• Os capítulos 8–10 explicam as exigências feitas aos
sacerdotes para que fossem dignos de realizar os sacrifícios.
• Os capítulos 11–15 explicam várias leis a respeito do que era
limpo e do que era imundo, salientando a importância
disso. Essas leis demonstravam a necessidade de sermos
limpos como indivíduos (ver capítulo 11), como famílias
(ver capítulo 12) e como povo (ver capítulos 13–15.)
• O capítulo 16 é o ponto culminante de todas as leis a
respeito da pureza. Ele dá instruções a respeito do grande
sacrifício purificador que era oferecido todos os anos no Dia
da Expiação.
Ao estudar esses capítulos, procure por que a lei de Moisés é
chamada de uma lei rígida de ritos e ordenanças (ver Mosias
13:29–30), uma lei de mandamentos carnais (ver D&C 84:27), e
um aio (ver Gálatas 3:24.) Observe em particular como o
significado pleno da lei de Moisés era apontar para o grande e
último sacrifício do Filho de Deus. (Ver Alma 34:13–14.)
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Os sacrifícios e ofertas descritos na lei de Moisés
simbolizavam a Expiação de Jesus Cristo. (Ver Levítico 1–7;
ver também Moisés 5:5–8.)
• Para arrepender-se plenamente, uma pessoa precisa sentir
verdadeiro pesar, confessar seus pecados e reparar os erros
que cometeu. (Ver Levítico 1:1–4; 5:5; 6:4–7; ver também
Isaías 1:16–19.)
• As ordenanças do sacerdócio precisam ser realizadas
exatamente como o Senhor as descreveu e por aqueles que
são dignos e ordenados para fazê-lo. (Ver Levítico 8:6–13;
10:1–11.)
• Para achegar-nos a Jesus Cristo precisamos afastar-nos de
tudo o que o Senhor declarou ser imundo. (Ver Levítico
11:44–47; 12–15; ver também Morôni 10:32.)
• A fé que exercemos em Jesus Cristo e no poder de Sua
Expiação ajuda-nos a tornar-nos limpos do pecado e vencer
nosso desejo de pecar. (Ver Levítico 16.)
Sugestões Didáticas
A apresentação 14 do Vídeo do Velho Testamento, “A Lei
de Moisés”, sugere maneiras de ensinar a lei de Moisés.
Ela não foi feita para ser mostrada aos alunos. (Ver Guia de
Vídeo do Velho Testamento, para sugestões didáticas.)
Levítico 1–27. A lei de Moisés ajudava a ensinar os
princípios básicos do evangelho de Jesus Cristo.
Ela centralizava-se em quatro princípios principais: o
sacrifício, a pureza, a separação das coisas do mundo, e
a lembrança. (40–50 minutos)
Leve os ingredientes de uma receita para a sala de aula. Sem
mostrar a receita, peça a um aluno que misture os ingredientes
e faça algo gostoso para a classe. Depois de o aluno debater-se
com o projeto por alguns minutos, discuta como é difícil ou
impossível trabalhar sem uma receita ou um manual de
instruções. Pergunte:
• Quais são algumas das conseqüências de não seguirmos as
instruções?
• Quais são alguns dos benefícios das receitas ou dos
manuais de instruções?
O LIVRO DE LEVÍTICO
87
LEVITICOS
Como os filhos de Israel não estavam espiritualmente
preparados para receber o Sacerdócio de Melquisedeque e
suas ordenanças, o Senhor os organizou sob o Sacerdócio
Aarônico ou levítico e deu-lhes a lei de Moisés. (Ver Êxodo
32:19; TJS, Êxodo 34:1.) O livro de Levítico, que significa,
“referente aos levitas”, era semelhante a um manual sobre a
maneira de exercer o Sacerdócio Levítico e ministrar as
ordenanças de sacrifícios da lei de Moisés. Ele inclui detalhes
sobre como realizar as ordenanças associadas ao tabernáculo,
que foi erguido e dedicado enquanto Israel vagava errante
pelo deserto. O livro de Levítico também contém algumas
instruções especiais que se aplicam a todas as pessoas.
O processo de santificação é um tema importante no livro de
Levítico. É interessante notar que a palavra santo, ou uma
palavra semelhante como santificar, aparece mais de 150 vezes
em Levítico. Para tornar-nos santos, precisamos primeiro
tornar-nos limpos: livres dos efeitos do pecado e justificados
perante Deus. Mas a santidade é mais do que estar limpo. Ela
inclui o processo de santificação, ou seja, o desenvolvimento
de um caráter divino. A organização geral do livro de Levítico
apresenta um padrão semelhante ao desenvolvimento
espiritual.
• Levítico 1–16 ensina a respeito de tornar-nos limpos e justos
perante Deus por meio da realização de sacrifícios
adequados e pela manifestação de obediência em “ritos e
ordenanças” diários. (Ver Mosias 13:29–30.)
• Levítico 17–27 ensina a respeito dos padrões mosaicos de
santidade que separavam Israel de todos os outros povos.
(Ver Êxodo 19:5–6.) Para mais informações e uma explicação
mais detalhada de Levítico, consulte o Guia para Estudo das
Escrituras, “Levítico”, p. 128.
Levítico 1–16
Introdução
A lei de Moisés foi um “aio, para (…) conduzir [os filhos de
Israel] a Cristo”. (Gálatas 3:24; ver 2 Néfi 25:24.) Levítico 1–16
contém instruções a respeito de alguns dos ritos e ordenanças
da lei que ensinavam princípios do evangelho.
• Os capítulos 1–7 descrevem diversos tipos de sacrifícios que
as pessoas deviam fazer. Esses sacrifícios representavam o
Salvador e Seu sacrifício expiatório.
• Os capítulos 8–10 explicam as exigências feitas aos
sacerdotes para que fossem dignos de realizar os sacrifícios.
• Os capítulos 11–15 explicam várias leis a respeito do que era
limpo e do que era imundo, salientando a importância
disso. Essas leis demonstravam a necessidade de sermos
limpos como indivíduos (ver capítulo 11), como famílias
(ver capítulo 12) e como povo (ver capítulos 13–15.)
• O capítulo 16 é o ponto culminante de todas as leis a
respeito da pureza. Ele dá instruções a respeito do grande
sacrifício purificador que era oferecido todos os anos no Dia
da Expiação.
Ao estudar esses capítulos, procure por que a lei de Moisés é
chamada de uma lei rígida de ritos e ordenanças (ver Mosias
13:29–30), uma lei de mandamentos carnais (ver D&C 84:27), e
um aio (ver Gálatas 3:24.) Observe em particular como o
significado pleno da lei de Moisés era apontar para o grande e
último sacrifício do Filho de Deus. (Ver Alma 34:13–14.)
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Os sacrifícios e ofertas descritos na lei de Moisés
simbolizavam a Expiação de Jesus Cristo. (Ver Levítico 1–7;
ver também Moisés 5:5–8.)
• Para arrepender-se plenamente, uma pessoa precisa sentir
verdadeiro pesar, confessar seus pecados e reparar os erros
que cometeu. (Ver Levítico 1:1–4; 5:5; 6:4–7; ver também
Isaías 1:16–19.)
• As ordenanças do sacerdócio precisam ser realizadas
exatamente como o Senhor as descreveu e por aqueles que
são dignos e ordenados para fazê-lo. (Ver Levítico 8:6–13;
10:1–11.)
• Para achegar-nos a Jesus Cristo precisamos afastar-nos de
tudo o que o Senhor declarou ser imundo. (Ver Levítico
11:44–47; 12–15; ver também Morôni 10:32.)
• A fé que exercemos em Jesus Cristo e no poder de Sua
Expiação ajuda-nos a tornar-nos limpos do pecado e vencer
nosso desejo de pecar. (Ver Levítico 16.)
Sugestões Didáticas
A apresentação 14 do Vídeo do Velho Testamento, “A Lei
de Moisés”, sugere maneiras de ensinar a lei de Moisés.
Ela não foi feita para ser mostrada aos alunos. (Ver Guia de
Vídeo do Velho Testamento, para sugestões didáticas.)
Levítico 1–27. A lei de Moisés ajudava a ensinar os
princípios básicos do evangelho de Jesus Cristo.
Ela centralizava-se em quatro princípios principais: o
sacrifício, a pureza, a separação das coisas do mundo, e
a lembrança. (40–50 minutos)
Leve os ingredientes de uma receita para a sala de aula. Sem
mostrar a receita, peça a um aluno que misture os ingredientes
e faça algo gostoso para a classe. Depois de o aluno debater-se
com o projeto por alguns minutos, discuta como é difícil ou
impossível trabalhar sem uma receita ou um manual de
instruções. Pergunte:
• Quais são algumas das conseqüências de não seguirmos as
instruções?
• Quais são alguns dos benefícios das receitas ou dos
manuais de instruções?
O LIVRO DE LEVÍTICO
87
LIVRO DO EXODO (VAICRA-SAIDA)
Êxodo é o segundo dos cinco livros de Moisés. A palavra grega
exodus significa “saída” ou “partida” (ver Guia para Estudo das
Escrituras, “Êxodo”, pp. 82–83) e refere-se ao livramento de
Israel do cativeiro egípcio, efetuado pelo Senhor.
No início de Êxodo, há uma nova dinastia governando o Egito.
Essa dinastia “não conhecera a José” (Êxodo 1:8) e escravizou
os israelitas (ver Êxodo 1:8–11.) Êxodo contém o relato do
modo milagroso com que o Senhor livrou Seu povo do
cativeiro, sob a liderança inspirada do profeta Moisés. (Ver
Êxodo 12:51; Deuteronômio 26:8.) Ele também descreve o
período em que Israel vagou pelo deserto, o recebimento da lei
de Moisés e a construção do tabernáculo.
Êxodo 1–4
Introdução
Os primeiros quatro capítulos de Êxodo apresenta o profeta
Moisés e explica alguns detalhes de seu nascimento, como ele
tornou-se membro da família do Faraó e seu chamado como
profeta. Esses capítulos nos lembram que o Senhor chama e
prepara profetas, revela-Se a eles e dá-lhes os dons necessários
para que cumpram efetivamente seu trabalho.
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Satanás não pode impedir a obra de Deus, o qual zela por
Seu povo e o fortalece em suas aflições, ouve suas orações e
cumpre todas as Suas promessas. (Ver Êxodo 1:7–22; 2:1–10,
23-25; 3:7–10; ver também Gênesis 50:24; Êxodo 12:51; 1
Néfi 22:22–25; D&C 3:1–3.)
• Devemos temer (honrar, obedecer e respeitar) a Deus mais
do que o homem. (Ver Êxodo 1:15–22; ver também D&C
3:7–8.)
• As mulheres têm um papel vital no cumprimento do plano
de felicidade do Pai. (Ver Êxodo 1–2.)
• O Senhor prepara e chama Seus servos para falar Suas
palavras e fazer Suas obras. (Ver Êxodo 2-4; ver também
João 15:16; D&C 1:38.)
• Os profetas do Senhor foram preordenados a realizar
determinadas missões na Terra. (Ver Êxodo 3:7–10; ver
também Jeremias 1:5; 2 Néfi 3:9–10, 17.)
• Os locais em que o Senhor habita são santos e devem ser
tratados com respeito e reverência. (Ver Êxodo 3:5; ver
também D&C 110:7–8.)
Sugestões Didáticas
Êxodo 1–4. O Êxodo pode ser visto como um
símbolo da jornada do homem pela mortalidade e
de volta à presença de Deus. (20–30 minutos)
Nota: Você pode usar toda esta sugestão didática para
apresentar uma visão do livro de Êxodo ou usar parte dela ao
ensinar Êxodo 1–4 e outros blocos de escrituras. Lembre os
alunos de usarem as referências da Tradução de Joseph Smith
que se encontram no Guia para Estudo das Escrituras.
Escreva a palavra Êxodo no quadro-negro e pergunte aos
alunos o que eles acham que está relatado nesse livro.
Incentive-os a procurarem o significado da palavra Êxodo no
Guia para Estudo das Escrituras. Diga aos alunos que o livro de
Êxodo conta a história da “saída” dos israelitas do Egito e sua
jornada pelo deserto até chegarem à terra prometida.
Escreva no quadro-negro A Vida É uma Jornada e examine com
os alunos o plano de salvação do Pai Celestial, ajudando-os a
vê-lo como uma jornada. (Ver o desenho da “Visão Geral do
Plano de Salvação. Sugestão 2”, p. 18.) Você também pode
entregar-lhes folhas de papel e pedir-lhes que desenhem uma
breve representação de sua própria jornada da vida.
Diga aos alunos que o êxodo dos filhos de Israel do Egito para
a terra prometida pode ser visto como uma ilustração ou
símbolo da jornada da humanidade de volta para o Pai
Celestial. Identifique os quatro estágios principais da jornada
de Israel, lendo as escrituras indicadas ao lado de cada um dos
seguintes títulos:
• Cativeiro (ver Êxodo 1:13–14)
• Libertação (ver Êxodo 3:7–8)
• Jornada pelo deserto (ver Êxodo 17:1; 19:1–2)
• Entrada na terra prometida (ver Êxodo 33:1–3)
Faça uma tabela como a seguinte, escrevendo apenas as
referências das escrituras. Leia as referências com a classe e
discuta-as ou designe um estágio a cada aluno ou grupo de
alunos e peça-lhes que relatem o que aprenderam. Preencha a
tabela com os conceitos abordados.
A Jornada Física de A Jornada Espiritual
Israel até a de Israel até o
Terra Prometida Reino Celestial
CATIVEIRO
Êxodo 1:13–14 (Israel estava em 2 Néfi 1:13; Mosias 3:19
cativeiro no Egito.) (O homem natural é escravo do
pecado.)
Êxodo 5:1–2 (Israel sujeitava-se Alma 12:11 (Devido ao pecado
ao Faraó.) tornamo-nos sujeitos a Satanás.)
O LIVRO DE ÊXODO
64
LIVRO DE GÊNESIS (BERESHIT)
OS LIVROS DE GÊNESIS, MOISÉS E ABRAÃO
20
Abraão 3
Introdução
Jeová ordenou que Abraão fosse ao Egito para ensinar o
evangelho. Algum tempo antes de Abraão chegar ao Egito (ver
Abraão 3:15), o Senhor ensinou-lhe as verdades contidas em
Abraão 3–5.
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
•O espírito de todos os homens é eterno. Os espíritos foram
organizados pelo Pai Celestial e viveram com Ele antes de
nascerem aqui na Terra. (Ver Abraão 3:18–23.)
• Jesus Cristo tinha mais inteligência, ou “luz e verdade”
(D&C 93:36), do que todos os outros filhos espirituais do
Pai Celestial, o que O tornou “semelhante a Deus”. (Abraão
3:24; ver vv. 19, 22–24).
• Jesus Cristo foi escolhido para ser o Salvador e Redentor
dos filhos espirituais do Pai Celestial, que concordaram em
seguir o plano do Pai vindo para a Terra. (Ver Abraão
3:24–28.)
• O Profeta Joseph Smith disse: “Todo homem que recebe o
chamado para exercer seu ministério a favor dos habitantes
do mundo foi ordenado precisamente para esse propósito
no grande conselho dos céus, antes que este mundo
existisse”. (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 357; ver
Abraão 3:22–23; ver também D&C 138:55–56.) Todos
precisamos provar-nos fiéis a esses chamados aqui na Terra.
(Ver Abraão 3:25; ver também Alma 13:3–5, 8–10; D&C
121:34–40.)
Sugestões Didáticas
Abraão 3:22–28 (Conhecimento de Escritura,
Abraão 3:22–23.) O conhecimento de quem somos
e por que estamos aqui pode dar-nos mais forças para
enfrentarmos os problemas e termos alegria na vida.
(35–40 minutos)
Nota: Embora você tenha discutido a vida pré-mortal quando
ensinou o plano de salvação, ela deve ser abordada novamente
como parte do livro de Abraão, principalmente a referência de
conhecimento de escritura. O seguinte exercício é uma
atividade que ajudará os alunos a conhecer uns aos outros e
pode ajudar a iniciar um debate sobre Abraão 3.
Escreva Quem Sou Eu? Por Que Estou Aqui? no quadro-negro.
Peça aos alunos que respondam às perguntas escrevendo uma
apresentação de si mesmos para o restante da classe.
Incentive-os a serem criativos e divertidos em suas respostas.
Você pode pedir que façam uma lista de descrições de si
mesmos que responda à primeira pergunta, dizendo que são
uma filha, um amigo, um aluno, um músico, um lavador de
pratos, uma secretária da classe das lauréis.
Depois que os alunos tiverem se apresentado, diga-lhes que o
profeta Abraão aprendeu algumas respostas extremamente
importantes dessas mesmas perguntas. Peça aos alunos que
leiam Abraão 3:22–28 e escrevam as respostas das perguntas
escritas no quadro-negro, indicando os versículos onde
encontraram essas respostas. Faça uma lista das respostas
embaixo de cada pergunta no quadro-negro.
Faça aos alunos as seguintes perguntas:
• Como se sentem a respeito da experiência que teve Abraão?
• Como o conhecimento que Abraão adquiriu nessa revelação
afetou sua vida?
• De que forma sabermos que estivemos naquele conselho no
céu influencia nossas decisões na mortalidade?
O Presidente Ezra Taft Benson disse: “O maior teste da vida é a
obediência a Deus. (Conference Report, abril de 1988, p. 3; ou
Ensign, maio de 1988, p. 4.) Escreva essa declaração no quadronegro
e ajude os alunos a decorarem-na rapidamente. Você
pode fazer um cartaz com essa declaração e colocá-lo na sala
de aula. Ajude os alunos a compreenderem que embora
Abraão tivesse sido escolhido para certos propósitos (ver
Abraão 3:23), ainda assim ele tinha que “provar” a si mesmo
por meio da obediência. (Ver versículo 25.)
Leia a seguinte declaração do Presidente Benson:
Preste seu testemunho de que o conhecimento de quem somos
e por que estamos aqui pode dar-nos forças nos momentos de
tentação e ajudar-nos a ser obedientes a Deus e a provar-nos
fiéis.
“Por quase seis mil anos, Deus guardou vocês para
nascerem nos últimos dias antes da Segunda Vinda.
Todas as dispensações anteriores do evangelho
terminaram em apostasia, mas isso não acontecerá com
a nossa. (…) Deus reservou para a disputa final alguns
de Seus filhos mais fortes, que irão ajudar a fazer com
que o reino triunfe. E é para isso que vocês vieram, pois
vocês são a geração que terá de preparar-se para
encontrar-se com Deus. (…) Não se enganem a esse
respeito: vocês são uma geração escolhida. Nunca foi
esperado tanto dos fiéis em um período de tempo tão
curto quanto o que se espera de nós. (…) Precisamos
tomar muitas decisões individuais a cada dia, as quais
demonstram de que lado estamos. O resultado final já
está determinado: as forças da justiça vencerão no fim.
Falta saber onde cada um de nós estará
individualmente, hoje e no futuro, em relação a essa
batalha, qual será a nossa posição e estatura. Será que
permaneceremos fiéis a nossa missão pré-ordenada
para estes últimos dias?” (Citado por Marvin J. Ashton,
Conference Report, setembro-outubro 1989, p. 48;
INT:ANTIGO TESTAMENTO
Introdução
O Élder Boyd K. Packer disse aos professores do Sistema
Educacional da Igreja:
“É muito proveitoso apresentar uma breve, porém
cuidadosamente organizada, visão geral do curso inteiro bem
no seu início (…)
Essas primeiras aulas, um investimento de tempo tão pequeno
comparativamente falando, possibilitam que os alunos se
localizem ao longo do caminho. Eles podem sentir como será o
curso. Eles irão reter muito mais se souberem como todas as
peças se encaixam, e a luz do aprendizado brilhará muito mais
forte. A visão geral cria uma base de trabalho e vale muito
mais do que o tempo e o esforço que nela foram investidos.”
(The Great Plan of Happiness, discurso para educadores
religiosos, 10 de agosto de 1993, p. 2.)
Despenda algum tempo para desenvolver e ensinar uma
introdução e uma visão geral do Velho Testamento. Ajude seus
alunos a compreenderem a importância do Velho Testamento e
a ansiarem por conhecer as histórias, verdades e pontos de
vista que irão ler e aprender durante o ano letivo. Fortaleça
seu próprio entendimento, bem como o dos alunos, da missão
divina de Jesus Cristo.
O que É o Velho Testamento?
O Velho Testamento é um registro da interação entre Deus e
Seus filhos desde a Criação até aproximadamente 400 a.C. A
palavra que foi traduzida como testamento também pode ser
traduzida como convênio. Um convênio é um relacionamento
especial que uma pessoa ou grupo de pessoas pode estabelecer
com o Senhor. O Senhor determina os termos para as
recompensas (bênçãos, salvação, exaltação) e os esforços
(obediência às regras e mandamentos). Um convênio é
cumprido quando as pessoas guardam suas promessas e
perseveram até o fim com fé, ao passo que o Senhor concede
bênçãos durante a mortalidade e salvação e exaltação depois
que tiver sido cumprido. O Velho Testamento contém
convênios e doutrinas que o Senhor concedeu a Seus filhos a
fim de prepará-los para a vinda do Messias e ensiná-los a
voltar a viver em Sua presença.
O Velho Testamento é uma voz inspirada do passado com
mensagens vitais para os nossos dias. Ele também contém as
raízes históricas e doutrinárias das quais todas as nossas
escrituras derivam e estabelece um alicerce para o
entendimento de quem somos hoje e no que acreditamos. Com
a ajuda da revelação moderna, podemos compreender mais
corretamente e apreciar o Velho Testamento.
Por que Devemos Estudar o Velho
Testamento?
O Presidente Marion G. Romney, Segundo Conselheiro na
Primeira Presidência, disse:
“A mensagem do Velho Testamento é a mensagem de Cristo,
Sua vinda e Sua expiação.(…)Não creio que exista uma
explicação relevante do Velho Testamento que seja mais
simples ou clara do que a de [2 Néfi 25–33]. Parece-me que um
estudo cuidadoso e fervoroso desses capítulos é um fator
essencial para todo aquele que deseje compreender e ensinar a
mensagem do Velho Testamento. Nesses capítulos, Néfi
separou as coisas importantes das que têm pouca importância.
Ele também explicou como esses ensinamentos são
importantes para nós que vivemos nos últimos dias. [Ver 2
Néfi 25:23–26.] (…)
“(…) A mensagem do Velho Testamento é a mensagem da
salvação e os mandamentos que precisamos obedecer a fim de
partilharmos da salvação oferecida”. (“The Message of the Old
Testament”, A Symposium on the Old Testament, 1979, pp. 5–6.)
Profetas antigos e modernos salientaram o valor do Velho
Testamento no processo de ajudar os homens a conhecerem
Deus. O Apóstolo Paulo escreveu para Timóteo, dizendo: “E
desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras (…)”. (II
Timóteo 3:15) As escrituras que Timóteo tinha à sua disposição
continham os escritos que hoje se encontram no Velho
Testamento. Observem o que Paulo disse a respeito dessas
santas escrituras:
• Elas podem tornar um homem “sábio para a salvação”. (II
Timóteo 3:15)
• Elas são “divinamente inspirada[s]”. (V. 16)
• Elas são “proveitosa[s] para ensinar, para redargüir, para
corrigir, para instruir em justiça”. (V. 16)
• Ajudam o justo a tornar-se perfeito e “perfeitamente
instruído para toda a boa obra”. (V. 17)
Uma parte significativa do Livro de Mórmon contém
escrituras e referências do Velho Testamento. O profeta Néfi
ensinou a seu povo muitas verdades tiradas das placas de
latão. Essas placas continham os escritos que hoje se
encontram no Velho Testamento, inclusive os escritos de
Moisés e Isaías. Ele disse que usou esses escritos para:
• Ajudá-los a saber “o que o Senhor havia feito em outras
terras entre os povos antigos”. (1 Néfi 19:22)
• “Melhor persuadi-los a acreditar no Senhor, seu Redentor”.
(V. 23)
• Aplicar as escrituras a eles mesmos, para seu proveito e
instrução. (Ver v. 23.)
INTRODUÇÃO AO VELHO TESTAMENTO
7
LIVRO DE EZEQUIEL
Ezequiel foi levado para a Babilônia por volta de 597 a.C.,
quando o rei Jeoiaquim foi deposto por Nabucodonosor e
levado para o cativeiro. (Ver II Reis 24:6–16.) Foi ali que
Ezequiel recebeu seu chamado como profeta e trabalhou entre
os cativos. (Ver Ezequiel 1:1–3.) Em 587 a.C., os babilônios
destruíram Jerusalém e levaram a maioria de seus habitantes
para a Babilônia. (Ver Ezequiel 24:21–27; II Reis 25.) Ezequiel
continuou a profetizar entre os exilados por pelo menos onze
anos depois dessa ocasião. (Ver Ezequiel 29:17.)
Por meio de Ezequiel, o Senhor transmitiu à rebelde Israel
uma mensagem de advertência, de castigo e de misericórdia,
não deixando dúvida de Sua ira e de Seu desejo de que eles se
arrependessem. O livro de Ezequiel ensina que Deus está no
controle e deseja que todos os Seus filhos se acheguem a Ele.
Ele inclui pelo menos sessenta e cinco referências (com
algumas pequenas variações) à frase “e sabereis que eu sou o
Senhor”. Segue-se uma visão geral do livro de Ezequiel:
1. Introdução: Chamado e comissionamento de Ezequiel. (Ver
Ezequiel 1–3.)
2. Profecias contra Judá e Jerusalém, terminando na queda e
captura de Jerusalém pela Babilônia. (Ver Ezequiel 4–24.)
3. Profecias contra as nações vizinhas de Amom, Moabe,
Edom, Filístia, Tiro, Sidom e Egito. (Ver Ezequiel 25–32.)
4. Profecias sobre a restauração de Israel antes da volta do
Salvador à Terra. (Ver Ezequiel 33–39.)
5. Visões de um futuro templo em Jerusalém e a forma de
adoração nele. (Ver Ezequiel 40–48.)
Ezequiel 1–3
Introdução
Ezequiel 1–3 é um registro de uma visão concedida ao profeta.
Enquanto Jeremias estava pregando sobre a iminente
destruição aos habitantes de Jerusalém, Ezequiel estava
transmitindo a mesma mensagem na Babilônia, alertando o
povo de Judá a abandonar a iniqüidade, caso contrário seriam
destruídos.
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Os líderes do sacerdócio, em especial os profetas, são como
vigias. Eles vigiam e alertam as pessoas de perigos
iminentes. (Ver Ezequiel 3:17–21; 33:1–9; ver também Jacó
1:19–2:11.)
Sugestões Didáticas
Ezequiel 3:17–21. Nossos líderes do sacerdócio são como
vigias. Eles protegem aqueles a quem servem vigiando e
alertando-os de perigos iminentes. (35–45 minutos)
Peça aos alunos que imaginem estar vivendo numa cidade
antiga cercada por uma grande muralha. Pergunte:
• Qual seria o principal propósito da muralha?
• Como a muralha ofereceria proteção?
• Que proteção adicional haveria se a muralha tivesse uma
torre com um vigia trabalhando em tempo integral?
• Que qualificações deveria ter o vigia? (Por exemplo: Estar
sempre alerta, ter boa visão, ter uma voz forte, ter a
capacidade de comunicar-se claramente, e ter maturidade
para avaliar o que constituiria um perigo e o que teria
pequenas conseqüências. Faça uma lista das respostas no
quadro-negro.)
Peça aos alunos que leiam Ezequiel 3:16–17 e identifiquem
quem o Senhor designou como Seu vigia. Leia Ezequiel 1:1–3;
2:1–8 e 3:4–11 e procure o chamado de Ezequiel e algumas de
suas qualificações. Peça aos alunos que estudem Ezequiel
3:18–21 e discutam as responsabilidades de Ezequiel como
vigia da casa de Israel fazendo perguntas como estas:
• No versículo 18, o que o Senhor disse que Ezequiel teria de
dizer ao povo?
O LIVRO DE EZEQUIEL
LIVRO DE JEREMIAS
Jeremias era um levita de Anatote, uma cidade que fica a
alguns quilômetros a nordeste de Jerusalém, no território da
tribo de Benjamim. Ele trabalhou em seu chamado como
profeta desde o reinado do rei Josias até o do rei Zedequias,
num total de quase quarenta anos. Ele foi contemporâneo dos
profetas Habacuque, Sofonias, Leí e outros. (Ver a tabela “Reis
e Profetas de Israel e Judá”, pp. 219–222). Jeremias predisse e
presenciou a queda do reino de Judá e sua conquista pela
Babilônia.
O escritor SUD Sidney B. Sperry escreveu: “Jeremias (…) viu a
idolatria, a adoração nos altos e as práticas das religiões pagãs
se espalharem entre seu povo. Havia ídolos pagãos no templo
[Jeremias 32:34], crianças eram sacrificadas a Baal-Moloque
(7:31; 19:5; 32:35), e Baal era particularmente invocado como a
mais comum deidade pagã. (…) A corrupção da adoração
religiosa no país foi acompanhada de todo tipo de imoralidade
e iniqüidade, contra os quais o profeta testificou
continuamente. Os pobres foram esquecidos. Jeremias viu-se
cercado por todos os lados por quase total apostasia”. (The
Voice of Israel’s Prophets, 1952, p. 153.)
Jeremias, como Mórmon, foi chamado para trabalhar entre um
povo em relação ao qual pouca esperança havia, porque se
recusavam a arrepender-se. “Portanto assim diz o SENHOR:
Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e
clamarão a mim, mas eu não os ouvirei.” (Jeremias 11:11; ver
também Mórmon 2:15.)
À medida que o mundo se torna cada vez mais iníquo e a
Segunda Vinda se aproxima, as profecias referentes a nossos
dias têm uma mensagem semelhante: Sigam o profeta e se
arrependam ou serão destruídos. (Ver Apocalipse 9:20–21; 16:9,
11; D&C 1:11–16; 43:22–27.)
Os profetas Leí e Néfi do Livro de Mórmon tiveram acesso a
algumas das profecias de Jeremias, que foram registradas nas
placas de latão. (Ver 1 Néfi 1:4; 5:13.)
Jeremias 1–19
Introdução
Em Jeremias 1–19, o profeta estabeleceu os alicerces dos
capítulos proféticos e históricos subseqüentes. Esses primeiros
capítulos falam do chamado e preparação de Jeremias e suas
contundentes denúncias da iniqüidade de Israel.
Jeremias não apenas contendeu com um povo rebelde mas
também com muitos falsos profetas que abertamente se
opunham à palavra do Senhor. Ao ler esses capítulos, observe
como Jeremias tentou continuamente salvar seu povo, mesmo
sabendo que eles não se arrependeriam. Pondere o que
podemos aprender com seus esforços incansáveis. (Compare
com Mórmon 3:12.)
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Vivemos com o Pai Celestial antes de virmos para a Terra.
Ele preordenou muitos a cumprirem designações especiais
na Terra. (Ver Jeremias 1:4–5; ver também Alma 13:3; D&C
138:53–56; Abraão 3:22–23.)
• O Senhor apóia Seus servos, mesmo que o povo os rejeite.
(Ver Jeremias 1:6–10, 17–19; 15:15–21; 20:7–13; 26:12–15, 24;
ver também Isaías 54:17; D&C 109:24–29.)
• Freqüentemente os nossos pecados nos punem, tanto
quanto somos punidos por causa deles. (Ver Jeremias 2:19.)
• Aqueles que abandonam o Senhor e buscam a sabedoria e
os prazeres do mundo descobrirão que sua própria
sabedoria não os poderá salvar e seus pecados os
condenarão. (Ver Jeremias 2:13–19.)
• Quanto mais permanecermos no pecado, mais difícil se
torna o arrependimento. A capacidade de arrependimento
pode ser retirada daqueles que persistirem no pecado. (Ver
Jeremias 11:1–11, 21–23; 13:23; 14:10–12; ver também
Helamã 13:38; D&C 101:7.)
• O Senhor abençoa e faz prosperar aqueles que santificam o
Dia do Senhor. (Ver Jeremias 17:21–27.)
Sugestões Didáticas
Jeremias 1:1–11. Na vida pré-mortal, o Pai Celestial
preordenou Jeremias para ser um profeta. (20–25 minutos)
Escreva Jerusalém—cerca de 600 a.C. no quadro-negro. Embaixo,
escreva Leí e _________________. Peça aos alunos que leiam 1
Néfi 1:4. Pergunte o que Néfi disse sobre o número de profetas
que estavam em Jerusalém na mesma época em que Leí esteve
ali. Peça-lhes que leiam 1 Néfi 7:14 e identifiquem o profeta
mencionado por Néfi. Escreva Jeremias no espaço em branco
no quadro-negro.
Peça aos alunos que leiam Jeremias 1:5 e digam o que
aprenderam sobre o chamado de Jeremias como profeta.
Pergunte:
• Quem o chamou para ser um profeta?
• Quando ele foi chamado?
Diga aos alunos que a maioria das pessoas não sabem que
existíamos antes de virmos para a Terra. Leia a seguinte
declaração do Profeta Joseph Smith:
Pergunte aos alunos como podemos descobrir para o que
fomos preordenados a fazer. (Por exemplo, eles podem viver
“Todo homem que recebe o chamado para exercer seu
ministério em favor dos habitantes do mundo, foi
ordenado precisamente para esse propósito no grande
conselho dos céus, antes que este mundo existisse.
Suponho que eu tenha sido ordenado a este ofício
naquele grande conselho.” (Ensinamentos do Profeta
Joseph Smith, p. 357.)
O LIVRO DE JEREMIAS
177
ISAIAS LIVRO
Isaías era o filho de Amós e foi profeta de Jerusalém por
quarenta anos, de 740 a 701 a.C. Ele teve grande influência
religiosa e política durante o reinado de Ezequias, de quem era
o principal conselheiro. Isaías é o mais citado de todos os
profetas, tendo sido freqüentemente citado por Jesus, Paulo,
Pedro e João do que qualquer dos outros profetas do Velho
Testamento.
Existem pelo menos três razões pelas quais o livro de Isaías
tem grande importância para nós. Primeiro, o Salvador deunos
o mandamento de estudarmos diligentemente as palavras
de Isaías. (Ver 3 Néfi 23:1.) Segundo, as escrituras citam Isaías
mais do que qualquer outro profeta. Dezenove dos sessenta e
seis capítulos de Isaías são citados em sua totalidade no Livro
de Mórmon e, com exceção de dois versículos, dois outros
capítulos são citados na íntegra. Dos 1292 versículos de Isaías,
cerca de 430 são citados no Livro de Mórmon, alguns deles
mais de uma vez (totalizando quase 600). Se todas as citações
de Isaías encontradas no Livro de Mórmon fossem transferidas
para um único livro, denominado livro de Isaías, ele seria o
quarto maior livro do Livro de Mórmon, como mostra a
seguinte tabela:
Isaías também é citado 137 vezes no Novo Testamento e 106
vezes em Doutrina e Convênios. Como outros profetas são
freqüentemente citados ou mencionados no livro de Isaías, as
escrituras geralmente são a melhor fonte para ajudar a
compreender Isaías. Por exemplo: Mais da metade dos
versículos de Isaías citados no Livro de Mórmon diferem da
versão do rei Jaime da Bíblia. Essas diferenças ajudam a
esclarecer ou dão outras explicações sobre o significado de
Isaías.
O terceiro motivo pelo qual a mensagem de Isaías é tão
importante para nós é que ela se centraliza na redenção por
intermédio de Jesus Cristo, que foi visto pelo profeta. (Ver
Isaías 6:5; 2 Néfi 11:2.) Néfi decidiu citar os escritos de Isaías
para “melhor persuadir [seu povo] a acreditar no Senhor, seu
Redentor”. (1 Néfi 19:23) Monte S. Nyman, um estudioso SUD,
escreveu: “Dos 425 versículos distintos de Isaías que são
citados no Livro de Mórmon, 391 dizem algo sobre os
atributos ou missão de Jesus Cristo”. (Great Are the Words of
Isaiah, 1980, p. 7.) Uma das maiores funções de um profeta é
prestar testemunho de Cristo (ver Jacó 7:11), e é extremamente
importante estudarmos os ensinamentos dos profetas que
falaram de Cristo. O nome de Isaías, de modo muito
adequado, significa “Jeová salva”.
Para mais informações sobre o profeta Isaías e o livro de Isaías,
ver Guia para Estudo das Escrituras, “Isaías”, pp. 106–107.) Para
encontrar auxílios específicos para compreender o livro de
Isaías, ver a seção especial E de Velho Testamento: I
Reis–Malaquias, pp. 131–135.)
Isaías 1–12
Introdução
Quando Isaías iniciou seu ministério (cerca de 740 a.C.) tanto
Israel quanto Judá estavam sendo ameaçados por inimigos
externos. Seu maior problema, porém, era sua falta de retidão
interna. Isaías transmitiu a mensagem de repreensão do
Senhor ao povo de Judá. Mas sua mensagem também incluía
uma promessa de esperança: Se o povo se arrependesse, se
reconciliaria com o Senhor. Ao ler Isaías 1–12, procure
maneiras pelas quais a mensagem de Isaías para Judá poderia
ser aplicada a nós. (Ver 1 Néfi 19:23.)
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Isaías profetizou acerca da vida e missão de Jesus Cristo.
(Ver Isaías 2:3–12; 6:8; 7:14–16; 9:1–7; ver também 1 Néfi
19:23; Jacó 7:11.)
• O Senhor possibilitou que nos tornássemos completamente
limpos e perdoados de nossos pecados, se nos
arrependermos e guardarmos Seus mandamentos. (Ver
Isaías 1:16–18.)
• O Senhor ensina a Seu povo o caminho da retidão na casa
do Senhor (o templo). O recebimento das ordenanças do
templo e o cumprimento dos convênios que fazemos ali
ajuda-nos a estabelecer Sião e a preparar-nos para encontrar
o Senhor em Sua vinda. (Ver Isaías 2:2–5.)
• O Livro de Mórmon e a Igreja são “estandartes” que
anunciam ao mundo a Restauração do evangelho. (Ver
Isaías 5:26; 11:10–12; ver também 2 Néfi 29:2.)
Sugestões Didáticas
Isaías 1–12. Os profetas dizem o que precisamos
saber e fazer para ter a vida eterna. (20–25 minutos)
O Presidente Ezra Taft Benson, quando era Presidente do
Quórum dos Doze Apóstolos, disse:
2000
1500
1000
500
0
1971
766
695
±600 546 497
433
372
227 199 166
49 30 27 18 15
Alma
Mosias
3 Néfi
Isaías
1 Néfi
Helamã
Éter
2 Néfi
Mórmon
Jacó
Morôni
4 Néfi
Ômni
Enos
Palavras de
Mórmon
Jarom
Número de versículos por livro
Versículos de Isaías no Livro de Mórmon
O LIVRO DE ISAÍAS
164
ECLESIASTES
Introdução
Eclesiastes significa “aquele que convoca uma assembléia”. Às
vezes é traduzido como “pregador”. O livro de Eclesiastes,
juntamente com Jó e Provérbios, é chamado às vezes de
“literatura de sabedoria” e inclui ensinamentos que mostram a
superioridade da sabedoria sobre a insensatez. Além disso,
Eclesiastes é o quarto livro da seção do Velho Testamento
chamada de poéticos. (Ver “Bíblia” no Guia para Estudo das
Escrituras, pp. 30–31.)
O tema central do livro de Eclesiastes é a proposta de que a
vida é vã se não for centralizada em Deus. Conforme escreveu
o pregador: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a
Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever
de todo o homem”. (Eclesiastes 12:13)
Para uma visão geral mais detalhada desse livro, ver Guia para
Estudo das Escrituras, “Eclesiastes”, p. 63, ver também
“Eclesiastes. A Mensagem do Pregador” em Velho Testamento: I
Reis–Malaquias, p. 19.)
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Encontramos paz e felicidade duradoura no evangelho de
Jesus Cristo, não nas realizações ou posses terrenas. (Ver
Eclesiastes 1:1–3, 12–18; 2:1–11; 12:13–14.)
• O plano de salvação determina um tempo ou seqüência
adequada para todos os propósitos de Deus. Encontramos
alegria ao seguirmos o Seu plano. (Ver Eclesiastes 3:10–11.)
Sugestões Didáticas
Eclesiastes 1–12. Se não vivermos próximos do Senhor,
nossa vida será vazia. (30–35 minutos)
Leia a seguinte declaração do Presidente Spencer W. Kimball:
Discuta brevemente com os alunos estas três idéias, usando as
seguintes perguntas:
1. Pensem nas diversas decisões que as pessoas tomam
quando acreditam que não serão responsáveis perante Deus
por suas ações ou que não serão julgadas pelas suas
escolhas.
• Você acha que as escolhas que elas fazem lhes trarão
felicidade duradoura?
• Existem motivos melhores para escolher fazer o certo
além de simplesmente evitar o castigo de Deus?
2. Imaginem que não haja vida após a morte e que nossa
experiência de vida termine quando morremos.
• O que poderia acontecer com as pessoas que lhes
pareçam ser injustas, desleais ou incoerentes?
• Como a compreensão do plano de salvação nos ajuda a
lidar com essas coisas?
3. Pensem em algumas de suas posses materiais favoritas.
• Acreditam que as posses materiais possam trazer
felicidade?
• Geralmente, quanto tempo dura a felicidade baseada em
posses terrenas?
Explique aos alunos que as perguntas que você fez são o
mesmo tipo de perguntas discutidas em Eclesiastes. Diga aos
alunos que o autor de Eclesiastes escreveu a maior parte de
seu livro como se acreditasse que a vida fosse tudo que existe.
Ele usou a palavra vaidade por todo o livro para descrever
aquilo que é sem sentido, temporário ou insatisfatório. Ao
escrever por esse ponto de vista, ele mostrou como a vida seria
frustrante sem o evangelho. Seu estilo ajuda-nos a mostrar que
a vida tem pouco significado ou felicidade, a menos que
sirvamos a Deus e nos prepararemos para o julgamento que
sem dúvida virá para todos os filhos de Deus.
Embora Eclesiastes seja dividido em capítulos, na verdade
trata-se de um único sermão. Para ajudar os alunos a
compreenderem sua mensagem, estude o livro
seqüencialmente.
Peça aos alunos que leiam Eclesiastes 2:1–10 e procurem o que
o autor buscou para tentar encontrar algum sentimento de
alegria ou felicidade duradouro. Pergunte-lhes como se
sentem sobre as coisas que ele buscou. Leia Eclesiastes 1:1–3,
14–15; 2:11, 17–18. Pergunte:
• Como a expressão “debaixo do sol” é uma boa descrição
das coisas terrenas?
• Vocês concordam com sua conclusão de que a vida é cheia
de vaidades: coisas que não proporcionam paz e alegria
duradouras?
Peça aos alunos que leiam a introdução de Eclesiastes 3 em
seu guia de estudo do aluno. Pergunte: Que consolo sentem ao
ler o que é ensinado em Eclesiastes 3:1–8?
“A menos que nosso modo de vida nos aproxime de
nosso Pai Celestial e nosso próximo, haverá um imenso
vazio em nossa vida.” (“The Abundant Life”, Ensign,
julho de 1978, p. 4.)
ECLESIASTES OU O PREGADOR
162
LIVRO DE SALMOS
Antes de estudar o livro dos Salmos, leia a seção especial G,
“Estilos Literários Hebraicos”, em Velho Testamento: Gênesis–II
Samuel, pp. 303–306.) Uma compreensão da natureza da poesia
hebraica irá ampliar imensamente seu apreço pelos salmos. Os
salmos são uma coleção de poemas ou hinos hebraicos, alguns
dos quais eram usados nas cerimônias sagradas formais
(liturgia) no tabernáculo e no templo. Alguns foram escritos
em louvor a Deus; outros eram orações. Alguns foram
evidentemente cantados com o acompanhamento de
instrumentos musicais, enquanto que outros foram cânticos
rituais sem acompanhamento. (Ver Guia para Estudo das
Escrituras, “Salmo”, p. 190; ver também “Quem Escreveu os
Salmos?” em Velho Testamento: Gênesis–II Samuel, pp. 310.)
O título Salmos vem da Septuaginta (a tradução grega da
Bíblia) e significa “hinos”. O nome hebraico para Salmos é
Tequilim, que significa “louvores” ou “hinos de louvor”. Os
salmos foram os hinos da igreja entre os hebreus. Isso explica
por que esse livro é citado mais vezes no Novo Testamento do
que qualquer outro livro do Velho Testamento.
Tradicionalmente, os hebreus dividiam os 150 salmos em cinco
livros distintos. Na Bíblia atual, eles estão divididos da
seguinte forma:
1. Salmos 1–41
2. Salmos 42–72
3. Salmos 73–89
4. Salmos 90–106
5. Salmos 107–150
No final de cada divisão, a interrupção está marcada com uma
doxologia, ou declaração formal do poder e glória de Deus.
(Ver Salmos 41:13; 72:19; 89:52; 106:48.) O Salmo 150 por si só é
uma doxologia, usando a palavra hebraica Aleluia, “Louvado
seja o Senhor”, no início e no final, bem como a palavra louvai
repetida onze vezes. É uma conclusão adequada dos Tequilim,
ou hinos de louvor.
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• O Senhor freqüentemente dá as seguintes bênçãos aos que
colocam sua fé Nele e confiam Nele:
a. Ele irá proteger-nos, defender-nos e livrar-nos. (Ver
Salmos 4:1, 3, 5–6; 5:1–3, 11–12; 7:1–2, 10; 18:1–6, 30–32;
20:6–9; 23:4–5; 37:39–40; 56; 71:1–5; 143:9–12; 145:18–20;
ver também Mosias 7:33.)
b. Ele irá liderar-nos com Sua luz. (Ver Salmos 4:5–6; 18:28;
27:1; 37:3–6. 143: 6–10; ver também João 8:12.)
c. Ele lhes concederá misericórdia e perdão. (Ver Salmos
6:1–9; 13:5; 23:3, 6; 25:1–13; 51; 103:17–18; ver também
Alma 12:33–34; 34:15–18.)
d. Ele compreenderá e nos fortalecerá quando sofrermos.
(Ver Salmos 6:2–10; 22:1–5; 23; 25:15–22; 28:6–9; 38:8–15;
40:1–4, 11–13, 16; 57:1–3; 61; 63:1–8; 69:1–20, 29–36; 86;
130; 142; 146:5–9.)
e. Eles serão coroados com honra e glória. (Ver Salmos 8;
24:3–6; 73:24; 82:6; 84:11–12; 106:1–5; ver também 1 Pedro
5:1–4; D&C 76:92–95; 109:76.)
• Muitos dos Salmos contêm profecias messiânicas ou
descrições da vida e ministério de Jesus Cristo. (Ver Salmos
22; 110; 118.)
• O pecado traz sofrimento e desespero, ao passo que a
obediência e o cumprimento de convênios nos
proporcionam paz na mente e coração. (Ver Salmos 23–25;
34; 51.)
• Podemos adorar a Deus por meio de música sacra, que
pode edificar-nos e ajudar-nos a sentir o Espírito.
Sugestões Didáticas
Salmos 23; 42; 51; 73; 137; 145. Os Salmos expressam
uma ampla gama de emoções humanas. (15–20 minutos)
Você pode tocar para os alunos algumas músicas gravadas de
vários tipos (como uma canção triste, uma música alegre, uma
marcha militar ou um hino sacro.) Em cada música, pergunte
aos alunos:
• Que emoção vocês acham que a música está tentando
expressar?
• Como vocês se sentem ao ouvi-la?
O LIVRO DOS SALMOS
156
LIVRO DE PROVÉRBIOS
Introdução
O livro de Provérbios é uma coleção de declarações curtas e
compactas que expressam verdades sobre o comportamento
humano. É o terceiro livro poético do Velho Testamento. Os
livros de Jó, Salmos, Provérbios e Eclesiastes às vezes são
chamados de livros de sabedoria. Eles contêm menos material
considerado revelação divina e mais atribuídos à sabedoria
humana do que a Lei, a História ou os Profetas. (Ver “Bíblia”,
p. 30, e “Velho Testamento”, pp. 214–215, “Provérbio”, p. 176,
no Guia para Estudo das Escrituras; a introdução aos Provérbios
em Velho Testamento: I Reis–Malaquias, p. 13.)
Os provérbios geralmente são simples e diretos. Exemplos de
provérbios modernos são “De grão em grão a galinha enche o
papo”, “Devagar se vai ao longe” e “Quem não arrisca não
petisca”. Alguns provérbios são mais complexos e de significado
mais obscuro. Apalavra provérbio vem da palavra hebraica
mashal que significa “representar” ou “ser semelhante”.
Existem vários provérbios que se encontram em outros livros
de escrituras. (Ver I Samuel 24:13; Jó 28:28; Ezequiel 18:2.) O
Salvador também usou provérbios em Seus ensinamentos. (Ver
Lucas 4:23; João 16:25.) Os provérbios encontrados no Velho
Testamento podem ser uma fonte de inspiração, conselho e
orientação para os que lerem e ponderarem sua mensagem de
sabedoria. Ao estudar os Provérbios, pondere como seus
ensinamentos podem ser aplicados à vida em nossos dias. Ao
substituir comparações antigas por modernas, freqüentemente
descobrimos que sua sabedoria é tão adequada aos dias de
hoje quanto era na antigüidade.
Alguns Importantes Princípios do Evangelho a
Serem Procurados
• Devemos buscar diligentemente a sabedoria de Deus para
orientar nossa vida. (Ver Provérbios 1:1–7; 2:1–12; 3:13–20;
4:7–8; 16:16.)
• O Senhor guiará a vida daqueles que confiarem Nele. (Ver
Provérbios 1:24–33; 3:5–7.)
• O Senhor Se deleita naqueles que O reverenciam com
virtude, sabedoria e diligência. (Ver Provérbios 31:10–31.)
Sugestões Didáticas
A apresentação 19 do Vídeo do Velho Testamento, “Confia
no Senhor”, usa três analogias para mostrar a
importância de confiarmos no Senhor. (Ver Guia de Vídeo do
Velho Testamento para sugestões didáticas.)
Provérbios 1–31. A sabedoria encontrada no livro de
Provérbios pode ajudar-nos a tomar decisões, responder
dúvidas e compreender importantes verdades. (25–30
minutos)
Peça aos alunos que pensem numa crise, decisão ou problema
importante que tiveram que enfrentar. Depois, pergunte:
• Vocês preferem enfrentar esse tipo de problemas sozinhos
ou seria útil pedir ajuda a outras pessoas para receber
conselho e orientação?
• Em quem vocês confiam quando enfrentam seus problemas
mais difíceis? Por quê?
• Vocês tentam seguir o conselho delas ou têm a tendência de
ignorá-lo?
Ajude os alunos a compreenderem que o livro de Provérbios é
uma coleção de declarações sábias, muitas das quais foram
inspiradas pelo Senhor, que podem ajudar-nos em muitos de
nossos problemas. Leia Provérbios 1:1; 10:1; 25:1; 30:1 e 31:1 e
procure quem foi que escreveu a maior parte do livro de
Provérbios. Leia I Reis 4:29–34 para descobrir quantos
provérbios Salomão escreveu.
Leia para os alunos a informação contida na introdução e
discuta como o estudo do livro de Provérbios pode ser
bastante proveitoso. Peça-lhes que leiam Provérbios 1:1–7;
2:1–12; 3:13–20; 4:7–8; e 16:16. Pergunte:
• O que esses versículos declaram sobre o valor da sabedoria?
• Por que é importante usar de sabedoria em nossas decisões
do dia-a-dia?
• Por que as instruções do Senhor sobre nossos problemas
sempre serão um conselho sábio?
O livro de Provérbios contém muita sabedoria. Peça a cada um
de seus alunos que escolha (ou você pode designar) um capítulo
diferente de Provérbios para ler e escolher um provérbio que
tenha um ponto de vista ou doutrina útil para ser compartilhado
com a classe. Peça-lhes que leiam o provérbio em voz alta e
digam como eles acreditam que ele se relaciona a nós e as
bênçãos que podemos receber se vivermos esse provérbio.
Provérbios 1–31. Todos têm alguma sabedoria que é
suficientemente valiosa para ser compartilhada com
outras pessoas. (25–30 minutos)
Peça aos alunos que pensem numa citação inspiradora favorita
que tenham decorado ou escrito em algum lugar. Pergunte:
• Com que freqüência vocês pensam nessa citação?
• Como ela os ajudou em sua vida?
Explique aos alunos que o livro de Provérbios contém muitas
passagens bastante conhecidas que podem ser úteis se forem
aplicadas à nossa vida. Peça aos alunos que escrevam seus
próprios provérbios seguindo o padrão simples descrito pelo
Élder Boyd K. Packer:
“Jesus, como mestre, ensinou a uma congregação de
pessoas sem cultura os ideais invisíveis e intangíveis do
evangelho. Ao ensinar a fé, o amor, a irmandade e o
arrependimento, Ele empregou a técnica de comparar o
ideal intangível e invisível com um objeto comum e
conhecido com o qual Seus discípulos já estavam
familiarizados. Isso é conhecido como apercepção, e
esta é a fórmula:
OS PROVÉRBIOS
160
MEMORIA.
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
O ESTUDO DA MEMÓRIA ATRAVÉS DE UMA ABORDAGEM
INTERPRETATIVA1
Henrique Fernandes ANTUNES2
RESUMO
O presente trabalho tem o intuito de abordar questões epistemológicas e metodológicas sobre o
estudo da memória. Em um primeiro momento, trata-se de uma reflexão sobre a memória enquanto
um fenômeno social passível de estudo pelas ciências sociais. Partindo dessa perspectiva, será
realizada uma discussão sobre a possibilidade de apreender o fenômeno em pauta a partir de uma
abordagem interpretativa.
Palavras-chave: Memória. Fenômeno social. Abordagem interpretativa.
O intuito do presente trabalho consiste em averiguar a relevância da memória –
entenda-se aqui o seu aspecto social – para as ciências sociais, considerando as implicações
epistemológicas e metodológicas que envolvem seu estudo a partir de uma abordagem
interpretativa.
Em um primeiro momento, a memória diz respeito à questão do indivíduo, ou seja,
ao próprio lócus da memória. Esse enfoque é evidente em Portelli, pois, ao definir a história
oral como a ciência e a arte do indivíduo, pressupõe que a memória está intrinsecamente
ligada à experiência pessoal – pelo menos no caráter fenomenológico –, ao sujeito que
realiza o ato de rememorar.
A História Oral é uma ciência e arte do indivíduo. Embora diga respeito
– assim como a sociologia e a antropologia – a padrões culturais,
estruturas sociais e processos históricos, visa aprofundá-los, em essência,
por meio de conversas com pessoas sobre a experiência e a memória
individuais e ainda por meio do impacto que estas tiveram na vida de
cada uma. (PORTELLI, 1997, p. 15)
Contudo, o autor reconhece que apesar de a memória constituir-se enquanto um
processo essencialmente individual remete ao mesmo tempo a aspectos sociais e padrões
culturais. Em outros termos, a memória compreende dois níveis concomitantemente: um
1 Artigo referente ao primeiro capítulo do Trabalho de Conclusão de Curso, Santo Daime e Memória: uma
abordagem interpretativa, no ano de 2008 pela UNESP - Universidade Estadual Paulista – FFC – Campus de
Marília. Orientadora: Dra. Rosângela de Lima Vieira, professora do departamento de Ciências Sociais da
UNESP-FFC. hictune@yahoo.com
2 Aluno do Bacharelado em Antropologia do curso de Ciências Sociais da UNESP-FFC.
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
320
individual e outro social. O caráter social e cultural da memória é conseqüência da
interação entre indivíduo e meio social, contudo, a apreensão das experiências concretas
através do ato de rememorar, é exclusivamente pessoal. Por isso a existência de
semelhanças, distinções, ou mesmo contradições em relatos e depoimentos acerca de um
acontecimento específico não se caracteriza como fato peculiar para o estudo da memória,
pelo contrário, seu caráter individual impede a possibilidade da existência de memórias
exatamente iguais.
A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato da História Oral
dizer respeito a versões do passado, ou seja, à memória. Ainda que esta
seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social, em última
análise, o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente
pessoais. A memória pode existir em elaborações socialmente
estruturadas, mas apenas os seres humanos são capazes de guardar
lembranças. Se considerarmos a memória um processo, e não um
depósito de dados, poderemos constatar que, à semelhança da linguagem,
a memória é social, tornando-se concreta apenas quando mentalizada ou
verbalizada pelas pessoas. A memória é um processo individual, que
ocorre em um meio social dinâmico, valendo-se de instrumentos
socialmente criados e compartilhados. Em vista disso, as recordações
podem ser semelhantes, contraditórias ou sobrepostas. Porém, em
hipótese alguma, as lembranças de duas pessoas são – assim como as
impressões digitais, ou, bem da verdade, como as vozes – exatamente
iguais. (ibid., p. 16)
Refletindo tal questão, a partir da análise de relatos de membros do culto do Santo
Daime, Goulart ressalta que a existência de distinções em depoimentos que versam sobre o
mesmo tema, ou, até mesmo mais de uma versão sobre determinado evento, não implica a
impossibilidade de uma apreensão dos acontecimentos. Pelo contrário, tais distinções
podem ser apreendidas em um nível menos subjetivo.
(...) gostaria de esclarecer que embora eu esteja separando dois tipos de
relatos, na verdade eles muitas vezes se misturam. Contudo, creio que a
distinção que fiz entre eles ainda é válida. Pois, mesmo no caso de
autênticas versões míticas, pode-se visualizar, nas falas dos nativos,
colagens entre fragmentos das várias versões. Mas isto não significa que,
num outro nível, menos subjetivo, tais distinções não possam ser
apreendidas. (GOULART, 1998, p. 69)
Nesse sentido, o historiador Jacques Le Goff aponta como aspecto corriqueiro a
presença de distinções nas formas de expressões culturais mitológicas comum em
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
321
sociedades tradicionais – principalmente no que tange povos sem escrita –, cuja tradição
oral e a memória, enquanto projeções sociais, representam aspectos constitutivos de grande
importância.
Mas é necessário sublinhar que, contrariamente ao que em geral se crê, a
memória transmitida pela aprendizagem nas sociedades sem escrita não é
uma memória “palavra por palavra”. Goody, provou-o estudando o mito
do Bagre recolhido entro os lodagaas do norte do Gana. Observou as
numerosas variantes nas diversas versões do mito, mesmo nos
fragmentos mais estereotipados. Os homens memória, na ocorrência
narradores, não desempenham o mesmo papel dos mestres-escolas (e a
escola não aparece senão com a escrita). Não se desenvolve em torno
deles uma aprendizagem mecânica automática. Mas, segundo Goody, nas
sociedades sem escrita, não há unicamente dificuldades objetivas na
memorização integral, palavra por palavra, mas também o fato de que
“este gênero de atividade raramente é sentido como necessário”; “o
produto de uma rememoração exata” aparece nestas sociedades como
“menos útil, menos apreciável que o fruto de uma evocação inexata”
(1977 a, p.38). Assim, constata-se raramente a existência de
procedimentos mnemotécnicos nestas sociedades (um dos casos raros é o
quipo peruano, clássico na literatura etnológica). A memória coletiva
parece, portanto, funcionar nestas sociedades segundo uma ‘reconstrução
generativa” e não segundo uma memorização mecânica. Assim, segundo
Goody, “o suporte da rememorização não se situa ao nível superficial em
que opera a memória da ‘palavra por palavra’, nem ao nível das
estruturas ‘profundas’ que numerosos mitólogos encontram [...]. Parece,
ao contrário, que o papel importante cabe à dimensão narrativa e a outras
estruturas da história cronológica dos acontecimentos” (événementielles)
(LE GOFF, 2003, p. 425-426)
Assim, por se tratar de um fenômeno concomitantemente individual e coletivo, a
memória apresenta-se enquanto processo dinâmico em permanente mudança, ligando o
sujeito histórico ao grupo social, e a um momento específico no tempo. Este aspecto dual
leva Diehl a afirmar que a memória é capaz de representar possibilidades de aprendizagem
e de socialização influenciando na construção de uma identificação cultural.
Memória possui contextualidade e é possível ser atualizada
historicamente. Ela possui maior consistência do que lembrança, uma vez
que é uma representação produzida pela e através da experiência.
Constitui-se de um saber, formando tradições, caminhos – como canais
de comunicação entre dimensões temporais –, ao invés de rastros e restos
como no caso da lembrança. A memória pode constituir-se de elementos
individuais e coletivos, fazendo parte de perspectivas de futuro, de
utopias, de consciências do passado e de sofrimentos. Ela possui a
capacidade de instrumentalizar canais de comunicação para a consciência
histórica e cultural, uma vez que pode abranger a totalidade do passado
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
322
num determinado corte temporal. (...) Nesse nível, ela representa
possibilidades de aprendizagem e de socialização, expressando assim
continuidade e identidade daquelas tradições. (DIEHL, 2002, p. 116-117)
É nesse sentido que Nora diferencia memória e história. De acordo com o autor,
enquanto a memória se apresenta enquanto vida, visto que levada adiante por grupos vivos,
encontrando-se em “permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do
esquecimento” (NORA, 1993, p.9), a história apresenta-se enquanto “reconstrução sempre
problemática e incompleta do que não existe mais” (ibid, p. 9). Deste modo, o autor conclui
que “a memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história
uma representação do passado” (ibid, p. 9).
No entanto, cabe ressaltar que o aspecto atual da memória apresenta implicações
importantes sobre seus limites. Enquanto processo em permanente evolução, a memória
apresenta a impossibilidade de apreender os acontecimentos na forma como eles realmente
aconteceram. Contudo, a partir da perspectiva de Sahlins, saber o que realmente aconteceu
não depende apenas de uma descrição das ações e acontecimentos, mas da apreensão do
significado da experiência e das ações.
(...) para saber o que realmente aconteceu, seria insuficiente assinalar que
certas pessoas agiram de certos modos, a não ser que soubéssemos o
significado dessas ações. Aquilo que é contingente só se torna
plenamente histórico quando é significativo: somente quando o ato
pessoal ou efeito ecológico toma um valor de posição ou sistemático em
um esquema cultual. Uma presença histórica é uma presença cultural.
(SAHLINS, 1990, p.144, grifo meu)
A história não é somente a contingência de fatos e acontecimentos, mas o
significado de tais experiências para um grupo determinado. Partindo do princípio que o
significado é parte integrante e fundamental para qualquer evento, este pode então ser
observado a partir de dois planos: enquanto ação individual e enquanto representação
coletiva.
(...) o evento (qualquer evento) se desdobra simultaneamente em dois
planos: como ação individual e como representação coletiva; ou melhor,
como a relação entre certas histórias da vida e uma acima e além dessas
outras. Parafraseando Clifford Geertz, o evento é uma atualização única
de um fenômeno geral (1961:153-54). Assim, por um lado, temos a
contingência histórica e as particularidades da ação individual; e, por
outro, aquelas dimensões recorrentes do evento, onde podemos
reconhecer uma certa ordem cultural. O paradoxo para uma “ciência”
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
323
histórica é que as circunstâncias contingentes – tais como acidentes
biográficos ou geográficos – são condições necessárias. (ibid., p.143-44)
Outra questão que deve ser aprofundada é a relação entre memória e identidade
apontada por Diehl. De acordo com Marcus (1991), a memória individual ou coletiva é
considerada enquanto prova do auto-reconhecimento, em um âmbito local, da identidade.
Contudo, o autor aponta que a compreensão de processos sociais na modernidade envolve
uma desconstrução da concepção de tradições ou vidas comunitárias restritas a um espaço
geográfico definido. Para Marcus, a dificuldade em captar a memória enquanto processo
social remete justamente a inadequação do conceito de comunidade no que tange a
modernidade. Além disso, a erosão da distinção público/privado no que concerne a vida
cotidiana, o deslocamento da oralidade e da narração para outra função além de sua
original ligada a transmissão da memória, são exemplos de fatores apontados por Marcus
que tornam a descrição e compreensão da memória uma tarefa difícil para a modernidade.
O passado que continua presente é construído a partir da memória, que
é o agente fundamental da etno-história. Numa etnografia modernista, a
memória coletiva e individual, nos seus múltiplos sinais e expressões, é
tomada como prova do auto-reconhecimento, ao nível local da
identidade. Ainda que o significado da memória como agente vinculador
e como processo que relaciona a história com a formação da identidade
tenha bastante aceitação junto aos etnógrafos contemporâneos, uma
reflexão analítica e metodológica sobre a memória ainda não se
desenvolveu. Contudo, é mais um fenômeno difuso da modernidade que
permite a compreensão dos processos da diversidade que derivam, não de
tradições enraizadas ou da vida comunitária, mas da sua emergência no
seio de outras associações que se processam na memória coletiva e na
individual. A dificuldade de captar a memória de forma descritiva
enquanto processo social ou coletivo, na modernidade, está relacionada
com a inadequação do conceito de comunidade no que se refere à
conceitualização do plano espacial da etnografia, como apontado acima.
A erosão da distinção público/privado na vida cotidiana (...), aliada ao
deslocamento – na era da informática – da oralidade e da narração de
estórias para outra função além da sua função original de reserva de
memória (tida também como condição da vida na comunidade, como
concebida originalmente), tornam a compreensão e descrição de
qualquer “arte de memorizar” especialmente problemática na
modernidade. (MARCUS, 1991, p. 205-206)
Apesar do estudo da memória na contemporaneidade apresentar questões mais
amplas e complexas, pode-se afirmar, a partir da discussão levantada, que esta origina-se de
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
324
um processo dinâmico de interação entre indivíduo e meio social, ela é coletiva e ao mesmo
tempo individualizada, é viva, pois diz respeito aos sujeitos históricos e à dialética da
lembrança e do esquecimento, é capaz de instrumentalizar canais de comunicação para uma
apreensão histórica e cultural, representa possibilidades de aprendizagem e socialização,
formando tradições e influenciando na construção de identidades. A partir de apreensões
tão complexas, é necessário escolher um caminho a ser seguido para abordar o estudo da
memória.
Não há como trata-la enquanto algo exclusivamente pessoal. Tampouco considerala
apenas um produto social, pois a torna sem substância, retirando o aspecto vivo do
processo de construção da memória. Nem um extremo, nem outro. É fato que a memória se
expressa em ambos os níveis, contudo, no que concerne às ciências humanas – ou, mais
especificamente, às ciências sociais – é seu caráter enquanto fenômeno social, cujas
manifestações podem ser percebidas, apreendidas e analisadas, que importa, pelo menos no
que concerne às ciências sociais.
Pode-se estabelecer um paralelo entre afirmação o caráter social da memória e a
concepção do antropólogo Clifford Geertz acerca da natureza social do pensamento. Para
Geertz:
O pensamento humano é rematadamente social: social em sua origem, em
suas funções, social em suas formas, social em suas aplicações.
Fundamentalmente, é uma atividade pública – seu habitat natural é o pátio
da casa, o local do mercado e a praça da cidade. (GEERTZ, 1989, p. 225)
Assim, é precisamente a concepção do pensar enquanto ato social que apresenta um
papel significativo para as ciências sociais:
(...) a concepção do pensar como sendo basicamente um ato social, que
ocorre no mesmo público em que ocorrem outros atos sociais, pode
desempenhar um papel muito construtivo. A perspectiva de que o
pensamento não consiste em processos misteriosos localizados naquilo
que Gilbert Ryle chamou de gruta secreta na cabeça, mas num tráfico de
símbolos significantes – objetos em experiência (rituais e ferramentas;
ídolos esculpidos e buracos de água; gestos, marcações, imagens e sons)
sobre os quais os homens imprimiram significado – faz do estudo da
cultura uma ciência positiva como qualquer outra. (ibid., p. 227)
A proposição de encarar o pensamento enquanto ato social não anula a questão
individual pelo simples fato de serem os homens que pensam. Contudo, o autor foge da
concepção ingênua que o pensamento é algo estritamente individual ao afirmar que os
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
325
sistemas de símbolos que orientam e definem o pensamento humano “não são dados pela
natureza das coisas – eles são construídos historicamente, mantidos socialmente e aplicados
individualmente” (ibid., p.229).
Adaptando o pensamento de Geertz para o objetivo do presente artigo, porém, sem
deturpá-lo, é possível considerar a memória enquanto um ato social, pois implica
necessariamente um “tráfico de símbolos significantes”, especialmente em se tratando da
memória de um grupo social específico.
Diehl apresenta uma concepção parecida, mas voltada à questão do papel da
memória para a história: “Para a história, não são as memórias e identidades os pontos
centrais, mas as suas respectivas representações nas experiências e expectativas de vida”
(Idem, p. 113). O autor continua: “se pensarmos memória dentro dessa perspectiva, então
ela não aparece como fonte de informações para o conhecimento histórico, mas como
expressão do próprio pensar histórico” (DIEHL, 2002, p. 120).
Com efeito, apreender a memória enquanto expressão do pensar histórico, ou como
tráfico de símbolos significantes possibilita ir além do caráter individual do processo de
rememorização para enfocar suas formas sociais e culturais.
Essa é uma questão epistemológica central. Como algo que está necessariamente
vinculado a experiência individual pode ser objeto de estudo das ciências sociais? Partindo
do princípio que indivíduo percebe, apreende, interpreta, dota de significado e imprime
sentido ao mundo que o cerca a partir do convívio social, é possível encarar a memória
enquanto um ato social, enquanto uma expressão do pensar histórico.
Além da preocupação epistemológica, há questões metodológicas a serem
apontadas. A principal delas consiste em refletir o papel do pesquisador na produção do
conhecimento. Especialmente no caso da memória, o objeto de pesquisa não é palpável, não
é possível visualizá-la, não está presente na realidade social concreta, tampouco se pode
medir ou quantifica-la. Na medida em que não se lida com fatos concretos, é necessário que
o pesquisador admita o caráter interpretativo da pesquisa científica, assumindo em
contrapartida a consciência de sua subjetividade na produção do conhecimento, tendo em
vista que este processo não fornece uma percepção completa de um fenômeno ou garante
acesso à verdade.
A objetividade científica não consiste em nos ausentarmos da cena do
discurso e em simularmos uma neutralidade que é tanto impossível
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
326
quanto indesejável. Essa objetividade consiste, antes, em assumir a tarefa
de interpretação, que cabe aos intelectuais. (...) A responsabilidade pela
interpretação, é óbvio, não chega a reivindicar, para nossas
interpretações, acesso completo e exclusivo à verdade. (PORTELLI,
1997,p. 26-27)
Nessa ótica, Schaff aponta, baseando-se no Trabalho de Pirene, que a produção do
historiador é concomitantemente síntese e hipótese.
O trabalho do historiador, como diz Henri Pirene, é ao mesmo tempo
uma síntese e uma hipótese: uma síntese na medida em que o historiador
tende a reconstituir a totalidade da imagem a partir do conhecimento dos
fatos particulares; uma hipótese na medida em que as relações
estabelecidas entre esses fatos não são nunca absolutamente evidentes
nem verificáveis. (...) Sublinhar o caráter hipotético dos resultados do
trabalho do historiador, é apreender em outros termos o papel que
desempenha o fator subjetivo neste trabalho. (SCHAFF, p. 285)
Tais questões não se encerram no campo da historiografia, pelo contrário, englobam
outros campos das ciências humanas dedicadas aos estudos culturais. Retomando o
pensamento de Geertz, que chega ao ponto de afirmar sobre a produção de textos
antropológicos, que estes se enquadram enquanto ficções, não por constituírem-se enquanto
proposições falsas, mas por tratar-se interpretações e construções orientadas com o intuito
de apresentar uma descrição acerca do objeto de estudo. Nas palavras do autor:
Resumindo, os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e,
na verdade, de segunda e terceira mão. (Por definição, somente um
“nativo” faz a interpretação em primeira mão: é a sua cultura.) Trata-se,
portanto, de ficções; ficções no sentido de que são “algo construído”,
“algo modelado” – o sentido original de fictio – não que sejam falsas,
não-fatuais ou apenas experimentos do pensamento. (GEERTZ, 1989,
p.11)
Assim, o autor chega à conclusão que a descrição etnográfica apresenta
necessariamente três características, a saber: “ela é interpretativa; o que ela interpreta é o
fluxo do discurso social e a interpretação envolvida consiste em tentar salvar o “dito” num
tal discurso da sua possibilidade de extinguir-se e fixá-lo em formas pesquisáveis” (ibid., p.
15)
Considerando a discussão levantada, é inevitável que qualquer pesquisa que se
pretenda realizar carregue certo grau de subjetividade. Nas ciências humanas
principalmente, esse pressuposto pode ser contrabalançado por uma abordagem
interpretativa. No caso do estudo da memória, as opções epistemológicas e metodológicas
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
327
remetem a um grau de subjetividade que envolve não somente tais escolhas, mas a forma
como a pesquisa é levada a cabo. Nesse âmbito, a perspectiva interpretativa possibilita ao
pesquisador certo grau de objetividade na medida em que parte do princípio que o trabalho
intelectual é uma construção que, em momento algum, pretende reivindicar para si a posse
de uma verdade definitiva.
O presente artigo teve como objetivo principal discutir questões relevantes ao
estudo da memória na contemporaneidade, apontando alguns pontos básicos e problemas
levantados por autores que pensam a memória na modernidade. O intuito seria, partilhando
da concepção de Geertz, de uma abertura nas possibilidades de apreender as relações
sociais e simbólicas que os seres humanos constroem ao interagirem socialmente. Nesses
termos, um trecho da obra do autor exprime a intenção primeira do texto.
A antropologia, ou pelo menos a antropologia interpretativa, é uma
ciência cujo progresso é marcado menos por uma perfeição de consenso
do que um refinamento do debate. (...) não há conclusões a serem
apresentadas; há apenas uma discussão a ser sustentada. (ibid, 1989,
p.38)
REFERÊNCIAS
DIEHL, Astor Antonio. Cultura historiográfica: memória, identidade e representação.
Bauru, SP: EDUSC, 2002.
GEERTZ, Clifford. A Interpretação das culturas. Rio de Janeiro:Livros Técnicos e
Científicos Editora S.A., 1989.
GOULART, Sandra Lúcia. As raízes culturais do Santo Daime. Tese (mestrado em
antropologia social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Unicamp, 2003.
MARCUS, George. Identidades passadas, presentes e emergentes: requisitos para
etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial. Revista de
Antropologia, v. 34, 1991.
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
328
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História , 10.
História e Cultura: São Paulo – PUC/SP, 1993.
PORTELLI, Alessandro. Tentando aprender um pouquinho: algumas reflexões sobre a
ética na História Oral. Projeto História 15. São Paulo, 1997.
SAHLINS, Marshall. Ilhas de História. Rio de Janeiro: Zahar, 1990.
SCHAFF, Adam. História e verdade. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
ARTIGO RECEBIDO EM 2008
ESTUDO DA MEMORIA
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
O ESTUDO DA MEMÓRIA ATRAVÉS DE UMA ABORDAGEM
INTERPRETATIVA1
Henrique Fernandes ANTUNES2
RESUMO
O presente trabalho tem o intuito de abordar questões epistemológicas e metodológicas sobre o
estudo da memória. Em um primeiro momento, trata-se de uma reflexão sobre a memória enquanto
um fenômeno social passível de estudo pelas ciências sociais. Partindo dessa perspectiva, será
realizada uma discussão sobre a possibilidade de apreender o fenômeno em pauta a partir de uma
abordagem interpretativa.
Palavras-chave: Memória. Fenômeno social. Abordagem interpretativa.
O intuito do presente trabalho consiste em averiguar a relevância da memória –
entenda-se aqui o seu aspecto social – para as ciências sociais, considerando as implicações
epistemológicas e metodológicas que envolvem seu estudo a partir de uma abordagem
interpretativa.
Em um primeiro momento, a memória diz respeito à questão do indivíduo, ou seja,
ao próprio lócus da memória. Esse enfoque é evidente em Portelli, pois, ao definir a história
oral como a ciência e a arte do indivíduo, pressupõe que a memória está intrinsecamente
ligada à experiência pessoal – pelo menos no caráter fenomenológico –, ao sujeito que
realiza o ato de rememorar.
A História Oral é uma ciência e arte do indivíduo. Embora diga respeito
– assim como a sociologia e a antropologia – a padrões culturais,
estruturas sociais e processos históricos, visa aprofundá-los, em essência,
por meio de conversas com pessoas sobre a experiência e a memória
individuais e ainda por meio do impacto que estas tiveram na vida de
cada uma. (PORTELLI, 1997, p. 15)
Contudo, o autor reconhece que apesar de a memória constituir-se enquanto um
processo essencialmente individual remete ao mesmo tempo a aspectos sociais e padrões
culturais. Em outros termos, a memória compreende dois níveis concomitantemente: um
1 Artigo referente ao primeiro capítulo do Trabalho de Conclusão de Curso, Santo Daime e Memória: uma
abordagem interpretativa, no ano de 2008 pela UNESP - Universidade Estadual Paulista – FFC – Campus de
Marília. Orientadora: Dra. Rosângela de Lima Vieira, professora do departamento de Ciências Sociais da
UNESP-FFC. hictune@yahoo.com
2 Aluno do Bacharelado em Antropologia do curso de Ciências Sociais da UNESP-FFC.
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
320
individual e outro social. O caráter social e cultural da memória é conseqüência da
interação entre indivíduo e meio social, contudo, a apreensão das experiências concretas
através do ato de rememorar, é exclusivamente pessoal. Por isso a existência de
semelhanças, distinções, ou mesmo contradições em relatos e depoimentos acerca de um
acontecimento específico não se caracteriza como fato peculiar para o estudo da memória,
pelo contrário, seu caráter individual impede a possibilidade da existência de memórias
exatamente iguais.
A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato da História Oral
dizer respeito a versões do passado, ou seja, à memória. Ainda que esta
seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social, em última
análise, o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente
pessoais. A memória pode existir em elaborações socialmente
estruturadas, mas apenas os seres humanos são capazes de guardar
lembranças. Se considerarmos a memória um processo, e não um
depósito de dados, poderemos constatar que, à semelhança da linguagem,
a memória é social, tornando-se concreta apenas quando mentalizada ou
verbalizada pelas pessoas. A memória é um processo individual, que
ocorre em um meio social dinâmico, valendo-se de instrumentos
socialmente criados e compartilhados. Em vista disso, as recordações
podem ser semelhantes, contraditórias ou sobrepostas. Porém, em
hipótese alguma, as lembranças de duas pessoas são – assim como as
impressões digitais, ou, bem da verdade, como as vozes – exatamente
iguais. (ibid., p. 16)
Refletindo tal questão, a partir da análise de relatos de membros do culto do Santo
Daime, Goulart ressalta que a existência de distinções em depoimentos que versam sobre o
mesmo tema, ou, até mesmo mais de uma versão sobre determinado evento, não implica a
impossibilidade de uma apreensão dos acontecimentos. Pelo contrário, tais distinções
podem ser apreendidas em um nível menos subjetivo.
(...) gostaria de esclarecer que embora eu esteja separando dois tipos de
relatos, na verdade eles muitas vezes se misturam. Contudo, creio que a
distinção que fiz entre eles ainda é válida. Pois, mesmo no caso de
autênticas versões míticas, pode-se visualizar, nas falas dos nativos,
colagens entre fragmentos das várias versões. Mas isto não significa que,
num outro nível, menos subjetivo, tais distinções não possam ser
apreendidas. (GOULART, 1998, p. 69)
Nesse sentido, o historiador Jacques Le Goff aponta como aspecto corriqueiro a
presença de distinções nas formas de expressões culturais mitológicas comum em
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
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sociedades tradicionais – principalmente no que tange povos sem escrita –, cuja tradição
oral e a memória, enquanto projeções sociais, representam aspectos constitutivos de grande
importância.
Mas é necessário sublinhar que, contrariamente ao que em geral se crê, a
memória transmitida pela aprendizagem nas sociedades sem escrita não é
uma memória “palavra por palavra”. Goody, provou-o estudando o mito
do Bagre recolhido entro os lodagaas do norte do Gana. Observou as
numerosas variantes nas diversas versões do mito, mesmo nos
fragmentos mais estereotipados. Os homens memória, na ocorrência
narradores, não desempenham o mesmo papel dos mestres-escolas (e a
escola não aparece senão com a escrita). Não se desenvolve em torno
deles uma aprendizagem mecânica automática. Mas, segundo Goody, nas
sociedades sem escrita, não há unicamente dificuldades objetivas na
memorização integral, palavra por palavra, mas também o fato de que
“este gênero de atividade raramente é sentido como necessário”; “o
produto de uma rememoração exata” aparece nestas sociedades como
“menos útil, menos apreciável que o fruto de uma evocação inexata”
(1977 a, p.38). Assim, constata-se raramente a existência de
procedimentos mnemotécnicos nestas sociedades (um dos casos raros é o
quipo peruano, clássico na literatura etnológica). A memória coletiva
parece, portanto, funcionar nestas sociedades segundo uma ‘reconstrução
generativa” e não segundo uma memorização mecânica. Assim, segundo
Goody, “o suporte da rememorização não se situa ao nível superficial em
que opera a memória da ‘palavra por palavra’, nem ao nível das
estruturas ‘profundas’ que numerosos mitólogos encontram [...]. Parece,
ao contrário, que o papel importante cabe à dimensão narrativa e a outras
estruturas da história cronológica dos acontecimentos” (événementielles)
(LE GOFF, 2003, p. 425-426)
Assim, por se tratar de um fenômeno concomitantemente individual e coletivo, a
memória apresenta-se enquanto processo dinâmico em permanente mudança, ligando o
sujeito histórico ao grupo social, e a um momento específico no tempo. Este aspecto dual
leva Diehl a afirmar que a memória é capaz de representar possibilidades de aprendizagem
e de socialização influenciando na construção de uma identificação cultural.
Memória possui contextualidade e é possível ser atualizada
historicamente. Ela possui maior consistência do que lembrança, uma vez
que é uma representação produzida pela e através da experiência.
Constitui-se de um saber, formando tradições, caminhos – como canais
de comunicação entre dimensões temporais –, ao invés de rastros e restos
como no caso da lembrança. A memória pode constituir-se de elementos
individuais e coletivos, fazendo parte de perspectivas de futuro, de
utopias, de consciências do passado e de sofrimentos. Ela possui a
capacidade de instrumentalizar canais de comunicação para a consciência
histórica e cultural, uma vez que pode abranger a totalidade do passado
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
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num determinado corte temporal. (...) Nesse nível, ela representa
possibilidades de aprendizagem e de socialização, expressando assim
continuidade e identidade daquelas tradições. (DIEHL, 2002, p. 116-117)
É nesse sentido que Nora diferencia memória e história. De acordo com o autor,
enquanto a memória se apresenta enquanto vida, visto que levada adiante por grupos vivos,
encontrando-se em “permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do
esquecimento” (NORA, 1993, p.9), a história apresenta-se enquanto “reconstrução sempre
problemática e incompleta do que não existe mais” (ibid, p. 9). Deste modo, o autor conclui
que “a memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história
uma representação do passado” (ibid, p. 9).
No entanto, cabe ressaltar que o aspecto atual da memória apresenta implicações
importantes sobre seus limites. Enquanto processo em permanente evolução, a memória
apresenta a impossibilidade de apreender os acontecimentos na forma como eles realmente
aconteceram. Contudo, a partir da perspectiva de Sahlins, saber o que realmente aconteceu
não depende apenas de uma descrição das ações e acontecimentos, mas da apreensão do
significado da experiência e das ações.
(...) para saber o que realmente aconteceu, seria insuficiente assinalar que
certas pessoas agiram de certos modos, a não ser que soubéssemos o
significado dessas ações. Aquilo que é contingente só se torna
plenamente histórico quando é significativo: somente quando o ato
pessoal ou efeito ecológico toma um valor de posição ou sistemático em
um esquema cultual. Uma presença histórica é uma presença cultural.
(SAHLINS, 1990, p.144, grifo meu)
A história não é somente a contingência de fatos e acontecimentos, mas o
significado de tais experiências para um grupo determinado. Partindo do princípio que o
significado é parte integrante e fundamental para qualquer evento, este pode então ser
observado a partir de dois planos: enquanto ação individual e enquanto representação
coletiva.
(...) o evento (qualquer evento) se desdobra simultaneamente em dois
planos: como ação individual e como representação coletiva; ou melhor,
como a relação entre certas histórias da vida e uma acima e além dessas
outras. Parafraseando Clifford Geertz, o evento é uma atualização única
de um fenômeno geral (1961:153-54). Assim, por um lado, temos a
contingência histórica e as particularidades da ação individual; e, por
outro, aquelas dimensões recorrentes do evento, onde podemos
reconhecer uma certa ordem cultural. O paradoxo para uma “ciência”
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
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histórica é que as circunstâncias contingentes – tais como acidentes
biográficos ou geográficos – são condições necessárias. (ibid., p.143-44)
Outra questão que deve ser aprofundada é a relação entre memória e identidade
apontada por Diehl. De acordo com Marcus (1991), a memória individual ou coletiva é
considerada enquanto prova do auto-reconhecimento, em um âmbito local, da identidade.
Contudo, o autor aponta que a compreensão de processos sociais na modernidade envolve
uma desconstrução da concepção de tradições ou vidas comunitárias restritas a um espaço
geográfico definido. Para Marcus, a dificuldade em captar a memória enquanto processo
social remete justamente a inadequação do conceito de comunidade no que tange a
modernidade. Além disso, a erosão da distinção público/privado no que concerne a vida
cotidiana, o deslocamento da oralidade e da narração para outra função além de sua
original ligada a transmissão da memória, são exemplos de fatores apontados por Marcus
que tornam a descrição e compreensão da memória uma tarefa difícil para a modernidade.
O passado que continua presente é construído a partir da memória, que
é o agente fundamental da etno-história. Numa etnografia modernista, a
memória coletiva e individual, nos seus múltiplos sinais e expressões, é
tomada como prova do auto-reconhecimento, ao nível local da
identidade. Ainda que o significado da memória como agente vinculador
e como processo que relaciona a história com a formação da identidade
tenha bastante aceitação junto aos etnógrafos contemporâneos, uma
reflexão analítica e metodológica sobre a memória ainda não se
desenvolveu. Contudo, é mais um fenômeno difuso da modernidade que
permite a compreensão dos processos da diversidade que derivam, não de
tradições enraizadas ou da vida comunitária, mas da sua emergência no
seio de outras associações que se processam na memória coletiva e na
individual. A dificuldade de captar a memória de forma descritiva
enquanto processo social ou coletivo, na modernidade, está relacionada
com a inadequação do conceito de comunidade no que se refere à
conceitualização do plano espacial da etnografia, como apontado acima.
A erosão da distinção público/privado na vida cotidiana (...), aliada ao
deslocamento – na era da informática – da oralidade e da narração de
estórias para outra função além da sua função original de reserva de
memória (tida também como condição da vida na comunidade, como
concebida originalmente), tornam a compreensão e descrição de
qualquer “arte de memorizar” especialmente problemática na
modernidade. (MARCUS, 1991, p. 205-206)
Apesar do estudo da memória na contemporaneidade apresentar questões mais
amplas e complexas, pode-se afirmar, a partir da discussão levantada, que esta origina-se de
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
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um processo dinâmico de interação entre indivíduo e meio social, ela é coletiva e ao mesmo
tempo individualizada, é viva, pois diz respeito aos sujeitos históricos e à dialética da
lembrança e do esquecimento, é capaz de instrumentalizar canais de comunicação para uma
apreensão histórica e cultural, representa possibilidades de aprendizagem e socialização,
formando tradições e influenciando na construção de identidades. A partir de apreensões
tão complexas, é necessário escolher um caminho a ser seguido para abordar o estudo da
memória.
Não há como trata-la enquanto algo exclusivamente pessoal. Tampouco considerala
apenas um produto social, pois a torna sem substância, retirando o aspecto vivo do
processo de construção da memória. Nem um extremo, nem outro. É fato que a memória se
expressa em ambos os níveis, contudo, no que concerne às ciências humanas – ou, mais
especificamente, às ciências sociais – é seu caráter enquanto fenômeno social, cujas
manifestações podem ser percebidas, apreendidas e analisadas, que importa, pelo menos no
que concerne às ciências sociais.
Pode-se estabelecer um paralelo entre afirmação o caráter social da memória e a
concepção do antropólogo Clifford Geertz acerca da natureza social do pensamento. Para
Geertz:
O pensamento humano é rematadamente social: social em sua origem, em
suas funções, social em suas formas, social em suas aplicações.
Fundamentalmente, é uma atividade pública – seu habitat natural é o pátio
da casa, o local do mercado e a praça da cidade. (GEERTZ, 1989, p. 225)
Assim, é precisamente a concepção do pensar enquanto ato social que apresenta um
papel significativo para as ciências sociais:
(...) a concepção do pensar como sendo basicamente um ato social, que
ocorre no mesmo público em que ocorrem outros atos sociais, pode
desempenhar um papel muito construtivo. A perspectiva de que o
pensamento não consiste em processos misteriosos localizados naquilo
que Gilbert Ryle chamou de gruta secreta na cabeça, mas num tráfico de
símbolos significantes – objetos em experiência (rituais e ferramentas;
ídolos esculpidos e buracos de água; gestos, marcações, imagens e sons)
sobre os quais os homens imprimiram significado – faz do estudo da
cultura uma ciência positiva como qualquer outra. (ibid., p. 227)
A proposição de encarar o pensamento enquanto ato social não anula a questão
individual pelo simples fato de serem os homens que pensam. Contudo, o autor foge da
concepção ingênua que o pensamento é algo estritamente individual ao afirmar que os
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
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sistemas de símbolos que orientam e definem o pensamento humano “não são dados pela
natureza das coisas – eles são construídos historicamente, mantidos socialmente e aplicados
individualmente” (ibid., p.229).
Adaptando o pensamento de Geertz para o objetivo do presente artigo, porém, sem
deturpá-lo, é possível considerar a memória enquanto um ato social, pois implica
necessariamente um “tráfico de símbolos significantes”, especialmente em se tratando da
memória de um grupo social específico.
Diehl apresenta uma concepção parecida, mas voltada à questão do papel da
memória para a história: “Para a história, não são as memórias e identidades os pontos
centrais, mas as suas respectivas representações nas experiências e expectativas de vida”
(Idem, p. 113). O autor continua: “se pensarmos memória dentro dessa perspectiva, então
ela não aparece como fonte de informações para o conhecimento histórico, mas como
expressão do próprio pensar histórico” (DIEHL, 2002, p. 120).
Com efeito, apreender a memória enquanto expressão do pensar histórico, ou como
tráfico de símbolos significantes possibilita ir além do caráter individual do processo de
rememorização para enfocar suas formas sociais e culturais.
Essa é uma questão epistemológica central. Como algo que está necessariamente
vinculado a experiência individual pode ser objeto de estudo das ciências sociais? Partindo
do princípio que indivíduo percebe, apreende, interpreta, dota de significado e imprime
sentido ao mundo que o cerca a partir do convívio social, é possível encarar a memória
enquanto um ato social, enquanto uma expressão do pensar histórico.
Além da preocupação epistemológica, há questões metodológicas a serem
apontadas. A principal delas consiste em refletir o papel do pesquisador na produção do
conhecimento. Especialmente no caso da memória, o objeto de pesquisa não é palpável, não
é possível visualizá-la, não está presente na realidade social concreta, tampouco se pode
medir ou quantifica-la. Na medida em que não se lida com fatos concretos, é necessário que
o pesquisador admita o caráter interpretativo da pesquisa científica, assumindo em
contrapartida a consciência de sua subjetividade na produção do conhecimento, tendo em
vista que este processo não fornece uma percepção completa de um fenômeno ou garante
acesso à verdade.
A objetividade científica não consiste em nos ausentarmos da cena do
discurso e em simularmos uma neutralidade que é tanto impossível
Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008.
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quanto indesejável. Essa objetividade consiste, antes, em assumir a tarefa
de interpretação, que cabe aos intelectuais. (...) A responsabilidade pela
interpretação, é óbvio, não chega a reivindicar, para nossas
interpretações, acesso completo e exclusivo à verdade. (PORTELLI,
1997,p. 26-27)
Nessa ótica, Schaff aponta, baseando-se no Trabalho de Pirene, que a produção do
historiador é concomitantemente síntese e hipótese.
O trabalho do historiador, como diz Henri Pirene, é ao mesmo tempo
uma síntese e uma hipótese: uma síntese na medida em que o historiador
tende a reconstituir a totalidade da imagem a partir do conhecimento dos
fatos particulares; uma hipótese na medida em que as relações
estabelecidas entre esses fatos não são nunca absolutamente evidentes
nem verificáveis. (...) Sublinhar o caráter hipotético dos resultados do
trabalho do historiador, é apreender em outros termos o papel que
desempenha o fator subjetivo neste trabalho. (SCHAFF, p. 285)
Tais questões não se encerram no campo da historiografia, pelo contrário, englobam
outros campos das ciências humanas dedicadas aos estudos culturais. Retomando o
pensamento de Geertz, que chega ao ponto de afirmar sobre a produção de textos
antropológicos, que estes se enquadram enquanto ficções, não por constituírem-se enquanto
proposições falsas, mas por tratar-se interpretações e construções orientadas com o intuito
de apresentar uma descrição acerca do objeto de estudo. Nas palavras do autor:
Resumindo, os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e,
na verdade, de segunda e terceira mão. (Por definição, somente um
“nativo” faz a interpretação em primeira mão: é a sua cultura.) Trata-se,
portanto, de ficções; ficções no sentido de que são “algo construído”,
“algo modelado” – o sentido original de fictio – não que sejam falsas,
não-fatuais ou apenas experimentos do pensamento. (GEERTZ, 1989,
p.11)
Assim, o autor chega à conclusão que a descrição etnográfica apresenta
necessariamente três características, a saber: “ela é interpretativa; o que ela interpreta é o
fluxo do discurso social e a interpretação envolvida consiste em tentar salvar o “dito” num
tal discurso da sua possibilidade de extinguir-se e fixá-lo em formas pesquisáveis” (ibid., p.
15)
Considerando a discussão levantada, é inevitável que qualquer pesquisa que se
pretenda realizar carregue certo grau de subjetividade. Nas ciências humanas
principalmente, esse pressuposto pode ser contrabalançado por uma abordagem
interpretativa. No caso do estudo da memória, as opções epistemológicas e metodológicas
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remetem a um grau de subjetividade que envolve não somente tais escolhas, mas a forma
como a pesquisa é levada a cabo. Nesse âmbito, a perspectiva interpretativa possibilita ao
pesquisador certo grau de objetividade na medida em que parte do princípio que o trabalho
intelectual é uma construção que, em momento algum, pretende reivindicar para si a posse
de uma verdade definitiva.
O presente artigo teve como objetivo principal discutir questões relevantes ao
estudo da memória na contemporaneidade, apontando alguns pontos básicos e problemas
levantados por autores que pensam a memória na modernidade. O intuito seria, partilhando
da concepção de Geertz, de uma abertura nas possibilidades de apreender as relações
sociais e simbólicas que os seres humanos constroem ao interagirem socialmente. Nesses
termos, um trecho da obra do autor exprime a intenção primeira do texto.
A antropologia, ou pelo menos a antropologia interpretativa, é uma
ciência cujo progresso é marcado menos por uma perfeição de consenso
do que um refinamento do debate. (...) não há conclusões a serem
apresentadas; há apenas uma discussão a ser sustentada. (ibid, 1989,
p.38)
REFERÊNCIAS
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Bauru, SP: EDUSC, 2002.
GEERTZ, Clifford. A Interpretação das culturas. Rio de Janeiro:Livros Técnicos e
Científicos Editora S.A., 1989.
GOULART, Sandra Lúcia. As raízes culturais do Santo Daime. Tese (mestrado em
antropologia social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Unicamp, 2003.
MARCUS, George. Identidades passadas, presentes e emergentes: requisitos para
etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial. Revista de
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História e Cultura: São Paulo – PUC/SP, 1993.
PORTELLI, Alessandro. Tentando aprender um pouquinho: algumas reflexões sobre a
ética na História Oral. Projeto História 15. São Paulo, 1997.
SAHLINS, Marshall. Ilhas de História. Rio de Janeiro: Zahar, 1990.
SCHAFF, Adam. História e verdade. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
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