segunda-feira, 21 de outubro de 2013

NUMEROS

O livro de Números é o relato das escrituras da história dos israelitas enquanto viajavam no deserto que fica entre o monte Sinai e a borda oriental de sua terra prometida. Ele cobre mais de trinta e oito de seus quarenta anos no deserto e explica por que o Senhor os deixou no deserto por tanto tempo. Nele aprendemos como o Senhor age em relação a Seus filhos e como podemos receber as bênçãos que Ele nos prometeu. O livro chama-se “Números” porque contém relatos de duas ocasiões em que Moisés “numerou”, ou contou, o povo de Israel. (Ver Guia para Estudo das Escrituras, “Números”, p. 154.) Os dois recenseamentos contaram os homens capazes preparados para a batalha. Israel receberia a terra prometida, mas precisava reivindicá-la pelo derramamento de sangue. Os contados no primeiro recenseamento (ver Números 1–4) fracassaram tragicamente em seu dever, devido à desobediência. Foi somente na época do segundo recenseamento (ver Números 26) que Israel estava suficientemente fiel para ter êxito. O livro de Números pode ser dividido em três seções: 1. Os capítulos 1–10 contêm instruções e preparativos para a marcha saindo do Sinai. 2. Os capítulos 11–21 contêm a história da jornada de Israel pelo deserto. 3. Os capítulos 22–36 contêm um relato do que aconteceu na margem oriental do rio Jordão. Números 1–10 Introdução Além de “numerar”, ou seja, realizar o recenseamento dos filhos de Israel, Números 1–10 contém instruções adicionais que se tornariam parte da lei de Moisés e a ordem em que os israelitas deveriam acampar e marchar. Esses capítulos também contam como a tribo de Levi foi escolhida para servir no tabernáculo e como o acampamento de Israel começou sua marcha do Sinai em direção à terra prometida. Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • O Senhor, Sua obra e Seu reino devem ser o centro de nossa vida. (Ver Números 2.) • Só aqueles que foram chamados e ordenados por Deus por meio de Seus representantes podem realizar ordenanças aceitáveis. (Ver Números 3:5–13.) • O verdadeiro arrependimento exige confissão, restituição e abandono do pecado. (Ver Números 5:5–7; ver também D&C 58:43.) • Podemos consagrar-nos ao Senhor por meio de convênios. (Ver Números 6.) • O Senhor guia e abençoa Seus filhos obedientes. (Ver Números 9:15–23.) Sugestões Didáticas Números 1–4. A organização do acampamento de Israel lembrava-lhes de que o Senhor, Sua obra e Seu reino deveriam estar no centro de sua vida. (30–40 minutos) Arrume sua sala de aula como o seguinte desenho “Organização do Acampamento”, referente ao acampamento de Israel. Coloque um cobertor no meio da sala para representar o tabernáculo ou desenhe no quadro-negro. Nas classes com menos de doze alunos cada aluno pode representar mais de uma tribo. Coloque sinais nas devidas paredes, indicando o norte, sul, leste e oeste. Quando os alunos entrarem na sala de aula, dê-lhes boasvindas ao “acampamento de Israel” entregue um cartão para cada um com o nome de uma das tribos de Israel. Instrua-os a sentarem-se com os outros alunos designados à mesma tribo e a lerem Números 2 juntos. Peça-lhes que descubram onde ficava a sua tribo no acampamento e que se sentem no lugar correspondente na sala de aula. Quando todos os alunos estiverem em seus lugares, explique-lhes que os Israelitas viajavam pelo deserto do Sinai. Peça-lhes que leiam Números 1 e descubram quantas pessoas estavam na tribo que eles representam e pergunte a vários alunos: • Como vocês teriam se sentido se fossem responsáveis pelo bem-estar de tantas pessoas no meio do deserto? • Como essa responsabilidade mudaria seu modo de orar e de buscar a ajuda do Senhor? Faça as seguintes perguntas ao discutir a organização do acampamento: • Qual era o centro do acampamento? (Ver Números 2:2.) A Organização do Acampamento Norte Acampamento de Dã: 157.600 Naftáli Dã Aser Oeste Acampamento de Efraim: 108.100 Manassés Efraim Benjamim Sul Acampamento de Rúben: 151.450 Simeão Rúben Gade Leste Acampamento de Judá: 166.400 Zebulom Judá Issacar Levi: Filhos de Merari Levi: Filhos de Gérson Levi: Filhos de Coate Levi: Moisés, Aarão e Filhos de Aarão O Tabernáculo e a Tenda da Congregação O LIVRO DE NÚMEROS 94

LEVITICOS

Como os filhos de Israel não estavam espiritualmente preparados para receber o Sacerdócio de Melquisedeque e suas ordenanças, o Senhor os organizou sob o Sacerdócio Aarônico ou levítico e deu-lhes a lei de Moisés. (Ver Êxodo 32:19; TJS, Êxodo 34:1.) O livro de Levítico, que significa, “referente aos levitas”, era semelhante a um manual sobre a maneira de exercer o Sacerdócio Levítico e ministrar as ordenanças de sacrifícios da lei de Moisés. Ele inclui detalhes sobre como realizar as ordenanças associadas ao tabernáculo, que foi erguido e dedicado enquanto Israel vagava errante pelo deserto. O livro de Levítico também contém algumas instruções especiais que se aplicam a todas as pessoas. O processo de santificação é um tema importante no livro de Levítico. É interessante notar que a palavra santo, ou uma palavra semelhante como santificar, aparece mais de 150 vezes em Levítico. Para tornar-nos santos, precisamos primeiro tornar-nos limpos: livres dos efeitos do pecado e justificados perante Deus. Mas a santidade é mais do que estar limpo. Ela inclui o processo de santificação, ou seja, o desenvolvimento de um caráter divino. A organização geral do livro de Levítico apresenta um padrão semelhante ao desenvolvimento espiritual. • Levítico 1–16 ensina a respeito de tornar-nos limpos e justos perante Deus por meio da realização de sacrifícios adequados e pela manifestação de obediência em “ritos e ordenanças” diários. (Ver Mosias 13:29–30.) • Levítico 17–27 ensina a respeito dos padrões mosaicos de santidade que separavam Israel de todos os outros povos. (Ver Êxodo 19:5–6.) Para mais informações e uma explicação mais detalhada de Levítico, consulte o Guia para Estudo das Escrituras, “Levítico”, p. 128. Levítico 1–16 Introdução A lei de Moisés foi um “aio, para (…) conduzir [os filhos de Israel] a Cristo”. (Gálatas 3:24; ver 2 Néfi 25:24.) Levítico 1–16 contém instruções a respeito de alguns dos ritos e ordenanças da lei que ensinavam princípios do evangelho. • Os capítulos 1–7 descrevem diversos tipos de sacrifícios que as pessoas deviam fazer. Esses sacrifícios representavam o Salvador e Seu sacrifício expiatório. • Os capítulos 8–10 explicam as exigências feitas aos sacerdotes para que fossem dignos de realizar os sacrifícios. • Os capítulos 11–15 explicam várias leis a respeito do que era limpo e do que era imundo, salientando a importância disso. Essas leis demonstravam a necessidade de sermos limpos como indivíduos (ver capítulo 11), como famílias (ver capítulo 12) e como povo (ver capítulos 13–15.) • O capítulo 16 é o ponto culminante de todas as leis a respeito da pureza. Ele dá instruções a respeito do grande sacrifício purificador que era oferecido todos os anos no Dia da Expiação. Ao estudar esses capítulos, procure por que a lei de Moisés é chamada de uma lei rígida de ritos e ordenanças (ver Mosias 13:29–30), uma lei de mandamentos carnais (ver D&C 84:27), e um aio (ver Gálatas 3:24.) Observe em particular como o significado pleno da lei de Moisés era apontar para o grande e último sacrifício do Filho de Deus. (Ver Alma 34:13–14.) Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Os sacrifícios e ofertas descritos na lei de Moisés simbolizavam a Expiação de Jesus Cristo. (Ver Levítico 1–7; ver também Moisés 5:5–8.) • Para arrepender-se plenamente, uma pessoa precisa sentir verdadeiro pesar, confessar seus pecados e reparar os erros que cometeu. (Ver Levítico 1:1–4; 5:5; 6:4–7; ver também Isaías 1:16–19.) • As ordenanças do sacerdócio precisam ser realizadas exatamente como o Senhor as descreveu e por aqueles que são dignos e ordenados para fazê-lo. (Ver Levítico 8:6–13; 10:1–11.) • Para achegar-nos a Jesus Cristo precisamos afastar-nos de tudo o que o Senhor declarou ser imundo. (Ver Levítico 11:44–47; 12–15; ver também Morôni 10:32.) • A fé que exercemos em Jesus Cristo e no poder de Sua Expiação ajuda-nos a tornar-nos limpos do pecado e vencer nosso desejo de pecar. (Ver Levítico 16.) Sugestões Didáticas A apresentação 14 do Vídeo do Velho Testamento, “A Lei de Moisés”, sugere maneiras de ensinar a lei de Moisés. Ela não foi feita para ser mostrada aos alunos. (Ver Guia de Vídeo do Velho Testamento, para sugestões didáticas.) Levítico 1–27. A lei de Moisés ajudava a ensinar os princípios básicos do evangelho de Jesus Cristo. Ela centralizava-se em quatro princípios principais: o sacrifício, a pureza, a separação das coisas do mundo, e a lembrança. (40–50 minutos) Leve os ingredientes de uma receita para a sala de aula. Sem mostrar a receita, peça a um aluno que misture os ingredientes e faça algo gostoso para a classe. Depois de o aluno debater-se com o projeto por alguns minutos, discuta como é difícil ou impossível trabalhar sem uma receita ou um manual de instruções. Pergunte: • Quais são algumas das conseqüências de não seguirmos as instruções? • Quais são alguns dos benefícios das receitas ou dos manuais de instruções? O LIVRO DE LEVÍTICO 87

LEVITICOS

Como os filhos de Israel não estavam espiritualmente preparados para receber o Sacerdócio de Melquisedeque e suas ordenanças, o Senhor os organizou sob o Sacerdócio Aarônico ou levítico e deu-lhes a lei de Moisés. (Ver Êxodo 32:19; TJS, Êxodo 34:1.) O livro de Levítico, que significa, “referente aos levitas”, era semelhante a um manual sobre a maneira de exercer o Sacerdócio Levítico e ministrar as ordenanças de sacrifícios da lei de Moisés. Ele inclui detalhes sobre como realizar as ordenanças associadas ao tabernáculo, que foi erguido e dedicado enquanto Israel vagava errante pelo deserto. O livro de Levítico também contém algumas instruções especiais que se aplicam a todas as pessoas. O processo de santificação é um tema importante no livro de Levítico. É interessante notar que a palavra santo, ou uma palavra semelhante como santificar, aparece mais de 150 vezes em Levítico. Para tornar-nos santos, precisamos primeiro tornar-nos limpos: livres dos efeitos do pecado e justificados perante Deus. Mas a santidade é mais do que estar limpo. Ela inclui o processo de santificação, ou seja, o desenvolvimento de um caráter divino. A organização geral do livro de Levítico apresenta um padrão semelhante ao desenvolvimento espiritual. • Levítico 1–16 ensina a respeito de tornar-nos limpos e justos perante Deus por meio da realização de sacrifícios adequados e pela manifestação de obediência em “ritos e ordenanças” diários. (Ver Mosias 13:29–30.) • Levítico 17–27 ensina a respeito dos padrões mosaicos de santidade que separavam Israel de todos os outros povos. (Ver Êxodo 19:5–6.) Para mais informações e uma explicação mais detalhada de Levítico, consulte o Guia para Estudo das Escrituras, “Levítico”, p. 128. Levítico 1–16 Introdução A lei de Moisés foi um “aio, para (…) conduzir [os filhos de Israel] a Cristo”. (Gálatas 3:24; ver 2 Néfi 25:24.) Levítico 1–16 contém instruções a respeito de alguns dos ritos e ordenanças da lei que ensinavam princípios do evangelho. • Os capítulos 1–7 descrevem diversos tipos de sacrifícios que as pessoas deviam fazer. Esses sacrifícios representavam o Salvador e Seu sacrifício expiatório. • Os capítulos 8–10 explicam as exigências feitas aos sacerdotes para que fossem dignos de realizar os sacrifícios. • Os capítulos 11–15 explicam várias leis a respeito do que era limpo e do que era imundo, salientando a importância disso. Essas leis demonstravam a necessidade de sermos limpos como indivíduos (ver capítulo 11), como famílias (ver capítulo 12) e como povo (ver capítulos 13–15.) • O capítulo 16 é o ponto culminante de todas as leis a respeito da pureza. Ele dá instruções a respeito do grande sacrifício purificador que era oferecido todos os anos no Dia da Expiação. Ao estudar esses capítulos, procure por que a lei de Moisés é chamada de uma lei rígida de ritos e ordenanças (ver Mosias 13:29–30), uma lei de mandamentos carnais (ver D&C 84:27), e um aio (ver Gálatas 3:24.) Observe em particular como o significado pleno da lei de Moisés era apontar para o grande e último sacrifício do Filho de Deus. (Ver Alma 34:13–14.) Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Os sacrifícios e ofertas descritos na lei de Moisés simbolizavam a Expiação de Jesus Cristo. (Ver Levítico 1–7; ver também Moisés 5:5–8.) • Para arrepender-se plenamente, uma pessoa precisa sentir verdadeiro pesar, confessar seus pecados e reparar os erros que cometeu. (Ver Levítico 1:1–4; 5:5; 6:4–7; ver também Isaías 1:16–19.) • As ordenanças do sacerdócio precisam ser realizadas exatamente como o Senhor as descreveu e por aqueles que são dignos e ordenados para fazê-lo. (Ver Levítico 8:6–13; 10:1–11.) • Para achegar-nos a Jesus Cristo precisamos afastar-nos de tudo o que o Senhor declarou ser imundo. (Ver Levítico 11:44–47; 12–15; ver também Morôni 10:32.) • A fé que exercemos em Jesus Cristo e no poder de Sua Expiação ajuda-nos a tornar-nos limpos do pecado e vencer nosso desejo de pecar. (Ver Levítico 16.) Sugestões Didáticas A apresentação 14 do Vídeo do Velho Testamento, “A Lei de Moisés”, sugere maneiras de ensinar a lei de Moisés. Ela não foi feita para ser mostrada aos alunos. (Ver Guia de Vídeo do Velho Testamento, para sugestões didáticas.) Levítico 1–27. A lei de Moisés ajudava a ensinar os princípios básicos do evangelho de Jesus Cristo. Ela centralizava-se em quatro princípios principais: o sacrifício, a pureza, a separação das coisas do mundo, e a lembrança. (40–50 minutos) Leve os ingredientes de uma receita para a sala de aula. Sem mostrar a receita, peça a um aluno que misture os ingredientes e faça algo gostoso para a classe. Depois de o aluno debater-se com o projeto por alguns minutos, discuta como é difícil ou impossível trabalhar sem uma receita ou um manual de instruções. Pergunte: • Quais são algumas das conseqüências de não seguirmos as instruções? • Quais são alguns dos benefícios das receitas ou dos manuais de instruções? O LIVRO DE LEVÍTICO 87

LIVRO DO EXODO (VAICRA-SAIDA)

Êxodo é o segundo dos cinco livros de Moisés. A palavra grega exodus significa “saída” ou “partida” (ver Guia para Estudo das Escrituras, “Êxodo”, pp. 82–83) e refere-se ao livramento de Israel do cativeiro egípcio, efetuado pelo Senhor. No início de Êxodo, há uma nova dinastia governando o Egito. Essa dinastia “não conhecera a José” (Êxodo 1:8) e escravizou os israelitas (ver Êxodo 1:8–11.) Êxodo contém o relato do modo milagroso com que o Senhor livrou Seu povo do cativeiro, sob a liderança inspirada do profeta Moisés. (Ver Êxodo 12:51; Deuteronômio 26:8.) Ele também descreve o período em que Israel vagou pelo deserto, o recebimento da lei de Moisés e a construção do tabernáculo. Êxodo 1–4 Introdução Os primeiros quatro capítulos de Êxodo apresenta o profeta Moisés e explica alguns detalhes de seu nascimento, como ele tornou-se membro da família do Faraó e seu chamado como profeta. Esses capítulos nos lembram que o Senhor chama e prepara profetas, revela-Se a eles e dá-lhes os dons necessários para que cumpram efetivamente seu trabalho. Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Satanás não pode impedir a obra de Deus, o qual zela por Seu povo e o fortalece em suas aflições, ouve suas orações e cumpre todas as Suas promessas. (Ver Êxodo 1:7–22; 2:1–10, 23-25; 3:7–10; ver também Gênesis 50:24; Êxodo 12:51; 1 Néfi 22:22–25; D&C 3:1–3.) • Devemos temer (honrar, obedecer e respeitar) a Deus mais do que o homem. (Ver Êxodo 1:15–22; ver também D&C 3:7–8.) • As mulheres têm um papel vital no cumprimento do plano de felicidade do Pai. (Ver Êxodo 1–2.) • O Senhor prepara e chama Seus servos para falar Suas palavras e fazer Suas obras. (Ver Êxodo 2-4; ver também João 15:16; D&C 1:38.) • Os profetas do Senhor foram preordenados a realizar determinadas missões na Terra. (Ver Êxodo 3:7–10; ver também Jeremias 1:5; 2 Néfi 3:9–10, 17.) • Os locais em que o Senhor habita são santos e devem ser tratados com respeito e reverência. (Ver Êxodo 3:5; ver também D&C 110:7–8.) Sugestões Didáticas Êxodo 1–4. O Êxodo pode ser visto como um símbolo da jornada do homem pela mortalidade e de volta à presença de Deus. (20–30 minutos) Nota: Você pode usar toda esta sugestão didática para apresentar uma visão do livro de Êxodo ou usar parte dela ao ensinar Êxodo 1–4 e outros blocos de escrituras. Lembre os alunos de usarem as referências da Tradução de Joseph Smith que se encontram no Guia para Estudo das Escrituras. Escreva a palavra Êxodo no quadro-negro e pergunte aos alunos o que eles acham que está relatado nesse livro. Incentive-os a procurarem o significado da palavra Êxodo no Guia para Estudo das Escrituras. Diga aos alunos que o livro de Êxodo conta a história da “saída” dos israelitas do Egito e sua jornada pelo deserto até chegarem à terra prometida. Escreva no quadro-negro A Vida É uma Jornada e examine com os alunos o plano de salvação do Pai Celestial, ajudando-os a vê-lo como uma jornada. (Ver o desenho da “Visão Geral do Plano de Salvação. Sugestão 2”, p. 18.) Você também pode entregar-lhes folhas de papel e pedir-lhes que desenhem uma breve representação de sua própria jornada da vida. Diga aos alunos que o êxodo dos filhos de Israel do Egito para a terra prometida pode ser visto como uma ilustração ou símbolo da jornada da humanidade de volta para o Pai Celestial. Identifique os quatro estágios principais da jornada de Israel, lendo as escrituras indicadas ao lado de cada um dos seguintes títulos: • Cativeiro (ver Êxodo 1:13–14) • Libertação (ver Êxodo 3:7–8) • Jornada pelo deserto (ver Êxodo 17:1; 19:1–2) • Entrada na terra prometida (ver Êxodo 33:1–3) Faça uma tabela como a seguinte, escrevendo apenas as referências das escrituras. Leia as referências com a classe e discuta-as ou designe um estágio a cada aluno ou grupo de alunos e peça-lhes que relatem o que aprenderam. Preencha a tabela com os conceitos abordados. A Jornada Física de A Jornada Espiritual Israel até a de Israel até o Terra Prometida Reino Celestial CATIVEIRO Êxodo 1:13–14 (Israel estava em 2 Néfi 1:13; Mosias 3:19 cativeiro no Egito.) (O homem natural é escravo do pecado.) Êxodo 5:1–2 (Israel sujeitava-se Alma 12:11 (Devido ao pecado ao Faraó.) tornamo-nos sujeitos a Satanás.) O LIVRO DE ÊXODO 64

LIVRO DE GÊNESIS (BERESHIT)

OS LIVROS DE GÊNESIS, MOISÉS E ABRAÃO 20 Abraão 3 Introdução Jeová ordenou que Abraão fosse ao Egito para ensinar o evangelho. Algum tempo antes de Abraão chegar ao Egito (ver Abraão 3:15), o Senhor ensinou-lhe as verdades contidas em Abraão 3–5. Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados •O espírito de todos os homens é eterno. Os espíritos foram organizados pelo Pai Celestial e viveram com Ele antes de nascerem aqui na Terra. (Ver Abraão 3:18–23.) • Jesus Cristo tinha mais inteligência, ou “luz e verdade” (D&C 93:36), do que todos os outros filhos espirituais do Pai Celestial, o que O tornou “semelhante a Deus”. (Abraão 3:24; ver vv. 19, 22–24). • Jesus Cristo foi escolhido para ser o Salvador e Redentor dos filhos espirituais do Pai Celestial, que concordaram em seguir o plano do Pai vindo para a Terra. (Ver Abraão 3:24–28.) • O Profeta Joseph Smith disse: “Todo homem que recebe o chamado para exercer seu ministério a favor dos habitantes do mundo foi ordenado precisamente para esse propósito no grande conselho dos céus, antes que este mundo existisse”. (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 357; ver Abraão 3:22–23; ver também D&C 138:55–56.) Todos precisamos provar-nos fiéis a esses chamados aqui na Terra. (Ver Abraão 3:25; ver também Alma 13:3–5, 8–10; D&C 121:34–40.) Sugestões Didáticas Abraão 3:22–28 (Conhecimento de Escritura, Abraão 3:22–23.) O conhecimento de quem somos e por que estamos aqui pode dar-nos mais forças para enfrentarmos os problemas e termos alegria na vida. (35–40 minutos) Nota: Embora você tenha discutido a vida pré-mortal quando ensinou o plano de salvação, ela deve ser abordada novamente como parte do livro de Abraão, principalmente a referência de conhecimento de escritura. O seguinte exercício é uma atividade que ajudará os alunos a conhecer uns aos outros e pode ajudar a iniciar um debate sobre Abraão 3. Escreva Quem Sou Eu? Por Que Estou Aqui? no quadro-negro. Peça aos alunos que respondam às perguntas escrevendo uma apresentação de si mesmos para o restante da classe. Incentive-os a serem criativos e divertidos em suas respostas. Você pode pedir que façam uma lista de descrições de si mesmos que responda à primeira pergunta, dizendo que são uma filha, um amigo, um aluno, um músico, um lavador de pratos, uma secretária da classe das lauréis. Depois que os alunos tiverem se apresentado, diga-lhes que o profeta Abraão aprendeu algumas respostas extremamente importantes dessas mesmas perguntas. Peça aos alunos que leiam Abraão 3:22–28 e escrevam as respostas das perguntas escritas no quadro-negro, indicando os versículos onde encontraram essas respostas. Faça uma lista das respostas embaixo de cada pergunta no quadro-negro. Faça aos alunos as seguintes perguntas: • Como se sentem a respeito da experiência que teve Abraão? • Como o conhecimento que Abraão adquiriu nessa revelação afetou sua vida? • De que forma sabermos que estivemos naquele conselho no céu influencia nossas decisões na mortalidade? O Presidente Ezra Taft Benson disse: “O maior teste da vida é a obediência a Deus. (Conference Report, abril de 1988, p. 3; ou Ensign, maio de 1988, p. 4.) Escreva essa declaração no quadronegro e ajude os alunos a decorarem-na rapidamente. Você pode fazer um cartaz com essa declaração e colocá-lo na sala de aula. Ajude os alunos a compreenderem que embora Abraão tivesse sido escolhido para certos propósitos (ver Abraão 3:23), ainda assim ele tinha que “provar” a si mesmo por meio da obediência. (Ver versículo 25.) Leia a seguinte declaração do Presidente Benson: Preste seu testemunho de que o conhecimento de quem somos e por que estamos aqui pode dar-nos forças nos momentos de tentação e ajudar-nos a ser obedientes a Deus e a provar-nos fiéis. “Por quase seis mil anos, Deus guardou vocês para nascerem nos últimos dias antes da Segunda Vinda. Todas as dispensações anteriores do evangelho terminaram em apostasia, mas isso não acontecerá com a nossa. (…) Deus reservou para a disputa final alguns de Seus filhos mais fortes, que irão ajudar a fazer com que o reino triunfe. E é para isso que vocês vieram, pois vocês são a geração que terá de preparar-se para encontrar-se com Deus. (…) Não se enganem a esse respeito: vocês são uma geração escolhida. Nunca foi esperado tanto dos fiéis em um período de tempo tão curto quanto o que se espera de nós. (…) Precisamos tomar muitas decisões individuais a cada dia, as quais demonstram de que lado estamos. O resultado final já está determinado: as forças da justiça vencerão no fim. Falta saber onde cada um de nós estará individualmente, hoje e no futuro, em relação a essa batalha, qual será a nossa posição e estatura. Será que permaneceremos fiéis a nossa missão pré-ordenada para estes últimos dias?” (Citado por Marvin J. Ashton, Conference Report, setembro-outubro 1989, p. 48;

INT:ANTIGO TESTAMENTO

Introdução O Élder Boyd K. Packer disse aos professores do Sistema Educacional da Igreja: “É muito proveitoso apresentar uma breve, porém cuidadosamente organizada, visão geral do curso inteiro bem no seu início (…) Essas primeiras aulas, um investimento de tempo tão pequeno comparativamente falando, possibilitam que os alunos se localizem ao longo do caminho. Eles podem sentir como será o curso. Eles irão reter muito mais se souberem como todas as peças se encaixam, e a luz do aprendizado brilhará muito mais forte. A visão geral cria uma base de trabalho e vale muito mais do que o tempo e o esforço que nela foram investidos.” (The Great Plan of Happiness, discurso para educadores religiosos, 10 de agosto de 1993, p. 2.) Despenda algum tempo para desenvolver e ensinar uma introdução e uma visão geral do Velho Testamento. Ajude seus alunos a compreenderem a importância do Velho Testamento e a ansiarem por conhecer as histórias, verdades e pontos de vista que irão ler e aprender durante o ano letivo. Fortaleça seu próprio entendimento, bem como o dos alunos, da missão divina de Jesus Cristo. O que É o Velho Testamento? O Velho Testamento é um registro da interação entre Deus e Seus filhos desde a Criação até aproximadamente 400 a.C. A palavra que foi traduzida como testamento também pode ser traduzida como convênio. Um convênio é um relacionamento especial que uma pessoa ou grupo de pessoas pode estabelecer com o Senhor. O Senhor determina os termos para as recompensas (bênçãos, salvação, exaltação) e os esforços (obediência às regras e mandamentos). Um convênio é cumprido quando as pessoas guardam suas promessas e perseveram até o fim com fé, ao passo que o Senhor concede bênçãos durante a mortalidade e salvação e exaltação depois que tiver sido cumprido. O Velho Testamento contém convênios e doutrinas que o Senhor concedeu a Seus filhos a fim de prepará-los para a vinda do Messias e ensiná-los a voltar a viver em Sua presença. O Velho Testamento é uma voz inspirada do passado com mensagens vitais para os nossos dias. Ele também contém as raízes históricas e doutrinárias das quais todas as nossas escrituras derivam e estabelece um alicerce para o entendimento de quem somos hoje e no que acreditamos. Com a ajuda da revelação moderna, podemos compreender mais corretamente e apreciar o Velho Testamento. Por que Devemos Estudar o Velho Testamento? O Presidente Marion G. Romney, Segundo Conselheiro na Primeira Presidência, disse: “A mensagem do Velho Testamento é a mensagem de Cristo, Sua vinda e Sua expiação.(…)Não creio que exista uma explicação relevante do Velho Testamento que seja mais simples ou clara do que a de [2 Néfi 25–33]. Parece-me que um estudo cuidadoso e fervoroso desses capítulos é um fator essencial para todo aquele que deseje compreender e ensinar a mensagem do Velho Testamento. Nesses capítulos, Néfi separou as coisas importantes das que têm pouca importância. Ele também explicou como esses ensinamentos são importantes para nós que vivemos nos últimos dias. [Ver 2 Néfi 25:23–26.] (…) “(…) A mensagem do Velho Testamento é a mensagem da salvação e os mandamentos que precisamos obedecer a fim de partilharmos da salvação oferecida”. (“The Message of the Old Testament”, A Symposium on the Old Testament, 1979, pp. 5–6.) Profetas antigos e modernos salientaram o valor do Velho Testamento no processo de ajudar os homens a conhecerem Deus. O Apóstolo Paulo escreveu para Timóteo, dizendo: “E desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras (…)”. (II Timóteo 3:15) As escrituras que Timóteo tinha à sua disposição continham os escritos que hoje se encontram no Velho Testamento. Observem o que Paulo disse a respeito dessas santas escrituras: • Elas podem tornar um homem “sábio para a salvação”. (II Timóteo 3:15) • Elas são “divinamente inspirada[s]”. (V. 16) • Elas são “proveitosa[s] para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça”. (V. 16) • Ajudam o justo a tornar-se perfeito e “perfeitamente instruído para toda a boa obra”. (V. 17) Uma parte significativa do Livro de Mórmon contém escrituras e referências do Velho Testamento. O profeta Néfi ensinou a seu povo muitas verdades tiradas das placas de latão. Essas placas continham os escritos que hoje se encontram no Velho Testamento, inclusive os escritos de Moisés e Isaías. Ele disse que usou esses escritos para: • Ajudá-los a saber “o que o Senhor havia feito em outras terras entre os povos antigos”. (1 Néfi 19:22) • “Melhor persuadi-los a acreditar no Senhor, seu Redentor”. (V. 23) • Aplicar as escrituras a eles mesmos, para seu proveito e instrução. (Ver v. 23.) INTRODUÇÃO AO VELHO TESTAMENTO 7

LIVRO DE EZEQUIEL

Ezequiel foi levado para a Babilônia por volta de 597 a.C., quando o rei Jeoiaquim foi deposto por Nabucodonosor e levado para o cativeiro. (Ver II Reis 24:6–16.) Foi ali que Ezequiel recebeu seu chamado como profeta e trabalhou entre os cativos. (Ver Ezequiel 1:1–3.) Em 587 a.C., os babilônios destruíram Jerusalém e levaram a maioria de seus habitantes para a Babilônia. (Ver Ezequiel 24:21–27; II Reis 25.) Ezequiel continuou a profetizar entre os exilados por pelo menos onze anos depois dessa ocasião. (Ver Ezequiel 29:17.) Por meio de Ezequiel, o Senhor transmitiu à rebelde Israel uma mensagem de advertência, de castigo e de misericórdia, não deixando dúvida de Sua ira e de Seu desejo de que eles se arrependessem. O livro de Ezequiel ensina que Deus está no controle e deseja que todos os Seus filhos se acheguem a Ele. Ele inclui pelo menos sessenta e cinco referências (com algumas pequenas variações) à frase “e sabereis que eu sou o Senhor”. Segue-se uma visão geral do livro de Ezequiel: 1. Introdução: Chamado e comissionamento de Ezequiel. (Ver Ezequiel 1–3.) 2. Profecias contra Judá e Jerusalém, terminando na queda e captura de Jerusalém pela Babilônia. (Ver Ezequiel 4–24.) 3. Profecias contra as nações vizinhas de Amom, Moabe, Edom, Filístia, Tiro, Sidom e Egito. (Ver Ezequiel 25–32.) 4. Profecias sobre a restauração de Israel antes da volta do Salvador à Terra. (Ver Ezequiel 33–39.) 5. Visões de um futuro templo em Jerusalém e a forma de adoração nele. (Ver Ezequiel 40–48.) Ezequiel 1–3 Introdução Ezequiel 1–3 é um registro de uma visão concedida ao profeta. Enquanto Jeremias estava pregando sobre a iminente destruição aos habitantes de Jerusalém, Ezequiel estava transmitindo a mesma mensagem na Babilônia, alertando o povo de Judá a abandonar a iniqüidade, caso contrário seriam destruídos. Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Os líderes do sacerdócio, em especial os profetas, são como vigias. Eles vigiam e alertam as pessoas de perigos iminentes. (Ver Ezequiel 3:17–21; 33:1–9; ver também Jacó 1:19–2:11.) Sugestões Didáticas Ezequiel 3:17–21. Nossos líderes do sacerdócio são como vigias. Eles protegem aqueles a quem servem vigiando e alertando-os de perigos iminentes. (35–45 minutos) Peça aos alunos que imaginem estar vivendo numa cidade antiga cercada por uma grande muralha. Pergunte: • Qual seria o principal propósito da muralha? • Como a muralha ofereceria proteção? • Que proteção adicional haveria se a muralha tivesse uma torre com um vigia trabalhando em tempo integral? • Que qualificações deveria ter o vigia? (Por exemplo: Estar sempre alerta, ter boa visão, ter uma voz forte, ter a capacidade de comunicar-se claramente, e ter maturidade para avaliar o que constituiria um perigo e o que teria pequenas conseqüências. Faça uma lista das respostas no quadro-negro.) Peça aos alunos que leiam Ezequiel 3:16–17 e identifiquem quem o Senhor designou como Seu vigia. Leia Ezequiel 1:1–3; 2:1–8 e 3:4–11 e procure o chamado de Ezequiel e algumas de suas qualificações. Peça aos alunos que estudem Ezequiel 3:18–21 e discutam as responsabilidades de Ezequiel como vigia da casa de Israel fazendo perguntas como estas: • No versículo 18, o que o Senhor disse que Ezequiel teria de dizer ao povo? O LIVRO DE EZEQUIEL

LIVRO DE JEREMIAS

Jeremias era um levita de Anatote, uma cidade que fica a alguns quilômetros a nordeste de Jerusalém, no território da tribo de Benjamim. Ele trabalhou em seu chamado como profeta desde o reinado do rei Josias até o do rei Zedequias, num total de quase quarenta anos. Ele foi contemporâneo dos profetas Habacuque, Sofonias, Leí e outros. (Ver a tabela “Reis e Profetas de Israel e Judá”, pp. 219–222). Jeremias predisse e presenciou a queda do reino de Judá e sua conquista pela Babilônia. O escritor SUD Sidney B. Sperry escreveu: “Jeremias (…) viu a idolatria, a adoração nos altos e as práticas das religiões pagãs se espalharem entre seu povo. Havia ídolos pagãos no templo [Jeremias 32:34], crianças eram sacrificadas a Baal-Moloque (7:31; 19:5; 32:35), e Baal era particularmente invocado como a mais comum deidade pagã. (…) A corrupção da adoração religiosa no país foi acompanhada de todo tipo de imoralidade e iniqüidade, contra os quais o profeta testificou continuamente. Os pobres foram esquecidos. Jeremias viu-se cercado por todos os lados por quase total apostasia”. (The Voice of Israel’s Prophets, 1952, p. 153.) Jeremias, como Mórmon, foi chamado para trabalhar entre um povo em relação ao qual pouca esperança havia, porque se recusavam a arrepender-se. “Portanto assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre eles, de que não poderão escapar; e clamarão a mim, mas eu não os ouvirei.” (Jeremias 11:11; ver também Mórmon 2:15.) À medida que o mundo se torna cada vez mais iníquo e a Segunda Vinda se aproxima, as profecias referentes a nossos dias têm uma mensagem semelhante: Sigam o profeta e se arrependam ou serão destruídos. (Ver Apocalipse 9:20–21; 16:9, 11; D&C 1:11–16; 43:22–27.) Os profetas Leí e Néfi do Livro de Mórmon tiveram acesso a algumas das profecias de Jeremias, que foram registradas nas placas de latão. (Ver 1 Néfi 1:4; 5:13.) Jeremias 1–19 Introdução Em Jeremias 1–19, o profeta estabeleceu os alicerces dos capítulos proféticos e históricos subseqüentes. Esses primeiros capítulos falam do chamado e preparação de Jeremias e suas contundentes denúncias da iniqüidade de Israel. Jeremias não apenas contendeu com um povo rebelde mas também com muitos falsos profetas que abertamente se opunham à palavra do Senhor. Ao ler esses capítulos, observe como Jeremias tentou continuamente salvar seu povo, mesmo sabendo que eles não se arrependeriam. Pondere o que podemos aprender com seus esforços incansáveis. (Compare com Mórmon 3:12.) Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Vivemos com o Pai Celestial antes de virmos para a Terra. Ele preordenou muitos a cumprirem designações especiais na Terra. (Ver Jeremias 1:4–5; ver também Alma 13:3; D&C 138:53–56; Abraão 3:22–23.) • O Senhor apóia Seus servos, mesmo que o povo os rejeite. (Ver Jeremias 1:6–10, 17–19; 15:15–21; 20:7–13; 26:12–15, 24; ver também Isaías 54:17; D&C 109:24–29.) • Freqüentemente os nossos pecados nos punem, tanto quanto somos punidos por causa deles. (Ver Jeremias 2:19.) • Aqueles que abandonam o Senhor e buscam a sabedoria e os prazeres do mundo descobrirão que sua própria sabedoria não os poderá salvar e seus pecados os condenarão. (Ver Jeremias 2:13–19.) • Quanto mais permanecermos no pecado, mais difícil se torna o arrependimento. A capacidade de arrependimento pode ser retirada daqueles que persistirem no pecado. (Ver Jeremias 11:1–11, 21–23; 13:23; 14:10–12; ver também Helamã 13:38; D&C 101:7.) • O Senhor abençoa e faz prosperar aqueles que santificam o Dia do Senhor. (Ver Jeremias 17:21–27.) Sugestões Didáticas Jeremias 1:1–11. Na vida pré-mortal, o Pai Celestial preordenou Jeremias para ser um profeta. (20–25 minutos) Escreva Jerusalém—cerca de 600 a.C. no quadro-negro. Embaixo, escreva Leí e _________________. Peça aos alunos que leiam 1 Néfi 1:4. Pergunte o que Néfi disse sobre o número de profetas que estavam em Jerusalém na mesma época em que Leí esteve ali. Peça-lhes que leiam 1 Néfi 7:14 e identifiquem o profeta mencionado por Néfi. Escreva Jeremias no espaço em branco no quadro-negro. Peça aos alunos que leiam Jeremias 1:5 e digam o que aprenderam sobre o chamado de Jeremias como profeta. Pergunte: • Quem o chamou para ser um profeta? • Quando ele foi chamado? Diga aos alunos que a maioria das pessoas não sabem que existíamos antes de virmos para a Terra. Leia a seguinte declaração do Profeta Joseph Smith: Pergunte aos alunos como podemos descobrir para o que fomos preordenados a fazer. (Por exemplo, eles podem viver “Todo homem que recebe o chamado para exercer seu ministério em favor dos habitantes do mundo, foi ordenado precisamente para esse propósito no grande conselho dos céus, antes que este mundo existisse. Suponho que eu tenha sido ordenado a este ofício naquele grande conselho.” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 357.) O LIVRO DE JEREMIAS 177

ISAIAS LIVRO

Isaías era o filho de Amós e foi profeta de Jerusalém por quarenta anos, de 740 a 701 a.C. Ele teve grande influência religiosa e política durante o reinado de Ezequias, de quem era o principal conselheiro. Isaías é o mais citado de todos os profetas, tendo sido freqüentemente citado por Jesus, Paulo, Pedro e João do que qualquer dos outros profetas do Velho Testamento. Existem pelo menos três razões pelas quais o livro de Isaías tem grande importância para nós. Primeiro, o Salvador deunos o mandamento de estudarmos diligentemente as palavras de Isaías. (Ver 3 Néfi 23:1.) Segundo, as escrituras citam Isaías mais do que qualquer outro profeta. Dezenove dos sessenta e seis capítulos de Isaías são citados em sua totalidade no Livro de Mórmon e, com exceção de dois versículos, dois outros capítulos são citados na íntegra. Dos 1292 versículos de Isaías, cerca de 430 são citados no Livro de Mórmon, alguns deles mais de uma vez (totalizando quase 600). Se todas as citações de Isaías encontradas no Livro de Mórmon fossem transferidas para um único livro, denominado livro de Isaías, ele seria o quarto maior livro do Livro de Mórmon, como mostra a seguinte tabela: Isaías também é citado 137 vezes no Novo Testamento e 106 vezes em Doutrina e Convênios. Como outros profetas são freqüentemente citados ou mencionados no livro de Isaías, as escrituras geralmente são a melhor fonte para ajudar a compreender Isaías. Por exemplo: Mais da metade dos versículos de Isaías citados no Livro de Mórmon diferem da versão do rei Jaime da Bíblia. Essas diferenças ajudam a esclarecer ou dão outras explicações sobre o significado de Isaías. O terceiro motivo pelo qual a mensagem de Isaías é tão importante para nós é que ela se centraliza na redenção por intermédio de Jesus Cristo, que foi visto pelo profeta. (Ver Isaías 6:5; 2 Néfi 11:2.) Néfi decidiu citar os escritos de Isaías para “melhor persuadir [seu povo] a acreditar no Senhor, seu Redentor”. (1 Néfi 19:23) Monte S. Nyman, um estudioso SUD, escreveu: “Dos 425 versículos distintos de Isaías que são citados no Livro de Mórmon, 391 dizem algo sobre os atributos ou missão de Jesus Cristo”. (Great Are the Words of Isaiah, 1980, p. 7.) Uma das maiores funções de um profeta é prestar testemunho de Cristo (ver Jacó 7:11), e é extremamente importante estudarmos os ensinamentos dos profetas que falaram de Cristo. O nome de Isaías, de modo muito adequado, significa “Jeová salva”. Para mais informações sobre o profeta Isaías e o livro de Isaías, ver Guia para Estudo das Escrituras, “Isaías”, pp. 106–107.) Para encontrar auxílios específicos para compreender o livro de Isaías, ver a seção especial E de Velho Testamento: I Reis–Malaquias, pp. 131–135.) Isaías 1–12 Introdução Quando Isaías iniciou seu ministério (cerca de 740 a.C.) tanto Israel quanto Judá estavam sendo ameaçados por inimigos externos. Seu maior problema, porém, era sua falta de retidão interna. Isaías transmitiu a mensagem de repreensão do Senhor ao povo de Judá. Mas sua mensagem também incluía uma promessa de esperança: Se o povo se arrependesse, se reconciliaria com o Senhor. Ao ler Isaías 1–12, procure maneiras pelas quais a mensagem de Isaías para Judá poderia ser aplicada a nós. (Ver 1 Néfi 19:23.) Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Isaías profetizou acerca da vida e missão de Jesus Cristo. (Ver Isaías 2:3–12; 6:8; 7:14–16; 9:1–7; ver também 1 Néfi 19:23; Jacó 7:11.) • O Senhor possibilitou que nos tornássemos completamente limpos e perdoados de nossos pecados, se nos arrependermos e guardarmos Seus mandamentos. (Ver Isaías 1:16–18.) • O Senhor ensina a Seu povo o caminho da retidão na casa do Senhor (o templo). O recebimento das ordenanças do templo e o cumprimento dos convênios que fazemos ali ajuda-nos a estabelecer Sião e a preparar-nos para encontrar o Senhor em Sua vinda. (Ver Isaías 2:2–5.) • O Livro de Mórmon e a Igreja são “estandartes” que anunciam ao mundo a Restauração do evangelho. (Ver Isaías 5:26; 11:10–12; ver também 2 Néfi 29:2.) Sugestões Didáticas Isaías 1–12. Os profetas dizem o que precisamos saber e fazer para ter a vida eterna. (20–25 minutos) O Presidente Ezra Taft Benson, quando era Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, disse: 2000 1500 1000 500 0 1971 766 695 ±600 546 497 433 372 227 199 166 49 30 27 18 15 Alma Mosias 3 Néfi Isaías 1 Néfi Helamã Éter 2 Néfi Mórmon Jacó Morôni 4 Néfi Ômni Enos Palavras de Mórmon Jarom Número de versículos por livro Versículos de Isaías no Livro de Mórmon O LIVRO DE ISAÍAS 164

ECLESIASTES

Introdução Eclesiastes significa “aquele que convoca uma assembléia”. Às vezes é traduzido como “pregador”. O livro de Eclesiastes, juntamente com Jó e Provérbios, é chamado às vezes de “literatura de sabedoria” e inclui ensinamentos que mostram a superioridade da sabedoria sobre a insensatez. Além disso, Eclesiastes é o quarto livro da seção do Velho Testamento chamada de poéticos. (Ver “Bíblia” no Guia para Estudo das Escrituras, pp. 30–31.) O tema central do livro de Eclesiastes é a proposta de que a vida é vã se não for centralizada em Deus. Conforme escreveu o pregador: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem”. (Eclesiastes 12:13) Para uma visão geral mais detalhada desse livro, ver Guia para Estudo das Escrituras, “Eclesiastes”, p. 63, ver também “Eclesiastes. A Mensagem do Pregador” em Velho Testamento: I Reis–Malaquias, p. 19.) Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Encontramos paz e felicidade duradoura no evangelho de Jesus Cristo, não nas realizações ou posses terrenas. (Ver Eclesiastes 1:1–3, 12–18; 2:1–11; 12:13–14.) • O plano de salvação determina um tempo ou seqüência adequada para todos os propósitos de Deus. Encontramos alegria ao seguirmos o Seu plano. (Ver Eclesiastes 3:10–11.) Sugestões Didáticas Eclesiastes 1–12. Se não vivermos próximos do Senhor, nossa vida será vazia. (30–35 minutos) Leia a seguinte declaração do Presidente Spencer W. Kimball: Discuta brevemente com os alunos estas três idéias, usando as seguintes perguntas: 1. Pensem nas diversas decisões que as pessoas tomam quando acreditam que não serão responsáveis perante Deus por suas ações ou que não serão julgadas pelas suas escolhas. • Você acha que as escolhas que elas fazem lhes trarão felicidade duradoura? • Existem motivos melhores para escolher fazer o certo além de simplesmente evitar o castigo de Deus? 2. Imaginem que não haja vida após a morte e que nossa experiência de vida termine quando morremos. • O que poderia acontecer com as pessoas que lhes pareçam ser injustas, desleais ou incoerentes? • Como a compreensão do plano de salvação nos ajuda a lidar com essas coisas? 3. Pensem em algumas de suas posses materiais favoritas. • Acreditam que as posses materiais possam trazer felicidade? • Geralmente, quanto tempo dura a felicidade baseada em posses terrenas? Explique aos alunos que as perguntas que você fez são o mesmo tipo de perguntas discutidas em Eclesiastes. Diga aos alunos que o autor de Eclesiastes escreveu a maior parte de seu livro como se acreditasse que a vida fosse tudo que existe. Ele usou a palavra vaidade por todo o livro para descrever aquilo que é sem sentido, temporário ou insatisfatório. Ao escrever por esse ponto de vista, ele mostrou como a vida seria frustrante sem o evangelho. Seu estilo ajuda-nos a mostrar que a vida tem pouco significado ou felicidade, a menos que sirvamos a Deus e nos prepararemos para o julgamento que sem dúvida virá para todos os filhos de Deus. Embora Eclesiastes seja dividido em capítulos, na verdade trata-se de um único sermão. Para ajudar os alunos a compreenderem sua mensagem, estude o livro seqüencialmente. Peça aos alunos que leiam Eclesiastes 2:1–10 e procurem o que o autor buscou para tentar encontrar algum sentimento de alegria ou felicidade duradouro. Pergunte-lhes como se sentem sobre as coisas que ele buscou. Leia Eclesiastes 1:1–3, 14–15; 2:11, 17–18. Pergunte: • Como a expressão “debaixo do sol” é uma boa descrição das coisas terrenas? • Vocês concordam com sua conclusão de que a vida é cheia de vaidades: coisas que não proporcionam paz e alegria duradouras? Peça aos alunos que leiam a introdução de Eclesiastes 3 em seu guia de estudo do aluno. Pergunte: Que consolo sentem ao ler o que é ensinado em Eclesiastes 3:1–8? “A menos que nosso modo de vida nos aproxime de nosso Pai Celestial e nosso próximo, haverá um imenso vazio em nossa vida.” (“The Abundant Life”, Ensign, julho de 1978, p. 4.) ECLESIASTES OU O PREGADOR 162

LIVRO DE SALMOS

Antes de estudar o livro dos Salmos, leia a seção especial G, “Estilos Literários Hebraicos”, em Velho Testamento: Gênesis–II Samuel, pp. 303–306.) Uma compreensão da natureza da poesia hebraica irá ampliar imensamente seu apreço pelos salmos. Os salmos são uma coleção de poemas ou hinos hebraicos, alguns dos quais eram usados nas cerimônias sagradas formais (liturgia) no tabernáculo e no templo. Alguns foram escritos em louvor a Deus; outros eram orações. Alguns foram evidentemente cantados com o acompanhamento de instrumentos musicais, enquanto que outros foram cânticos rituais sem acompanhamento. (Ver Guia para Estudo das Escrituras, “Salmo”, p. 190; ver também “Quem Escreveu os Salmos?” em Velho Testamento: Gênesis–II Samuel, pp. 310.) O título Salmos vem da Septuaginta (a tradução grega da Bíblia) e significa “hinos”. O nome hebraico para Salmos é Tequilim, que significa “louvores” ou “hinos de louvor”. Os salmos foram os hinos da igreja entre os hebreus. Isso explica por que esse livro é citado mais vezes no Novo Testamento do que qualquer outro livro do Velho Testamento. Tradicionalmente, os hebreus dividiam os 150 salmos em cinco livros distintos. Na Bíblia atual, eles estão divididos da seguinte forma: 1. Salmos 1–41 2. Salmos 42–72 3. Salmos 73–89 4. Salmos 90–106 5. Salmos 107–150 No final de cada divisão, a interrupção está marcada com uma doxologia, ou declaração formal do poder e glória de Deus. (Ver Salmos 41:13; 72:19; 89:52; 106:48.) O Salmo 150 por si só é uma doxologia, usando a palavra hebraica Aleluia, “Louvado seja o Senhor”, no início e no final, bem como a palavra louvai repetida onze vezes. É uma conclusão adequada dos Tequilim, ou hinos de louvor. Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • O Senhor freqüentemente dá as seguintes bênçãos aos que colocam sua fé Nele e confiam Nele: a. Ele irá proteger-nos, defender-nos e livrar-nos. (Ver Salmos 4:1, 3, 5–6; 5:1–3, 11–12; 7:1–2, 10; 18:1–6, 30–32; 20:6–9; 23:4–5; 37:39–40; 56; 71:1–5; 143:9–12; 145:18–20; ver também Mosias 7:33.) b. Ele irá liderar-nos com Sua luz. (Ver Salmos 4:5–6; 18:28; 27:1; 37:3–6. 143: 6–10; ver também João 8:12.) c. Ele lhes concederá misericórdia e perdão. (Ver Salmos 6:1–9; 13:5; 23:3, 6; 25:1–13; 51; 103:17–18; ver também Alma 12:33–34; 34:15–18.) d. Ele compreenderá e nos fortalecerá quando sofrermos. (Ver Salmos 6:2–10; 22:1–5; 23; 25:15–22; 28:6–9; 38:8–15; 40:1–4, 11–13, 16; 57:1–3; 61; 63:1–8; 69:1–20, 29–36; 86; 130; 142; 146:5–9.) e. Eles serão coroados com honra e glória. (Ver Salmos 8; 24:3–6; 73:24; 82:6; 84:11–12; 106:1–5; ver também 1 Pedro 5:1–4; D&C 76:92–95; 109:76.) • Muitos dos Salmos contêm profecias messiânicas ou descrições da vida e ministério de Jesus Cristo. (Ver Salmos 22; 110; 118.) • O pecado traz sofrimento e desespero, ao passo que a obediência e o cumprimento de convênios nos proporcionam paz na mente e coração. (Ver Salmos 23–25; 34; 51.) • Podemos adorar a Deus por meio de música sacra, que pode edificar-nos e ajudar-nos a sentir o Espírito. Sugestões Didáticas Salmos 23; 42; 51; 73; 137; 145. Os Salmos expressam uma ampla gama de emoções humanas. (15–20 minutos) Você pode tocar para os alunos algumas músicas gravadas de vários tipos (como uma canção triste, uma música alegre, uma marcha militar ou um hino sacro.) Em cada música, pergunte aos alunos: • Que emoção vocês acham que a música está tentando expressar? • Como vocês se sentem ao ouvi-la? O LIVRO DOS SALMOS 156

LIVRO DE PROVÉRBIOS

Introdução O livro de Provérbios é uma coleção de declarações curtas e compactas que expressam verdades sobre o comportamento humano. É o terceiro livro poético do Velho Testamento. Os livros de Jó, Salmos, Provérbios e Eclesiastes às vezes são chamados de livros de sabedoria. Eles contêm menos material considerado revelação divina e mais atribuídos à sabedoria humana do que a Lei, a História ou os Profetas. (Ver “Bíblia”, p. 30, e “Velho Testamento”, pp. 214–215, “Provérbio”, p. 176, no Guia para Estudo das Escrituras; a introdução aos Provérbios em Velho Testamento: I Reis–Malaquias, p. 13.) Os provérbios geralmente são simples e diretos. Exemplos de provérbios modernos são “De grão em grão a galinha enche o papo”, “Devagar se vai ao longe” e “Quem não arrisca não petisca”. Alguns provérbios são mais complexos e de significado mais obscuro. Apalavra provérbio vem da palavra hebraica mashal que significa “representar” ou “ser semelhante”. Existem vários provérbios que se encontram em outros livros de escrituras. (Ver I Samuel 24:13; Jó 28:28; Ezequiel 18:2.) O Salvador também usou provérbios em Seus ensinamentos. (Ver Lucas 4:23; João 16:25.) Os provérbios encontrados no Velho Testamento podem ser uma fonte de inspiração, conselho e orientação para os que lerem e ponderarem sua mensagem de sabedoria. Ao estudar os Provérbios, pondere como seus ensinamentos podem ser aplicados à vida em nossos dias. Ao substituir comparações antigas por modernas, freqüentemente descobrimos que sua sabedoria é tão adequada aos dias de hoje quanto era na antigüidade. Alguns Importantes Princípios do Evangelho a Serem Procurados • Devemos buscar diligentemente a sabedoria de Deus para orientar nossa vida. (Ver Provérbios 1:1–7; 2:1–12; 3:13–20; 4:7–8; 16:16.) • O Senhor guiará a vida daqueles que confiarem Nele. (Ver Provérbios 1:24–33; 3:5–7.) • O Senhor Se deleita naqueles que O reverenciam com virtude, sabedoria e diligência. (Ver Provérbios 31:10–31.) Sugestões Didáticas A apresentação 19 do Vídeo do Velho Testamento, “Confia no Senhor”, usa três analogias para mostrar a importância de confiarmos no Senhor. (Ver Guia de Vídeo do Velho Testamento para sugestões didáticas.) Provérbios 1–31. A sabedoria encontrada no livro de Provérbios pode ajudar-nos a tomar decisões, responder dúvidas e compreender importantes verdades. (25–30 minutos) Peça aos alunos que pensem numa crise, decisão ou problema importante que tiveram que enfrentar. Depois, pergunte: • Vocês preferem enfrentar esse tipo de problemas sozinhos ou seria útil pedir ajuda a outras pessoas para receber conselho e orientação? • Em quem vocês confiam quando enfrentam seus problemas mais difíceis? Por quê? • Vocês tentam seguir o conselho delas ou têm a tendência de ignorá-lo? Ajude os alunos a compreenderem que o livro de Provérbios é uma coleção de declarações sábias, muitas das quais foram inspiradas pelo Senhor, que podem ajudar-nos em muitos de nossos problemas. Leia Provérbios 1:1; 10:1; 25:1; 30:1 e 31:1 e procure quem foi que escreveu a maior parte do livro de Provérbios. Leia I Reis 4:29–34 para descobrir quantos provérbios Salomão escreveu. Leia para os alunos a informação contida na introdução e discuta como o estudo do livro de Provérbios pode ser bastante proveitoso. Peça-lhes que leiam Provérbios 1:1–7; 2:1–12; 3:13–20; 4:7–8; e 16:16. Pergunte: • O que esses versículos declaram sobre o valor da sabedoria? • Por que é importante usar de sabedoria em nossas decisões do dia-a-dia? • Por que as instruções do Senhor sobre nossos problemas sempre serão um conselho sábio? O livro de Provérbios contém muita sabedoria. Peça a cada um de seus alunos que escolha (ou você pode designar) um capítulo diferente de Provérbios para ler e escolher um provérbio que tenha um ponto de vista ou doutrina útil para ser compartilhado com a classe. Peça-lhes que leiam o provérbio em voz alta e digam como eles acreditam que ele se relaciona a nós e as bênçãos que podemos receber se vivermos esse provérbio. Provérbios 1–31. Todos têm alguma sabedoria que é suficientemente valiosa para ser compartilhada com outras pessoas. (25–30 minutos) Peça aos alunos que pensem numa citação inspiradora favorita que tenham decorado ou escrito em algum lugar. Pergunte: • Com que freqüência vocês pensam nessa citação? • Como ela os ajudou em sua vida? Explique aos alunos que o livro de Provérbios contém muitas passagens bastante conhecidas que podem ser úteis se forem aplicadas à nossa vida. Peça aos alunos que escrevam seus próprios provérbios seguindo o padrão simples descrito pelo Élder Boyd K. Packer: “Jesus, como mestre, ensinou a uma congregação de pessoas sem cultura os ideais invisíveis e intangíveis do evangelho. Ao ensinar a fé, o amor, a irmandade e o arrependimento, Ele empregou a técnica de comparar o ideal intangível e invisível com um objeto comum e conhecido com o qual Seus discípulos já estavam familiarizados. Isso é conhecido como apercepção, e esta é a fórmula: OS PROVÉRBIOS 160

MEMORIA.

Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. O ESTUDO DA MEMÓRIA ATRAVÉS DE UMA ABORDAGEM INTERPRETATIVA1 Henrique Fernandes ANTUNES2 RESUMO O presente trabalho tem o intuito de abordar questões epistemológicas e metodológicas sobre o estudo da memória. Em um primeiro momento, trata-se de uma reflexão sobre a memória enquanto um fenômeno social passível de estudo pelas ciências sociais. Partindo dessa perspectiva, será realizada uma discussão sobre a possibilidade de apreender o fenômeno em pauta a partir de uma abordagem interpretativa. Palavras-chave: Memória. Fenômeno social. Abordagem interpretativa. O intuito do presente trabalho consiste em averiguar a relevância da memória – entenda-se aqui o seu aspecto social – para as ciências sociais, considerando as implicações epistemológicas e metodológicas que envolvem seu estudo a partir de uma abordagem interpretativa. Em um primeiro momento, a memória diz respeito à questão do indivíduo, ou seja, ao próprio lócus da memória. Esse enfoque é evidente em Portelli, pois, ao definir a história oral como a ciência e a arte do indivíduo, pressupõe que a memória está intrinsecamente ligada à experiência pessoal – pelo menos no caráter fenomenológico –, ao sujeito que realiza o ato de rememorar. A História Oral é uma ciência e arte do indivíduo. Embora diga respeito – assim como a sociologia e a antropologia – a padrões culturais, estruturas sociais e processos históricos, visa aprofundá-los, em essência, por meio de conversas com pessoas sobre a experiência e a memória individuais e ainda por meio do impacto que estas tiveram na vida de cada uma. (PORTELLI, 1997, p. 15) Contudo, o autor reconhece que apesar de a memória constituir-se enquanto um processo essencialmente individual remete ao mesmo tempo a aspectos sociais e padrões culturais. Em outros termos, a memória compreende dois níveis concomitantemente: um 1 Artigo referente ao primeiro capítulo do Trabalho de Conclusão de Curso, Santo Daime e Memória: uma abordagem interpretativa, no ano de 2008 pela UNESP - Universidade Estadual Paulista – FFC – Campus de Marília. Orientadora: Dra. Rosângela de Lima Vieira, professora do departamento de Ciências Sociais da UNESP-FFC. hictune@yahoo.com 2 Aluno do Bacharelado em Antropologia do curso de Ciências Sociais da UNESP-FFC. Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 320 individual e outro social. O caráter social e cultural da memória é conseqüência da interação entre indivíduo e meio social, contudo, a apreensão das experiências concretas através do ato de rememorar, é exclusivamente pessoal. Por isso a existência de semelhanças, distinções, ou mesmo contradições em relatos e depoimentos acerca de um acontecimento específico não se caracteriza como fato peculiar para o estudo da memória, pelo contrário, seu caráter individual impede a possibilidade da existência de memórias exatamente iguais. A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato da História Oral dizer respeito a versões do passado, ou seja, à memória. Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social, em última análise, o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais. A memória pode existir em elaborações socialmente estruturadas, mas apenas os seres humanos são capazes de guardar lembranças. Se considerarmos a memória um processo, e não um depósito de dados, poderemos constatar que, à semelhança da linguagem, a memória é social, tornando-se concreta apenas quando mentalizada ou verbalizada pelas pessoas. A memória é um processo individual, que ocorre em um meio social dinâmico, valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados. Em vista disso, as recordações podem ser semelhantes, contraditórias ou sobrepostas. Porém, em hipótese alguma, as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais, ou, bem da verdade, como as vozes – exatamente iguais. (ibid., p. 16) Refletindo tal questão, a partir da análise de relatos de membros do culto do Santo Daime, Goulart ressalta que a existência de distinções em depoimentos que versam sobre o mesmo tema, ou, até mesmo mais de uma versão sobre determinado evento, não implica a impossibilidade de uma apreensão dos acontecimentos. Pelo contrário, tais distinções podem ser apreendidas em um nível menos subjetivo. (...) gostaria de esclarecer que embora eu esteja separando dois tipos de relatos, na verdade eles muitas vezes se misturam. Contudo, creio que a distinção que fiz entre eles ainda é válida. Pois, mesmo no caso de autênticas versões míticas, pode-se visualizar, nas falas dos nativos, colagens entre fragmentos das várias versões. Mas isto não significa que, num outro nível, menos subjetivo, tais distinções não possam ser apreendidas. (GOULART, 1998, p. 69) Nesse sentido, o historiador Jacques Le Goff aponta como aspecto corriqueiro a presença de distinções nas formas de expressões culturais mitológicas comum em Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 321 sociedades tradicionais – principalmente no que tange povos sem escrita –, cuja tradição oral e a memória, enquanto projeções sociais, representam aspectos constitutivos de grande importância. Mas é necessário sublinhar que, contrariamente ao que em geral se crê, a memória transmitida pela aprendizagem nas sociedades sem escrita não é uma memória “palavra por palavra”. Goody, provou-o estudando o mito do Bagre recolhido entro os lodagaas do norte do Gana. Observou as numerosas variantes nas diversas versões do mito, mesmo nos fragmentos mais estereotipados. Os homens memória, na ocorrência narradores, não desempenham o mesmo papel dos mestres-escolas (e a escola não aparece senão com a escrita). Não se desenvolve em torno deles uma aprendizagem mecânica automática. Mas, segundo Goody, nas sociedades sem escrita, não há unicamente dificuldades objetivas na memorização integral, palavra por palavra, mas também o fato de que “este gênero de atividade raramente é sentido como necessário”; “o produto de uma rememoração exata” aparece nestas sociedades como “menos útil, menos apreciável que o fruto de uma evocação inexata” (1977 a, p.38). Assim, constata-se raramente a existência de procedimentos mnemotécnicos nestas sociedades (um dos casos raros é o quipo peruano, clássico na literatura etnológica). A memória coletiva parece, portanto, funcionar nestas sociedades segundo uma ‘reconstrução generativa” e não segundo uma memorização mecânica. Assim, segundo Goody, “o suporte da rememorização não se situa ao nível superficial em que opera a memória da ‘palavra por palavra’, nem ao nível das estruturas ‘profundas’ que numerosos mitólogos encontram [...]. Parece, ao contrário, que o papel importante cabe à dimensão narrativa e a outras estruturas da história cronológica dos acontecimentos” (événementielles) (LE GOFF, 2003, p. 425-426) Assim, por se tratar de um fenômeno concomitantemente individual e coletivo, a memória apresenta-se enquanto processo dinâmico em permanente mudança, ligando o sujeito histórico ao grupo social, e a um momento específico no tempo. Este aspecto dual leva Diehl a afirmar que a memória é capaz de representar possibilidades de aprendizagem e de socialização influenciando na construção de uma identificação cultural. Memória possui contextualidade e é possível ser atualizada historicamente. Ela possui maior consistência do que lembrança, uma vez que é uma representação produzida pela e através da experiência. Constitui-se de um saber, formando tradições, caminhos – como canais de comunicação entre dimensões temporais –, ao invés de rastros e restos como no caso da lembrança. A memória pode constituir-se de elementos individuais e coletivos, fazendo parte de perspectivas de futuro, de utopias, de consciências do passado e de sofrimentos. Ela possui a capacidade de instrumentalizar canais de comunicação para a consciência histórica e cultural, uma vez que pode abranger a totalidade do passado Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 322 num determinado corte temporal. (...) Nesse nível, ela representa possibilidades de aprendizagem e de socialização, expressando assim continuidade e identidade daquelas tradições. (DIEHL, 2002, p. 116-117) É nesse sentido que Nora diferencia memória e história. De acordo com o autor, enquanto a memória se apresenta enquanto vida, visto que levada adiante por grupos vivos, encontrando-se em “permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento” (NORA, 1993, p.9), a história apresenta-se enquanto “reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais” (ibid, p. 9). Deste modo, o autor conclui que “a memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história uma representação do passado” (ibid, p. 9). No entanto, cabe ressaltar que o aspecto atual da memória apresenta implicações importantes sobre seus limites. Enquanto processo em permanente evolução, a memória apresenta a impossibilidade de apreender os acontecimentos na forma como eles realmente aconteceram. Contudo, a partir da perspectiva de Sahlins, saber o que realmente aconteceu não depende apenas de uma descrição das ações e acontecimentos, mas da apreensão do significado da experiência e das ações. (...) para saber o que realmente aconteceu, seria insuficiente assinalar que certas pessoas agiram de certos modos, a não ser que soubéssemos o significado dessas ações. Aquilo que é contingente só se torna plenamente histórico quando é significativo: somente quando o ato pessoal ou efeito ecológico toma um valor de posição ou sistemático em um esquema cultual. Uma presença histórica é uma presença cultural. (SAHLINS, 1990, p.144, grifo meu) A história não é somente a contingência de fatos e acontecimentos, mas o significado de tais experiências para um grupo determinado. Partindo do princípio que o significado é parte integrante e fundamental para qualquer evento, este pode então ser observado a partir de dois planos: enquanto ação individual e enquanto representação coletiva. (...) o evento (qualquer evento) se desdobra simultaneamente em dois planos: como ação individual e como representação coletiva; ou melhor, como a relação entre certas histórias da vida e uma acima e além dessas outras. Parafraseando Clifford Geertz, o evento é uma atualização única de um fenômeno geral (1961:153-54). Assim, por um lado, temos a contingência histórica e as particularidades da ação individual; e, por outro, aquelas dimensões recorrentes do evento, onde podemos reconhecer uma certa ordem cultural. O paradoxo para uma “ciência” Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 323 histórica é que as circunstâncias contingentes – tais como acidentes biográficos ou geográficos – são condições necessárias. (ibid., p.143-44) Outra questão que deve ser aprofundada é a relação entre memória e identidade apontada por Diehl. De acordo com Marcus (1991), a memória individual ou coletiva é considerada enquanto prova do auto-reconhecimento, em um âmbito local, da identidade. Contudo, o autor aponta que a compreensão de processos sociais na modernidade envolve uma desconstrução da concepção de tradições ou vidas comunitárias restritas a um espaço geográfico definido. Para Marcus, a dificuldade em captar a memória enquanto processo social remete justamente a inadequação do conceito de comunidade no que tange a modernidade. Além disso, a erosão da distinção público/privado no que concerne a vida cotidiana, o deslocamento da oralidade e da narração para outra função além de sua original ligada a transmissão da memória, são exemplos de fatores apontados por Marcus que tornam a descrição e compreensão da memória uma tarefa difícil para a modernidade. O passado que continua presente é construído a partir da memória, que é o agente fundamental da etno-história. Numa etnografia modernista, a memória coletiva e individual, nos seus múltiplos sinais e expressões, é tomada como prova do auto-reconhecimento, ao nível local da identidade. Ainda que o significado da memória como agente vinculador e como processo que relaciona a história com a formação da identidade tenha bastante aceitação junto aos etnógrafos contemporâneos, uma reflexão analítica e metodológica sobre a memória ainda não se desenvolveu. Contudo, é mais um fenômeno difuso da modernidade que permite a compreensão dos processos da diversidade que derivam, não de tradições enraizadas ou da vida comunitária, mas da sua emergência no seio de outras associações que se processam na memória coletiva e na individual. A dificuldade de captar a memória de forma descritiva enquanto processo social ou coletivo, na modernidade, está relacionada com a inadequação do conceito de comunidade no que se refere à conceitualização do plano espacial da etnografia, como apontado acima. A erosão da distinção público/privado na vida cotidiana (...), aliada ao deslocamento – na era da informática – da oralidade e da narração de estórias para outra função além da sua função original de reserva de memória (tida também como condição da vida na comunidade, como concebida originalmente), tornam a compreensão e descrição de qualquer “arte de memorizar” especialmente problemática na modernidade. (MARCUS, 1991, p. 205-206) Apesar do estudo da memória na contemporaneidade apresentar questões mais amplas e complexas, pode-se afirmar, a partir da discussão levantada, que esta origina-se de Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 324 um processo dinâmico de interação entre indivíduo e meio social, ela é coletiva e ao mesmo tempo individualizada, é viva, pois diz respeito aos sujeitos históricos e à dialética da lembrança e do esquecimento, é capaz de instrumentalizar canais de comunicação para uma apreensão histórica e cultural, representa possibilidades de aprendizagem e socialização, formando tradições e influenciando na construção de identidades. A partir de apreensões tão complexas, é necessário escolher um caminho a ser seguido para abordar o estudo da memória. Não há como trata-la enquanto algo exclusivamente pessoal. Tampouco considerala apenas um produto social, pois a torna sem substância, retirando o aspecto vivo do processo de construção da memória. Nem um extremo, nem outro. É fato que a memória se expressa em ambos os níveis, contudo, no que concerne às ciências humanas – ou, mais especificamente, às ciências sociais – é seu caráter enquanto fenômeno social, cujas manifestações podem ser percebidas, apreendidas e analisadas, que importa, pelo menos no que concerne às ciências sociais. Pode-se estabelecer um paralelo entre afirmação o caráter social da memória e a concepção do antropólogo Clifford Geertz acerca da natureza social do pensamento. Para Geertz: O pensamento humano é rematadamente social: social em sua origem, em suas funções, social em suas formas, social em suas aplicações. Fundamentalmente, é uma atividade pública – seu habitat natural é o pátio da casa, o local do mercado e a praça da cidade. (GEERTZ, 1989, p. 225) Assim, é precisamente a concepção do pensar enquanto ato social que apresenta um papel significativo para as ciências sociais: (...) a concepção do pensar como sendo basicamente um ato social, que ocorre no mesmo público em que ocorrem outros atos sociais, pode desempenhar um papel muito construtivo. A perspectiva de que o pensamento não consiste em processos misteriosos localizados naquilo que Gilbert Ryle chamou de gruta secreta na cabeça, mas num tráfico de símbolos significantes – objetos em experiência (rituais e ferramentas; ídolos esculpidos e buracos de água; gestos, marcações, imagens e sons) sobre os quais os homens imprimiram significado – faz do estudo da cultura uma ciência positiva como qualquer outra. (ibid., p. 227) A proposição de encarar o pensamento enquanto ato social não anula a questão individual pelo simples fato de serem os homens que pensam. Contudo, o autor foge da concepção ingênua que o pensamento é algo estritamente individual ao afirmar que os Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 325 sistemas de símbolos que orientam e definem o pensamento humano “não são dados pela natureza das coisas – eles são construídos historicamente, mantidos socialmente e aplicados individualmente” (ibid., p.229). Adaptando o pensamento de Geertz para o objetivo do presente artigo, porém, sem deturpá-lo, é possível considerar a memória enquanto um ato social, pois implica necessariamente um “tráfico de símbolos significantes”, especialmente em se tratando da memória de um grupo social específico. Diehl apresenta uma concepção parecida, mas voltada à questão do papel da memória para a história: “Para a história, não são as memórias e identidades os pontos centrais, mas as suas respectivas representações nas experiências e expectativas de vida” (Idem, p. 113). O autor continua: “se pensarmos memória dentro dessa perspectiva, então ela não aparece como fonte de informações para o conhecimento histórico, mas como expressão do próprio pensar histórico” (DIEHL, 2002, p. 120). Com efeito, apreender a memória enquanto expressão do pensar histórico, ou como tráfico de símbolos significantes possibilita ir além do caráter individual do processo de rememorização para enfocar suas formas sociais e culturais. Essa é uma questão epistemológica central. Como algo que está necessariamente vinculado a experiência individual pode ser objeto de estudo das ciências sociais? Partindo do princípio que indivíduo percebe, apreende, interpreta, dota de significado e imprime sentido ao mundo que o cerca a partir do convívio social, é possível encarar a memória enquanto um ato social, enquanto uma expressão do pensar histórico. Além da preocupação epistemológica, há questões metodológicas a serem apontadas. A principal delas consiste em refletir o papel do pesquisador na produção do conhecimento. Especialmente no caso da memória, o objeto de pesquisa não é palpável, não é possível visualizá-la, não está presente na realidade social concreta, tampouco se pode medir ou quantifica-la. Na medida em que não se lida com fatos concretos, é necessário que o pesquisador admita o caráter interpretativo da pesquisa científica, assumindo em contrapartida a consciência de sua subjetividade na produção do conhecimento, tendo em vista que este processo não fornece uma percepção completa de um fenômeno ou garante acesso à verdade. A objetividade científica não consiste em nos ausentarmos da cena do discurso e em simularmos uma neutralidade que é tanto impossível Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 326 quanto indesejável. Essa objetividade consiste, antes, em assumir a tarefa de interpretação, que cabe aos intelectuais. (...) A responsabilidade pela interpretação, é óbvio, não chega a reivindicar, para nossas interpretações, acesso completo e exclusivo à verdade. (PORTELLI, 1997,p. 26-27) Nessa ótica, Schaff aponta, baseando-se no Trabalho de Pirene, que a produção do historiador é concomitantemente síntese e hipótese. O trabalho do historiador, como diz Henri Pirene, é ao mesmo tempo uma síntese e uma hipótese: uma síntese na medida em que o historiador tende a reconstituir a totalidade da imagem a partir do conhecimento dos fatos particulares; uma hipótese na medida em que as relações estabelecidas entre esses fatos não são nunca absolutamente evidentes nem verificáveis. (...) Sublinhar o caráter hipotético dos resultados do trabalho do historiador, é apreender em outros termos o papel que desempenha o fator subjetivo neste trabalho. (SCHAFF, p. 285) Tais questões não se encerram no campo da historiografia, pelo contrário, englobam outros campos das ciências humanas dedicadas aos estudos culturais. Retomando o pensamento de Geertz, que chega ao ponto de afirmar sobre a produção de textos antropológicos, que estes se enquadram enquanto ficções, não por constituírem-se enquanto proposições falsas, mas por tratar-se interpretações e construções orientadas com o intuito de apresentar uma descrição acerca do objeto de estudo. Nas palavras do autor: Resumindo, os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e, na verdade, de segunda e terceira mão. (Por definição, somente um “nativo” faz a interpretação em primeira mão: é a sua cultura.) Trata-se, portanto, de ficções; ficções no sentido de que são “algo construído”, “algo modelado” – o sentido original de fictio – não que sejam falsas, não-fatuais ou apenas experimentos do pensamento. (GEERTZ, 1989, p.11) Assim, o autor chega à conclusão que a descrição etnográfica apresenta necessariamente três características, a saber: “ela é interpretativa; o que ela interpreta é o fluxo do discurso social e a interpretação envolvida consiste em tentar salvar o “dito” num tal discurso da sua possibilidade de extinguir-se e fixá-lo em formas pesquisáveis” (ibid., p. 15) Considerando a discussão levantada, é inevitável que qualquer pesquisa que se pretenda realizar carregue certo grau de subjetividade. Nas ciências humanas principalmente, esse pressuposto pode ser contrabalançado por uma abordagem interpretativa. No caso do estudo da memória, as opções epistemológicas e metodológicas Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 327 remetem a um grau de subjetividade que envolve não somente tais escolhas, mas a forma como a pesquisa é levada a cabo. Nesse âmbito, a perspectiva interpretativa possibilita ao pesquisador certo grau de objetividade na medida em que parte do princípio que o trabalho intelectual é uma construção que, em momento algum, pretende reivindicar para si a posse de uma verdade definitiva. O presente artigo teve como objetivo principal discutir questões relevantes ao estudo da memória na contemporaneidade, apontando alguns pontos básicos e problemas levantados por autores que pensam a memória na modernidade. O intuito seria, partilhando da concepção de Geertz, de uma abertura nas possibilidades de apreender as relações sociais e simbólicas que os seres humanos constroem ao interagirem socialmente. Nesses termos, um trecho da obra do autor exprime a intenção primeira do texto. A antropologia, ou pelo menos a antropologia interpretativa, é uma ciência cujo progresso é marcado menos por uma perfeição de consenso do que um refinamento do debate. (...) não há conclusões a serem apresentadas; há apenas uma discussão a ser sustentada. (ibid, 1989, p.38) REFERÊNCIAS DIEHL, Astor Antonio. Cultura historiográfica: memória, identidade e representação. Bauru, SP: EDUSC, 2002. GEERTZ, Clifford. A Interpretação das culturas. Rio de Janeiro:Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., 1989. GOULART, Sandra Lúcia. As raízes culturais do Santo Daime. Tese (mestrado em antropologia social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996. LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Unicamp, 2003. MARCUS, George. Identidades passadas, presentes e emergentes: requisitos para etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial. Revista de Antropologia, v. 34, 1991. Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 328 NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História , 10. História e Cultura: São Paulo – PUC/SP, 1993. PORTELLI, Alessandro. Tentando aprender um pouquinho: algumas reflexões sobre a ética na História Oral. Projeto História 15. São Paulo, 1997. SAHLINS, Marshall. Ilhas de História. Rio de Janeiro: Zahar, 1990. SCHAFF, Adam. História e verdade. São Paulo: Martins Fontes, 1983. ARTIGO RECEBIDO EM 2008

ESTUDO DA MEMORIA

Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. O ESTUDO DA MEMÓRIA ATRAVÉS DE UMA ABORDAGEM INTERPRETATIVA1 Henrique Fernandes ANTUNES2 RESUMO O presente trabalho tem o intuito de abordar questões epistemológicas e metodológicas sobre o estudo da memória. Em um primeiro momento, trata-se de uma reflexão sobre a memória enquanto um fenômeno social passível de estudo pelas ciências sociais. Partindo dessa perspectiva, será realizada uma discussão sobre a possibilidade de apreender o fenômeno em pauta a partir de uma abordagem interpretativa. Palavras-chave: Memória. Fenômeno social. Abordagem interpretativa. O intuito do presente trabalho consiste em averiguar a relevância da memória – entenda-se aqui o seu aspecto social – para as ciências sociais, considerando as implicações epistemológicas e metodológicas que envolvem seu estudo a partir de uma abordagem interpretativa. Em um primeiro momento, a memória diz respeito à questão do indivíduo, ou seja, ao próprio lócus da memória. Esse enfoque é evidente em Portelli, pois, ao definir a história oral como a ciência e a arte do indivíduo, pressupõe que a memória está intrinsecamente ligada à experiência pessoal – pelo menos no caráter fenomenológico –, ao sujeito que realiza o ato de rememorar. A História Oral é uma ciência e arte do indivíduo. Embora diga respeito – assim como a sociologia e a antropologia – a padrões culturais, estruturas sociais e processos históricos, visa aprofundá-los, em essência, por meio de conversas com pessoas sobre a experiência e a memória individuais e ainda por meio do impacto que estas tiveram na vida de cada uma. (PORTELLI, 1997, p. 15) Contudo, o autor reconhece que apesar de a memória constituir-se enquanto um processo essencialmente individual remete ao mesmo tempo a aspectos sociais e padrões culturais. Em outros termos, a memória compreende dois níveis concomitantemente: um 1 Artigo referente ao primeiro capítulo do Trabalho de Conclusão de Curso, Santo Daime e Memória: uma abordagem interpretativa, no ano de 2008 pela UNESP - Universidade Estadual Paulista – FFC – Campus de Marília. Orientadora: Dra. Rosângela de Lima Vieira, professora do departamento de Ciências Sociais da UNESP-FFC. hictune@yahoo.com 2 Aluno do Bacharelado em Antropologia do curso de Ciências Sociais da UNESP-FFC. Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 320 individual e outro social. O caráter social e cultural da memória é conseqüência da interação entre indivíduo e meio social, contudo, a apreensão das experiências concretas através do ato de rememorar, é exclusivamente pessoal. Por isso a existência de semelhanças, distinções, ou mesmo contradições em relatos e depoimentos acerca de um acontecimento específico não se caracteriza como fato peculiar para o estudo da memória, pelo contrário, seu caráter individual impede a possibilidade da existência de memórias exatamente iguais. A essencialidade do indivíduo é salientada pelo fato da História Oral dizer respeito a versões do passado, ou seja, à memória. Ainda que esta seja sempre moldada de diversas formas pelo meio social, em última análise, o ato e a arte de lembrar jamais deixam de ser profundamente pessoais. A memória pode existir em elaborações socialmente estruturadas, mas apenas os seres humanos são capazes de guardar lembranças. Se considerarmos a memória um processo, e não um depósito de dados, poderemos constatar que, à semelhança da linguagem, a memória é social, tornando-se concreta apenas quando mentalizada ou verbalizada pelas pessoas. A memória é um processo individual, que ocorre em um meio social dinâmico, valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados. Em vista disso, as recordações podem ser semelhantes, contraditórias ou sobrepostas. Porém, em hipótese alguma, as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais, ou, bem da verdade, como as vozes – exatamente iguais. (ibid., p. 16) Refletindo tal questão, a partir da análise de relatos de membros do culto do Santo Daime, Goulart ressalta que a existência de distinções em depoimentos que versam sobre o mesmo tema, ou, até mesmo mais de uma versão sobre determinado evento, não implica a impossibilidade de uma apreensão dos acontecimentos. Pelo contrário, tais distinções podem ser apreendidas em um nível menos subjetivo. (...) gostaria de esclarecer que embora eu esteja separando dois tipos de relatos, na verdade eles muitas vezes se misturam. Contudo, creio que a distinção que fiz entre eles ainda é válida. Pois, mesmo no caso de autênticas versões míticas, pode-se visualizar, nas falas dos nativos, colagens entre fragmentos das várias versões. Mas isto não significa que, num outro nível, menos subjetivo, tais distinções não possam ser apreendidas. (GOULART, 1998, p. 69) Nesse sentido, o historiador Jacques Le Goff aponta como aspecto corriqueiro a presença de distinções nas formas de expressões culturais mitológicas comum em Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 321 sociedades tradicionais – principalmente no que tange povos sem escrita –, cuja tradição oral e a memória, enquanto projeções sociais, representam aspectos constitutivos de grande importância. Mas é necessário sublinhar que, contrariamente ao que em geral se crê, a memória transmitida pela aprendizagem nas sociedades sem escrita não é uma memória “palavra por palavra”. Goody, provou-o estudando o mito do Bagre recolhido entro os lodagaas do norte do Gana. Observou as numerosas variantes nas diversas versões do mito, mesmo nos fragmentos mais estereotipados. Os homens memória, na ocorrência narradores, não desempenham o mesmo papel dos mestres-escolas (e a escola não aparece senão com a escrita). Não se desenvolve em torno deles uma aprendizagem mecânica automática. Mas, segundo Goody, nas sociedades sem escrita, não há unicamente dificuldades objetivas na memorização integral, palavra por palavra, mas também o fato de que “este gênero de atividade raramente é sentido como necessário”; “o produto de uma rememoração exata” aparece nestas sociedades como “menos útil, menos apreciável que o fruto de uma evocação inexata” (1977 a, p.38). Assim, constata-se raramente a existência de procedimentos mnemotécnicos nestas sociedades (um dos casos raros é o quipo peruano, clássico na literatura etnológica). A memória coletiva parece, portanto, funcionar nestas sociedades segundo uma ‘reconstrução generativa” e não segundo uma memorização mecânica. Assim, segundo Goody, “o suporte da rememorização não se situa ao nível superficial em que opera a memória da ‘palavra por palavra’, nem ao nível das estruturas ‘profundas’ que numerosos mitólogos encontram [...]. Parece, ao contrário, que o papel importante cabe à dimensão narrativa e a outras estruturas da história cronológica dos acontecimentos” (événementielles) (LE GOFF, 2003, p. 425-426) Assim, por se tratar de um fenômeno concomitantemente individual e coletivo, a memória apresenta-se enquanto processo dinâmico em permanente mudança, ligando o sujeito histórico ao grupo social, e a um momento específico no tempo. Este aspecto dual leva Diehl a afirmar que a memória é capaz de representar possibilidades de aprendizagem e de socialização influenciando na construção de uma identificação cultural. Memória possui contextualidade e é possível ser atualizada historicamente. Ela possui maior consistência do que lembrança, uma vez que é uma representação produzida pela e através da experiência. Constitui-se de um saber, formando tradições, caminhos – como canais de comunicação entre dimensões temporais –, ao invés de rastros e restos como no caso da lembrança. A memória pode constituir-se de elementos individuais e coletivos, fazendo parte de perspectivas de futuro, de utopias, de consciências do passado e de sofrimentos. Ela possui a capacidade de instrumentalizar canais de comunicação para a consciência histórica e cultural, uma vez que pode abranger a totalidade do passado Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 322 num determinado corte temporal. (...) Nesse nível, ela representa possibilidades de aprendizagem e de socialização, expressando assim continuidade e identidade daquelas tradições. (DIEHL, 2002, p. 116-117) É nesse sentido que Nora diferencia memória e história. De acordo com o autor, enquanto a memória se apresenta enquanto vida, visto que levada adiante por grupos vivos, encontrando-se em “permanente evolução, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento” (NORA, 1993, p.9), a história apresenta-se enquanto “reconstrução sempre problemática e incompleta do que não existe mais” (ibid, p. 9). Deste modo, o autor conclui que “a memória é um fenômeno sempre atual, um elo vivido no eterno presente; a história uma representação do passado” (ibid, p. 9). No entanto, cabe ressaltar que o aspecto atual da memória apresenta implicações importantes sobre seus limites. Enquanto processo em permanente evolução, a memória apresenta a impossibilidade de apreender os acontecimentos na forma como eles realmente aconteceram. Contudo, a partir da perspectiva de Sahlins, saber o que realmente aconteceu não depende apenas de uma descrição das ações e acontecimentos, mas da apreensão do significado da experiência e das ações. (...) para saber o que realmente aconteceu, seria insuficiente assinalar que certas pessoas agiram de certos modos, a não ser que soubéssemos o significado dessas ações. Aquilo que é contingente só se torna plenamente histórico quando é significativo: somente quando o ato pessoal ou efeito ecológico toma um valor de posição ou sistemático em um esquema cultual. Uma presença histórica é uma presença cultural. (SAHLINS, 1990, p.144, grifo meu) A história não é somente a contingência de fatos e acontecimentos, mas o significado de tais experiências para um grupo determinado. Partindo do princípio que o significado é parte integrante e fundamental para qualquer evento, este pode então ser observado a partir de dois planos: enquanto ação individual e enquanto representação coletiva. (...) o evento (qualquer evento) se desdobra simultaneamente em dois planos: como ação individual e como representação coletiva; ou melhor, como a relação entre certas histórias da vida e uma acima e além dessas outras. Parafraseando Clifford Geertz, o evento é uma atualização única de um fenômeno geral (1961:153-54). Assim, por um lado, temos a contingência histórica e as particularidades da ação individual; e, por outro, aquelas dimensões recorrentes do evento, onde podemos reconhecer uma certa ordem cultural. O paradoxo para uma “ciência” Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 323 histórica é que as circunstâncias contingentes – tais como acidentes biográficos ou geográficos – são condições necessárias. (ibid., p.143-44) Outra questão que deve ser aprofundada é a relação entre memória e identidade apontada por Diehl. De acordo com Marcus (1991), a memória individual ou coletiva é considerada enquanto prova do auto-reconhecimento, em um âmbito local, da identidade. Contudo, o autor aponta que a compreensão de processos sociais na modernidade envolve uma desconstrução da concepção de tradições ou vidas comunitárias restritas a um espaço geográfico definido. Para Marcus, a dificuldade em captar a memória enquanto processo social remete justamente a inadequação do conceito de comunidade no que tange a modernidade. Além disso, a erosão da distinção público/privado no que concerne a vida cotidiana, o deslocamento da oralidade e da narração para outra função além de sua original ligada a transmissão da memória, são exemplos de fatores apontados por Marcus que tornam a descrição e compreensão da memória uma tarefa difícil para a modernidade. O passado que continua presente é construído a partir da memória, que é o agente fundamental da etno-história. Numa etnografia modernista, a memória coletiva e individual, nos seus múltiplos sinais e expressões, é tomada como prova do auto-reconhecimento, ao nível local da identidade. Ainda que o significado da memória como agente vinculador e como processo que relaciona a história com a formação da identidade tenha bastante aceitação junto aos etnógrafos contemporâneos, uma reflexão analítica e metodológica sobre a memória ainda não se desenvolveu. Contudo, é mais um fenômeno difuso da modernidade que permite a compreensão dos processos da diversidade que derivam, não de tradições enraizadas ou da vida comunitária, mas da sua emergência no seio de outras associações que se processam na memória coletiva e na individual. A dificuldade de captar a memória de forma descritiva enquanto processo social ou coletivo, na modernidade, está relacionada com a inadequação do conceito de comunidade no que se refere à conceitualização do plano espacial da etnografia, como apontado acima. A erosão da distinção público/privado na vida cotidiana (...), aliada ao deslocamento – na era da informática – da oralidade e da narração de estórias para outra função além da sua função original de reserva de memória (tida também como condição da vida na comunidade, como concebida originalmente), tornam a compreensão e descrição de qualquer “arte de memorizar” especialmente problemática na modernidade. (MARCUS, 1991, p. 205-206) Apesar do estudo da memória na contemporaneidade apresentar questões mais amplas e complexas, pode-se afirmar, a partir da discussão levantada, que esta origina-se de Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 324 um processo dinâmico de interação entre indivíduo e meio social, ela é coletiva e ao mesmo tempo individualizada, é viva, pois diz respeito aos sujeitos históricos e à dialética da lembrança e do esquecimento, é capaz de instrumentalizar canais de comunicação para uma apreensão histórica e cultural, representa possibilidades de aprendizagem e socialização, formando tradições e influenciando na construção de identidades. A partir de apreensões tão complexas, é necessário escolher um caminho a ser seguido para abordar o estudo da memória. Não há como trata-la enquanto algo exclusivamente pessoal. Tampouco considerala apenas um produto social, pois a torna sem substância, retirando o aspecto vivo do processo de construção da memória. Nem um extremo, nem outro. É fato que a memória se expressa em ambos os níveis, contudo, no que concerne às ciências humanas – ou, mais especificamente, às ciências sociais – é seu caráter enquanto fenômeno social, cujas manifestações podem ser percebidas, apreendidas e analisadas, que importa, pelo menos no que concerne às ciências sociais. Pode-se estabelecer um paralelo entre afirmação o caráter social da memória e a concepção do antropólogo Clifford Geertz acerca da natureza social do pensamento. Para Geertz: O pensamento humano é rematadamente social: social em sua origem, em suas funções, social em suas formas, social em suas aplicações. Fundamentalmente, é uma atividade pública – seu habitat natural é o pátio da casa, o local do mercado e a praça da cidade. (GEERTZ, 1989, p. 225) Assim, é precisamente a concepção do pensar enquanto ato social que apresenta um papel significativo para as ciências sociais: (...) a concepção do pensar como sendo basicamente um ato social, que ocorre no mesmo público em que ocorrem outros atos sociais, pode desempenhar um papel muito construtivo. A perspectiva de que o pensamento não consiste em processos misteriosos localizados naquilo que Gilbert Ryle chamou de gruta secreta na cabeça, mas num tráfico de símbolos significantes – objetos em experiência (rituais e ferramentas; ídolos esculpidos e buracos de água; gestos, marcações, imagens e sons) sobre os quais os homens imprimiram significado – faz do estudo da cultura uma ciência positiva como qualquer outra. (ibid., p. 227) A proposição de encarar o pensamento enquanto ato social não anula a questão individual pelo simples fato de serem os homens que pensam. Contudo, o autor foge da concepção ingênua que o pensamento é algo estritamente individual ao afirmar que os Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 325 sistemas de símbolos que orientam e definem o pensamento humano “não são dados pela natureza das coisas – eles são construídos historicamente, mantidos socialmente e aplicados individualmente” (ibid., p.229). Adaptando o pensamento de Geertz para o objetivo do presente artigo, porém, sem deturpá-lo, é possível considerar a memória enquanto um ato social, pois implica necessariamente um “tráfico de símbolos significantes”, especialmente em se tratando da memória de um grupo social específico. Diehl apresenta uma concepção parecida, mas voltada à questão do papel da memória para a história: “Para a história, não são as memórias e identidades os pontos centrais, mas as suas respectivas representações nas experiências e expectativas de vida” (Idem, p. 113). O autor continua: “se pensarmos memória dentro dessa perspectiva, então ela não aparece como fonte de informações para o conhecimento histórico, mas como expressão do próprio pensar histórico” (DIEHL, 2002, p. 120). Com efeito, apreender a memória enquanto expressão do pensar histórico, ou como tráfico de símbolos significantes possibilita ir além do caráter individual do processo de rememorização para enfocar suas formas sociais e culturais. Essa é uma questão epistemológica central. Como algo que está necessariamente vinculado a experiência individual pode ser objeto de estudo das ciências sociais? Partindo do princípio que indivíduo percebe, apreende, interpreta, dota de significado e imprime sentido ao mundo que o cerca a partir do convívio social, é possível encarar a memória enquanto um ato social, enquanto uma expressão do pensar histórico. Além da preocupação epistemológica, há questões metodológicas a serem apontadas. A principal delas consiste em refletir o papel do pesquisador na produção do conhecimento. Especialmente no caso da memória, o objeto de pesquisa não é palpável, não é possível visualizá-la, não está presente na realidade social concreta, tampouco se pode medir ou quantifica-la. Na medida em que não se lida com fatos concretos, é necessário que o pesquisador admita o caráter interpretativo da pesquisa científica, assumindo em contrapartida a consciência de sua subjetividade na produção do conhecimento, tendo em vista que este processo não fornece uma percepção completa de um fenômeno ou garante acesso à verdade. A objetividade científica não consiste em nos ausentarmos da cena do discurso e em simularmos uma neutralidade que é tanto impossível Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 326 quanto indesejável. Essa objetividade consiste, antes, em assumir a tarefa de interpretação, que cabe aos intelectuais. (...) A responsabilidade pela interpretação, é óbvio, não chega a reivindicar, para nossas interpretações, acesso completo e exclusivo à verdade. (PORTELLI, 1997,p. 26-27) Nessa ótica, Schaff aponta, baseando-se no Trabalho de Pirene, que a produção do historiador é concomitantemente síntese e hipótese. O trabalho do historiador, como diz Henri Pirene, é ao mesmo tempo uma síntese e uma hipótese: uma síntese na medida em que o historiador tende a reconstituir a totalidade da imagem a partir do conhecimento dos fatos particulares; uma hipótese na medida em que as relações estabelecidas entre esses fatos não são nunca absolutamente evidentes nem verificáveis. (...) Sublinhar o caráter hipotético dos resultados do trabalho do historiador, é apreender em outros termos o papel que desempenha o fator subjetivo neste trabalho. (SCHAFF, p. 285) Tais questões não se encerram no campo da historiografia, pelo contrário, englobam outros campos das ciências humanas dedicadas aos estudos culturais. Retomando o pensamento de Geertz, que chega ao ponto de afirmar sobre a produção de textos antropológicos, que estes se enquadram enquanto ficções, não por constituírem-se enquanto proposições falsas, mas por tratar-se interpretações e construções orientadas com o intuito de apresentar uma descrição acerca do objeto de estudo. Nas palavras do autor: Resumindo, os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e, na verdade, de segunda e terceira mão. (Por definição, somente um “nativo” faz a interpretação em primeira mão: é a sua cultura.) Trata-se, portanto, de ficções; ficções no sentido de que são “algo construído”, “algo modelado” – o sentido original de fictio – não que sejam falsas, não-fatuais ou apenas experimentos do pensamento. (GEERTZ, 1989, p.11) Assim, o autor chega à conclusão que a descrição etnográfica apresenta necessariamente três características, a saber: “ela é interpretativa; o que ela interpreta é o fluxo do discurso social e a interpretação envolvida consiste em tentar salvar o “dito” num tal discurso da sua possibilidade de extinguir-se e fixá-lo em formas pesquisáveis” (ibid., p. 15) Considerando a discussão levantada, é inevitável que qualquer pesquisa que se pretenda realizar carregue certo grau de subjetividade. Nas ciências humanas principalmente, esse pressuposto pode ser contrabalançado por uma abordagem interpretativa. No caso do estudo da memória, as opções epistemológicas e metodológicas Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 327 remetem a um grau de subjetividade que envolve não somente tais escolhas, mas a forma como a pesquisa é levada a cabo. Nesse âmbito, a perspectiva interpretativa possibilita ao pesquisador certo grau de objetividade na medida em que parte do princípio que o trabalho intelectual é uma construção que, em momento algum, pretende reivindicar para si a posse de uma verdade definitiva. O presente artigo teve como objetivo principal discutir questões relevantes ao estudo da memória na contemporaneidade, apontando alguns pontos básicos e problemas levantados por autores que pensam a memória na modernidade. O intuito seria, partilhando da concepção de Geertz, de uma abertura nas possibilidades de apreender as relações sociais e simbólicas que os seres humanos constroem ao interagirem socialmente. Nesses termos, um trecho da obra do autor exprime a intenção primeira do texto. A antropologia, ou pelo menos a antropologia interpretativa, é uma ciência cujo progresso é marcado menos por uma perfeição de consenso do que um refinamento do debate. (...) não há conclusões a serem apresentadas; há apenas uma discussão a ser sustentada. (ibid, 1989, p.38) REFERÊNCIAS DIEHL, Astor Antonio. Cultura historiográfica: memória, identidade e representação. Bauru, SP: EDUSC, 2002. GEERTZ, Clifford. A Interpretação das culturas. Rio de Janeiro:Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., 1989. GOULART, Sandra Lúcia. As raízes culturais do Santo Daime. Tese (mestrado em antropologia social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996. LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Unicamp, 2003. MARCUS, George. Identidades passadas, presentes e emergentes: requisitos para etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial. Revista de Antropologia, v. 34, 1991. Revista de Iniciação Científica da FFC, v. 8, n.3, p. 319-328, 2008. 328 NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História , 10. História e Cultura: São Paulo – PUC/SP, 1993. PORTELLI, Alessandro. Tentando aprender um pouquinho: algumas reflexões sobre a ética na História Oral. Projeto História 15. São Paulo, 1997. SAHLINS, Marshall. Ilhas de História. Rio de Janeiro: Zahar, 1990. SCHAFF, Adam. História e verdade. São Paulo: Martins Fontes, 1983. ARTIGO RECEBIDO EM 2008